sexta-feira, 1 de julho de 2022
VERDADES...
A Internet deveria ser um bem público
POR BEN TARNOFF
TRADUÇÃO
SOFIA SCHURIG
A Internet foi construída por instituições públicas – então por que é controlada por empresas privadas hoje em dia e o que podemos fazer para resgatá-la?
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Em 1 de outubro de 2016 a internet mudou, mas ninguém percebeu. Essa transformação invisível afetou o componente mais importante da internet: o Domain Name System (DNS). Quando você digita o nome de um site em seu navegador, o DNS é o que converte esse nome na sequência de números que especifica a localização real do site. Como uma lista telefônica, o DNS combina nomes que são significativos para nós com números que não são.
Durante anos, o governo dos EUA controlou o DNS. Mas, em 2016, o sistema tornou-se responsabilidade de uma organização sem fins lucrativos com sede em Los Angeles chamada Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN). Na verdade, a ICANN administra o DNS desde o final da década de 1990 sob um contrato com o Departamento de Comércio. A novidade é que a ICANN agora tem uma autoridade independente sobre o DNS, com base em um modelo de “múltiplas partes interessadas” que deve tornar a governança da internet mais internacional.
O impacto real provavelmente foi pequeno. Por exemplo, foram mantidas as medidas de proteção da marca que policiam o DNS em nome das empresas. E o fato de a ICANN estar sediada em Los Angeles e ser constituída sob a lei dos EUA significa que o governo dos EUA continuou a exercer sua influência, embora de forma menos direta.
Mas o significado simbólico é enorme. A transferência marcou o capítulo mais recente na privatização da internet. Ele conclui um processo que começou na década de 1990, quando o governo dos EUA privatizou uma rede construída com enormes gastos públicos. Em troca, o governo não exigiu nada: nenhuma compensação, restrição ou condição sobre a forma que a internet tomaria.
Não havia nada de inevitável nesse resultado: ele refletia uma escolha ideológica, não uma necessidade técnica. Em vez de abordar questões críticas de fiscalização e acesso popular, a privatização excluiu a possibilidade de colocar a internet em um caminho mais democrático. Mas a luta não acabou. Para começar a reverter a situação e reivindicar a internet como um bem público, devemos rever a história desconhecida de como a privatização aconteceu.
As origens públicas da internet
OVale do Silício gosta de fingir que a inovação é resultado de empreendedores trabalhando duro em garagens. Mas a maior parte da inovação da qual o Vale do Silício depende vem de pesquisas governamentais, pela simples razão de que o setor público pode se dar ao luxo de correr riscos que o setor privado não pode.
É precisamente o isolamento das forças do mercado que permite ao governo financiar o trabalho científico de longo prazo que acaba por produzir muitas das invenções mais lucrativas.
Isto é verdade também para a internet. A internet era uma ideia tão radical e improvável que apenas décadas de financiamento e planejamento públicos poderiam torná-la realidade. Não apenas a tecnologia básica precisava ser inventada, mas a infraestrutura precisava ser construída, especialistas treinados e contratados, financiados e, em alguns casos, retirados diretamente de agências governamentais.
A internet às vezes é comparada à rede de rodovias interestaduais, outro grande projeto público. Mas, como aponta o ativista Nathan Newman, a comparação só faz sentido se o governo “tivesse imaginado a possibilidade de carros, subsidiado a invenção da indústria automobilística, financiado a tecnologia do concreto e do asfalto e construído todo o sistema inicial”.
A Guerra Fria forneceu o pretexto para esse empreendimento ambicioso. Nada abriu tanto a bolsa dos políticos norte-americanos como o medo de ficar para trás da União Soviética. Esse medo cresceu em 1957, quando os soviéticos colocaram o primeiro satélite no espaço. O lançamento do Sputnik causou uma sensação de crise no establishment norte-americano e levou a um aumento substancial do financiamento federal para pesquisa.
Uma das consequências foi a criação da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA), que mais tarde mudaria seu nome para Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA).
A ARPA tornou-se o braço de P&D do Departamento de Defesa. Em vez de centralizar a pesquisa em laboratórios governamentais, a ARPA adotou uma abordagem mais distribuída, cultivando uma comunidade de contratados tanto da academia quanto do setor privado.
No início da década de 1960, a ARPA começou a investir pesadamente em computação, construindo grandes computadores centrais em universidades e outros centros de pesquisa. Mas mesmo para uma agência tão generosamente financiada como a ARPA, esse gasto desmedido não era sustentável. Naquela época, um computador custava centenas de milhares, senão milhões, de dólares. Assim, a ARPA desenvolveu uma maneira de compartilhar seus recursos de computação de forma mais eficiente entre seus contratados: construiu uma rede.
