domingo, 24 de maio de 2015

A ESQUERDA QUE A DIREITA AMA....PSOL.

A esquerda que a direita ama
Quem são os direitistas do Psol?
Financiamento da Gerdau? A favor das UPPs? Contra o direito das mulheres? De quem falamos quando dizemos que o Psol está cheio de direitistas?

 Diversão de 8 a 80 anos
 (Foto: retirado da internet)
Para falar do Psol é preciso falar de seus representantes no Parlamento, já que é em torno de sua atividade e de seus interesses que todo o partido orbita.
Em mais de 10 anos de existência, declarações e posicionamentos direitistas não são exceção. Se mostraram a regra no partido. A análise do que fazem logo entrega a falsidade do que falam (quando falam claramente). A frente de esquerda, que disseram que realizariam apenas com PSTU e PCB, por exemplo: em 2008, PSOL realizou 21 coligações fora da Frente de Esquerda como PCdoB, PV, PDT, PPS, PSB, PMN, PTN e PSDC.
O Psol, partido criado por parlamentares dissidentes do PT para manterem seus cargos, mostra a cada eleição que pouco se diferencia dos demais partidos financiados pela burguesia. Vejamos:

 Luciana Genro 

Dirigente da corrente Movimento de Esquerda Socialista (MES), a filha do ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), foi eleita deputada três vezes pelo PT, até ser expulsa, no final de 2004, junto com outros parlamentares do partido por se oporem à Reforma da Previdência. Foi também junto destes parlamentares e outros dissidentes do PT que foi formado o Psol, do qual Genro sempre foi de uma ala direita. Apesar de sua ala se fortalecer internamente no partido, Genro só conseguiu se eleger uma vez pela legenda, se mantendo em 2006 no cargo de deputada federal. Em 2014, foi candidata a presidente da República pela legenda, fazendo uma campanha baseada no apelo moral pequeno-burguês e na cobertura dada pela imprensa burguesa de direita. Entre outras coisas, Luciana Genro já defendeu:
1) O golpe na Ucrânia apoiado pelos neonazistas, financiado pelo serviço secreto norte-americano (foi chamado por Luciana Genro de “revolução popular”).
2) As seguidas injustiças perpretadas contra os mensaleiros como prisões indevidas, troca de juízes e penas absurdas.
3) A busca por um capitalismo “mais ético”, o que na verdade não significa nada, é apenas retórica para que a classe trabalhadora não se mobilize e apenas concentre suas forças no terreno eleitoral
4) O financiamento de suas campanhas por grandes empresas capitalistas como a Gerdau (de Jorge Gerdau que faz parte do instituto Millenium) no valor de cem mil reais e da rede Zaffari, proprietária de sete shopings centers. Esses financiamentos mostram que os grandes capitalistas não temem o Psol, muito pelo contrário, vêem em seus candidatos oportunidades para crescer.
5) Nas manifestações de 15 de março de 2015, Luciana fez uma frente única com a direita e a extrema-direita, dizendo que apesar de ser um movimento reacionário, existiam “alas” da classe media que poderiam ser disputadas e que por isso a manifestação (golpista, diga-se de passagem) era boa.
6) Desprezou a manifestação de 13 de março levada a cabo, entre outros, pela CUT e MST e foi a maior manifestação da esquerda desde junho de 2013. O não era a favor do governo e sim contra o golpismo.
7) A crença em Syriza na Grécia e Podemos na Espanha, que nada mais são que partidos da esquerda pequeno-burguesa que são muito mais direitistas e atacam muito mais os trabalhadores do que faz o PT.
8) O golpe militar no Egito que também foi chamado de revolução popular e que agora Luciana Genro diz que apenas não deu certo, "não rendeu frutos".

Heloísa Helena

A primeira candidata pelo Psol, e também pela Frente de Esquerda, que reuniu PSTU e PCB, a alagoana Heloísa Helena é certamente uma das figuras do partido mais claramente representante da burguesia. Antes do Socialismo e Liberdade, no PT, Heloísa Helena foi vice-prefeita de Maceió, na chapa de Ronaldo Lessa (PSB), eleita em 1992; após dois anos na prefeitura, a vice se lançou à candidatura para Câmara dos Deputados, saindo vitoriosa e, quatro anos depois, se tornou a primeira mulher eleita senadora do País pelo estado de Alagoas. Foi ainda como senadora que Heloísa deixou o PT e formou o Psol, com grande apoio da imprensa burguesa para se candidatar à presidência pelo novo partido. Foi também em sua campanha eleitoral à presidência, aclamada como revolucionária por toda a esquerda pequeno-burguesa centrista, que Heloísa Helena expôs grande parte do seu direitismo.
1) "... Uma repressão implacável ao crime organizado” foi uma de suas frases na campanha eleitoral de 2006, colocando toda a força no aparato repressivo do Estado que, como sabemos, ataca sempre mais a classe trabalhadora.
2) Se tornou campeã da campanha anti-aborto, ou melhor, contra a escolha que a mulher possa fazer sobre ter ou não um bebê, defendendo a prisão das mulheres que praticarem o aborto.
3) Na mesma campanha, defendeu que o governo abrisse seus cofres para tirar grandes monopólios estrangeiros da crise, como a Volkswagen.
4) Condenou a ocupação do Congresso pelos sem-terra. Na campanha eleitoral de 2006, disse claramente que era contra as ocupações de terra, pois eram contra a Constituição.
5) Foi contra as pesquisas com células-tronco e a favor do ensino religioso.

Plínio de Arruda Sampaio

Com longa trajetória política, Plínio de Arruda Sampaio começou sua atuação política no conservador Partido Democrata Cristão, durante a República Nova, tendo assumido cargos público e sido eleito Deputado Federal e perdendo o cargo pouco tempo depois do Golpe Militar de 1964 e deixando o país em exílio. Em 1976, ao voltar para o Brasil, se filiou ao MDB. Após uma tentativa fracassada de criar um partido de esquerda com Fernando Henrique Cardoso, Arruda rompeu com o partido de oposição consentida à ditadura e participou da criação do PT.
Logo no início do PT, Plínio conseguiu cargo parlamentar, assumindo mais de uma vez a liderança da bancada da sígla, em nome da corrente majoritária, a Articulação. Plínio também chegou a ser candidato ao governo de São Paulo pelo partido, em 1990. Após a eleição de Lula para a presidência, Plínio se agrupou com o setor do partido que rompeu e entrou para o recém-criado Psol, no qual enfrentou a eleição ao governo de São Paulo, em 2006, e a presidente da República, em 2010. Mesmo nunca tendo abandonado o pensamento religioso e conservador, se limitando praticamente à reforma agrária o seu caráter esquerdista, Plínio sempre foi considerado um "revolucionário" pelos correligionários.
1) “O programa eleitoral precisa colocar a necessidade de reformas radicais no capitalismo, que são as que produzem desequilíbrios”, disse na campanha eleitoral, demonstrando seu reformismo e a luta por bancadas parlamentares e não em defesa do trabalhador.
2) Em São Paulo, nas eleições de 2006, quando era candidato a governador, defendeu junto com Heloísa Helena a doação de dinheiro público via BNDES para os empresários da Volkswagen, quando havia uma greve dos trabalhadores em função das demissões.
3) Elogiou o projeto Ficha Limpa, dizendo que quem “não sabe cuidar da própria vida” não pode cuidar da vida dos outros. O projeto, que defende que quem tenha condenações na justiça não possa se candidatar, foi desde o início defendido pela direita e os setores mais reacionários como a Igreja. O objetivo era impedir que os trabalhadores, principalmente os sem-terra e os operários que por algum motivo recebam condenações na Justiça, como, por exemplo, por participarem do movimento contra os patrões e os latifundiários, possam se candidatar.
4) Plínio declarou nas eleições para prefeito de São Paulo, em 2012, preferir Serra (PSDB) a Haddad (PT), pela “competência”, se alinhando com o principal partido articulador do golpe na atualidade.

