sexta-feira, 28 de setembro de 2012

FIM DAS FLORESTAS

Meio Ambiente

 
Congresso sentencia fim das florestas
Em nome de “um acordo possível” para evitar uma dita “insegurança jurídica” no campo, o governo curvou-se aos anseios da bancada ruralista
Com apenas três votos contrários, a Medida Provisória do Código Florestal, peça faltante no quebra-cabeças da nova legislação, foi aprovada nesta quarta (26/9) no plenário do Senado Federal. O resultado é a liberação de ainda mais áreas de floresta para novos desmatamentos e anistia a criminosos ambientais.
Em nome do que chamaram de “um acordo possível” para evitar uma dita “insegurança jurídica” no campo, o governo curvou-se aos anseios da bancada ruralista, deixando de ouvir os alertas dos cientistas e da sociedade civil. O texto, profundamente modificado pelos parlamentares, permite que novos desmatamentos surjam e que os velhos desmatadores sejam perdoados.
“O governo lavou as mãos e deixou o circo pegar fogo. E pegou. O resultado é um Código Florestal fraco, que não protege nossas matas e, em nome de pequenos agricultores, beneficia grandes desmatadores. Aqueles que saqueiam nosso patrimônio ambiental e destroem florestas apostando na impunidade hoje estão felizes”, afirmou Márcio Astrini, coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace.
“Há algumas semanas, a presidente Dilma escreveu um bilhete à nação, dizendo que não concordava com o texto que foi aprovado. Agora ela precisa fazer valer sua palavra e vetar essa MP que saiu do Congresso”, completou Astrini.
Em uma curta sessão plenária, por pouco a MP não obeteve aprovação unânime. Dos 61 senadores presentes, apenas Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Roberto Requião (PMDB-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ) declararam sua posição contrária ao tratoraço ruralista.
Randolfe Rodrigues foi enfático ao mostrar que muitas das mudanças feitas no texto que veio da presidente Dilma irão piorar a situação florestal do país. O Senador lembrou que "as APP's (Áreas de Preservação Permanente) são responsáveis pela manutenção da saúde de nossos rios e nascentes. Essa matéria é um desastre para o meio ambiente.”
A MP segue agora para a sanção presidencial. A presidente Dilma Rousseff se disse contrária ao acordo feito entre os parlamentares para que fosse realizada a votação da matéria antes que perdesse sua validade, em 8 de outubro. No entanto, não houve qualquer esforço da parte do Planalto para reverter o quadro de destruição de uma das legislações mais importantes do Brasil.
Fonte: Greenpeace.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O Destino de Maricá...



Uma grande mancha de poluição apareceu, na manhã de ontem, próximo ao Porto do Mucuripe-CE. Os dejetos são provenientes de uma ligação de esgoto clandestino, bem perto da Capitania dos Portos.
O recepcionista do hotel Yacht Coast, Nelson Veneigas, informa que, normalmente, a situação piora quando chove, pois toda a sujeira é levada para o mar. “Mas, hoje, apareceu isso aí. E estava com um cheiro forte, como se fosse produto químico”.
O pescador Antônio Raimundo, 48, comenta que “com certeza tem algo errado. Isso não é normal e nunca tinha acontecido”. Já o instrutor Edson Ferreira afirma que o problema é recorrente.
Bem próximo do local, ao lado do Mercado dos Peixes, outro esgoto lança dejetos direto na praia. “Pela cor, a gente já sabe que é água suja”, diz o pescador Leonardo Monteiro.
Ele, que pesca há 51 anos, lembra que a quantidade de peixe no mar tem reduzido muito ao longo dos anos. “A pescaria já não rende tanto como antes”, afirma. Porém, ele acredita não haver ligação entre os esgotos clandestinos na orla de Fortaleza e a diminuição do pescado.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) informa que o órgão “vai enviar um equipe técnica aos locais a fim de identificar as ligações clandestinas de esgoto”.
 
(Geimison Maia) - O Povo do CE

Petrobrás... Poluição no mar...

 
Polícia Federal acusa a estatal de despejar, em altomar, resíduos tóxicos resultantes da produção de petróleo. Em 2011, foram 546 milhões de litros de água contaminada lançados no oceano.
O Sindipetro-RJ acompanha os desdobramentos da acusação da Polícia Federal, divulgada esta semana, de que a Petrobrás despeja em altomar resíduos tóxicos resultantes da produção de petróleo. O inquérito foi aberto pela Divisão de Crimes Ambientais da PF no Rio de Janeiro e já foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF). De acordo com o delegado responsável pelo caso, Fábio Scliar, só em 2011 foram 546 milhões de litros de água contaminada lançados no oceano.

Essa água contaminada, chamada “água de produção” ou “água negra”, vem à superfície junto com o petróleo extraído em plataformas marítimas, a maio¬ria na Bacia de Campos (RJ), e contém gra¬xas e elementos químicos nocivos ao meio ambiente e à saúde.

Para o delegado, as investigações mostraram que a Petrobrás é “leviana” no tratamento de resíduos da extração petroleira. Scliar ainda afirma que a fiscalização do Ibama é ineficaz. As investigações começaram há 10 meses, quando a Polícia Federal realizou operação para apurar suspeita de descarte de poluentes da Reduc, diretamente nas águas do Rio Iguaçu. As irregularidades foram confirmadas e a Petrobrás multada, além de se comprometer a construir, até 2017, uma nova unidade de tratamento de resíduos.

A Petrobrás divulgou nota dizendo que respeita e atende os requisitos da legislação ambiental brasileira e internacional. “A água produzida junto com o petróleo nas plataformas é tratada e descartada de acordo com a legislação brasileira, que é tão rigorosa quanto nos EUA e na Europa. Nas plataformas onde não há sistema de tratamento, a água é enviada para outras plataformas ou outras instalações para destinação adequada”, informa a empresa.

Mas o coordenador da Secretaria de Saúde, Meio Ambiente, Segurança e No¬vas Tecnologias do Sindipetro-RJ, André Bucaresky, afirma que a simples observação das normas do Conama são insuficientes: “a preocupação com o meio ambiente numa empresa como a Petrobrás, tem que ir além. A empresa tem condição de desenvolver uma política de resíduo zero. É preciso que o lucro dos acionistas não seja obtido com agressões ao meio ambiente”, finaliza Bucaresky.
 
(Publicado no jornal Surgente em 13/09/2012).

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Educação - Vergonha Nacional...

"Educação de Qualidade e Trabalho Decente"
 
A Marcha pela Educação em Brasília, reuniu cerca de 10 mil pessoas, e cobra 10% do PIB para educação e pagamento do piso nacional do magistério

A 6ª Marcha pela Educação reúne entre 8 mil e 10 mil pessoas na capital federal, de acordo com estimativas da organização do ato e da Polícia Militar. Com o lema "Independência, Educação de Qualidade e Trabalho Decente", os professores reivindicam a aprovação do Plano Nacional de Educação com destino de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a área, combate à terceirização dos serviços por levar à precarização do trabalho e a efetivação do piso nacional do magistério sem a correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação,  proposta defendida pelos governadores.
Atualmente, a legislação determina que o piso dos professores deve ser corrigido de acordo com o percentual de crescimento do valor mínimo anual por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
“Vamos alertar as autoridades que não iremos aceitar nenhum retrocesso ou perda de direitos. Vamos recorrer às greves e atos públicos para atingir os nossos objetivos,” disse Roberto Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), uma das organizadoras da marcha.
Os manifestantes concentraram-se em frente à Torre de TV, no Eixo Monumental, uma das principais vias no centro da capital, e irão caminhar até o Congresso Nacional, onde devem chegar por volta do meio-dia. Às 14 horas, está prevista reunião com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti, e às 15 horas, com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS).
“Somos a sexta economia rumo à quinta nos próximos anos e não temos uma educação com devido financiamento. Isso irá gerar gargalos para o desenvolvimento nacional”, disse Antonio Lisboa, diretor executivo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), também organizadora do ato.
A pauta de reivindicações da marcha envolve outros temas, além de educação, como a suspensão do Decreto 7777, de 24 de julho de 2012, que transfere atribuições da administração pública federal a governos estaduais e municipais durante greves de servidores públicos federais.

Fonte: Agência Brasil

Desigualdade Social na Região do COMPERJ

Relatório aponta desigualdade social em municípios do COMPERJ

Incid acaba de consolidar relatório sobre a Cidadania Percebida. O destaque destes indicadores mostra desigualdade social nos territórios de atuação do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo relatório, a população reconhece dificuldades enfrentadas nos municípios e tem consciência de que seus direitos estão sendo violados.

Para Natália Gaspar, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), o relatório e o sistema como um todo pretendem contribuir para a identificação de violações de direitos nesta grande região dos 14 municípios do Leste Fluminense, que será afetada em diferentes graus pelas transformações associadas à instalação do Comperj.

Para o projeto, explorar a questão da percepção dos sujeitos é fundamental para que cada pessoa tenha clareza sobre direitos e deveres, e entenda a força que vem das mobilizações sociais. O relatório tem previsão de lançamento para setembro. Os gráficos desta apresentação durante os seminários regionais do Incid estão disponíveis aqui.

Grande parte dos problemas enfrentados pela população se referem a questões de educação, saúde, meio ambiente e diversidade, motivo pelo qual estes indicadores são considerados quentes na pesquisa. Para Gaspar, pesquisas de percepção tem aspectos subjetivos que se manifestam claramente na contextualização dos dados em cenários locais. “Quando nos debruçamos nestes indicadores que tratam dos direitos e da cidadania relacionados a condições de vida específicas é possível perceber uma série de nuances”, afirma.

Com relação a diversidade, quando se trata de reconhecimento de direitos e respeito dos mesmos, São Gonçalo, Niterói e Teresópolis são municípios que se encontram abaixo da média da região. Os dados demonstram ser elevada a percepção de discriminação e preconceito nestas regiões, onde a percepção de respeito à diversidade é de 43%, indicando discriminação e preconceito em 57% dos casos.

Quando o assunto é saúde, os dados levantados demonstram que apenas 35% da população da área do Incid se percebe como adequadamente atendida. Homens tem percepção mais positiva em relação ao acesso à saúde (36%) em relação as mulheres, 34%. O acesso à saúde é melhor avaliado nos municípios de Casimiro de Abreu e Rio Bonito, onde mais da metade dos entrevistados considera receber atendimento adequado e não percebem a existência de pessoas que ficam sem acesso.

 
Fonte: INCID

"Me engana" que eu gosto!!!

Indústrias que despejam óleo poderão ser multadas
Operação para identificar, multar e até fechar indústrias responsáveis pelo despejo de óleo no Rio Calombé, em Duque de Caxias, foi realizada pela Secretaria de Meio Ambiente do município.
Da Agência Brasil
Rio de Janeiro – Uma grande operação para identificar, multar e até fechar indústrias responsáveis pelo despejo de óleo no Rio Calombé, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi realizada hoje (4) pela Secretaria de Meio Ambiente do município. As multas variam de R$ 50 mil a R$ 50 milhões.
O município abriga a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), que tem em seu entorno uma grande cadeia produtiva, com depósitos de gasolina, de combustível, garagem de carretas e outras atividades relacionadas ao ramo do petróleo.
Segundo o secretário de Meio Ambiente de Duque de Caxias, Samuel Maia, algumas empresas já foram identificadas. Segundo ele, será feita uma operação “pente fino” em todos os empreendimentos suspeitos.
“Há mais de dois anos estamos cobrando do Inea [Insituto Estadual do Ambiente] e da Secretaria Estadual do Ambiente uma posição. Nós vamos atuar com a força da lei contra essas empresas que estão cometendo crime ambiental. É competência do estado tomar conta dos rios, córregos e canais”, disse. “Com o despejo de óleo nas águas [do rio] tem acontecido a combustão, além da poluição do ar, com a emissão de um odor muito forte de combustível”, completou.
Cerca de 200 famílias que vivem nas margens do rio relatam casos de falta de ar e alergias constantes. Maia disse que vai pedir que a Secretaria Municipal de Habitação faça o cadastramento de todas as famílias no Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal .
“É preciso dar casas descentes para essas pessoas. Elas não podem morar dentro do rio, ou em uma faixa de segurança menor de 30 metros, dependendo do córrego. Essas não são condições humanas de viver”, declarou o secretário.