Essa rede foi chamada de ARPANET e lançou as bases para a internet. A ARPANET conectou computadores por meio de uma tecnologia experimental chamada comutação de pacotes, que envolvia quebrar mensagens em pequenos pedaços chamados pacotes, direcioná-los através de um labirinto de comutadores e remontá-los na outra extremidade.
Hoje, esse é o mecanismo que movimenta os dados pela internet, mas, na época, o setor de telecomunicações o considerava impraticável. Anos antes, a Força Aérea havia tentado persuadir a AT&T a construir tal rede, sem sucesso. A ARPA até ofereceu a ARPANET para a AT&T depois que ela estava em funcionamento, preferindo comprar tempo na rede em vez de executá-la por conta própria.
Diante da oportunidade de adquirir a rede de computadores mais sofisticada do mundo, a AT&T recusou. Os executivos simplesmente não viam dinheiro nisso. Essa miopia significou sorte para nós. Sob a gestão pública, a ARPANET floresceu. O controle do governo deu à rede duas grandes vantagens. A primeira era o dinheiro: a ARPA podia injetar dinheiro no sistema sem ter que se preocupar com a lucratividade. A agência encomendou pesquisas pioneiras dos cientistas da computação mais talentosos do país em uma escala que teria sido suicida para uma empresa privada.
E, tão importante quanto, a ARPA aplicou uma ética de código aberto que incentivou a colaboração e a experimentação. Os terceirizados que contribuíam para a ARPANET tinham que compartilhar o código-fonte de suas criações ou correriam o risco de perder seus contratos. Isso catalisou a criatividade científica, pois pesquisadores de várias instituições diferentes puderam refinar e ampliar o trabalho uns dos outros sem viver com medo da lei de propriedade intelectual.
A inovação mais importante que ocorreu foram os protocolos da internet, que surgiram em meados da década de 1970. Esses protocolos permitiram que a ARPANET se tornasse a internet, fornecendo uma linguagem comum que permitia a comunicação entre redes muito diferentes.
A natureza aberta e não submetida à propriedade intelectual da internet aumentou muito sua utilidade. Prometeu um padrão único e interoperável para comunicação digital: um meio universal, em vez de uma colcha de retalhos de dialetos comerciais incompatíveis.
Promovida pela ARPA e adotada por pesquisadores, a internet cresceu rapidamente. Sua popularidade logo fez com que cientistas de fora das Forças Armadas e o seleto círculo de terceirizados da ARPA exigissem acesso.
Em resposta, a National Science Foundation (NSF) lançou uma série de iniciativas destinadas a levar a internet a quase todas as universidades do país. Essas iniciativas culminaram na NSFNET, uma rede nacional que se tornou a nova “espinha dorsal” da internet.
A “espinha dorsal” (backbone) era um conjunto de cabos e computadores que formavam a principal artéria da internet. Parecia um rio: os dados fluíam de uma ponta a outra, alimentando afluentes, que por sua vez se ramificavam em riachos cada vez menores. Esses fluxos atenderam a usuários individuais, que nunca tocavam diretamente na espinha. Se eles enviassem dados para outra parte da internet, eles subiam pela cadeia de afluentes até ela e depois desciam por outra cadeia, até chegarem ao fluxo que servia ao destinatário.
Uma das lições desse modelo é que a internet precisa de muitas redes em suas bordas. O rio é inútil sem afluentes para estender seu alcance. É por isso que a NSF, para garantir a maior conectividade possível, também subsidiou uma série de redes regionais que ligavam universidades e outras instituições participantes dessa “espinha dorsal” da NSFNET.
Tudo isso não foi barato, mas funcionou. Os estudiosos Jay P. Kesan e Rajiv C. Shah estimaram que o programa NSFNET custou mais de US$ 200 milhões. Outras fontes públicas, como governos estaduais, universidades financiadas pelo Estado e agências federais, provavelmente contribuíram com outros US$ 2 bilhões para a rede NSFNET.
Graças a essa avalanche de dinheiro público, uma tecnologia de comunicação de ponta incubada pela ARPA ficou disponível para pesquisadores americanos no final dos anos 1980.
O caminho da privatização
Mas no início dos anos 1990, a internet estava se tornando vítima de seu próprio sucesso. O congestionamento atormentava a rede e, cada vez que a NSF a atualizava, mais pessoas se reuniam. Em 1988, os usuários enviavam menos de um milhão de pacotes por mês.
Em 1992, enviaram 150 bilhões. Assim como novas rodovias geram mais tráfego, as melhorias da NSF atiçaram a demanda, sobrecarregando o sistema.
É claro que as pessoas gostaram da internet. E esses números teriam sido ainda maiores se a NSF tivesse colocado menos restrições a seus usuários. A Política de Uso Aceitável (AUP) da NSFNET proibiu o tráfego comercial, preservando a rede apenas para fins de pesquisa e educação. A NSF viu isso como uma necessidade política, pois o Congresso poderia cortar o financiamento se o dinheiro do contribuinte fosse visto como subsídios para a indústria.