Randolfe Rodrigues


Eleito senador pelo Amapá em 2010, Randolfe Rodrigues atuou no PT, foi eleito deputado estadual em 1998 e reeleito em 2002. Abandonou o partido em 2005 para filiar-se ao Psol, usando as denúncias do "mensalão" como pretexto. Membro da APS de Ivan Valente, ficou em segundo lugar nas eleições para a prefeitura de Macapá em 2008. Foi na sua carreira parlamentar pelo Psol que se destacaram alguns de seus lances mais direitistas:
1) Em 2013 durante a eleição para a presidência do Senado, o senador do Psol, desistiu de sua candidatura para apoiar o candidato do PDT, Pedro Taques, junto à bancada do PSDB e do DEM.
 2) Randolfe Rodrigues estava na “marcha” liderada por Aécio Neves para ir até o Superior Tribunal Federal (STF) pedir a abertura da CPI da Petrobras. Da mesma forma, Randolfe tem feito coro com a campanha anticorrupção da direita quando, esta na verdade, é apenas uma fachada que este setor ganhe mais espaço no regime politico.
3) Randolfe declarou abertamente que não irá reverter nenhuma das privatizações. Essa política significava apenas a continuidade do neoliberalismo de FHC.
4) Apresentou, quando era candidato à presidência nas prévias do partido, um programa de paraíso capitalista no Brasil, onde a solução seria simplesmente criar um freio ao “capital volátil”. O grande problema seria a especulação financeira , que quer lucrar “sem o suor do trabalho”. O capital industrial, as empresas que exploram os trabalhadores seriam bem-vindas.

Marcelo Freixo

Deputado estadual do Rio de Janeiro, Freixo é outro membro do Psol cujo destaque se dá em função da campanha favorável a ele feita pela imprensa burguesa de direita. A votação que conseguiu nas eleições para deputado estadual do Rio em 2010, sendo o segundo mais votado no ano, é o capital político do qual vive. Cotado para candidatar-se à prefeitura, no seu currículo há conquistas direitistas inquestionáveis como:
1) A defesa das UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora, controladas pela Polícia Militar nos morros e favelas na cidade do Rio de Janeiro).
2) “Pulso firme com as greves, sim claro”. Ao ser questionado ainda se cortaria o ponto dos grevistas, Freixo disse que “depende. Depende da situação. Aí depende do setor, depende da situação, depende do que tiver acontecendo. Essa é uma situação que você não tem como prever”. Não vai aceitar, não vai ceder; para ele, grevista tem que ser tratado com dureza.
3) Declarou “respeito aos contratos” estabelecidos entre o atual governo e as máfias capitalistas, que nada mais é que uma defesa feroz do atual regime político e da manutenção do seu status quo. “Reiteramos categoricamente: Vamos respeitar todos os contratos!”, afirmou.


Clécio Santos

Candidato pelo Psol à prefeitura de Macapá em 2012, Clécio Santos vem estabelecendo um currículo invejável:
1) Festejou a aliança entre Psol e DEM  para o segundo turno da eleição municipal em Macapá.
 2) O ex-candidato à Presidência da República pelo Psol, o paulista Plínio de Arruda Sampaio também defendeu as alianças em Macapá e Belém: “São cidades onde temos condições fortes de vencer a eleição. Nesse momento, os adversários se unem, então nossos candidatos também estão obtendo apoios”, declarou.
4) Sobre a aliança em Macapá, Plínio declarou ainda: “É um caso muito particular e diz respeito a um lugar remoto num estado muito pequeno, de modo que, nesse caso, se fez uma vista grossa”.
 3) Clécio é um ex-policial que gostaria de receber dinheiro de empresários e capitalistas durante seu governo, conforme declarou em entrevista logo após a eleição.

Edmílson Rodrigues

Professor e arquiteto, foi prefeito de Belém entre 1997 e 2005. Teve mandatos como deputado estadual de 1987 a 1990, e de 1991 a 1994. Concorreu ao senado, em 1994, pelo PT, mas não se elegeu.
Aderiu ao Psol em 2005. Elegeu-se deputado estadual em 2010, e deputado federal em 2014. Como os demais líderes do Psol, ganhou destaque não por atuar na luta das massas, da classe operária e dos oprimidos, mas por sua atuação parlamentar, em aliança com a direita.
1) Votou contra proposta da MP que garantiria 30 dias de auxílio-doença a quem estivesse afastado, mantendo apenas os 15 dias
2) 80% da campanha eleitoral do candidato da frente Psol-PSTU-PCdoB foi financiada por grandes empresas. A construtora COGEP concedeu R$ 160 mil para  tentar eleger Edmilson.

Devidamente fichados os figurões direitistas do Psol... e o que virá depois?

sexta-feira, 8 de maio de 2015

CUNHA;SUA BATATA ESTÁ ASSANDO...

O duelo Cunha x Janot
e o semimoralismo da mídia

Ele se beneficia do projeto da Lava Jato: destruir o PT


O Conversa Afiada reproduz aguda analise do Fernando Brito, no Tijolaço:



O duelo Cunha x Janot e o semimoralismo da mídia



Eduardo Cunha, como todo aventureiro, aposta sempre na ousadia.

É o que está fazendo, diante da acusação de que teria recebido, por ordem de Alberto Youssef, dinheiro como produto da chantagem sobre um lobista de uma empresa de afretamento de navios.

Joga abertamente com seu poder de Presidente da Câmara para colocar-se na posição de “cidadão acima de qualquer suspeita”.

O primeiro passo foi enviar uma “defesa” a seus comandados, num espaço que controla: a CPI da Petrobras.

O segundo, criar um clima de intimidação entre os servidores da Casa, ao demitir o responsável pelo setor de Informática, onde se revelaram os rastros dos requerimentos que mandou fazer para pressionar o lobista Julio Camargo e a Mitsui.

Explico: todos os computadores da Câmara, para serem acessados, exigem nome de usuário e senha e deixam gravados nos arquivos que gera o gabinete onde foram criados. E o gabinete de onde partiram os tais requerimentos foi o dele, embora tenham sido, depois, assinados eletronicamente pelos que lhe serviram de “laranjas”.

Por último, fez seu lance mais ousado: pretender o arquivamento da investigação.

É lógico que Cunha sabe que não será arquivada assim, sem mais nem menos, mesmo que tenha havido o “sumiço” do ex-policial Jaime “Careca”
(já apareceu e deixou a Lava Jato de cuecas – PHA) , que teria sido o portador da “mala” de dinheiro.

O que ele busca é o confronto o mais público possível com o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot.

Pretende, na Presidência da Câmara, peça chave para a mídia que quer demolir o Governo, o delírio de alcançar o poder  total.

Conta com que, mais cedo ou mais tarde, mesmo que convicto do contrário, Janot desista.

Sabe, também, que conta com a inapetência de parte expressiva dos procuradores, da Polícia Federal e do próprio Juiz Sérgio Moro em investigar aquilo que não contribua para o projeto “Delenda PT”,  que inspira toda a Lava-Jato.

Se vai conseguir ? Não é provável, até este instante, mas está longe de ser impossível.

Mesmo que seja muito útil para enfraquecer o Governo, Cunha está fadado a ser como seu primeiro padrinho político, Fernando Collor.

Útil para derrotar a esquerda, imprestável para governar pela direita.


Leia também:


Que tal um médico terceirizado, Cunha?



Cunha, o Janio assou a tua batata !


MAIS SOBRE E PIG E SEUS PREPOSTOS...

Se o Sardenberg
não fosse da Globo

Alguém te contrataria se você não estivesse na moldura da Globo ?



A Globo acha que o Carlos Alberto Sardemberg é um “especialista” em Economia.

Tanto que abre a página de (uma só) Opinião do Globo para um artigo de título “Quando a palestra parece lobby”.

É para tratar daquela denúncia das Sete Mentiras sobre o Lula que o Ataulpho Merval (com “ph” fica mais chic …), na CBN, sentenciou: isso de não ter prova não significa muita coisa, não – o que mereceu cândida observação na TV Afiada sobre quem fede mais.

O notável artigo do Sardenberg, que o ansioso blogueiro conheceu quando não era da Globo – e não devia fazer palestra nenhuma – mereceu comentário de amigo navegante, que conhece as profundezas desse cinzento mercado de palestras globais, na qualidade de contratante:


Viu o que o Sardenberg criticou palestra do Lula e sua influência, se vale quanto paga?

Sabe o que o Sardenberg faz palestras e quem o lê no globo, vê na CBN, Globonews e jornal d globo não sabe?

A palestra dele vale quanto?

Não há risco de tráfico de influência em falas dele que afetem o mercado?