Belo Monte - Paralização pedida pelo MPF

MPF recorre para que o Supremo paralise obras de Belo Monte.

Recurso foi para o próprio presidente do STF, Carlos Ayres Britto. Se ele não reconsiderar sua decisão, caso deverá ser analisado pelo plenário

O Ministério Público Federal (MPF/PA) entrou nessa terça-feira (04) com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja paralisada a construção da hidrelétrica de Belo Monte até que sejam realizadas as consultas aos indígenas afetados pela usina. As obras foram autorizadas a continuar na semana passada por uma liminar do presidente do STF, Carlos Ayres Britto, que suspendia uma decisão anterior, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, favorável à consulta. O recurso do MPF pede que o próprio Ayres Britto reconsidere sua decisão. Se ele não concordar, o caso vai ser examinado pelo plenário do Supremo.
O recurso do MPF é um agravo regimental e deu entrada nessa terça-feira, com assinaturas de Roberto Gurgel, procurador-geral da República, e da vice-procuradora-geral Deborah Duprat. Eles sustentam que, de acordo com a Constituição brasileira e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, os índios devem ser consultados pelo Congresso Nacional antes de qualquer decisão que possa afetar sua sobrevivência, como é o caso das obras da usina de Belo Monte.
Afirmam ainda que a reclamação, recurso utilizado pela Advocacia Geral da União para suspender a decisão do TRF1, não é a via correta para resolver o processo, porque se sustenta em uma decisão provisória da então presidente do STF, ministra Ellen Gracie. Para o MPF, “só seria possível o manejo da reclamação para preservar a declaração de constitucionalidade do decreto legislativo 788 (que autorizou Belo Monte), se esta fosse uma decisão do plenário do STF, e não uma decisão monocrática da então presidente da Corte”.
“Jamais uma decisão proferida em suspensão de liminar pode condicionar o julgamento de mérito da ação principal. De modo que é juridicamente impossível, por meio da reclamação, o pedido de anulação do acórdão proferido em embargos de declaração em apelação cível”, entende o MPF, para quem a decisão do TRF1 se sobrepõe às decisões liminares anteriores e obriga a paralisação das obras.
Gurgel e Duprat afirmam também que a Constituição brasileira inaugura, em 1988, novas premissas de cidadania para os povos indígenas, desrespeitadas pelo Congresso Nacional no decreto que autorizou Belo Monte. “O objetivo do constituinte foi empoderar as comunidades indígenas, concebendo-as como sujeito e não como objeto da ação estatal, e permitindo-as lutar pelos seus próprios direitos em todas as esferas”, dizem.
“Não se pode considerar conforme à democracia e ao devido processo legislativo uma decisão parlamentar que pode afetar direta e profundamente uma comunidade indígena, sem que se assegure a esse grupo étnico pelo menos o direito a voz, pelo menos a possibilidade de tentar influenciar o convencimento dos parlamentares, cuja decisão afetará o seu destino”, diz o recurso do MPF. E conclui: “a consulta posterior, quando já consumado o fato sobre o qual se pretende discutir, é mera forma sem substância, incompatível com as liberdades expressivas e a gestão do próprio destino que tanto a Constituição, quanto a Convenção 169/OIT lhes asseguram”.

Fonte: Brasil de Fato

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Comunicação Livre é Democracia



Nesta segunda-feira, 27 de agosto, foi dada a largada da campanha “Para Expressar a Liberdade – Uma nova lei para um novo tempo”.

De forma irreverente e com muito debate político praças, praias, ruas, sindicatos e as redes sociais foram tomadas por manifestações por uma nova lei geral para as comunicações no Brasil. 

O lançamento da campanha marcou, também, os 50 anos do Código Brasileiro de Telecomunicação – uma lei ultrapassada pela tecnologia e pelo avanço dos direitos sociais que perdura pelo lobby dos empresários do setor e pela omissão do Estado brasileiro em sepultá-la.

O dia de mobilizações começou de manhã, nas redes sociais, com um tuitaço para denunciar a falta de pluralidade e diversidade nos meios de comunicação brasileiros. A hashtag #paraexpressaraliberdade transbordou as fronteiras nacionais e ganhou o mundo.

O cordel da peleja entre o Marco Regulatório e a Conceição Pública foi outro marco que agitou a internet, mostrando o que a gente não vê pela TV.

SP: Cortejo e Filosofia

Sepultamento que ocorreu, de forma simbólica, na cidade de São Paulo. Concentrados na Praça do Patriarca, manifestantes distribuíram panfletos informativos para a população, realizaram um breve ato político e um cortejo fúnebre que se encerrou em frente ao Teatro Municipal, com direito a caixão e tudo.

Em seguida, um debate no sindicato dos jornalistas organizado pela Frentex - Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão - com a presença da professora de Filosofia da USP Marilena Chauí, lançou oficialmente o início da campanha. 
Em debate da campanha, Marilena Chauí afirma a importância de nova lei para as comunicações.

PE: Praia no Capiberibe

Em Recife, a galera se reuniu no domingo, 26, às margens do rio Capiberibe transformado em praia. As entidades que defendem o direito à comunicação em Pernambuco uniram-se ao movimento “Eu Quero Nadar no Capibaribe e você?” para lançar a campanha “Para Expressar a Liberdade” com festa. Em pleno domingo de sol, os manifestantes mostraram para a população que liberdade de expressão tem tudo haver com muitas outras lutas da sociedade. E que dá, sim, para unir militância e diversão. 
Praia da liberdade de expressão lança campanha no Recife.

DF: Para expressar a liberdade é preciso igualdade

Racismo, pluralidade e diversidade na rádio e TV foram os principais assuntos do lançamento da campanha em Brasília, que aconteceu com a comemoração de 5 anos da Comissão de Jornalistas Pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF). Os dados sobre o racismo na mídia foram apresentados pelo professor e cineasta Joel Zito. As pesquisas das quais participou indicam que, em uma semana de programação (pouco mais de 300 programas de variedade), apenas 3 programas tratavam sobre a temática negra. Mas o mais alarmante, a porcentagem de apresentadores eurodescendentes em telejornais chega a 93%. "A representação racial na mídia deve corresponder à proporção de negros e índios do Brasil para garantir a diversidade" diz o professor. No DF, lançamento da campanha discute a igualdade racial.

SE: Mobilização e debate

Em Aracaju, a mobilização aconteceu no calçadão do centro da cidade, levantando a bandeira da diversidade e da pluralidade na mídia. Os manifestantes reiteraram que uma nova lei para as comunicações precisa contemplar a inserção de conteúdo regional na produção e respeito aos direitos humanos. Para dar sequência ao ato de mobilização, houve um debate no Sindicato dos Bancários para lançar oficialmente a campanha em Sergipe. 
SE: Entidades realizam ato em prol do marco das comunicações.

Rio: Alegorias de um teatro aberto

Os cariocas se paramentaram para expressar a liberdade na Cinelândia no final da tarde desta segunda (27). Música, teatro e cordel se articularam nas ruas do centro explicando para as pessoas que o código que regula a radiodifusão no país comemora seus 50 anos praticamente intocado, antecedendo até o lançamento do primeiro satélite. Sergival Silva recitou o cordel sobre a “Peleja de Marco regulatório e Conceição pública na terra sem lei dos coronéis eletrônicos”.
Lançamento da campanha acontece cercado de alegorias no Rio de Janeiro.

ES: Da assembleia legislativa ao shopping

Em Vitória, também na segunda (27) houve panfletagem em frente à Assembleia Legislativa e no maior shopping Center da capital, Vitória. Integrantes do Intervozes ( Coletivo Brasil de Comunicação Social ) no Estado entregaram uma versão sintetizada da carta de apresentação da campanha, informando sobre a data e o propósito da campanha. 
ES: Ato marca o lançamento da Campanha Para Expressar e Liberdade entre capixabas

PA: Debate inicial já define agenda da campanha

Um debate na Faculdade Ipiranga deu o ponta pé da campanha em Belém. Com a participação do Prof. Paulo Roberto Ferreira, da sindicalista Vera Paoloni (CUT), do artista popular Mário Filé, do jornalista Carlos Pará e do estudante Victor Javier, dezenas de alunos e cidadãos interessados puderam discutir as razões e objetivos da campanha, que pretende mobilizar corações e mentes em todo o Brasil. Os organizadores deste movimento no Estado deixaram sinalizada a proposta da organização de um grande debate público, com transmissão pela Internet, para 10 de outubro, como próximo passo da campanha na região.

PR: A televisão do povo

Em Curitiba, munidos de uma TV de papel e um microfone, os manifestantes ocuparam a Boca Maldita, no centro, para dar voz e vez ao povo na televisão. Assim foi o lançamento da campanha, organizado pela Frentex-PR, mostrando que para expressar a liberdade as pessoas precisam ter acesso aos meios de comunicação para pode colocar suas opiniões, fazer circular sua produção artística e cultural, e dar visibilidade para todos. O ato chamou a atenção para a necessidade de garantir a liberdade para a atuação das rádios comunitárias e para que cesse imediatamente a criminalização e a perseguição às pessoas que constroem no cotidiana uma comunicação mais

O MESMO COMPERJ DE SEMPRE...


COMPERJ TEM LICENÇAS QUESTIONADAS PELO MP

O licenciamento ambiental da Petrobras para o funcionamento do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) foi tema de divergências durante a Audiência Pública convocada pelo Ministério Público Federal (MPF), na última segunda-feira (6/8), no Centro. O procurador da República Lauro Coelho, responsável pelo processo, alegou que as obras do Comperj, especialmente em Itaboraí, têm irregularidades na concessão das licenças para início e funcionamento. Segundo o MP, a Petrobras apresentou um relatório ambiental e não um estudo de impacto ambiental, como é necessário para avaliar a viabilidade ou não de um projeto desta proporção.
A inexistência, segundo o procurador, de um estudo mais detalhado, somada a apressada concessão da licença de instalação do empreendimento, são fatores que dificultam a análise pelo Ministério sobre a viabilidade do empreendimento. Coelho informou que, neste momento, equipes do MP estão coletando dados na região para anexar ao inquérito que averigua uma possível ilegalidade no licenciamento ambiental do Comperj.
Durante a audiência, o presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Luiz Firmino, saiu em defesa da Petrobras e disse que o processo de licenciamento segue de acordo com a normalidade. “Todo o licenciamento prevê condicionantes para mitigar os impactos. A licença do Comperj se deu num único ato, porque um empreendimento tem sua licença prévia de uma forma única”.
Mario Luiz Soares, coordenador do Núcleo de Estudos em Manguezais, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), alertou sobre os riscos do empreendimento a longo prazo. Ele ressaltou não só os distúrbios sociais que a região pode sofrer com a instalação de um empreendimento deste porte, como também os riscos à preservação da biodiversidade local.
“Com a instalação do Comperj, outras indústrias serão atraídas para a região e isso vai afetar a organização social da região. Além disso, o processo de dragagem do rio Guaxindiba para a passagem de embarcações para o Comperj pode trazer impactos negativos ao manguezal”, ressaltou. Soares lembrou que a dragagem do rio, cujo parecer técnico está sendo elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), fere uma das condicionantes do licenciamento, que diz respeito à inviolabilidade dos rios da região.
Daniella Medeiros, diretora de meio ambiente da Petrobras, confirmou que está prevista a utilização do rio Guaxindiba para a passagem de embarcações, mas disse que a empresa possui um Plano Diretor para Desenvolvimento Sustentável da área. Segundo ela, o plano prevê monitoramento da qualidade da água, um centro de integração do Comperj, um estudo de escala de paisagens, um programa de capacitação para professores, entre outras ações. A diretora informou que os problemas que possam acontecer a partir da instalação do empreendimento serão resolvidos caso a caso. “Nossa intenção é tutorar e dar direcionamento adequado a cada situação que vier do crescimento do Comperj”, disse a diretora para a plenária, que imediatamente deu a resposta: “Direcionamento adequado é que vocês nos respeitem”.
Breno Herrera, chefe da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, é um morador da área e disse temer, sobretudo, o impacto do empreendimento na vida dos pescadores artesanais da região. Para o presidente da Associação de Homens e Mulheres do Mar (Ahomar), Alexandre Anderson de Souza, “A preocupação não é apenas com a vida na Baía, mas com toda a vida ao redor dela e com os que, direta ou indiretamente, dependem de sua preservação.”