Na prática, a AUP era amplamente inexequível, pois as empresas usavam regularmente a NSFNET. Além disso, o setor privado vinha ganhando dinheiro com a internet há décadas, tanto como terceirizados quanto como beneficiário de software, hardware, infraestrutura e com o talento de engenheiros desenvolvidos com financiamento público.
A AUP pode ter sido uma ficção legal, mas teve um efeito. Ao excluir formalmente a atividade comercial, criou um sistema paralelo de redes privadas. No início da década de 1990, vários provedores comerciais surgiram em todo o país oferecendo serviços digitais sem restrições sobre o tipo de tráfego que podiam transportar.
A maioria dessas redes se originou de financiamento do governo e contou com veteranos da ARPA com experiência técnica. Mas quaisquer que sejam suas vantagens, as redes comerciais foram proibidas pela AUP de se conectar à internet, o que inevitavelmente limitou seu valor.
A internet prosperou sob a propriedade pública, mas estava chegando a um ponto de ruptura. O aumento da demanda de pesquisadores prejudicou a rede, enquanto a AUP impedia que ela alcançasse um público ainda mais amplo. Não eram problemas fáceis de resolver. Abrir a internet para todos e desenvolver a capacidade para acomodá-los apresentava desafios políticos e técnicos significativos.
O diretor da NSFNET, Stephen Wolff, viu a privatização como a resposta. Ele acreditava que entregar a internet para o setor privado traria dois grandes benefícios: aliviaria o congestionamento, causando um fluxo de novos investimentos, e acabaria com o AUP, permitindo que provedores comerciais integrassem suas redes à NSFNET. Livre do controle do governo, a internet poderia finalmente se tornar um meio de comunicação de massa.
O primeiro passo ocorreu em 1991. Alguns anos antes, a NSF havia concedido o contrato para operar sua rede a um consórcio de universidades de Michigan chamado Merit, em associação com a IBM e MCI. Este grupo havia feito uma oferta significativamente menor, percebendo uma oportunidade de negócio. Em 1991, eles decidiram lucrar, criando uma subsidiária com fins lucrativos que começou a vender acesso comercial à NSFNET sob a bênção de Wolff.
O movimento irritou o resto da indústria de redes. As empresas acusaram, com razão, a NSF de fazer um acordo secreto para dar aos seus terceirizados o monopólio comercial, e fizeram tanto barulho que audiências no Congresso foram realizadas em 1992. Essas audiências não questionaram a conveniência da privatização, mas suas condições. Agora que Wolff havia lançado a privatização, os outros provedores comerciais simplesmente queriam uma parte da ação.
Um de seus CEOs, William Schrader, testemunhou que as ações da NSF eram semelhantes a “dar ao K-mart [gigantesca rede de lojas de departamento] um parque federal”. No entanto, a solução não foi manter o parque, mas sim dividi-lo em vários K-marts. As audiências forçaram a NSF a aceitar um papel maior para a indústria na formação do futuro da rede. Como esperado, isso produziu uma privatização ainda mais rápida e profunda. Anteriormente, a NSF havia considerado reestruturar a NSFNET para permitir que mais terceirizados a controlasse.
Em 1993, em resposta à contribuição da indústria, a NSF decidiu dar um passo muito mais radical: eliminar completamente a NSFNET. Em vez de uma rede troncal e nacional, haveria vários, todos de propriedade e operados por provedores comerciais. Os líderes da indústria alegaram que o redesenho garantiu um “igualdade de condições”. Para ser mais exato, o campo ainda estava desigual, mas aberto a mais players. Se a antiga arquitetura da internet favorecia o monopólio, a nova foi feita sob medida para o oligopólio.
Não havia tantas empresas que consolidassem infraestrutura suficiente para operar uma rede troncal. Cinco, para ser exato. A NSF não estava abrindo a internet para a concorrência, mas sim entregando-a a um pequeno punhado de empresas que esperavam. Surpreendentemente, esta transferência veio sem amarras. Não haveria supervisão federal das novas redes troncais da internet, nem regras governando a operação da infraestrutura dos provedores comerciais.
Nem haveria mais financiamento para as redes regionais sem fins lucrativos que conectaram campi e comunidades à internet nos dias da NSFNET. Eles logo foram comprados ou quebrados por empresas com fins lucrativos. Em 1995, a NSF acabou com a NSFNET. Em poucos anos, a privatização estava completa.
A rápida privatização da internet não suscitou oposição e quase nenhum debate. Embora Wolff tenha liderado o caminho, ele agiu a partir de um amplo consenso ideológico.
O triunfalismo do livre mercado da década de 1990 e o clima político intensamente desregulador promovido pelos democratas de Bill Clinton e pelos republicanos de Newt Gingrich enquadraram a propriedade privada total da internet como benéfica e inevitável.