Que hipócrita…

Quanto valeria uma palestra do Carlos Alberto Sardenberg se ele não fosse vendido ao mercado como âncora da Globo, Globonews, CBN e colonista (como diz você) do Globo?

Quem pagaria R$ 30.000.00  por uma palestra do Sardenberg para ouvir suas platitudes ?

Uma nota de rodapé da lógica neolibelês da Urubóloga ?

Ele copia a Urubóloga, que pensa como os economistas de bancos …

Será que quem contrata o Sardenberg não paga também por um lobby junto à maior organização de mídia do Brasil?

Veja só:

Palestrarte

Faixa de honorários: entre (sic !) R$ 15 mil e R$ 30 mil.

http://palestrarte.com.br/palestrante/carlos-alberto-sardenberg/

Casa de Palestras

http://www.casadepalestras.com.br/palestrante/carlos-alberto-sardenberg/

Prosperitá Palestras

http://www.prosperitaeventos.com.br/palestrantes/carlos-alberto-sardenberg/

Site do Sardenberg

http://www.sardenberg.com.br/index.php/fale-conosco/palestras.html

Navalha
Quanto cobra a Urubóloga?
Quanto pagariam se não fosse da Globo?
Quando trabalhou na Globo, na qualidade de Editor de Economia dos jornais de rede e comentarista de Economia no Jornal da Globo, o ansioso blogueiro recebeu do Diretor de Jornalismo Armando Nogueira a recomendação de não fazer palestras remuneradas por empresas.
Ele considerava que havia “conflito de interesse” – ser comentarista de Economia da Rede Globo e fazer palestra em empresa…
“Essa empresa te contrataria se você não trabalhasse com a moldura da Globo?”, perguntava ele.
Mas, isso, foi no tempo em que o Dr Roberto mandava…
Hoje, a TV Globo é uma vitrine para a indústria de palestras.
O salário deve ser 1/3 da renda de um notável palestrista global.



Em tempo: o ansioso blogueiro é um palestrante de nomeada, e trabalha na TV Record, onde NÃO faz “análise” de Economia …


Em tempo2: o Conversa Afiada tem o prazer de republicar comentário de amigo navegante leitor do post :

O Sardenberg esquece nos currículos de palestrante de informar que foi da Polop – mesma organização guerrilheira de que a Dilma fez parte -, no tempo em que esta controlava o cursinho da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, da USP, onde conseguiu emprego de professor. Teve também uma fase em que trabalhou com o grande pensador político Raimundo Pereira a quem devotava muita admiração. Trabalhou uma época na Visão (antes do Maksoud), onde predominava um grupo do qual fez parte o Vladimir Herzog. No Estadão,  ele ainda manifestava ideias de esquerda. Teve também uma fase com o Mino Carta, na Isto É, onde se notabilizou por jogar tênis todos os dias com o chefe. Depois passou a ser um grande admirador do jovem Fernando Moreira Sales, dono da IstoÉ. Quando contribuiu para derrubar o Mino. E por ai seguiu este fantástico camaleão, sempre adequando suas convicções. E assim caminha pela vida sem culpas e vergonhas.

Em tempo3: como diz o Mino: no Brasil, os jornalistas são piores que os patrões.




Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 5 de maio de 2015

PORTO DO AÇÚ.

Porto do Açu: negócio da ou para a China?

china 2
A matéria abaixo assinada pelo jornalista Nicola Pamplona é mais uma daquelas que vem para dar uma força a mais no esforço de apresentar o Porto do Açu como um negócio de futuro. Desse tipo de matéria/press release já se viram muitas. Mas eu diria que essa, intencional ou acidentalmente, nos traz informações excelentes sobre, digamos, as entranhas do empreendimento. 
À guisa de exemplo cito o montante de R$ 100 milhões que a Prumo Logística Global estaria arrecadando com a cobrança de aluguéis das empresas que já se instalaram na retroárea do Porto do Açu. Esse montante é, convenhamos, um valor considerável, especialmente se considerarmos que uma parcela dessas terras foi desapropriada pelo (des) governo de Sérgio Cabral de agricultores e pescadores humildes que, em sua maioria, ainda esperam pelo pagamento das indenizações previstas na Constituição Federal. Tomando apenas essa questão, esse é um negócio (desculpem-me o trocadilho) da China! Nada mais conveniente, diga-se de passagem, já que o Porto do Açu foi pensado para servir à China.
Por outro lado, a divulgação dessas cifras milionárias deve deixar muita gente de orelha em pé, a começar pelos muitos agricultores que ainda disputam na justiça os baixos valores que lhes foram designados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN) como compensação pela desapropriação de suas terras. Mas a conta não deverá para por ai, pois ao contrário do que a matéria do O DIA aponta, nem tudo é alegria lá pelas bandas do Porto do Açu.
Finalmente, eu acho muito interessante que tenhamos o presidente da Prumo Logística Global como fonte dessa reportagem. É que tendo o Sr. Eduardo Parente divulgado expectativas financeiras tão positivas para o empreendimento, agora há toda condição para que os grupos afetados pelas diferentes mazelas associadas à implantação do Porto do Açu (por exemplo: erosão costeira, salinização de águas e solos, poluição atmosférica, desapropriações) possam exigir compensações financeiras e cumprimento de contingências sem que se tenha de ouvir o discurso de que não há dinheiro para tanto. Pelo que se depreende da matéria, dinheiro não será problema. A ver!

Terminal de transbordo de petróleo Porto do Açu deve gerar R$ 100 mi por ano

Empreendimento foi desenvolvido por Eike Batista em São João da Barra e deve iniciar operações em 2016

NICOLA PAMPLONA
Rio – O gargalo logístico do setor de petróleo é um dos motivos pelos quais a Prumo Logística Global se esforça para virar o jogo no Porto do Açu, gigantesco empreendimento desenvolvido por Eike Batista em São João da Barra, que viveu tempos sombrios após a implosão do Império X. Em fase final de obras, o terminal de transbordo de petróleo tem início de operações previsto para o ano que vem, contribuindo com uma receita anual de até R$ 100 milhões para o projeto. Com os recursos, a empresa passa a gerar caixa suficiente para começar a reduzir sua dívida de R$ 3 bilhões. “É o nosso grande pulo do gato”, diz o presidente da empresa, Eduardo Parente.

Obras do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense. O terminal de transbordo de petróleo deve começar a funcionar ano que vem
Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia
“Cliente óbvio” do porto, nas palavras de Parente, a indústria do petróleo desponta como a atividade com maior potencial de crescimento neste momento, uma vez que o projetado polo siderúrgico caiu por terra após a crise internacional. Os clientes instalados garantem à Prumo uma receita anual de R$ 100 milhões com aluguel. Já o terminal de minério, em funcionamento desde outubro do ano passado, acrescenta R$300 milhões. “Fazendo uma conta absolutamente de padaria, começamos a poder pagar dívida na hora em que passarmos de R$ 400 milhões em receita. E a gente já vê isso acontecendo no curto prazo”, diz Parente.
A perspectiva reside na projeção de receita de R$100 milhões com o terminal de transbordo de petróleo, operação conhecida como ‘ship to ship’, que consiste em passar a produção de navios aliviadores (que retiram o óleo das plataformas) para grandes petroleiros, que levam a o óleo bruto para exportação. O gargalo na infraestrutura para este tipo de operação leva parceiras da Petrobras no pré-sal, como a BG, ao Uruguai, em uma viagem que dura três ou quatro dias a mais em cada trecho. Este mês, o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Inea) revogou a licença para operações ‘ship to ship’ em Angra dos Reis, reduzindo ainda mais a capacidade brasileira.
No porto, o vaivém de caminhões carregados indica que o pior da crise, que chegou a paralisar quase completamente as obras em 2013, está passando. As grandes obras de infraestrutura devem ser concluídas este ano, gerando um alívio de caixa na empresa, após investimentos já realizados de R$ 7,6 bilhões.
O orçamento de 2015 prevê investimentos de R$ 1 bilhão, quase metade do ano passado, parte em execução física e parte para o pagamento de fornecedores que tiveram que desmobilizar pessoal e equipamentos durante o período crítico. “O risco do negócio é hoje bem menor”, diz o executivo.
5 MINUTOS COM:
EDUARDO PARENTE, presidente da Prumo
Qual a previsão de conclusão das obras? 
Não vai acabar nunca. Se olharmos o Porto de Tubarão, que é do início dos anos 70, há obras até hoje. E vai continuar. A infraestrutura básica, o grande gasto de capital para botar de pé, para a gente conseguir operar, está praticamente pronta.
O porto já começa a gerar receita. Há alguma previsão de chegar a fluxo de caixa positivo? 
Estamos em uma situação bem mais confortável. O terminal de transbordo de petróleo não opera este ano ainda, mas esperamos ter boas notícias de contratos de longo prazo em breve. Na hora em que o porto está pronto, a situação comercial fica muito mais simples.
A evolução financeira do projeto é comum para um empreendimento deste porte ou foi prejudicada pela crise?
Difícil encontrar um projeto deste porte para comparar. Tem projetos grandes, como Belo Monte e a duplicação de Carajás, mas um projeto de uso público financiado com capital privado não tem. As pessoas comparam com Suape, mas é uma realidade muito diferente.