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

COMPERJ... uma polêmica que continua

Audiência pública discute impactos socioambientais do Comperj

Cidadãos presentes no evento se manifestaram contrários ao Complexo Petroquímico

O Ministério Público Federal (MPF) realizou na última segunda (6) a audiência pública "Comperj: Debate sobre os seus impactos sociais e ambientais", que discutiu as possíveis falhas no cumprimento das condições pré-estabelecidas para a instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), assim como o andamento dos processos de licenciamento ambiental necessários para as obras. Mais de 200 pessoas compareceram à audiência, inclusive representantes da sociedade, do poder público e da Petrobras. A população teve a oportunidade de se manifestar sobre a instalação do Complexo e mostrou seu descontentamento com o projeto. O evento foi mediado pelo procurador da República em São Gonçalo Lauro Coelho Junior e organizado também pelas procuradoras regionais dos direitos do cidadão Gisele Porto e Aline Caixeta.
A primeira mesa da audiência contou com a presença do promotor de Justiça Tiago Gomes, do professor Mário Luiz Soares e de Alexandre Anderson, presidente da Associação Homens do Mar (Ahomar). O promotor afirmou que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro vai usar todos os mecanismos para assegurar que o projeto obedeça a legislação ambiental, e ressaltou a atuação integrada entre o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal.
Em seguida, o professor Mário Luiz, do Núcleo de Estudos em Manguezais da Uerj, questionou os critérios ambientais e sociais considerados para a escolha locacional do Comperj, destacando a incompatibilidade do empreendimento com o Plano de Gerenciamento Costeiro, com o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara e com o Plano Diretor de Recursos Hídricos da Baía de Guanabara. Ele afirmou que o Comperj atrairá novas indústrias e aumentará o fluxo migratório para uma região carente de infraestrutura, agravando problemas sociais já existentes, e que a localização do empreendimento irá afetar os manguezais, sistema marinho mais sensível a atividades de petróleo.
Já Alexandre Souza, da Ahomar, destacou a drástica redução das áreas de pesca na Baía de Guanabara, principalmente em função de diversos empreendimentos da Petrobras, e afirmou que estão sendo utilizados meios criminosos pelos empreendedores para manter os pescadores afastados da região. Ele também falou sobre a importância do rio Guaxindiba, na APA Guapimirim.
Na segunda mesa, Breno Herrera, chefe da APA Guapimirim, relatou os impactos ambientais do Comperj e demonstrou que o fracionamento do licenciamento dificultou a análise da viabilidade do empreendimento como um todo. Como impactos sociais indiretos, ele apontou o crescimento urbano descontrolado e a implantação de outras indústrias que são atraídas para a região.
Luiz Firmino, subsecretário de Estado do Ambiente que representou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), afirmou que o licenciamento não teria sido feito de forma fragmentada. Ele falou ainda sobre a criação de uma unidade de conservação municipal, de forma a complementar o processo de reflorestamento da área, e relatou medidas adotadas pelo governo federal e estadual para promover o desenvolvimento sustentável do entorno do Comperj. Já Daniella Medeiros, gerente de Segurança, Meio Ambiente e Saúde do Comperj, apresentou todos os planos de monitoramento e gestão ambiental realizados pela Petrobras.
O procurador Lauro Coelho Junior solicitou que fosse esclarecida pela representante da Petrobras a natureza do contrato com a empresa Megatranz e o motivo da insistência no licenciamento da hidrovia no rio Guaxindiba, uma vez que já existem um píer e uma via especial de acesso para transporte de equipamentos do Comperj que contam com licença de instalação. Daniella Medeiros disse não ter a informação relativa à natureza contratual com a Megatranz.
Ao final da segunda mesa, a população pôde se manifestar e todas as intervenções feitas tiveram um tom de indignação perante o empreendimento. Andressa Caldas, da Plataforma Dhesca Brasil, afirmou que "a Petrobras se negou a travar um diálogo com os pescadores", e Gabriel da ONG Justiça Global ressaltou que "os pescadores estão sendo ameaçados e mortos". Renata, da Anistia Internacional no Brasil, afirmou ainda que "o desenvolvimento econômico está sendo feito às custas dos direitos humanos". Outras críticas foram feitas à localização do emissário submarino próximo à Região Oceânica de Niterói e aos problemas no entorno da área do Comperj.

Destruição Ambiental


Queimadas na Mata Atlântica jogam carvão vegetal no oceano

O desmatamento por queimadas na mata Atlântica deixou uma enorme quantidade de carvão vegetal no solo. Segundo pesquisa de Carlos Eduardo de Rezende, biogeoquímico da UEFN (Universidade Estadual do Norte Fluminense), a prática criminosa não destruiu apenas a área verde do Brasil, hoje reduzida a menos de 8% do terreno original, como também pode devastar o resto do ecossistema por milênios.

O estudo, feito em parceria com o centro de estudos alemão Max Planck, descobriu que mais de 2,7 toneladas de carvão vegetal são despejadas no oceano Atlântico todo ano. O grupo liderado por Rezende, que coletou amostras da água do mar a cada duas semanas por 11 anos, entre 1997 e 2008, estima que já foram despejados de 50 mil a 70 mil toneladas do componente no meio marinho.

Segundo o brasileiro, o corte e a queima da vegetação depositaram entre 200 milhões e 500 milhões de toneladas da substância negra na superfície terrestre. Como os sedimentos são levados pela chuva, eles chegam até os rios e, depois, desembocam no oceano. Este processo de limpeza do solo, feito durante a época das tempestades, pode demorar entre 630 e 2.200 anos para terminar.

Por isso, mesmo após quase 40 anos da proibição das queimadas, os vestígios de carvão vegetal ainda são despejados no mar. Sem apontar as consequências reais, o material demonstra que a queimada vai além do ato isolado na área e gera uma reação em cadeia e prejudicial ao restante do ambiente.
fonte: uol

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Concessões contra o Brasil

O Ministério de Minas e Energia e o Departamento Nacional de Produção Mineral, a ele subordinado, não têm emitido novas licenças para pesquisas de lavras, nem outorgas de concessão do direito de minerar às empresas estrangeiras


As empresas mineradoras, quase todas estrangeiras ou com forte participação de capital externo, ameaçam ir à Justiça contra o governo brasileiro. Alegam “direitos minerários”. Razão alegada: o Ministério de Minas e Energia e o Departamento Nacional de Produção Mineral, a ele subordinado, não têm emitido novas licenças para pesquisas de lavras, nem outorgas de concessão do direito de minerar. Segundo informações oficiosas, e não oficiais, a ordem é do Planalto.
Vale
Terras exploradas pela Vale, uma das maiores mineradores do mundo
A matéria sobre o assunto, publicada sexta-feira pelo jornal Valor, não esclarece de que “direitos minerários” se trata. Pelo que sabemos, e conforme a legislação a respeito, o subsolo continua pertencendo à União, como guardiã dos bens comuns nacionais. A União pode, ou não, conceder, a empresas brasileiras, o direito de pesquisa no território brasileiro e o de explorar esses recursos naturais, dentro da lei. Nada obriga o Estado a atender aos pedidos dos interessados.
A Constituição de 1988, e sob proposta da Comissão Arinos, apresentada pelo inexcedível patriota que foi Barbosa Lima Sobrinho, havia determinado que tais concessões só se fizessem a empresas realmente nacionais: aquelas que, com o controle acionário de brasileiros, fossem constituídas no Brasil, nele tivessem sua sede e seus centros de decisão.
O então presidente Fernando Henrique Cardoso, com seus métodos peculiares de convencimento, conseguiu uma reforma constitucional que tornou nacionais quaisquer empresas que assim se identificassem, ao revogar o artigo 171 da Constituição, em 15 de agosto de 1995, com a Emenda nº 6. Ao mesmo tempo, impôs a privatização de uma das maiores e mais bem sucedidas mineradoras do mundo, a nossa Vale do Rio Doce.
É bom pensar pelo menos uns dois minutos sobre a América Latina, seus recursos minerais e a impiedosa tirania ibérica sobre os nossos povos. A prata de Potosi – e de outras regiões mineiras do Altiplano da Bolívia – fez a grandeza da Espanha no século 17. O ouro e os diamantes de Minas, confiscados de nosso povo pela Coroa Portuguesa, financiou a vida da nobreza parasita da Metrópole, que preferiu usar o dinheiro para importar produtos estrangeiros a criar manufaturas no país. As astutas cláusulas do Tratado de Methuen, firmado entre Portugal e a Inglaterra, em 1703, pelo embaixador John Methuen e o Conde de Alegrete, foram o instrumento dessa estultice. Assim, o ouro de Minas financiou a expansão imperialista britânica nos dois séculos que se seguiram.
A luta em busca do pleno senhorio de nosso subsolo pelos brasileiros é antiga, mas se tornou mais aguda no século 20, com a intensa utilização do ferro e do aço na indústria moderna. Essa luta se revela no confronto entre os interesses estrangeiros (anglo-americanos, bem se entenda) pelas imensas jazidas do Quadrilátero Ferrífero de Minas, tendo, de um lado, o aventureiro Percival Farquhar e, do outro, os nacionalistas, principalmente mineiros, como os governadores Júlio Bueno Brandão e Artur Bernardes.
Bernardes manteve a sua postura quando presidente da República, ao cunhar a frase célebre: minério não dá duas safras. Essa frase foi repetida quarta-feira passada, pelo governador Antonio Anastasia, ao reivindicar, junto ao presidente do Senado, José Sarney, a aprovação imediata do novo marco regulatório, que aumenta a participação dos estados produtores nos lucros das empresas mineradoras, com a elevação dos royalties devidos e que, em tese, indenizam os danos causados ao ambiente.
Temos que agir imediatamente, a fim de derrogar toda a legislação entreguista do governo chefiado por Fernando Henrique, devolver a Vale do Rio Doce ao pleno controle do Estado Nacional e não conceder novos direitos de exploração às empresas estrangeiras, dissimuladas ou não. E isso só será obtido com a mobilização da cidadania.
 Por Mauro Santayana,
Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

Fonte: Correio do Brasil

Brasil em Chamas

Número de queimadas no Brasil cresce 53% em cinco anos, diz Inpe
Falta de fiscalização, expansão agrícola e estiagem são causa de incêndios.
Focos de queimada devem piorar ainda mais até o fim do ano, diz cientista.