O colapso da União Soviética reforçou essa visão, pois a justificativa da Guerra Fria para um planejamento público mais robusto desapareceu. Finalmente, a profunda influência da indústria sobre o processo garantiu que a privatização tomasse uma forma particularmente extrema.
Talvez o fator mais decisivo na transferência tenha sido a ausência de uma campanha organizada exigindo uma alternativa. Tal movimento poderia ter proposto uma série de medidas destinadas a popularizar a internet sem privatizá-la completamente. Em vez de abandonar as redes regionais sem fins lucrativos, o governo poderia tê-las expandido.
Essas redes, financiadas por taxas cobradas de provedores comerciais da rede troncal, permitiriam ao governo garantir acesso à internet de baixo custo e alta velocidade a todos os americanos como um direito social. Enquanto isso, a FCC poderia regular essas redes, definindo as taxas que se cobram uns dos outros para transportar o tráfego da internet e supervisioná-las como um serviço público.
Mas promover mesmo uma fração dessas políticas exigiria mobilização popular, e a internet ainda era relativamente obscura no início dos anos 1990, em grande parte confinada a acadêmicos e especialistas. Foi difícil construir uma coalizão em torno da democratização de uma tecnologia que a maioria das pessoas nem sabia que existia.
Nesse cenário, a privatização obteve uma vitória tão completa que se tornou quase invisível, revolucionando silenciosamente a tecnologia que em breve revolucionaria o mundo.
Recuperando a plataforma do povo
Quase trinta anos depois, a Internet cresceu tremendamente, mas a estrutura de propriedade de sua infraestrutura central é praticamente a mesma. Em 1995, cinco empresas possuíam a rede troncal (backbone) da internet. Hoje, existem entre sete e doze grandes provedores de backbone nos Estados Unidos, dependendo de como você conta, e mais alguns no exterior.
Embora uma longa série de fusões e aquisições tenha levado ao rebranding e reorganização, muitas das maiores empresas dos Estados Unidos têm vínculos com o oligopólio original, incluindo AT&T, Cogent, Sprint e Verizon.
As condições de privatização tornaram mais fácil para os titulares protegerem sua posição. Para formar uma internet unificada, as redes de backbone devem se interconectar e conectarem-se com provedores menores. É assim que o tráfego viaja de uma parte da internet para outra. No entanto, como o governo não especificou nenhuma política de interconexão quando privatizou a internet, os backbones podem negociar o acordo que quiserem.
Eles geralmente permitem a interconexão entre si gratuitamente, porque é mutuamente benéfico, mas cobram de provedores menores para transportar o tráfego. Esses contratos não são regulamentados, mas também, muitas vezes, secretos. Negociados a portas fechadas com a ajuda de acordos de confidencialidade, eles garantem que o funcionamento profundo da internet não seja apenas controlado pelas grandes empresas, mas também oculto do público.
Mais recentemente, surgiram novas concentrações de poder. O backbone não é a única parte da internet que está nas mãos de relativamente poucas pessoas. Atualmente, mais da metade dos dados que chegam aos usuários dos EUA nos horários de pico vêm de apenas trinta empresas, das quais a Netflix é parte importante.
Da mesma forma, gigantes de telecomunicações e cabo, como Comcast, Verizon e Time Warner Cable, dominam o mercado de serviços de banda larga. Essas indústrias transformaram a arquitetura da internet, criando acesso direto às redes uma da outra, ignorando o backbone. Provedores de conteúdo como a Netflix agora enviam seus vídeos diretamente para provedores de banda larga como a Comcast, evitando uma rota tortuosa pelas entranhas da internet.
Esses acordos desencadearam uma tempestade de controvérsias e contribuíram para os primeiros passos para a regulamentação da internet nos Estados Unidos. Em 2015, a FCC anunciou sua resolução mais forte até o momento para impor a “neutralidade da rede”, o princípio de que os provedores de serviços de internet devem tratar todos os dados da mesma forma, independentemente de virem da Netflix ou do blog de alguém. Na prática, a neutralidade da rede é impossível dada a estrutura atual da internet. Mas, como um alerta, esse debate concentrou a atenção do público no controle corporativo da internet e produziu vitórias reais.
A decisão da FCC reclassificou os provedores de banda larga como “portadores comuns”, submetendo-os pela primeira vez à regulamentação das telecomunicações. E a agência prometeu usar esses novos poderes para proibir as empresas de banda larga de bloquear o tráfego para determinados sites, diminuir a velocidade dos clientes e aceitar “priorização paga” de provedores de conteúdo.
A decisão da FCC é um bom começo, mas não vai longe o suficiente. Rejeita explicitamente a “regulamentação de tarifas prescritivas em todo o setor” e isenta os provedores de banda larga de muitas das disposições da época do New Deal na Lei de Comunicações de 1934.