O SILÊNCIO CRIMINOSO..

O conivente silêncio com os crimes
Até pouco tempo atrás, a luta pela democratização da mídia tinha como principal objetivo se opor ao oligopólio, formado por menos de uma dezena de famílias, que controlam os meios de comunicação no país. Se este motivo já era suficiente para exigir do governo uma lei de mídas, indispensável para a consolidação da democracia brasileira, a ele juntou-se outro: combater o principal foco de difusão das ideias mais reacionárias,  anti-sociais e a conivência, com seu silencio, com praticas criminosas que deveriam ser investigadas.
Sobre a brutal violência com que o governador tucano do Paraná, Beto Richa, promoveu contra os professores e funcionalismo público, o jornal O Estado de S. Paulo não hesitou em culpar as próprias vitimas da insana repressão policial. Os milhares manifestantes foram rotulados de “partidários” e “selvagens” e,  portanto, “não se poderia esperar outra reação da força de segurança destacada”, escreveu em editorial.  O uso de balas de borracha, gás lacrimogêneo, cães, bombas de efeito moral e helicópteros, resultou em quase 200 feridos, alguns em estado grave. Para o jornal paulistano, diante dos servidores públicos, mobilizados em defesa dos seus direitos já adquiridos, a policia militar só poderia ter agido da forma que agiu. Nada é mais esclarecedor da visão de mundo que tem esse jornal.
Há tempos, a mídia empresarial nativa – é um acinte  chama-la de brasileira -  não se pauta mais pela realidade dos fatos e, muito menos, adota um comportamento ético em seu jornalismo. Assassinato de reputação, prática vexaminosa da revista Veja, seguidamente exposta pelo jornalista Luís Nassif, parece ter feito escola e, sentindo-se impune, não encontra mais limites. Denuncismo sem provas, divulgação seletiva e um silêncio conivente com as falcatruas dos aliados, são as principais características da mídia brasileira nos dias de hoje.
Será que é inexplicável  ter sumido do noticiário o caso dos 450 quilos de pasta de cocaína apreendida no helicóptero da família Perrella, aliada politica do senador tucano Aécio Neves? Não é inexplicável. Faz parte do conluio. Inexplicável, e vergonhoso, é o governo Dilma e, principalmente, seu ministro da Justiça, que se vangloriam de ter uma Policia Federal republicana, não dar nenhuma resposta para a sociedade  sobre esse caso.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, detentor de generosos espaços na mídia para divagar suas ideias – agora flertando com o golpismo de Estado ao defender o  impeachment da presidenta Dilma Rousseff – sofre uma verdadeira blindagem da mídia. Coube ao jornalista Ricardo Melo, nessa semana, perguntar: “Fernando Henrique Cardoso vive do quê? O príncipe que virou sapo, tão logo deixou o Alvorada, foi morar num apartamento que pertencia a uma família de banqueiros. Diz que comprou a preços módicos...” sobre isso, um silencio sepulcral na mídia, que não existiria se o comprador do imóvel fosse o presidente de 2003-2010.
Qual seria o comportamento da mídia se soubesse que numa repartição publica de um governo petista há denuncias de corrupção e casos de pedofilia? O jornalista James Alberti, da RPC TV, fez uma reportagem onde denunciou a existência de uma rede de corrupção e pedofilia dentro da Receita Estadual do Paraná, envolvendo pessoas muito próximas e parentes  do governador tucano Beto Richa. Hoje o jornalista está ameaçado de morte. Silêncio, na mídia burguesa.
Há outros silêncios coniventes da mídia oligopolizada em nosso país. As fortunas escondidas no banco HSBC, na Suíça, para fugir da tributação brasileira (ou por que não tem origem comprovada?) inexistem para a mídia da família Marinho. A operação Zelotes, da Policia Federal, onde é estimado a sonegação de 19 bilhões de reais em impostos, foi jogada no buraco negro das praticas criminosas das elites desse país. A organização Tax Justice Network, sediada em Londres, estima que, em 2010, o Brasil perdeu 280 bilhões de dólares em impostos por causa das fortunas depositadas em paraísos fiscais.
E o que dizer do silêncio de algumas práticas do juiz, do Ministério Publico Federal  e da Policia Federal que conduzem a investigação sobre a corrupção existente na esfera da Petrobrás? É sempre elogiável, seja o governo que for, combater a corrupção e punir seus responsáveis.
Como explicar que o ex-gente da PF Jayme Alves de Oliveira Filho, o “Jayme Careca”, depois de ter sido preso e ter denunciado que o senador tucano Anastasia  recebeu R$ 1 milhão, foi posto em liberdade e hoje está foragido? Os empresário libertados na semana passada,  por ordem do STF, estão  prisão domiciliar com tornozeleiras  eletrônicas.  E o Careca, juiz Moro?
Manter prisões dos suspeitos por tempo indeterminado com o objetivo de coagir para obter uma delação “voluntária” mostra apenas uma sede de punir a qualquer custo, e não de fazer justiça.
Sabe-se agora que ao assinar a deleção premiada, o doleiro havia se comprometido em colaborar para esclarecer casos de corrupção envolvendo o tucano Aécio Neves, em estatal do setor elétrico. O delator não cumpriu o acordo e  a valorosa equipe de investigação, parece, não mostrou interesse pelo caso.
Caberia ainda, ao juiz Moro, usar parte do tempo que ocupa nos noticiários da rede Globo, para como é possível o doleiro Alberto Youssef ter sido agraciadocom duas delações premidas. A primeira foi em 2006, no caso Banestado – engavetado sem punir ninguém. E agora com a operação lava-jato. As duas delações firmadas pelo mesmo juiz, Sergio Fernando Moro – ganhador do prêmio “faz a diferença”, dado pela Globo. Haverá no troféu a inscrição: “tudo a ver...”?
Após três mandatos está evidenciado que os governos petistas são incapazes de promover uma lei de mídias, que nos coloque, nessa questão,  ao mesmo nível de países como o Reino Unido, Argentina ou Estados Unidos. Restará as mobilizações populares, como as da “descomemoração dos 50 anos da Globo” exigir isso nas ruas.

AS MESMAS MENTIRAS DE SEMPRE...

As sete mentiras
da Globo sobre Lula

João Santana está fazendo escola: é no vapt, vupt !



A revista Época é um dos instrumentos Golpistas das Organizações (sic) Globo.

Sobre a matéria, não deixe ver que o MP se tornou um agente político, segundo o Nassif.

E a resposta do Instituto Lula, que tinha avisado no comício do 1º de Maio (e, como quem não quer nada, pergunta o Ricardo Melo: de que vive o FHC?):

NOTA À IMPRENSA


As sete mentiras da capa de Época sobre Lula



São Paulo, 4 de maio de 2015,

A revista Época, em nota assinada pelo seu editor-chefe, Diego Escosteguy, na sexta-feira (1), reafirmou o que está escrito na matéria “Lula, o operador”, como sendo correto e verdadeiro. Como a nota do seu editor é uma reiteração de erros cometidos pela revista, apontamos aqui as 7 principais dentre as muitas mentiras da matéria de Época.



Primeira mentira -  dizer que Lula está sendo investigado pelo Ministério Público.

A Época afirma que o Ministério Público abriu “uma investigação” na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria “formalmente suspeito” de dois crimes. Época não cita fontes nem o nome do procurador responsável pelo procedimento.

O Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República do Distrito Federal não abriu qualquer tipo de investigação sobre as atividades do ex-presidente Lula. O jornal O Globo, do mesmo grupo editorial, ouviu a propósito a procuradora Mirella Aguiar sobre o feito em curso e ela esclareceu: há um “procedimento preliminar”, decorrente de representação de um único procurador, uma “notícia de fato”, que poderá ou não desdobrar-se em investigação ou inquérito, ou simplesmente ser arquivada.

A mesma diferenciação foi observada pelo jornal The New York Times e pela agência Bloomberg. O The New York Times chamou de “preliminary step” (um passo preliminar) e não de investigação.

Isso não é um detalhe, e para quem preza a correção dos fatos, faz diferença do ponto de vista jurídico e jornalístico.

Ao publicar apenas parcialmente o cabeçalho de um documento do MP, sem citar os nomes do procurador Anselmo Lopes, que provocou a iniciativa, e da procuradora Mirella, que deu prosseguimento de ofício, e sem mostrar do que realmente se trata o procedimento, Época tenta enganar deliberadamente seus leitores.



Segunda mentira- Lula seria lobista

No início da matéria a revista lembra um fato: Lula deixou o poder em janeiro de 2011 com grande popularidade e desde então, não ocupa mais cargo público. Segundo a revista, Lula faria lobby para privilegiar seus “clientes”. Que fique bem claro, como respondemos à revista: o ex-presidente faz palestras e não lobby ou consultoria.

A revista Época colocou todas as respostas das pessoas e entidades citadas nas suas ilações no fim da matéria, que não está disponível na internet. Por isso vale ressaltar trecho da resposta enviada pelo Instituto Lula:

“No caso de atividades profissionais, palestras promovidas por empresas nacionais ou estrangeiras, o ex-presidente é remunerado, como outros ex-presidentes que fazem palestras. O ex-presidente já fez palestras para empresas nacionais e estrangeiras dos mais diversos setores – tecnologia, financeiro, autopeças, consumo, comunicações – e de diversos países como Estados Unidos, México, Suécia, Coreia do Sul, Argentina, Espanha e Itália, entre outros. Como é de praxe as entidades promotoras se responsabilizam pelos custos de deslocamento e hospedagem. O ex-presidente faz palestras, e não presta serviço de consultoria ou de qualquer outro tipo.”

Os jornalistas Thiago Bronzatto e Felipe Coutinho, que assinam o texto, chamam Lula de “lobista em chefe”.  A expressão, além de caluniosa, não condiz com a verdade, e revela o preconceito e a ignorância dos jornalistas de Época em relação ao papel de um ex-presidente na defesa dos interesses de seu país.

O que Lula fez, na Presidência e fora dela, foi promover o Brasil e suas empresas. Nenhum presidente da história do país liderou tantas missões de empresários ao exterior, no esforço de internacionalizar nossas empresas e aumentar nossas exportações.



Terceira mentira – sobre as viagens de Lula

A “reportagem” de Época não tem sustentação factual. A revista afirma que nos últimos quatro anos Lula teria viajado constantemente para “cuidar dos seus negócios”. E continua: “Os destinos foram basicamente os mesmos – de Cuba a Gana, passando por Angola e República Dominicana.”

Vamos deixar bem claro: o ex-presidente não tem nenhum negócio no exterior. E, ao dizer “a maioria das andanças de Lula foi bancada pela construtora Odebrecht”, mente novamente a revista. Não é verdade que a maioria das viagens do ex-presidente foi paga pela Odebrecht. Repetimos trecho da nota enviada para a revista: “O ex-presidente já fez palestras para empresas nacionais e estrangeiras dos mais diversos setores – tecnologia, financeiro, autopeças, consumo, comunicações – e de diversos países como Estados Unidos, México, Suécia, Coreia do Sul, Argentina, Espanha e Itália, entre outros. Como é de praxe as entidades promotoras se responsabilizam pelos custos de deslocamento e hospedagem.”

Mesmo sem ter obrigação nenhuma de fazê-lo, as viagens do ex-presidente estão documentadas no site do Instituto Lula e as suas viagens ao exterior foram informadas à imprensa.

De novo, diferente do que diz a revista, depois que deixou a Presidência, Lula viajou para muitos países, e o mais visitado foi os Estados Unidos da América (6 viagens), onde entre outras atividades recebeu o prêmio da World Food Prize (http://www.institutolula.org/lula-recebe-nos-eua-premio-por-trabalho-de-combate-a-fome), pelos seus esforços de combate à fome, em outubro de 2011, e do International Crisis Group, em abril de 2013,  por ter impulsionado o Brasil em uma nova era econômica e política (http://www.institutolula.org/lula-recebe-premio-em-nova-york-por-impulsionar-o-pais-a-nova-era-economica-e-politica).

Nos EUA encontrou-se ainda, por duas vezes, com o ex-presidente Bill Clinton –que também tem o seu instituto e também faz palestras.

Dois países empatam no segundo lugar de mais visitados por Lula após a presidência: o México e a Espanha (5 visitas cada um). No México, além de proferir palestras para empresas do país, Lula recebeu o prêmio Amalia Solórzano, em outubro de 2011 (http://www.institutolula.org/lula-recebe-no-mexico-o-premio-amalia-solorzano) e lançou, junto com o presidente Peña Nieto, a convite do governo mexicano, um programa contra a fome inspirado na experiência brasileira: http://www.institutolula.org/lula-no-mexico-eu-vim-aqui-dar-um-testemunho-e-possivel-acabar-com-a-fome-do-mundo .

Na Espanha, Lula recebeu os prêmios da cidade de Cádiz (http://www.institutolula.org/cidade-espanhola-de-cadiz-premia-lula-por-combate-a-pobreza),  o prêmio internacional da Catalunha (http://www.institutolula.org/lula-recebe-24o-premio-internacional-Catalunha), e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Salamanca (http://www.institutolula.org/lula-recebe-titulo-de-doutor-honoris-causa-da-universidade-de-salamanca-na-espanha).

Os leitores que eventualmente confiem na Época como sua única fonte de informação, não só não foram informados desses prêmios, como foram mal informados sobre as atividades do ex-presidente  no exterior.

Sobre os países citados pela revista, Lula esteve, desde que saiu da presidência, três vezes em Cuba, duas em Angola, e somente uma vez em Gana e na República Dominicana, os dois países mais citados na matéria.

A revista diz serem “questionáveis” moralmente as atividades de Lula como ex-presidente. Em primeiro lugar, como demonstrado acima, a revista está mal informada ou informando mal sobre tais atividades (provavelmente os dois). Por exemplo, a revista acha moralmente questionável organizar, na Etiópia, um Fórum pela Erradicação da Fome na África, junto com a FAO e a União Africana (http://www.institutolula.org/e-preciso-investir-nos-pobres-para-acabar-com-a-fome-disse-lula-a-uma-plateia-de-15-chefes-de-estado-africanos)? Esse evento não foi noticiado pela Época, nem pela Veja. Mas foi noticiado pelo jornal britânico The Guardian (em inglês – http://www.theguardian.com/global-development/2013/jul/01/africa-brazil-hunger-lula).

Ou em Angola, país citado pela Época, a revista acha moralmente questionável fazer uma grande conferência, (http://www.institutolula.org/lula-em-angola-e-possivel-para-qualquer-pais-acabar-com-a-fome) para mais de mil representantes do governo, do congresso, de partidos políticos e de ONGs, além de acadêmicos e jornalistas angolanos, reunidos para ouvir sobre as políticas públicas de Angola e do Brasil para reduzir a pobreza e promover o desenvolvimento econômico?

Ou em Gana participar de um evento organizado pela ONU, lotado e acompanhado pela mídia local, novamente sobre combate à fome (http://www.institutolula.org/e-plenamente-possivel-garantir-que-todo-ser-humano-possa-comer-tres-vezes-ao-dia-diz-lula-em-gana)?

Parafraseando a revista, moralmente, o jornalismo de Época, que mente para seus leitores desde a capa da revista, é questionável. Mas será que à luz das leis brasileiras, há possibilidade de ser objeto de ação judicial?