Mapa mostra número de focos de queimadas no Brasil e na América do Sul (Foto: Inpe/Divulgação)

O número de queimadas no Brasil cresceu 53,3% em cinco anos, segundo dados reunidos pelo G1 junto ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O aumento corresponde à comparação de focos registrados de janeiro a agosto de 2012 com relação ao mesmo período de 2007.

Há meia década atrás, haviam sido identificadas 26,2 mil queimadas nos primeiros seis meses de 2007 pelos satélites do Inpe. Já neste ano, no mesmo intervalo de tempo, foram 40,2 mil focos de incêndio.
Para o pesquisador do Inpe Alberto Setzer, responsável pelo monitoramento de queimadas, há três fatores que levam ao aumento dos focos de incêndio: o clima seco, a expansão agropecuária e a fiscalização deficiente. Ele avalia que várias regiões do Brasil estão passando por falta de chuva, o que influencia no aumento das queimadas.

"Existe uma tendência a se configurar o fenômeno do El Niño, na região da América do Sul, o que favorece para a estiagem que estamos vendo agora. Isso faz parte de um contexto maior e global, que envolve fenômenos oceânicos e climáticos", afirma Setzer.

O pesquisador afirma que as queimadas são proibidas por lei e que são um crime ambiental. "As pessoas esquecem de mencionar que o elemento humano é quem começa quase todas as queimadas", afirma.

Recorde


 O pesquisador avalia que o número de queimadas de 2012 ano pode bater o recorde da última meia década, que é de 2010, quando o número de queimadas chegou a 44,8 mil em apenas um semestre.

Setzer afirma que o pior período das queimadas ainda está por vir e deve ocorrer nos próximos seis meses. "Você está só com uma fração do que ocorreu. Se continuar neste ritmo, vamos chegar a 200 ou 250 mil" focos de incêndio até o fim do ano, diz o cientista.

"Está se configurando uma situação grave e preocupante este ano. Estamos vendo focos de queimada no Pantanal, no Maranhão, em Mato Grosso. A situação é alarmante e bem preocupante", ressalta Setzer.

Nordeste

 A região Nordeste, composta por nove estados, é a campeã no número de incêndios até agora - foram registrados 16,2 mil focos de queimada, o equivalente a 40,4% do total. A estiagem no Nordeste está maior do que em outras regiões , ressalta Setzer. "É um período de seca bastante anômalo, em que estão sendo necessários carros-pipa na região. Isso confirma que a variação do clima está ocorrendo", ressalta.

A expansão agropecuária é causa de queimadas principalmente na fronteira sul da Amazônia e na região central do Brasil, avalia o especialista. "A expansão da soja e de outras culturas ainda está ocorrendo. Com a questão do Código Florestal, que vai definir as áreas de desmate, muita gente está pensando que vai ser anistiada se desmatar. Você percebe uma consequência desta discussão no uso do fogo" para limpar as fazendas, diz Setzer.

Na comparação entre 2011 e 2012, o aumento no número de queimadas foi ainda maior - passou de 23,6 mil entre 1º de janeiro e 10 de agosto do ano passado para 40,2 mil neste ano. A atitude "criminosa" de realizar queimadas causa multas que quase nunca são pagas, avalia Setzer. O pesquisador pondera que a fiscalização é importante, mas que precisa ser feita com mais rigor.

"O Ibama e outras instituições têm aplicado multas significativas para os criminosos. Só no ano passado, foram mais de R$ 1 bilhão. Por outro lado, o que foi arrecadado com multas foi mínimo perto disso. As pessoas cometem o crime, são multadas e não pagam. Elas acham uma forma de contornar esta situação", reflete o cientista.

Rafael Sampaio
Do Globo Amazônia, em São Paulo

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

indicadores da Cidadania

Nesta apresentação estão reunidos os indicadores de duas diferentes dimensões do Incid: Cidadania Vivida e Cidadania Percebida, que também representam diferentes formas de pesquisar e coletar dados. Clique no link abaixo para acessar a pesquisa...


A Cidadania Vivida leva em conta as condições de cidadania hoje no território, a partir de bancos de dados de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), Ministério da Saúde (Datasus), Instituto de Segurança Pública (ISP), entre outros.
Na Cidadania Percebida, analisamos como a população local se percebe como cidadã, portadora de direitos e deveres, através dos resultados de nossa pesquisa de percepção, realizada em março de 2012 nos 14 municípios onde atua o projeto.
Estas duas dimensões da cidadania (Vivida e Percebida) ajudam a compor o conceito de Cidadania Ativa, que norteia as ações do projeto e que é composta por mais duas dimensões, ainda em fase de análise (Cidadania Garantida e Cidadania em Ação).

fonte: Incid

COMPERJ... Agora nas páginas policiais...

A corda bamba de um descaso público (do Incid)


“Nós estamos sendo expulsos covardemente, por medo, ameaça e bala!”. O desabafo do presidente da Associação de Homens e Mulheres do Mar (AHOMAR), Alexandre Anderson de Souza, sintetiza a situação dos pescadores artesanais das Baías de Guanabara e Sepetiba, exposta em Audiência Pública na manhã desta quarta-feira (01), na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
A entidade denunciou as sistemáticas violações ocorridas com o avanço das obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) e cobrou publicamente justiça pelos assassinatos de pescadores artesanais. Desde 2009, quatro lideranças da associação já foram mortas.
Sem ostentar discursos, Souza expressou sua preocupação com simplicidade de palavras e gestos. Questionou a responsabilidade socioambiental da Petrobras, e as ausências de envolvimento com a sociedade nas regiões do Complexo. “Fico muito triste porque o Ministro da Pesca não pode comparecer, e a Petrobras não mandou nenhum representante para compor a mesa”.

Alexandre contou que Paulo Santos Souza, ex-tesoureiro da AHOMAR, foi espancado em 2009 em frente a sua família e assassinado com cinco tiros na cabeça. Em 2010, Márcio Amaro, fundador da associação, foi assassinado em casa, em frente a mãe e esposa. Em junho de 2012, Almir e Pituca, ambos da mesma entidade, desapareceram quando saíram para pescar. Os corpos foram encontrados dias depois. Nenhum dos crimes foi esclarecido. A entidade lançou, no mês de junho, um manifesto de repúdio aos assassinatos e desaparecimentos.
Iniciativa do vereador Edison da Creatinina (PV) junto a sociedade civil, AHOMAR e moradores locais, a audiência foi pautada por denúncias e cobranças. “Nós esperamos que daqui saiam os primeiros passos para os esclarecimentos do que está acontecendo”, disse Creatinina. “As ações do Comperj têm não só contaminado a Baía, como criado uma série de problemas para as famílias que vivem da pesca”, ressaltou. O Comperj é considerado um dos maiores investimentos da história da Petrobras.
Os pescadores fizeram um apelo à população, lembrando que a pesca artesanal é responsável pelo sustento de muitas famílias e por parte da produção alimentícia do Estado do Rio de Janeiro. Isac de Oliveira, da Associação de Pescadores e Aquicultores de Pedra de Guaratiba, lamentou o descaso com a atividade o que, segundo ele, acabará afetando direta ou indiretamente a vida de toda a população. “Estamos perdendo nossas águas, nosso modo de vida, a soberania alimentar deste estado está em risco!”
Desapontados com representatividades falhas e quase tão cheias de pompas quanto as paredes arquitetônicas da Câmara, homens e mulheres do mar mostraram-se indignados. Já exaustos pela longa espera por ações do poder público, não esconderam a grande insatisfação com a falta de políticas sociais.

Para o vereador Eliomar Coelho (PSOL), a importância de trocas efetivas entre Poder Público e Sociedade Civil é uma clara necessidade. Chamou a população ao diálogo com o poder Institucional, e quando este não for possível, à mobilização. ”Se esse diálogo não é funcional, vamos continuar com outro tipo de diálogo, esse no campo das resistências!”, declarou.
Os problemas na Baía de Guanabara não se restringem à questão da pesca e dos crimes ocorridos na região. Os impactos das ações do Comperj também ferem a sustentabilidade ambiental. “Ainda há vida na Baía de Guanabara”, de acordo com Breno Herrera, chefe da Área de proteção Ambiental (APA), de Guapimirim, a Baía de Guanabara ainda conta com áreas de manguezais intactos e com espécies naturais antigas, que estão sob ameaça.
A Audiência seguiu com Ato público em Repúdio à Morte dos pescadores saindo da Cinelândia, no centro do Rio, em direção aos edifícios da Petrobras e do BNDES

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ninguém de fora,todos os participantes devem ser Réus.

Revista mostra registros de pagamento a Gilmar Mendes pelo mensalão do PSDB



A Revista Carta Capital que chegou às bancas de São Paulo na tarde desta sexta-feira (27) tumultuará todo o ambiente que vem sendo milimetricamente preparado para o julgamento do famoso caso do Mensalão. Ela apresenta documentos que indicariam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, quando era Advogado Geral da União (AGU), em 1998, teria recebido R$ 185 mil do chamado Mensalão do PSDB, que foi administrado pelo publicitário Marcos Valério.
 

Em um trabalho do jornalista Maurício Dias, a revista obteve o que seria a contabilidade paralela da campanha do atual senador Eduardo Azeredo, em 1998, quando ele concorreu à reeleição ao governo de Minas Gerais. As folhas, encadernadas, levam a assinatura de Valério. Alguns dos documentos têm firma reconhecida. No total, esta contabilidade administrou R$ 104,3 milhões. Houve um saldo positivo de R$ 69,53. A reportagem teve a contribuição também do repórter Leandro Fortes, que foi a Minas Gerais.

Nesta contabilidade também aparece a captação de recursos via empréstimos do Banco Rural, tal como aconteceu no chamado Mensalão do PT. Mas não foi o único banco a emprestar dinheiro para a campanha do tucano. Também contribuíram o BEMGE, Credireal, Comig, Copasa e a Loteria Mineira. No total, via empréstimos bancários, foram captados R$ 4,5 milhões, valor um pouco maior do que o registro da mais alta doação individual, feita pela Usiminas. Ela, através do próprio Eduardo Azeredo e do vice governador Walfrido Mares Guia, doou R$ 4.288.097. O banco Opportunity, através de seu dono, Daniel Dantas, e da diretora Helena Landau, pelos registros, doou R$ 460 mil.

As dez primeiras páginas do documento apresentam os doadores para a campanha. As demais 16 páginas relacionam as saídas de recursos. O registro em nome de Gilmar Ferreira Mendes surge na página 17. Procurado através da assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes não retornou ao Jornal do Brasil.

Fonte: Jornal do Brasil/Marcelo Auler

sexta-feira, 27 de julho de 2012

DENÚNCIA. URGENTE.

Maricáos: Vergonha e banditismo...