Também se concentra na banda larga, deixando de lado o backbone da internet. Mas a decisão é uma cunha que pode ser ampliada, especialmente porque a FCC deixou em aberto muitas das especificidades em torno de sua aplicação.
Outra frente promissora é a banda larga municipal. Em 2010, em Chattanooga, a Tennessee Municipal Electric Company começou a vender serviços de internet de alta velocidade acessíveis para os moradores. Graças a uma rede de fibra óptica construída em parte com fundos federais de fomento, a empresa oferece algumas das velocidades de internet doméstica mais rápidas do mundo.
A indústria de banda larga respondeu com força, pressionando as legislaturas estaduais a proibir ou limitar experimentos semelhantes. Mas o sucesso do modelo de Chattanooga inspirou movimentos pela banda larga municipal em outras cidades, como Seattle, onde a vereadora socialista Kshama Sawant há muito defende a ideia.
Podem parecer pequenos passos, mas apontam para a possibilidade de construção de um movimento popular para reverter a privatização. Isso envolve não apenas promover a expansão da supervisão da FCC e serviços públicos de banda larga de propriedade pública, mas também mudar a retórica em torno da reforma da internet.
Uma das obsessões mais danosas entre os reformadores da internet é a noção de que mais competição democratizará a internet. A internet precisa de muita infraestrutura para funcionar. Dividir as grandes corporações que possuem essa infraestrutura em empresas cada vez menores na esperança de que o mercado crie melhores resultados é um erro.
Em vez de tentar fugir da grandeza da internet, devemos abraçá-la e colocá-la sob controle democrático. Isso significa substituir provedores privados por alternativas públicas, quando viável, e regulá-los quando não.
Não há nada nos canais ou protocolos da internet que a force a produzir grandes concentrações de poder corporativo. Esta é uma escolha política, e podemos escolher outra coisa.
Sobre os autores
BEN TARNOFF
é fundador e editor da revista Logic.
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CADEIA NELES...
MPF realiza operação contra dono de drone usado para atacar apoiadores de Lula e Kalil
Publicado por Beatriz Castro - Atualizado em 1 de julho de 2022 às 17:48
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Drone em evento de Lula e Kalil
MPF cumpre mandado de busca e apreensão contra dono de drone
Foto: Reprodução
O Ministério Público Federal (MPF) realizou na manhã desta sexta-feira (01), com apoio das demais forças de segurança, operação de busca e apreensão em pelo menos cinco endereços atribuídos a Rodrigo Luiz Parreira, apontado como o principal responsável pelo ataque com drone a apoiadores de Lula e Alexandre Kalil em evento de no mês de junho, em Uberlândia.
Na ocasião, ele disse à polícia ser o dono do drone que pulverizou sobre as pessoas um líquido de odor forte. Durante as investigações, o MPF teria descoberto indícios de falsificação de documentos por parte de Rodrigo para obter o Certificado de Registro Pessoa Física – Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).
Segundo a TV Integração, a operação desta sexta foi para apreensão destes documentos e de armamentos. Um fuzil teria sido encontrado e apreendido. A ação, porém, está sob sigilo.
O MPF instaurou procedimento por se tratar de uso de “aeronave”, que é regulado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e, portanto, a atribuição de investigar é federal, segundo a procuradoria.
À TV Integração, a defesa do Rodrigo disse que tomou conhecimento da operação do MPF e que acompanhou o cliente durante a oitiva na delegacia da Polícia Federal de Uberlândia, onde foi prestado depoimento à autoridade policial
A defesa afirmou ainda não saber a motivação da ação, “uma vez que a origem dos fatos decorre de evento em que foi designado a responsabilidade da investigação ao Gaecoe ao Ministério Público Estadual”.
Rodrigo, no entanto, relatou aos policiais no dia 15 de junho, que havia contratado Charles Wender Oliveira Souza e Daniel Rodrigues de Oliveira, para jogar o produtos nos apoiadores de Lula, porque estava insatisfeito com as políticas do ex-prefeito de Uberlândia, Gilmar Machado (PT).
O MESMO CAPITÃO HEMORRÓIDA DE SEMPRE..
Bolsonaro não gosta de encontro entre presidente de Portugal e Lula e cancela reunião com Marcelo Rebelo
Publicado por Yurick Luz - 1 de julho de 2022
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Foto: Marcos Corrêa/PR
O encontro marcado entre o presidente do Brasil Jair Bolsonaro (PL) e o presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa foi cancelado pelo atual chefe do executivo. O motivo foi que ele soube que o líder português aproveitará a sua passagem por São Paulo para conversar com o ex-presidente e pré-candidato a presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante abertura da Conferência dos Oceanos, que ocorreu na última segunda-feira (27), Marcelo de Souza havia afirmado que, além do encontro com Bolsonaro e da participação em eventos comemorativos aos 200 anos da independência do Brasil, conversaria com dois ex-presidentes brasileiros: Lula e Michel Temer.