Quarta mentira – sobre a visita de Luiz Dulci à República Dominicana

A revista Época constrói teorias malucas não só sobre as viagens do ex-presidente, mas questiona e faz ilações também sobre a visita do ex-ministro e diretor do Instituto Lula, Luiz Dulci, à República Dominicana em novembro de 2014. A revista foi informada, e publicou que o ex-ministro viajou ao país para fazer uma conferência, mas não que era sobre as políticas sociais brasileiras. Deu entrevistas à imprensa local e foi convidado pelo presidente Medina para uma conversa sobre as políticas sociais brasileiras, das quais o presidente dominicano é um admirador. A revista registrou apenas como “versão” que Dulci foi convidado pelo Senado do país. Todos os documentos do convite e da viagem estão disponíveis para quem quiser consultá-los.  O que a revista não fez antes de se espantar com o interesse no exterior sobre os  êxitos do governo Lula.


Quinta mentira – a criminalização da atividade diplomática do Brasil em Gana

Época relaciona como denúncia “dentro de um padrão”, um comunicado diplomático feito pela embaixada brasileira no país um ano antes de Lula visitar Gana, enviado em 30 de março de 2012. Lula esteve em Gana apenas um ano depois de tal comunicado, em março de 2013. É importante lembrar aos jornalistas “investigativos” da Época, que em março de 2012, Lula estava se recuperando do tratamento feito contra o câncer na laringe, que havia sido encerrado no mês anterior.

Quanto ao telegrama de Irene Gala, embaixadora do Brasil em Gana, a resposta do Itamaraty colocada no fim do texto da Época, malandramente longe da ilação contra a diplomata, é cristalina sobre não haver qualquer irregularidade nele: “O Itamaraty tem, entre as suas atribuições, a atuação em favor de empresas brasileiras no exterior. Nesse contexto, a realização de gestões com vistas à realização de um investimento não constitui irregularidade.”

É lamentável que o grau de parcialidade de certas publicações tenha chegado ao ponto de tentar difamar funcionários públicos de carreira por simplesmente fazerem o que é parte de suas atribuições profissionais. Seria como criticar uma embaixada brasileira por dar apoio a um jornalista da Época, uma empresa privada, quando o mesmo estivesse em visita a um país.


Sexta mentira – a criminalização do financiamento à exportação de serviços pelo Brasil

A revista criminaliza e partidariza a questão do financiamento pelo BNDES de empresas brasileiras na exportação de serviços. É importante notar que esse financiamento começou antes de 2003, ou seja, antes do governo do ex-presidente Lula.

Sobre o tema, se pronunciou o BNDES em comunicado (https://www.facebook.com/bndes.imprensa), e também a Odebrecht  (http://odebrecht.com/pt-br/comunicacao/releases/nota-de-esclarecimento-01052015). A questão foi analisada em textos de Marcelo Zero (http://www.pt.org.br/ignorancia-ou-ma-fe-amparam-desinformacao-do-mp-publicada-pela-epoca/) e Luís Nassif (http://jornalggn.com.br/noticia/na-epoca-o-alto-custo-da-politizacao-do-ministerio-publico-federal), que lembrou que a publicação irmã de Época, Época Negócios, exaltou a internacionalização das empresas brasileiras em outubro de 2014.



Sétima e maior mentira – o “método jornalístico” de Época


Bolsas de estudo pomposas nos Estados Unidos pagas por institutos conservadores (http://www.institutomillenium.org.br/blog/instituto-ling-concede-mais-27-bolsas-de-estudos-exterior/) valem pouco se o jornalismo é praticado de maneira açodada, com má vontade e parcialidade, de uma forma mentirosa.

Não é a primeira vez que o Instituto Lula, ou outras pessoas e entidades tem contato com o método “Época” de jornalismo (que não é também exclusivo desta revista). Resumindo de forma rudimentar, o método constitui na criação de narrativas associando fatos, supostos fatos ou parte de fatos que não têm relação entre si, e que são colados pelo jornalista, construindo teorias sem checar com as fontes se a realidade difere da sua fantasia.

Poucas horas antes do fechamento, quando pelos prazos de produção jornalística provavelmente a matéria já está com as páginas reservadas na revista, capa escolhida e infográficos feitos, o repórter entra em contato, por e-mail, com as pessoas citadas na matéria. Em geral sem contar sobre o que realmente o texto se trata (Época não perguntou ou mencionou a iniciativa do Ministério Público). Não há interesse real em verificar se as acusações, em geral muito pesadas, se sustentam e justificam o espaço dado ao assunto ou o enfoque do texto.

Mesmo que a tese do jornalista não se comprove, a matéria não será revista e será publicada.  Na “melhor” das hipóteses, as respostas das pessoas e entidades envolvidas serão contempladas ao final da matéria, e este trecho não será disponibilizado online (e muitas vezes não é visto com cuidado por jornalistas de outros veículos que dão a “repercussão” do fato). É feito assim, primeiro porque a revista não teria nenhuma matéria para colocar no lugar, e segundo porque isso poderia afetar o impacto político, bem como a repercussão em outros órgãos de imprensa e nas mídias sociais.

Foi exatamente isso que a Época fez. Contatou o Instituto Lula, a partir de Brasília, três horas antes do fechamento. Haviam duas opções: falar por telefone ou por e-mail. O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, para registrar inclusive as perguntas e respostas à revista, optou por responder por e-mail, lamentando que não houve a possibilidade de esclarecer as dúvidas da revista pessoalmente (http://www.institutolula.org/resposta-do-instituto-lula-a-revista-epoca).

É importante registrar que Época ou não ouviu, ou não registrou o outro lado de todos os citados na matéria. Cita e publica fotos de dois chefes de Estado estrangeiros, John Dramani Mahama, de Gana, e Danilo Medina, da República Dominicana, ambos eleitos democraticamente e representantes de seus respectivos países. E não os ouve, nem suas embaixadas no Brasil.

Mais absurdo ainda porque, em tese, a revista Época deveria seguir os “Princípios Editoriais do Grupo Globo”, do qual faz parte, e que foram anunciados  para milhões de brasileiros, no Jornal Nacional (http://g1.globo.com/principios-editoriais-do-grupo-globo.html).

Como a revista não parece respeitar o jornalismo, diplomatas, chefes de estado dominicanos ou ganenses, ou ex-ministros e ex-chefes de estado brasileiros, melhor lembrar a recomendação de um norte-americano, Joseph Pulitzer, sobre os danos sociais da má prática jornalística. “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária e demagógica formará um público tão vil quanto ela mesma.”

Assessoria de Imprensa
Instituto Lula


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Instituto Lula rebate acusações da Época



Lixo se ofende ao ser comparado à Veja e à Época

DECISÕES "POLÍTICAS" NO MPF E NA JUSTIÇA.

MPF quer pegar o Anastasia.
Mas o Aecím, não !

Com o Anastasia, a PGR é valente. O Cunha, coitado, é uma questão de tempo …


Na Fel-lha:




PGR reage à tentativa de seis políticos de trancar inquéritos da Lava Jato




A PGR (Procuradoria Geral da República) atacou, em manifestações protocoladas no STF (Supremo Tribunal Federal), a tentativa de seis políticos de trancar os inquéritos abertos no tribunal em decorrência da Operação Lava Jato.

Por meio de um recurso chamado agravo regimental, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os senadores Antonio Anastasia (PSDB-MG), Edison Lobão (PMDB-MA) e Valdir Raupp (PMDB-RO), a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e o vice-governador da Bahia João Leão (PP-BA) pediram ao ministro Teori que reconsidere sua decisão anterior de março em que mandou abrir os inquéritos. Eles querem o arquivamento sumário das investigações. Caso o ministro não recue, pediram que os recursos sejam julgados pela segunda turma do tribunal, formada por cinco ministros, ou, no caso de Cunha, que ocupa a presidência da Câmara dos Deputados, pelo plenário do tribunal.

Os políticos alegaram falta de “elementos mínimos” para dar início à apuração, disseram ter direitos “prejudicados”, viram dano à imagem com o prosseguimento das investigações e apontaram ausência de “justa causa” para o inquérito, ao apontar supostas incongruências entre declarações de delatores.


(…)



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MANIPULANDO A VERDADE..

Uma radiografia da manipulação

Escrito por: Luciano Martins Costa
Fonte: Observatório da Imprensa

O eixo das manipulações vai de alto a baixo, em todas as instâncias onde esteja no poder o partido que lidera a aliança governamental em Brasília

Educadores que participaram, na terça-feira (29/4), do debate na sede da Ação Educativa, em São Paulo, questionam por que este observador considera que a mídia tradicional do Brasil apoia e potencializa a agenda conservadora que segue tramitando em velocidade anormal na Câmara dos Deputados (ver aqui).
 