Todos nós sabemos que a entrega da correspondência pelos correios se faz através da localização exata dos endereços de entrega; ou seja é necessário que as ruas estejam nominadas, e que as casas também possuam numeraçâo. Dentro de Maricáos isso sempre foi um sonho,visto que nenhum prefeito se preocupou com tal necessidade,e os cidadãos ,em sua maioria não recebiam,e recebem as suas correspondência em seu lar. Alguns bairros, que possuem associações de moradores passaram a receber a tal correspondência nas sedes destas associaçôes, e além de receber as cartas, sedex e telegramas passaram a distribui-las aos seus associados, e em muitos casos até mesmo aos que nunca contribuiram nesta empreitada comunitária. Outros buscaram alugar caixas postais;em um município onde nada, absolutamente nada funciona, esses heróis acabaram se tornando "concessionários' obrigatórios dos serviços monopolizados pela ECT. Mesmo ao arrepio da lei a gerência dos correios de Maricáos acabou tornando seus representantes obrigatórios, e sem opção as tais associações comunitárias; que mesmo denunciando essa farsa promovida pela ECT em nosso município, foram submetidos a imposição de receberem obrigatoriamente toda a correspondência sob a ameaça ilegal de não mais receberem as de seus associados,uma vergonha!!!! Se tudo isso já não fosse um esquema vergonhoso, vem acontecendo muito pior; é o caso do CONDADO DE MARICÁ" onde existe uma portaria, faz mais de vinte anos,e que serve para aumentar a segurança e buscar junto aos orgãos públicos os tais serviços que deveriam ser obrigação do alcáide de plantão; mesmo sendo residência de diversos ex-prefeitos nada foi feito para essa comunidade durante todo seu tempo de existência, abandonado a sua própria sorte sempre teve como único apóio um grupo aguerrido de moradores que lutou e luta para garantir e melhorar as condições de vida de seus moradores, mesmo que a maioria dos moradores ignorem e boicotem essa importante ferramenta comunitária, o que não é diferente de outros bairros onde poucos fazem o possível para o pleno das comunidades .Como já não bastassem todas essa adversidades estamos em ano eleitoral,ai a coisa pode piorar,a intervenção das "autoridades' que nunca aparecem para cumprir seu deveres acontecem nesse período para o pior.Aproveitando-se da indignação geral da parte dos moradores com os serviços públicos,ai incluído os dos correios ,o Prefeito quis pegar carona para tentar fazer a sua rasteira política de cooptação e troca de favores através de seus aspones locais,paus mandados da desprefeitura já em total descrédito com o povo,mas que insistem em enganar o povo local. Assim sendo o "verme" que ocupa tal posto,que nunca tinha aparecido lá, apareceu no local e foi solenemente ignorado pelos moradores, e na saída prometeu vingança contra a associação de moradores; dito e feito,na segunda feira última passada causou grande tumulto com seus aspones amestrados,ameaçando físico e moralmente o empregado da portaria,resgando informes do quadro de avisos, xingando e ofendendo moralmente um diretor presente; a polícia foi chamada para garantir a integridade física do diretor e do empregado da portaria,além dos equipamentos e bens da associação; toda essa vergonha foi gravada pelo sistema de segurança da portaria,até as ameaças. Mas o pior de tudo foi constatado com a chegada da viatura policial chamada pela diretoria da associação,o cidadão que mais ameaçou, o mais descontrolado e agressivo,que queria inclusive quebrar o portão de acesso da portaria era um membro da "segurança' do Prefeito, que insistia em repetir que -"ia quebrar tudo, que tinha as costas quentes ,e que o prefeito ia mandar destruir a portaria...". tal elemento foi identificado como policial militar, integrante do Batalhão de polícia rodoviária,morador recente do Condado, um tal Maicon Castro. O povo precisa saber dos métodos utilizados pelo nosso alcáide para aqueles que não lambem as suas botas, que não comungam com os descaminhos da sua inominável administração; fica aqui um brado de alerta ao povo de Maricáos; e que nesse casos aqueles que se sentirem ameaçados por essa Máfia devem tomar o mesmo caminho desta associação de moradores e denunciar essas ilegalidades a polícia e a justiça; e fica aqui o meu apoio a esses moradores ameaçados. - SOMOS TODOS APAC - (Associação de Moradores do Condado de Maricá).

terça-feira, 24 de julho de 2012

COMPERJ - Uma tragédia anunciada

Como nasce uma região: a construção do Leste Fluminense a partir da implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ
por: Natália M. Gaspar – Ibase/RJ
Resumo:
O objetivo deste trabalho é discutir a reconfiguração do território a partir da implantação de grandes empreendimentos e os seus desdobramentos em relação ao tecido organizativo local. Para tanto, a proposta é analisar o "surgimento" de uma "região" denominada de Leste Fluminense, a partir da instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), pela Petrobras, e da criação de um consórcio intermunicipal (Conleste) que reúne prefeituras de 14 municípios, com expressivo apoio do governo estadual, configurando um novo arranjo das forças políticas em torno da transformação do território. O Comperj teve sua instalação anunciada pela Petrobras em 2006 e constitui um dos maiores investimentos em andamento no país, de cerca de 8,4 bilhões de reais. Trata-se de uma refinaria de padrão internacional, capaz de refinar o petróleo pesado proveniente da Bacia de Campos e de gerar subprodutos de alto valor agregado, condizente, portanto, com o modelo de desenvolvimento que vem sendo implantando pelo governo federal. A intenção deste papel é abordar as relações entre a empresa, os governos e as organizações e associações locais diante do direcionamento de uma série de iniciativas para este conjunto de municípios, que implicam disputas por recursos e diferentes estratégias para lidar com os inúmeros impactos resultantes da instalação de um empreendimento desta magnitude.
Na última década, o Brasil tem atravessado um período de intenso crescimento econômico, alicerçado em investimentos de grande porte direcionados a grandes empreendimentos nos setores de infraestrutura, nas cadeias produtivas do petróleo e da mineração e no agronegócio, boa parte deles com financiamento público, através principalmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e reunidos pelo governo federal sob o nome de “Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC). Como salienta Grzybowski, a diferença em relação a períodos de crescimento anteriores (anos 50 e anos 70, por exemplo) é que agora “a justificativa é crescer para ter justiça social”. De fato, a redução do percentual de pessoas vivendo na miséria (independente do critério adotado para estabelecê-la), a ampliação do percentual da população considerada, grosso modo, como “classe média” e o salto dos empregos com “carteira assinada” e do valor real do salário mínimo são ganhos inquestionáveis e representam significativa diferença em relação a períodos anteriores de crescimento econômico.
No entanto, é cada vez mais patente a necessidade de incluir no debate as mazelas associadas ao “modelo de desenvolvimento” que está sendo implantado – em linhas gerais, industrialização ligada à intensa exploração de recursos naturais não renováveis e privatização de bens comuns, urbanização e exclusão. De acordo com o GT Combate ao Racismo Ambiental - que reúne organizações ambientalistas, trabalhistas, comunitárias, acadêmicas e movimentos sociais - “as injustiças ambientais recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e sobre outras comunidades, discriminadas por sua origem ou cor.”.
De que maneira a antropologia pode contribuir para este debate?
A emergência de uma nova questão pública - a preservação do meio ambiente - parece constituir ao mesmo tempo o pano de fundo para pensar a emergência e a reformulação de conflitos sociais e o elo entre as diversas formas de exclusão inerentes ao modo capitalista de organização do trabalho humano e da natureza. Ao analisar a “ambientalização dos conflitos sociais”, Leite Lopes chama a atenção, entre outras coisas, para a necessidade de especificar a diferença dos usos e contextos de novas palavras de aparência unânime como “meio ambiente” e “participação”. E destaca a importância de analisar de forma etnográfica as manifestações singulares e a diversidade de práticas dentro da macro-instituição que chamamos de estado (2004:35).
A eclosão de conflitos ambientais em decorrência da implantação de grandes empreendimentos, de acordo com Acselrad, deve ser analisada enquanto dinâmica conflitiva própria do modelo de desenvolvimento em curso e constitui uma das formas encontradas por organizações e grupos para contestar a distribuição de poder sobre o território e seus recursos. A denúncia da prevalência da “desigualdade ambiental” traz à tona a maneira pela qual os custos ambientais são transferidos para grupos de menor renda e menos capazes de se fazer ouvir nas esferas de decisão (2004: 21).
O objetivo deste trabalho é discutir, de uma perspectiva antropológica, a reconfiguração do território a partir da implantação de grandes empreendimentos e os seus desdobramentos em relação ao tecido organizativo local. Foi elaborado a partir da minha inserção como pesquisadora da Organização Não Governamental (Ong) Instituto Brasileiro de Análises Econômicas e Sociais (Ibase) em dois diferentes projetos.
Primeiramente, coordenei projeto financiado por organização internacional voltada para a transparência (Revenue Watch Institute), que tem por objetivo o fortalecimento do controle social e a qualificação do debate público nos setores de petróleo e mineração.
No âmbito deste projeto, desenvolvi estudo de caso sobre o controle social no processo de licenciamento ambiental, a partir dos casos do Comperj e da TK-Csa (siderúrgica implantada pela joint venture Thyssenkrupp/Vale no município do Rio de Janeiro). Em seguida, passei a atuar como pesquisadora no projeto Indicadores da Cidadania – Incid, financiado pela Petrobras e destinado a 14 municípios que integram o consórcio intermunicipal do Leste Fluminense (Conleste – hoje constituído por 15 municípios). Minhas atividades neste projeto, até agora, consistiram principalmente na formulação de indicadores a partir de dados secundários e na realização de uma pesquisa amostral de fluxo com questionário fechado a respeito da percepção da população sobre questões relacionadas à cidadania.
A proposta deste trabalho é analisar o "surgimento" de uma "região" denominada de Leste Fluminense. A partir da instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), pela Petrobras, e da criação de um consórcio intermunicipal (Conleste) que reúne prefeituras de 15 municípios, com expressivo apoio do governo estadual, o Leste Fluminense expressa um novo arranjo das forças políticas em torno da transformação do território. Este rearranjo se insere na convergência de diferentes interesses para a consolidação do estado do Rio de Janeiro como uma unidade federativa que agrega as diferentes fases da cadeia produtiva do petróleo – extração, refino e produção de bens de consumo.
O Comperj teve sua instalação anunciada pela Petrobras em 2006 e constitui um dos maiores investimentos em andamento no país, de cerca de 8,4 bilhões de reais.
Trata-se de uma refinaria de padrão internacional, capaz de refinar o petróleo pesado proveniente da Bacia de Campos e de gerar subprodutos de alto valor agregado, condizente, portanto, com o modelo de desenvolvimento que vem sendo implantando pelo governo federal. Ademais, é a principal obra do PAC no estado do Rio de Janeiro e conta com robusto financiamento do BNDES.
A partir de 2006, ano do anúncio pela Petrobras da instalação do Comperj no município de Itaboraí (RJ), uma nova configuração regional começa a se delinear. Ao final daquele ano, a constituição do Consórcio Intermunicipal pelo Desenvolvimento do Leste Fluminense – o Conleste -, amplamente apoiada ou mesmo estimulada pelo governo do estado, veio a evidenciar um esforço no sentido da instituição deste novo recorte regional.
Até então, os 15 municípios que hoje integram o Conleste ainda não haviam sido agrupados por nenhum recorte regional oficial, enquadrando-se em diferentes regiões.
Por exemplo, segundo do IBGE, distribuem-se por 3 mesorregiões geográficas do estado do Rio de Janeiro – Baixadas, Centro Fluminense e Metropolitana do Rio de Janeiro (que, por sua vez, subdividem-se em microrregiões). Segundo classificação do governo do estado, o atual Conleste se distribui pelas regiões Serrana, das Baixadas Litorâneas e Metropolitana. O governo do estado também divide o território estadual
De acordo com Adhemar Mineiro, a visão que prevalece no BNDES, o principal financiador da economia brasileira, é bastante otimista a respeito dos impactos positivos das grandes empresas, por seu potencial financeiro, tecnológico, gerencial e de mercado, entre outros, e suas sinergias, não apenas internas, mas também na articulação com uma cadeia de fornecedores, distribuidores e prestadores de serviços variados.
O Conleste é um consórcio intermunicipal, criado em outubro de 2006, reunindo à época as prefeituras de 11 municípios fluminenses: Itaboraí, São Gonçalo, Niterói, Maricá, Tanguá, Magé, Guapimirim, Rio Bonito, Silva Jardim, Casimiro de Abreu e Cachoeiras de Macacu. Em 2009, o município de Saquarema passou a integrar o consórcio, seguido, em 2010, por Teresópolis, em 2011, por Araruama e em 2012, por Nova Friburgo. Diferentemente dos convênios, os consórcios são acordos celebrados entre pessoas públicas do mesmo nível de governo. Dos consórcios celebrados entre pessoas públicas, os mais comuns são aqueles pactuados entre municípios. O Conleste é um consórcio intermunicipal, dotado de personalidade jurídica de direito privado, cujos lucros eventuais não são repartidos entre os associados, mas reaplicados integralmente nas atividades-fim, e sujeita-se às normas civis aplicáveis a toda e qualquer associação civil, mas a peculiaridade de ser constituído por pessoas públicas, faz com que as normas de direito público aplicáveis aos municípios consorciados (como realização de concurso público e licitação) sejam igualmente exigidas do consórcio, entidade civil (Fundação Prefeito Faria Lima – Cepam. Unidade de Políticas Públicas – UPP, 2001), por regiões hidrográficas, que não necessariamente coincidem com os limites municipais, e que são associadas à criação de comitês de bacia, aos quais é atribuído o gerenciamento dos recursos hídricos. Por este critério, os 15 municípios do consórcio estão inseridos em 4 regiões hidrográficas – Piabanha, Baía de Guanabara, Rio Dois Rios e Lagos São João. De acordo com Pierre Boudieu, “o discurso regionalista é um discurso performativo, que tem em vista impor como legítima uma nova definição das fronteiras e dar a conhecer e fazer reconhecer a nova região assim delimitada – e, como tal, desconhecida – contra a definição dominante, portanto, reconhecida e legítima, que a ignora. O ato de categorização, quando consegue fazer-se reconhecer ou quando é exercido por uma autoridade reconhecida, exerce poder por si...” (1989: 116, grifo da autora).
Para o geógrafo Haesbaert, a importância da categoria região para a análise do mundo contemporâneo se dá diante do entendimento de que há na atualidade uma contínua redefinição de papéis, funções, conflitos e regionalismos, como consequência da globalização e de sua inserção/influência desigual em termos espaciais (2010). A iniciativa das administrações públicas daqueles 11 municípios (inicialmente) no sentido de estabelecer e fazer reconhecer a região do Leste Fluminense veio a encontrar reconhecimento, primeiramente, no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) referente ao licenciamento das instalações do Comperj no sítio principal em Itaboraí.
Estes estudos devem estabelecer as “áreas de influência” dos empreendimentos, definindo municípios que serão alvo de ações específicas para “mitigação” de impactos, e geralmente de uma série de ações que podem grosso modo ser denominadas de “compensações sociais e ambientais”. Minimamente, devem ser definidas áreas de 7. A divisão do estado em regiões hidrográficas está associada à criação dos comitês de bacia hidrográfica
“para gerenciar o uso dos recursos hídricos de forma integrada e descentralizada, com a participação da sociedade”, de acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA - http://www.inea.rj.gov.br/recursos/comite.asp). Ainda de acordo com o órgão ambiental estadual, esses colegiados, instituídos pela lei que estabeleceu a Política Estadual de Recursos Hídricos (3.239/98), são compostos por representantes do Poder Público, da sociedade civil e de “usuários de água” e têm poder consultivo, normativo e deliberativo. A partir dos comitês, o estado do Rio de Janeiro foi dividido em 10 Regiões Hidrográficas, “de acordo com afinidades geopolíticas e as bacias que abrangem”. É função dos comitês de bacias articular a atuação de entidades intervenientes, aprovar critérios de cobrança e o plano de bacia, inclusive acompanhando sua execução.
Minhas primeiras reflexões neste sentido e o levantamento das informações ocorreram no âmbito da elaboração de parte do relatório Introdução ao Incid – Indicadores da Cidadania, do Ibase, influência “direta” e “indireta”