O objetivo da viagem do presidente português ao Brasil é incrementar as relações entre os dois países. Já que o maior grupo de estrangeiros em Portugal são os brasileiros. Até então, já são mais de 204 mil de brasileiros espalhados pelas terras portuguesas, porém, estimasse que o total passe de 300 mil.
Além disso, curiosamente, o atual chefe do executivo é o único presidente brasileiro desde o regime democrático que não visitou Portugal em nenhuma ocasião.
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, irá desembarcar no Brasil já neste sábado (2).
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FAMÍLICIA
ustiça nega pedido de Eduardo e mantém no ar vídeo que detona família Bolsonaro
Publicado por Davi Nogueira - 1 de julho de 2022
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Família Bolsonaro
Família Bolsonaro não está 100% alinhada sobre a ida do presidente ao PL
Em mais uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro (PL) na Justiça, a Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal, do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), determinou que não cabe uma indenização por danos morais no caso da divulgação de um vídeo com críticas à família do chefe do Executivo.
O vídeo, que segue disponível no canal do filósofo Paulo Ghiraldelli, cita os supostos problemas emocionais de Laura Bolsonaro, filha do presidente com Michelle, pois a menina “não ri”.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) entrou com uma ação judicial contra Ghiraldelli pedindo para a peça ser retirada do ar, e para impedir que o filósofo faça publicações e manifestações públicas que atribuam a ele atividades criminosas, além de condená-lo a pagar indenização por danos morais.
O 6º Juizado Especial Cível de Brasília, em julho do ano passado, julgou improcedentes os pedidos do parlamentar, que recorreu da decisão, alegando que o vídeo tem a intenção de “deslegitimar a atuação política” e que as declarações não podem ser consideradas direito de expressão.
A Segunda Turma Recursal manteve a sentença e destacou que as declarações do filósofo não atingiram a honra da família Bolsonaro.
A MESMA FAMILÍCIA DE SEMPRE..
Bolsonaro substitui Braga Netto por secretário punido por uso irregular de avião
Publicado por Beatriz Castro - Atualizado em 1 de julho de 2022 às 15:36
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Bolsonaro
Bolsonaro e Braga Netto.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foi oficializada nesta sexta-feira (01) a exoneração do general Walter de Souza Braga Netto (PL), que ocupava a função de assessor especial da Presidência. Ele deve ser confirmado para vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição.
O ex-secretário nacional de Justiça Vicente Santini ficará no lugar de Braga Netto. Ele ficou conhecido após ser demitido por usar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), sem autorização, em viagem oficial à Índia e à Suiça, em janeiro de 2020. Na ocasião, ele era secretário-executivo da Casa Civil.
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Santini é um dos homens de confiança do ex-ministro Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) e também é próximo aos filhos de Bolsonaro. O servidor estava à frente da secretaria Nacional de Justiça desde agosto de 2021.
O episódio em que ele utilizou de forma irregular a aeronave da FAB ocorreu depois do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Santini estava representando Onyx, até então ministro da Casa Civil, e usou o avião para ir à Índia, onde estava a comitiva de Bolsonaro.
Na época, o presidente criticou a atitude de Santini e disse que era “imoral”, já que os ministros costumavam usar voos comerciais para evitar gastos.
“Inadmissível o que aconteceu. Já está destituído da função de executivo do Onyx. Destituído por mim. Vou conversar com Onyx para decidir quais outras medidas podem ser tomadas contra ele. É inadmissível o que aconteceu, ponto final”, disse Bolsonaro, à época.
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VERGONHA SEM LIMITES..
Família de Drummond sobre medalha a Daniel Silveira: “Verdadeiro deboche”
Publicado por Beatriz Castro - Atualizado em 1 de julho de 2022 às 16:15
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Daniel Silveira
Daniel Silveira
Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
A família do escritor Carlos Drummond de Andrade divulgou uma carta nesta sexta-feira (01), na qual chamou de “verdadeiro deboche” a entrega da Medalha Biblioteca Nacional — Ordem do Mérito do Livro, da Biblioteca Nacional, ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ).
A homenagem é concedida a autoridades e intelectuais que contribuem para o universo da literatura e entre eles está Drummond, que recebeu a medalha em 1985.
“Diante desse verdadeiro deboche, a família de Carlos Drummond de Andrade vem a público lembrar que o poeta recebeu a homenagem quando a Biblioteca Nacional era dirigida pela escritora Maria Alice Barroso, nome respeitável que honrou e engrandeceu a Casa”, diz o texto.