De fato, não basta registrar que os parlamentares afinados com o ideário mais retrógrado na diversidade do Congresso aproveitam a crise política insuflada e sustentada pela imprensa para fazer o Brasil avançar rumo ao passado. É preciso mostrar como, na prática, a mídia faz esse trabalho sujo.
 
Nas edições de sexta-feira (1/5), os jornais destacam o fato de a presidente da República, que foi sitiada em Brasília desde sua eleição, em dezembro, ter optado por não se pronunciar na televisão por ocasião do Dia do Trabalho. A presidente se omite para evitar se expor a essa situação estimulada pela imprensa diariamente. No limite da governabilidade, a jovem democracia brasileira enfrenta seu maior desafio desde o fim da ditadura militar, e corre o risco de ver crescer uma onda de retrocesso institucional, à sombra desse protagonismo da mídia.
 
Há muitos aspectos a serem considerados nesta encruzilhada da vida nacional. Por exemplo, o fato de a aliança que governa o país contar entre seus aliados com a bancada do Partido Progressista, cujo nome é um acinte ao sentido real da sua representação política. No programa gratuito da sigla, quinta-feira (30/5) à noite, o que se ouviu sobre a proposta de redução da maioridade penal foi um despautério de bobagens, no estilo típico dos programas policialescos da televisão. O credo reacionário desses aliados do governo petista pode ser resumido na seguinte frase, dita em tal programa: “As leis garantem direitos demais”.
 
Com tais amigos, o governo federal realmente não precisa de oposição. Mas a situação é ainda pior na porção maior da base controlada pelo PMDB, que se dividiu em três facções, duas das quais, sob o comando do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, desdenham da liderança do articulador político do governo, o vice-presidente Michel Temer.
 
Dano colateral
 
A imprensa explora esses desentendimentos, dando amplo destaque a qualquer coisa que digam Calheiros e Cunha, desde que represente algum desgaste do Executivo. O jornalismo declaratório é colocado a serviço desse processo que desgasta não apenas a imagem do Executivo, mas principalmente desacredita o Parlamento e a própria política. Esse cenário estimula as vozes do obscurantismo, que ainda pedem a volta da ditadura militar.
 
O eixo das manipulações vai de alto a baixo, em todas as instâncias onde esteja no poder o partido que lidera a aliança governamental em Brasília: na sexta-feira, por exemplo, a Folha de S. Paulo oferece como manchete uma bobagem retirada do noticiário sobre um dos corriqueiros conflitos na região da capital paulista conhecida como Cracolândia. O ataque da polícia do Paraná contra servidores públicos, que deixou mais de 200 feridos, sumiu da primeira página, substituído pelo seguinte título: “Gestão Haddad falou com tráfico antes de agir na cracolândia”.
 
Embora um editorial da Folha, com o título “Os excessos de Richa”, critique a violência policial no Paraná, o jornal paulista cria um factoide em cima da prática rotineira de funcionários da prefeitura de São Paulo ao negociar o ingresso em um ambiente de alto risco como é a Cracolândia.
 
Ora, este observador já havia publicado, em pelo menos duas ocasiões, que reina naquela região um pacto silencioso entre agentes públicos, voluntários e representantes do crime organizado para manter sob controle a venda de crack aos dependentes (ver aqui e aqui).
 
Observa-se que, toda vez que, em algum lugar do Brasil, um político da oposição apoiada pela imprensa se coloca em situação constrangedora, os jornais tratam de contrapor o fato a algum evento envolvendo políticos do Partido dos Trabalhadores ou seus aliados. Assim, o contexto negativo que envolve o governador tucano do Paraná é coberto por um factoide criado pela Folha para atingir o prefeito petista de São Paulo.
 
O que há por trás da manchete da Folha é o mesmo jogo pelo qual a mídia tradicional trata de demonizar um lado do espectro político, enquanto protege ou enaltece o outro lado. O fato de que essa manipulação estimula o avanço de projetos que podem jogar o Brasil de volta ao século 19 é considerado apenas um dano colateral nessa luta pelo poder.

A MÍDIA CORRUPTA,CORRUPTORA E COROMPIDA.

Paulo Metri: A mídia do capital e as mazelas do nosso povo

Escrito por: Paulo Metri
Fonte: Blog Paulo Metri

Os meios de comunicação corruptos, comprometidos com a manipulação da população, não têm redatores de notícias, têm roteiristas criativos, que devem ficar criando saídas para os constantes furos de quem não têm a verdade consigo

É deprimente ver incompreensão, desinformação, deturpação da verdade e má intenção na humanidade. Nestes casos, o agente do mal busca sempre mais riqueza e poder. Em contrapartida, no consequente conjunto de impactados, são colocadas penúria e humilhação. De forma correta, a sociedade tem criado proteções para minorias e, às vezes, para maiorias, desde que estejam sendo maltratadas. Com muito esforço e luta, a sociedade resgatou, em parte, o direito dos negros, dos homossexuais, das mulheres e dos miseráveis. Estes grupos começam a ter vidas menos sofridas. Mas, falta muito a ser atendido. Busco chegar a determinada tese e, para isso, preciso estudar alguns casos.
 
Em um grupo conservador, foi feito um debate para se explicar as causas do baixo nível de desenvolvimento brasileiro. Logo, apareceram o “custo Brasil”, a “baixa especialização da mão-de-obra” e a “existência da pobreza, que dificulta a capacidade cognitiva dos trabalhadores”. Sem entrar no mérito, foi lembrado que o desenvolvimento em pauta não era só o econômico, pois existiam também o desenvolvimento social, o político e outros.
 
Com esta nova abrangência da análise, se não fosse triste, teria sido engraçado ouvir pessoas dizerem absurdos como: “a preguiça de algumas pessoas os leva à condição de extrema pobreza” e “oportunidades existem, vejam, por exemplo, o caso do Ministro Joaquim Barbosa, que de origem humilde chegou a ministro do STF”. Mas, o auge da cretinice ocorreu quando afirmaram que “em qualquer sociedade, têm que existir pobres e, por isso, é uma ilusão imaginar uma sociedade sem pobres”.
 
Durante estas observações, fiquei pensando: “A quem querem enganar? Porque deve ser difícil alguém pensar assim, honestamente.” Era o caso de se perguntar: “A exploração capitalista, como razão para a geração de pobreza, não conta?” Estive presente neste grupo por uma destas imposições do trabalho que acontecem na vida. Seus membros já tinham o conservadorismo incrustado em suas almas. A pergunta que persiste é: “Como eles foram formados?”
 
As cortinas se fecham e se abrem na época do Rio+20. Um professor da USP está sendo entrevistado por um canal de televisão e a repórter, que havia sido bem treinada, busca arrancar dele palavras de apoio para a “economia verde”. Em determinado instante, ele disse algo como: “A ganância e o individualismo, característicos do capitalismo, levam a este menosprezo pela natureza. Se tivéssemos um mundo mais solidário com seres mais humanos, a natureza seria preservada naturalmente.”
 
As cortinas se fecham e se abrem, novamente. Aparece o senhor Paulo Skaf dizendo a frase: “A terceirização é boa para o trabalhador”. Esta frase é um descalabro, mas fiquei esperando algum líder de central sindical ser entrevistado e dizer: “A terceirização é boa para o patrão”. Mas, ele não chegou, porque trabalhador não tem vez na mídia tradicional. O quase nada que o governo Dilma fez nesta área é imperdoável.
 
É estarrecedor o grau de agressividade dos meios de comunicação. Plagiando o coronel Passarinho, os donos desta mídia devem pensar: “Que o conceito de igualdade de oportunidade na mídia para todos os grupos vá às favas. Vamos deixar de lado os pruridos. A mídia é nossa e nós entrevistamos quem nós queremos.” Obviamente, eles não têm nenhum receio que a concessão de operação da mídia seja revogada. Assim, a mídia é um grande instrumento de ação política a serviço do capital.
 
Vamos analisar melhor a posição do senhor Skaf. A terceirização proposta por ele pode repercutir desfavoravelmente para a classe que ele representa. Não é só na Física que “a toda ação existe uma reação de intensidade igual e em sentido contrário”. À medida que maiores parcelas da mais-valia dos trabalhadores são retiradas ou eles perdem o emprego, menos comida chega às suas casas, eles não conseguem ter acesso a médicos e hospitais, e outras mazelas ocorrerão. Assim, o nível de angústia da população carente irá aumentar com a terceirização. Não há como negar que, quanto maior este nível de angústia, o cidadão ficará mais propenso a atuar na criminalidade. Não digo que o aflito está liberado para praticar crimes, mas está sendo impelido para a criminalidade.
 