Mapa 1 – Área de Abrangência Regional do Comperj (primeiros municípios a integrar o Conleste) – 2007 Fonte: EIA 2007. Petrobras/Concremat Engenharia O respaldo do governo estadual veio a ser consolidado através da criação pelo governador do “Fórum Comperj” – Fórum para o Desenvolvimento da Área de Influência do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em 2007, com vistas a criar ferramentas de gestão e planejamento de políticas regionais. O Fórum Comperj é presidido pelo governador e dele participam, como parceiros institucionais, todas as secretarias do Estado, todas as prefeituras dos municípios integrantes do Conleste, a Assembleia Legislativa, o Ministério das Cidades, o BNDES, a Caixa Econômica Para compreender melhor o processo de licenciamento ambiental no Brasil.
Federal e a Petrobras S.A..
Sob a perspectiva de inserção em uma nova lógica de recorte territorial, impulsionada pela instalação do Comperj e pela disputa pelos recursos a ela associada, outras administrações municipais passaram a ambicionar a sua inclusão na região do Leste Fluminense e, portanto, no consórcio intermunicipal que a representa. Em 2009, o município de Saquarema passou a integrar o Conleste, seguido, em 2010, por Teresópolis, em 2011, por Araruama e, em 2012, por Nova Friburgo. Hoje o Conleste é composto por 15 municípios. O poder legislativo, além de integrar o Fórum Comperj, também busca acompanhar e construir um posicionamento diante das transformações do Leste Fluminense. A Comissão Especial para Discutir e Construir a Interlocução com os Municípios que Sofrem a Influência do Comperj junto à Petrobras realiza Audiências Públicas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) durante as quais têm voz organizações da sociedade civil destes municípios, diante de uma mesa composta por representantes do órgão ambiental estadual responsável pelo licenciamento e das empresas responsáveis pelas diferentes partes do empreendimento (Petrobras, Comperj S.A., Transpetro). Alguns legislativos municipais também procuram um posicionamento, através da realização de audiências públicas sobre impactos mais específicos de seus municípios, como, por exemplo, a audiência “Impactos do Comperj sobre a Mobilidade Urbana no Município de São Gonçalo”, promovida pela Câmara de Vereadores. Para além das iniciativas claramente impulsionadas pela Petrobras e pelos governos, o setor industrial também expressa a consideração do Leste Fluminense em seus planos. Anualmente, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) elabora uma pesquisa junto aos investidores públicos e privados sobre as intenções de investimentos no estado. A última edição da pesquisa, publicada em 2010 e referente aos projetos anunciados até o mês de julho de 2009, compila valor de investimentos da ordem de R$ 126 bilhões em mais de 100 projetos. O estudo da Firjan identifica 4 “eixos de desenvolvimento” no estado: eixo Sepetiba (portos, rodovias e indústrias), eixo Norte (Bacia de Campos e Complexo Logístico do Açu), eixo Sul (Usina Nuclear Angra 3). O eixo leste está apoiado na construção do Comperj.
O desenvolvimento que pode ser induzido na região, de  acordo com esta pesquisa, “não se limita a indústria de fabricação de materiais de plástico. Há perspectiva de um amplo espectro de investimentos no setor de serviços de apoio, além de oportunidades no setor terciário e na construção civil. Cabe destacar, também, a construção do Arco Metropolitano, rodovia que ligará o Comperj ao Porto de Itaguaí”.
Conhecida e reconhecida, portanto, por todas as esferas de governo e pelo principal agente econômico das transformações vindouras – a Petrobras, além do setor industrial fluminense como um todo, a região do Leste Fluminense surge intimamente associada à criação da Comperj e ao seu papel na consolidação da cadeia produtiva do petróleo no estado do Rio. A partir de então, genericamente tratado como “área de influência” do Comperj, o Leste Fluminense passou a ser beneficiado por uma série de iniciativas e “projetos” impulsionados pela presença da Petrobras na região. Entre eles, por exemplo, figura o projeto “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Municípios do Conleste”. Segundo Caetano, este é parte de um projeto maior que a Petrobras S/A vem empreendendo em diversos lugares do mundo com o objetivo de monitorar os impactos de sua atividade industrial, segundo objetivos estabelecidos pela ONU através do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-HABITAT) (2010: 11). O projeto visa alcançar estes objetivos nos 11 municípios que originalmente compunham o Conleste. Para tanto, foi constituído um banco de dados georreferenciado com informações socioeconômicas e ambientais sobre a região.
O trabalho culminou com o estabelecimento de 9 Objetivos e, para cada um deles, foram acrescidas metas e indicadores específicos, somando-se 23 metas e 58 indicadores. Além disso, de acordo com Caetano, desde 2007, são realizados anualmente seminários para divulgação dos dados.
Outra iniciativa da Petrobras no sentido de tratar como um conjunto os municípios do Leste Fluminense foi a inclusão de 14 deles (os 11 primeiros, mais Saquarema, Nova Friburgo e Teresópolis) no projeto Agenda 21 Comperj. O projeto resultou em uma publicação que consolida o resultado de atividades que envolveram representantes dos governos, do empresariado e de organizações da sociedade civil, e na formação, em cada um dos municípios, de Fóruns de Agenda 21, que hoje constituem instâncias de interlocução para tratar de assuntos referentes aos municípios. Falaremos mais adiante sobre esta instância de “participação”. Além disso, a constituição e o funcionamento dos Fóruns locais também contribui para a constituição de uma rede de pessoas nos 14 municípios envolvidos, propiciando o fortalecimento de uma comunicação intrarregional.
Nesta direção, o projeto Indicadores da Cidadania (Incid), do Ibase, financiado pelo setor de Comunicação Institucional da Petrobras, vem se somar a um conjunto de iniciativas destinadas ao Leste Fluminense, abrangendo o mesmo conjunto de 14 municípios beneficiados pela Agenda 21 Comperj.
A produção de dados a respeito dos diferentes territórios que compõem a região do Leste Fluminense, tratada como tal, corrobora e alimenta a necessidade de construção de um discurso no sentido de reafirmar o estabelecimento desta divisão regional, divisão esta impulsionada e sustentada pela instalação de um empreendimento da magnitude do Comperj e fruto de negociações com autoridades governamentais de diferentes níveis.
Analisando historicamente as instituições políticas ocidentais, Foucault chama a atenção para o surgimento da estatística, no século XVII e, no século XVIII, da economia como um nível de realidade, um campo de intervenção específico do governo, e da “população”, como alvo das ações do governo. Embora a arte de governar estivesse ligada aos aparelhos de governo e ao conhecimento do Estado, desde que um conjunto de saberes e análises – a estatística – adquiriu toda importância no século XVII, Foucault afirma que a arte de governar (em oposição à soberania, que tem um fim em si mesma) foi “desbloqueada” em conexão com a emergência do problema da população.
Dali em diante, “as técnicas de governo se tornaram a questão política fundamental e o espaço real da luta política” (1996: 288).
Na reedição do livro Comunidades Imaginadas, Benedict Anderson analisa a formação de nações a partir das regiões coloniais do Sudeste Asiático e identifica três instituições de poder que, juntas, moldaram a maneira pela qual o Estado imaginava o seu domínio – “a natureza dos seres humanos por ele governados, a geografia do seu território e a legitimidade do seu passado”: o censo, o mapa e o museu (2009: 227). Até agora, foi possível observar que as informações produzidas a respeito do Leste Fluminense não partiram do governo, mas foram fruto de iniciativas empresariais (Petrobras, Firjan), que foram executadas em parceria com instituições de conhecimento (universidades públicas) e da sociedade civil (Ibase, organizações que integram a Agenda 21, etc.). Em todos estes conjuntos de informações, e também nos bancos de dados oficiais (que não apresentam o recorte regional do Leste Fluminense), a divisão por município é de importância cardinal.
O município como instância territorial é a menor unidade de poder no âmbito da administração pública. Com a Constituição de 1988, o município passou a responder pela gestão de uma quantidade de recursos jamais antes vista. Modesto, em tese na qual analisa a implantação de vários “projetos de desenvolvimento”, que envolvem agentes públicos e privados de diferentes escalas, no município de São Gonçalo, identifica que passam a vigorar “novas formas de fazer política que passam pelos incentivos fiscais, pela qualificação profissional e pelo estímulo ao empreendedorismo”, e que as prefeituras sofrem pressões destas instituições e passam a ter de se adequar a esse movimento (2008: 197).
Ao mesmo tempo, como unidade mínima de apresentação das informações pela maior parte dos bancos de dados oficiais, a partir dos quais são elaborados os conjuntos de dados especificamente dirigidos ao Leste Fluminense, são praticamente inevitáveis as comparações entre os municípios que compõem esta nova região, que passa a ser tomada como média para a avaliação de suas partes.
Estes elementos, tanto da esfera administrativa – no sentido de decisões e planejamentos de âmbito regional aos quais devem se adequar os agentes da escala municipal; e no sentido da escala municipal como unidade dentro da qual devem se classificar as organizações que queiram tomar parte na disputa por recursos e benefícios dos “projetos” – quanto da esfera da produção de representações sobre o Leste Fluminense e sobre as unidades mínimas que o compõem – os municípios – convergem no sentido de adequar a ação de diferentes agentes, vinculados em diferentes escalas, ao projeto hegemônico em processo de implantação na região.
Por outro lado, a percepção dos grupos populacionais destes municípios a respeito desta nova divisão regional parece ser, de uma maneira geral, de estranhamento, e varia segundo a posição social e a localização destes grupos no território. Em “visitas municipais” realizadas pela equipe do projeto Indicadores da Cidadania, do Ibase, lideranças reunidas pelos Fóruns das Agendas 21 Comperj questionaram a apresentação dos indicadores por município, desconsiderando as especificidades de bairros, distritos ou localidades. Foi questionada, inclusive, a denominação da região como Leste Fluminense. Em outra fase do projeto, por ocasião do trabalho de campo para aplicação de questionários, foi possível perceber que, para muitos dos moradores de bairros ou distritos afastados do centro urbano (afastados pela distância física ou pelas más condições de transporte, ou ambas) o nome do município é associado ao centro. Nestes casos, as pessoas se identificam como moradores das localidades. Isto acontece, por exemplo, no distrito de Duques, onde as pessoas se referem ao centro como “Tanguá”; o mesmo acontece em Guapiaçu (localidade do distrito de Subaio), para cujos moradores “Cachoeiras de Macacu” é o centro da cidade.