De acordo com a carta da família, quando o poeta recebeu a honraria, “o Brasil era outro, com autoridades que se faziam merecedoras de respeito pela dignidade, pelo decoro e pela conduta ética, mandatários que, diferentemente de hoje, não nos envergonhavam como povo e não nos apequenavam como nação.”
O homenageado deste ano, Daniel Silveira, foi condenado em abril pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ataques aos ministros da Corte. No entanto, um dia depois, ele recebeu um indulto do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Silveira confirmou à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, que receberia a homenagem da Biblioteca Nacional. “É uma honraria muito grande porque é em homenagem aos 200 anos da… É uma coisa que vale muito a pena”, disse o parlamentar. “Para mim é muito honroso ter o reconhecimento de lá”, afirmou.
Em 2022, a honraria será concedida a 200 personalidades por ocasião do Bicentenário da Independência. Criada há 212 anos, a Biblioteca Nacional é a mais antiga instituição cultural brasileira.
Leia a íntegra da carta da família de Drummond
“Em 1985, o escritor Carlos Drummond de Andrade recebeu a Medalha Biblioteca Nacional – Ordem do Mérito do Livro, concedida a intelectuais e autoridades que se distinguiam pelo trabalho em favor da cultura, do conhecimento e do saber. Agora, noticia-se que a comenda será entregue ao deputado Daniel Silveira, condenado à prisão pelo Supremo Tribunal Federal por ataques à democracia e a instituições que a legitimam. Diante desse verdadeiro deboche, a família de Carlos Drummond de Andrade vem a público lembrar que o poeta recebeu a homenagem quando a Biblioteca Nacional era dirigida pela escritora Maria Alice Barroso, nome respeitável que honrou e engrandeceu a Casa que também já teve, como diretores, intelectuais do porte de Josué Montello e Affonso Romano de Sant’Anna. Época em que o Brasil era outro, com autoridades que se faziam merecedoras de respeito pela dignidade, pelo decoro e pela conduta ética, mandatários que, diferentemente de hoje, não nos envergonhavam como povo e não nos apequenavam como nação.”
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terça-feira, 15 de março de 2022
ATENÇÃO !!! ELEIÇÕES NO SEPE RJ...CHAPA 2.
A DIREÇÃO DO CCM APOIA A CHAPA 2 .."POR UM SEPE DE VITÓRIAS..' DEMOCRACIA,IGUALDADE,COMPETÊNCIA,ÉTICA...PELA VOLTA A CNTE,CONTRA OS GOLPISTAS,CONTRA O MANIQUEISMO INESCRUPULOSO DA CATEGORIA,CONTRA O RADICALISMO INCONSEQUENTE,CONTRA AS FAKE NEWS,CONTRA A HOMOFOBIA, CONTRA AS DISCRIMINAÇÕES,CONTRA O OBSCURANTISMO INTELECTUAL !!! VOTE NA CHAPA DE TODES,TODAS E TODOS. CHAPA 2 ATÉ A VITÓRIA SEMPRE.
quinta-feira, 3 de março de 2022
UMA BOA NOVA..
º lote de vacina contra gripe é entregue pelo Butantan
Doses da campanha nacional de 2022 terão proteção contra subtipo Darwin, do H3N2, do surto de Influenza do ano passado
26 fev
2022
14h20
| atualizado às 14h32
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Enfermeira prepara vacina para gripe
16/03/2020
REUTERS/Ivan Alvarado
Enfermeira prepara vacina para gripe 16/03/2020 REUTERS/Ivan Alvarado
Foto: Reuters
O Instituto Butantan divulgou ter entregue na sexta-feira, 25, o primeiro lote de vacinas contra a gripe para o Programa Nacional de Imunizações deste ano. Ao todo, foram 2 milhões de doses. O imunizante que será distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022 protegerá contra o subtipo Darwin, do H3N2, relacionado ao surto de Influenza no fim do ano passado, o H1N1 e a cepa B.
Segundo a instituição, o primeiro lote foi enviado antes do prazo máximo, previsto para março, "após os dados obtidos sobre as novas cepas serem enviados e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)".
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A campanha nacional contará com 80 milhões de doses de vacina contra o vírus da Influenza, das quais metade será entregue até o fim do próximo mês e o restante até o fim de abril, de acordo com o Butantan. Anualmente, o imunizante é modificado com base nos três subtipos que mais circularam no hemisfério sul no ano anterior.
COMO FICA A ESTAÇÃO ESPACIAL.
Com a Guerra na Ucrânia, como fica a Estação Espacial?
A guerra na Ucrânia trará consequências nefastas para muita gente, mas um grupo em especial pode ser alvo de decisões difíceis: Astronautas
Carlos Cardoso
24 fev
2022
21h52
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A menos que você more debaixo de uma pedra, e essa pedra esteja fora do Sistema Solar, sabe que estourou uma guerra na Ucrânia.