Desta forma, os que auferiram maiores lucros com a terceirização irão gastar mais com carros blindados, motoristas mais caros, porque sabem lutas marciais, equipamentos novos de segurança para suas casas e guarda-costas para si e os entes queridos. Fora o sobressalto constante que seu sequestro ou de algum familiar representa. O crescimento do índice de Gini, que mede a má distribuição de renda em uma sociedade, causado pela terceirização, significará, em última instância, maior insegurança na sociedade. Nesta hora, o Estado será denunciado, principalmente pela classe rica, como único culpado por não garantir segurança para os cidadãos. Esquecem que não há só a segurança física. Há também a segurança alimentar para os pobres, a segurança da educação para os filhos dos trabalhadores, a segurança do atendimento de saúde para os pobres e, por aí, vai.
 
Os meios de comunicação corruptos, comprometidos com a manipulação da população, não têm redatores de notícias, têm roteiristas criativos, que devem ficar criando saídas para os constantes furos de quem não têm a verdade consigo. Para a população despolitizada, é difícil, em muitas situações, descobrir onde está a verdade. Por exemplo, no conturbado Grande Oriente, sem querer justificar as injustificáveis ações do Estado Islâmico, tenho dúvida se só eles praticam atrocidades. É difícil saber qual é o mundo real. A única forma de combater a manipulação é identificando alguns articulistas, que são nossas estacas, pois servem como ancoradouro para a população em busca de compreensão do que está por trás dos noticiários. São os tradutores da ficção para o real e são encontrados, basicamente, nos sites, blogs etc.
 
Finalmente, a citada tese é que a causa mater é a mídia do capital, que está aí, e sua triste consequência são as mazelas do nosso povo. Sem compreender o que acontece por falta de informação, a população não se protege, não evolui politicamente e elege representantes que irão prejudicá-la. Pouco irá representar uma nova lei que reforme a política, se ela será realizada pela maioria de desonestos que, hoje, sacrificam o povo em benefício próprio e dos grupos que representam.

domingo, 3 de maio de 2015

DESCOMEMORANDO ANIVERSÁRIO DA REDE ESGOTO.

#ForaGlobo e #Descomemoração. Do que, de fato, estamos falando?

Escrito por: Ivan Moraes Filho*
Fonte: OmbudsPE

"Antes de mais nada, é preciso compreender do que realmente estamos falando. Fechar a empresa numa canetada não faz sentido. É mais ou menos como pedir o impitimam da presidenta".

Em diversos lugares do Brasil, um monte de gente foi às ruas “descomemorar” o aniversário da Rede Globo, jovem senhora que soprou cinquenta velinhas no seu bolo cheio de recheio nesse domingo passado, dia 26 de abril de 2015. Entre comentários mais ou menos embasados sobre a necessidade de “derrubar” o império midiático levantado pelos Marinho em parceria com os generais e empresários que tomaram o país na década de 1960, tenho visto alguns comentários de gente boa, sabida e do bem. Gente que anda meio descoisada com essa coisa toda de #foraglobo e etecéteras. Argumentam, bem argumentado, que a Vênus Platinada faz merda, mas faz muita coisa boa. Que bota pra arrombar na teledramaturgia, que foi pioneira de um monte de coisa e que tem na sua história vários capítulos dos quais temos mais é que nos orgulhar. Que suas “concorrentes” são uó do borogodó. E que, por isso, os protestos são infundados.
 
Como o papo é bom, vamos a ele.
 
Antes de mais nada, é preciso compreender do que realmente estamos falando. É inegável que os #foraglobo mobilizam a atenção das pessoas, e (em vários sentidos) em especial de quem ainda não se debruçou sobre o que realmente está em jogo. De fato, não há, de forma concreta, nenhuma iniciativa objetiva em curso que peça que a presidenta (ou quem quer que seja) cancele a outorga da Globo (no caso, as outorgas. São cinco pelo Brasil, à parte das pouco menos de 200 afiliadas). Tal atitude, por mais que seja desejo de muita gente, não encontra respaldo na nossa lei. Seria impensado e autoritário. Denúncias de desvio de impostos, por exemplo, têm que ser investigadas e punidas de acordo com a lei. Fechar a empresa numa canetada não faz sentido. É mais ou menos como pedir o impitimam da presidenta. Tem quem queira, mas na democracia (feliz ou infelizmente), não dá. Sigamos.
 
O que está, de fato, em jogo (e a “descomemoração” é um sitoma disso), é a garantia da liberdade de expressão de TODAS AS PESSOAS e a diversidade na informação, a que todo mundo tem direito. Nessa conta, a Globo não é mais do que um símbolo do que precisa ser feito para que os artigos constitucionais 220-224 não permaneçam sendo apenas “poesia”, sem valor nenhum. Tem lá escrito que os meios de comunicação não pode ser “direta ou indiretamente objeto de monopólio ou oligopólio”. Só falta ter a leizinha lá pra dizer o que é esse bicho e como impedir que aconteça. Diz lá, no 221, que as emissoras precisam ter “conteúdo regional de acordo com percentuais estabelecidos em lei”. Que lei? Poisé. Não fizeram. Precisam fazer. Precisamos lutar pra que façam.
 
Vale lembrar que a normatização do uso do espectro eletromagnético é obrigação de todos os governos federais no mundo todo. Vale lembrar que, ao contrário do que se diz, a radiodifusão no Brasil É, SIM, regulada. Por uma lei de 1962. Sim, você não pode simplesmente comprar um transmissor e usar um canal sem autorização. Tem gente que faz isso e se lasca, embora esteja no seu direito de se comunicar.
 
Vale também lembrar que em todos os países mais ou menos democráticos do mundo há normas estruturais claras e objetivas que ordenam a distribuição e o uso dos canais que são escassos e públicos. Um exemplo que sempre uso é o dos EUA, o país mais liberal do mundo. Lá a propriedade cruzada tem diversas restrições e nenhuma rede de televisão aberta pode ter audiência média superior a 39%. Assim, cinco redes competem pelo público, com discursos mais ou menos diversos (ainda que sofrendo do mesmo hipercomercialismo que sofremos). Na Europa, é dada prioridade à mídia pública (não estatal).
 
Dizer que a Globo é a emissora que produz melhor, que é a tamporosa e por isso está sendo injustiçada, não cola. Em qualquer mercado oligopolizado, de qualquer setor, funciona da mesma forma. Quem domina a área, tem mais dinheiro, mais margem para arriscar, e acaba – mesmo – lançando os melhores produtos. E alguns dos piores também.
 
Na nosso “vendinha” brasileira, baseada no lucro, as demais emissoras são espécies de “satélites” da Globo. Limitam-se a imitar a Vênus Platinada, na esperança de tirar-lhe taquinhos de audiência. Não oferecem, via de regra, diferença de forma ou de conteúdo. Mas um subproduto do mesmo extrato comercial e conservador que o PlimPlim distribui depois de ter passado décadas mamando nas tetas dos nossos governos (tendo início com a já cansada história do apoio da ditadura civil-militar, da Embratel, TimeLife, etc).
 
Então, seguinte. Vamo entender as coisas como elas são. Que a comunicação é um DIREITO de todo mundo. E que para todo mundo poder exercer esse direito (que inclui a expressão e o direito à informação com diversidade), é preciso que tenhamos MAIS mídia independente, MENOS recursos públicos para a mídia privada, MENOS concentração de controle e propriedade, MAIS canais disponíveis para a sociedade, MAIS conteúdo local e MENOS influência de governos e mercados nos conteúdos da radiodifusão.
 
Se a Globo for rocheda mesmo, vai viver por mais cinquenta anos e conseguir trazer cada vez mais uma contribuição interessante para nossa televisão e nossa sociedade.
 
++++ Pra conhecer, assinar e compartilhar o projeto de Lei da Mídia Democrática, de iniciativa popular (que não é do PT, nem de Chaves, nem de Obama, nem da Perna Cabeluda), dê uma chegada nesse site aqui: www.paraexpressaraliberdade.org.br