Esta tendência se revelou ainda mais forte em Guia do Pacobaíba, que os moradores identificam como uma localidade dentro de Mauá, ou Praia de Mauá. A referência a Magé como município de residência requer de muitos entrevistados alguns segundos de reflexão.
Os resultados da referida pesquisa quantitativa ainda estão sendo analisados, mas é possível antecipar que, de uma maneira geral, os moradores percebem desigualdades entre diferentes localidades dentro dos municípios no acesso a serviços como saúde, educação e em relação às condições do meio ambiente – como a qualidade da água, do ar, e a limpeza das ruas e praças. Ou seja, há uma percepção difusa sobre a desigualdade no interior dos municípios.
De uma maneira geral, no âmbito de uma pesquisa quantitativa que procurou captar a percepção difusa da população de 14 municípios, através de amostragem, é preciso notar que há uma percepção bastante otimista quanto à perspectiva de que haja mudanças para melhor nos territórios pesquisados. Em localidades de municípios como Itaboraí e Tanguá, essas mudanças foram diretamente atribuídas à implantação do Comperj, segundo relato dos entrevistadores.
No entanto, ao contrário das expectativas geradas na população, as transformações pelas quais a região do Leste Fluminense tende a passar nos próximos anos podem ser semelhantes àquelas enfrentadas por outras regiões onde se instalaram grandes empreendimentos. Algumas destas transformações são consideradas típicas: “migrações, com consequente estrutura demográfica atípica, composta por elevado coeficiente de homens jovens; favelização, prostituição e criminalidade; espaços urbanos não equipados; despreparo do poder público local, que faz concessões que enfraquecem os cofres municipais e que assiste à ocupação não planejada das beiras de estradas, rios, canais e encostas de morros e à consequente sobrecarga no uso dos equipamentos coletivos, sem cuidar de sua ampliação e modernização” (Piquet 2007 apud Herculano 2010).
Sobre a região impactada pela exploração de petróleo offshore na Bacia de Campos, que inclui municípios do Norte Fluminense e das Baixadas Litorâneas (Região dos Lagos), Serra constata os seguintes aspectos: “fragilidade da norma de distribuição dos royalties e participações especiais; contratação pelas prefeituras de pessoas físicas e jurídicas de forma terceirizada (pela impossibilidade de ampliar o quadro de pessoal com recursos do petróleo); existência de processos de alocação dos recursos para fins distantes da política de promoção da justiça intergeracional [alternativas econômicas para quando o petróleo acabar]; financeirização das rendas petrolíferas (para pagamento de dívidas com a União e capitalização de fundos previdenciários, segundo as Medidas Provisórias 1869/99 e 2103/2001); facilitação para as elites políticas e econômicas do processo de privatização de importantes fundos públicos; falta de controle social destes recursos. (2007: 99)”.
Monié, ao examinar as dinâmicas territoriais e culturais provocadas pelas atividades petrolíferas no norte-fluminense, observou os seguintes aspectos: “o enriquecimento de parte da população e o afluxo de trabalhadores pobres sem qualificação; o surgimento de áreas de residência e de consumo de alto padrão social e a expansão de bolsões de pobreza; o aumento das desigualdades intra-regionais entre Relatório Indicadores da Cidadania – Cidadania Percebida, do Ibase, ainda em versão preliminar e não disponível.  campo e cidade e entre centros urbanos mais ou menos inseridos na nova economia regional; o caráter desigual das dinâmicas em curso; a implantação de uma cultura empresarial moderna, que leva à necessidade da oligarquia tradicional reformular suas estratégias para manter a hegemonia; novas estratégias residenciais e demandas por equipamentos comerciais e culturais modernos.” (2003 apud Herculano 2010).
Análises específicas sobre a cidade de Macaé, a “capital nacional do petróleo”, e frequentemente acionada como exemplo negativo do tipo de “desenvolvimento” que se quer evitar, apontam a seguinte situação: Houve sensível crescimento do emprego formal, crescimento urbano e econômico. Este crescimento foi, entretanto, acompanhado pela favelização, pela violência e tráfico de drogas e pela degradação ambiental (principalmente poluição dos corpos hídricos). Não houve sequer universalização da rede de esgotamento sanitário (Herculano 2010).
O papel de Wilson Madeira Filho trata de elementos relacionados à divisão básica do trabalho na indústria de petróleo e gás de Macaé, caracterizada pela criação de novo contingente de assalariados com remunerações médias acima da média da região, simplificação gerencial, desregulação do trabalho e terceirização. De uma maneira geral, aponta como consequências a fragmentação sindical e o aumento dos acidentes de trabalho. De acordo com este autor, desde meados dos anos 90, a Petrobras tem optado preferencialmente pela não renovação de quadros próprios através de concurso público.
Assim, há 3 categorias de trabalhadores na indústria analisada: funcionários próprios da Petrobras (concursados) – trabalhadores “de elite”; funcionários terceirizados dentro da Petrobras – trabalhadores no final da “cadeia alimentar”; e funcionários de outras empresas do setor privado que prestam serviços à Petrobras – intermediários entre os primeiros e os segundos.
Pode-se supor que a região de implantação do Comperj possa apresentar análoga divisão de categorias de trabalhadores a partir do início da sua operação. A fixação de residência destes trabalhadores de diferentes categorias poderá contribuir para reforçar as desigualdades intrarregionais, entre campo e cidade e entre centros urbanos mais ou menos inseridos na nova economia regional, apontadas acima por Monié.
A comparação com os conflitos em torno da operação da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) acrescenta elementos para a análise sobre a região do Comperj, visto tratar-se de uma refinaria. Sobre a região onde foi instalada, em 1961, a Reduc, a tese de Sebastião Raulino aponta conflitos em torno de obras pontuais – como obras que causaram enchentes em determinadas ruas; conflitos com moradores em função da precariedade dos bairros do entorno da refinaria; conflitos quanto ao uso da água para fins industriais enquanto a oferta de água tratada para a população é precária. No caso do Comperj, a dimensão do empreendimento é no mínimo três vezes maior do que a Reduc, e os municípios mais próximos apresentam perfil socioeconômico semelhante a Duque de Caxias, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Herculano destaca o conflito em torno da vazamento da Reduc na Baía de Guanabara. Cerca de 20 mil pescadores do entorno da Baía da Guanabara (Niterói, São Gonçalo, Guapimirim, Magé, Itaboraí e, no Rio de Janeiro, as regiões do Caju, Ilha do Governador, Marcílio Dias, Ramos e Paquetá) moveram ação legal no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro - TJ-RJ, pedindo indenização por conta do vazamento de óleo proveniente da Reduc no dia 18 de janeiro de 2000. A Petrobrás foi condenada em primeira instância, mas recursos deram prosseguimento à questão. (Divulgado pela imprensa na época, não haviam sido concluído seus trâmites.). Verbas indenizatórias do derrame de óleo na Baía de Guanabara foram utilizadas na realização de seminário e pesquisa sobre ambiente pela UFRJ.
A percepção de participantes de organizações da sociedade civil e de movimentos sociais a respeito da implantação do Comperj e das transformações a ele associadas é distinta da percepção difusa revelada pela pesquisa quantitativa. Estas lideranças apresentam pontos de vista mais críticos em relação às transformações vindouras e procuram se articular para lidar com estas mudanças.
Os principais conflitos, até agora, referiram-se ao questionamento, por parte de organizações ambientalistas e gestores de unidades de conservação, da localização próxima a áreas protegidas (APA de Guapimirim e Estação Ecológica da Guanabara, principalmente) e da utilização de grande volume de recursos hídricos, em uma região 14 Giuliani chama a atenção para o fato de que, embora, do ponto de vista empresarial, as razões da escolha de Itaboraí sejam as mais "racionais" - a localização naquela área colocará o COMPERJ em posição logística muito favorável: disponibilidade de terrenos baratos, proximidade dos maiores centros urbanos, de terminais portuários, de aeroportos, de refinarias e polos gases-químico, populosa e já caracterizada pela escassez. Foram questionados, também, os impactos sobre os meios de vida dos catadores de caranguejo da comunidade de Itambi, no  município de Itaboraí.
Com o avanço das obras, cresce a articulação em torno do Fórum Popular Comperj, que reúne associações de moradores e pescadores atingidos pela construção do empreendimento e organizações que procuram mobilizar a população com vistas às transformações que estão por vir, tais como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Este fórum realizou seu primeiro encontro em maio de 2012. De acordo com representante do Sindipetro-RJ em entrevista, antes mesmo da implantação do projeto Agenda21 Comperj, a Petrobras estimulou a organização de grupos e associações dos 14 municípios a formarem conselhos comunitários: “Então cada município criou um conselho comunitário do Comperj, que era composto de ONGs, associações de moradores, rotary clubes, maçonaria, centro espírita, o que você imaginasse, tinha. (...) Cada município tinha uma estrutura com 20, 30 – dependendo do tamanho do município e da importância dele, ele tinha um número maior ou menor de participantes nos conselhos comunitários municipais, que juntos formavam o regional [Conselho Comunitário Regional do Comperj – Concrecomperj]. Então a gente [Sindipetro-RJ] participou disso”.
Entrevista com Edison Munhoz, Coordenador da Secretaria Jurídica do Sindipetro – RJ, Secretário de Meio Ambiente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RJ) e Coordenador Geral do Concrecomperj. Entrevista realizada no âmbito do projeto Observatório do Pré-sal/Ibase, em abril de 2011.
A disponibilidade de uma vasta malha rodoviária e, sobretudo, imediato acesso ao futuro anel rodoviário Itaguaí-Niteroi – do ponto de vista da política ambiental do Estado do Rio de Janeiro, “esta localização foi considerada absolutamente imprópria, seja pelo Conselho Gestor da Apa de Guapimirím, seja pelo Conselho Gestor do Mosaico das Unidades de Conservação da Mata Atlântica Central Fluminense” (2008b: 11). Em 5 de maio de 2011, o jornal O Globo noticiava a construção de barragem no rio Guapiaçu para abastecimento do Comperj, revelando a opção pelo impacto sobre as áreas protegidas, diante das demais alternativas expostas até então. O surgimento de uma alternativa melhor foi anunciada pelo Secretário de Estado do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), no dia 30 de maio subsequente, pela “Comissão Especial para Discutir e Construir a Interlocução com os Municípios que Sofrem a Influência do Comperj junto à Petrobras”. A exposição de Minc teve início com a explicação de que a água para abastecer o Comperj não pressionará rios e lagos da região, pois será utilizada água de esgoto tratada. Eloise Botelho, em Dissertação de Mestrado sobre conflitos na gestão do Parque Estadual da Serra dos Três Picos, afirma que, ao reverter a análise dos impactos negativos em positivos, o RIMA desconsidera o problema crônico da questão hídrica regional e passa a responsabilidade de gestão dos recursos hídricos, que é estatal, ao COMPERJ. Além disso, não é possível garantir que a empresa responsável pelo empreendimento irá de fato atender às carências regionais de abastecimento e saneamento. (...)
Segundo o entrevistado, o interesse da empresa era obter uma certificação internacional: “a Petrobras precisava dar uma resposta à ISO 1400018, que dizia que para ter negociado na bolsa de valores de Nova York ações, você tem que fazer esta pesquisa e garantir a participação popular, a aprovação, na verdade, aprovação popular neste projeto.”.
N: Esses conselhos comunitários surgiram então com o apoio da Petrobras?
EM: Sim, com o apoio da Petrobras. Inclusive com dinheiro.
N: Com dinheiro da Petrobras?
EM: Através de ONGs de meio ambiente. Então, ela aproveitou isso também porque não havia nesses locais a Agenda 21 na maioria deles, com exceção de 2 ou 3 municípios. Ela criou a Agenda 21 para facilitar a aprovação de um PLDS [Plano Local de Desenvolvimento Sustentável] que facilitasse o interesse da Petrobras. A Petrobras uniu a necessidade que ela tinha de fazer com que houvesse, por parte da comunidade, o controle social. Ela era obrigada a ter esse controle social. Que pra ela, na verdade, o que interessava, era a participação desse pessoal para referendar. Onde, nos momentos em que realmente houve participação popular, e que se bateu de frente com a Petrobras, ela mostrou a verdadeira face dela, que era de usar como massa de manobra, usar pra assinar embaixo o projeto dela, as comunidades. Isso gerou um grande tumulto com o passar do tempo, porque ficou bem claro que ela não queria muita discussão sobre o tema. Ela queria ser referendada nas possibilidades dela e usar a Agenda 21 local, transformar o local em Comperj, fazer um misto, onde os prefeitos usaram, sempre que eles podiam, para colocar seus pares nesta Agenda 21 local. Isso gerou ações iniciais, gerou mais conflitos, porque ficou muito claro que a ideia não era a participação popular, a ideia era que, gente que tivesse interesse em comum com o projeto, viesse a subscrever, a referendar a proposta da Petrobras. Isso levou algum tempo para ficar claro.”
O discurso desta liderança reforça a constatação de Acselrad de que os conflitos sociais têm sido constrangidos “pelo estreitamento do espaço aberto para sua politização, espaço onde os mesmo poderiam vir a ser trabalhados na perspectiva de ISO 14000 é um conjunto de normas desenvolvidas pela International Organization for Standardization (ISO) e que estabelecem diretrizes sobre a área de gestão ambiental dentro de empresas.
Uma construção crescentemente democrática do território. (...) Tecnologias de formação de consenso são então formuladas de modo a caracterizar todo litígio como problema a ser eliminado. E todo conflito remanescente tenderá a ser visto como resultante da carência de capacitação para o consenso e não como expressão de diferenças reais entre atores e projetos sociais, a serem trabalhadas no espaço público” (2004:29).
Como chama a atenção Leite Lopes, a partir da etnografia de situações como as de conselhos locais, audiências públicas e outras instâncias “participativas” é que transparecem os “efeitos de dominação exercidos pela presença técnica de expertise, bem como o abafamento e a falta de espaço de diálogo com o saber leigo”. Mas ressalta que a “eficácia de conselhos locais de meio ambiente e de programas de Agenda 21 locais geralmente depende da experiência da participação política da população, de sua história de mobilização” (2004:29).
No caso analisado, o entrevistado reconhece que “o Concrecomperj perdeu um pouco de credibilidade e passou a ter uso político, partidário, pessoal que a gente tem tentado no último ano, um ano e pouco, resgatar.” Mas vê o conselho como “uma ferramenta social muito importante, muito boa, que pode ajudar a pressionar o interesse popular.” Segundo o sindicalista, hoje estão mais à frente do Concrecomperj as federações de moradores de Itaboraí, Niterói, São Gonçalo, Nova Friburgo e Maricá, bem como os sindicatos. E enxerga ganhos na apropriação de alguns destes conselhos locais por parte das comunidades: “Em alguns locais, esses conselhos criados pelo Comperj, acabaram virando conselho comunitário local. Maricá é um exemplo. Friburgo é outro. São Gonçalo é outro. Esse conselho do Comperj acabou virando conselho comunitário municipal. Em Maricá, por ser conselho comunitário municipal... Ele tem os sindicatos locais, o Sepe [Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação], Sindipetro, sindicato dos professores, e Sindisprev comunitário, que tem base em
Maricá. São 4 sindicatos, várias ONGs, ele acabou virando um conselhão muito grande.
Hoje não é mais só do Comperj. Em Maricá, o procurador diz que nós somos um governo paralelo. Ele tem tanto peso, é tão grande, tem tantas entidades de peso, que abava virando quase... que fiscaliza o governo. A verdade é essa. Em alguns locais, infelizmente, esses conselhos acabaram sendo trampolim para cargos políticos na prefeitura. Outros não. Outros continuam sendo de luta, mas isso é uma coisa natural da vida.”
O Concrecomperj também tem sido convidado a participar de diferentes conselhos locais, o que é percebido pelo entrevistado como uma estratégia importante para influenciar as políticas públicas de alguns municípios: “A gente tem sido convidado, por alguns prefeitos que fazem parte do Conleste, para participar, por exemplo, do Conselho de Saúde de Itaboraí, de alguns conselhos de meio ambiente municipais, de conselhos de educação, de emprego e renda, para, através desses conselhos, a gente participar do Conleste. É uma participação indireta, mas é importante. Esses conselhos são o que dão, muitas vezes, embasamento para as ações da prefeitura.”
Finalmente, cabe chamar a atenção para a organização e as prolongadas greves dos trabalhadores da construção do Comperj. Trata-se de uma imensa massa de trabalhadores temporários (de acordo com uma liderança ligada ao Fórum Popular Comperj, 18.632 trabalhadores, contabilizados na última reunião de negociação entre o sindicato e os consórcios responsáveis pelas obras – maio/2012; no auge da obra, devem chegar a 32 mil), cuja rotatividade depende das especificidades de cada parte que está sendo construída, relacionadas no cronograma das obras. A imensa maioria dos trabalhadores é do sexo masculino e metade é natural de outros estados do Brasil, especialmente da região Nordeste, segundo informações da imprensa. São contratados por 9 consórcios, cada um deles formados por várias empresas, encarregadas da construção de diferentes partes do empreendimento, segundo contratos de trabalho diferentes. Realizando assembleias que chegam a reunir 10 mil trabalhadores, em um movimento grevista que durou cerca de seis meses (dezembro de 2011 a maio de 2012, com interrupções), os trabalhadores lutam, de uma maneira geral, pelo estabelecimento de um piso salarial para os empregados de diferentes consórcios, pelo direito de retornar para visitar suas famílias com passagens pagas e mais dias de folga, pelo aumento do valor fornecido para as refeições (devido à elevação do custo de vida no local), e buscam responsabilizar a Petrobras pela situação de precariedade na qual se encontram. A presença desta grande quantidade de trabalhadores traz mudanças para o sindicalismo local e sua organização começa a estabelecer um diálogo com o fórum que reúne a população local atingida.
De acordo com uma liderança do Fórum Popular Comperj, organização que estabeleceu uma relação de solidariedade com o movimento grevista, frequentando assembleias e convidando trabalhadores para as suas reuniões, o “sindicato dos trabalhadores da construção civil [de São Gonçalo] é filiado à CUT e não tem tradição de grandes mobilizações ou mesmo paralisações, visto que eles nunca atuaram junto a um canteiro de obra da dimensão do Comperj. Essa situação é visível com as lideranças novas que estão surgindo durante esse período. A grande maioria dessas lideranças não tinha nenhum vínculo com o sindicato.” Assim sendo, é possível observar que o surgimento do Leste Fluminense enquanto região está associado a um projeto hegemônico que reúne interesses governamentais e empresariais em torno do posicionamento do estado do Rio de Janeiro e do Brasil na organização econômica global. Grzybowski bem caracteriza esta conjuntura: não “se trata de mudar substancialmente, mas de crescer e aproveitar-se do momento do “Brasil emergente”, num mundo capitalista de desenfreada competição entre conglomerados e países, onde uns sobem enquanto outros vão para o brejo”.
É possível perceber na região estudada forças que convergem no sentido de adequar a ação de diferentes agentes, vinculados em diferentes escalas, ao projeto hegemônico em processo de implantação na região. Desse modo, governos, populações e organizações locais devem adotar novos procedimentos – como o empreendedorismo, a capacitação, ou o realinhamento e a articulação com outros atores – tanto para colher os benefícios prometidos pelo progresso quanto para denunciar e contestar seus princípios.
De que maneira a criação do Leste Fluminense, de forma hegemônica, modificará as condições, os modos de vida e os pertencimentos de seus habitantes?
Quais segmentos da população local serão beneficiados pelo advento do Comperj e a transformação do Leste Fluminense em uma região industrial? Experiências anteriores mencionadas acima como a região do entorno da Reduc, a cidade de Macaé e a “região de influência” da Bacia de Campos apontam para a ampliação de desigualdades no interior destas regiões, com locais que tendem a se adequar às necessidades de novas elites locais em contraposição a outras partes do território que passam a abrigar bolsões de pobreza e de exclusão.
É possível visualizar uma sociedade civil mais atuante no decorrer das obras e do funcionamento do complexo? Ao mesmo tempo em que há incentivos à participação e à formação de organizações, grande parte dos espaços criados neste sentido tendem a privilegiar o saber de uma expertise em detrimento do saber leigo, restringindo as possibilidades de participação efetiva de determinados grupos. Além disso, as tecnologias de formação de consenso tendem a obliterar contradições estruturais e vozes que se contrapõem ao modelo hegemônico. Por outro lado, o acirramento das desigualdades e dos “impactos negativos”, bem como perspectivas de articulação de grupos locais com organizações e movimentos sociais mais experientes abrem novas perspectivas de lutas.
 
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