Tanques russos rumo à Ucrânia
Tanques russos rumo à Ucrânia
Foto: Al Jazeera / Meio Bit
Claro, como provavelmente eu tenho vários leitores morando debaixo de pedras, vamos recapitular: A Ucrânia vem sofrendo desde 2014 com uma guerra civil na região de Donbas, onde dois oblasts, Donetsk e Luhansk se declararam independentes.
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A Rússia apoia descaradamente o movimento, fornecendo armas, pessoal, dinheiro e equipamento de ponta, inclusive o sistema antiaéreo BUK, que derrubou sem-querer querendo o 777 da Malaysia Airlines, em 2014.
Agora, nas últimas movimentações, Vladmir Putin reconheceu a independência das duas regiões, assinou um acordo de cooperação e defesa e mandou suas Tropas de Paz (juro!) seguirem para os novos territórios amigos.
O discurso de uma hora de Vladmir Putin foi assustador, ele voltou aos tempos de Lenin, lamentou o fim da União Soviética e disse que a Ucrânia não tem o direito de existir.
Ele essencialmente deu a entender que estaria invadindo a Ucrânia, o Secretário-Geral da ONU mandou um twit bem ríspido, e Biden está preparando sanções. Antes da tinta do Twit secar, a Rússia iniciou a maior operação combinada, aérea naval e terrestre desde a Guerra do Golfo.
A Ucrânia está sob ataque de tanques, mísseis balísticos, pára-quedistas e navios, só que isso não é o ponto deste artigo.
Kharkiv com uma fábrica de munições em chamas
Kharkiv com uma fábrica de munições em chamas
Foto: YouTube / Meio Bit
Nas próximas semanas, ou mais provavelmente dias vamos ver muitas repercussões desses momentos históricos, mas isso já aconteceu antes, muitas e muitas vezes principalmente na ficção. Agora pela primeira vez temos que lidar com um potencial conflito no espaço, mais precisamente na Estação Espacial Internacional.
A questão em si, é simples: como fica a Estação?
Mesmo que você esteja no espaço, o mundo não deixa de girar, a menos que você esteja em órbita geoestacionária. O que acontece aqui embaixo afeta lá em cima, como descobriram dois cosmonautas, Aleksandr Aleksandrovich Volkov e Sergei Krikalev.
Eles eram uma tripulação mínima que ficou na Estação Espacial Mir, por causa de uns problemas de agenda que atrasaram a troca normal de tripulações. O que eles não contavam, em sua missão planejada de menos de 150 dias em órbita, é que o mundo viraria de cabeça pra baixo.
Krikalev chegou na Mir em maio de 1991, e pelos supracitados motivos de agenda, topou permanecer como membro da próxima expedição, que chegaria em outubro.
Países-Membros da Estação Espacial Internacional. Tão desatualizado que ainda tem o Brasil.
Países-Membros da Estação Espacial Internacional. Tão desatualizado que ainda tem o Brasil.
Foto: NASA / Meio Bit
Em terra, a União Soviética 1.0 chegava a seus últimos dias. Depois do golpe fracassado de agosto de 1991, quando militares da linha dura tentaram depor Mihail Gorbachov e foram impedidos por Boris Yeltsin e Pedro Bial, as antigas repúblicas da União Soviética começaram a se rebelar, declarando-se fora da União.
Em 8 de dezembro de 1991 a situação chegou ao ponto final, com a Rússia, Ucrânia e Bielorrússia cada uma reconhecendo a independência das outras formalmente abandonando a União Soviética e formando a Comunidade dos Estados Independentes.
Em 25 de dezembro Gorbachov formalmente abdicou da Presidência, entregando a Boris Yeltsin seus poderes presidenciais, inclusive os códigos nucleares. A bandeira da União Soviética 1.0 foi baixada pela última vez no Kremlin.
Então alguém se lembrou que havia dois astronautas em órbita querendo voltar para casa, e toda a estrutura de apoio ficava agora no Cazaquistão, um país estrangeiro, cheio de ressentimento com a Rússia.
Game over, commies
Game over, commies
Foto: AFP / Meio Bit
Depois de muita diplomacia e dinheiro trocado, o Cazaquistão topou reabrir o Cosmódromo de Baikonur para os (agora) russos. Krikalev só voltou pra Terra em 25 de março de 1992. Ele passou 311 dias no espaço, mais tempo que qualquer ser humano. Rendeu uma pletora de informações científicas sobre o efeito prolongado da microgravidade, e como bônus, graças à dilatação do tempo de Einstein, ele voltou 0,02 segundos mais jovem do que seria se permanecesse em terra.
Krikalev decolou como cosmonauta da União Soviética, e por meses permaneceu no espaço como um cidadão de país nenhum, seu status e o da Mir completamente nebulosos.
A Estação Espacial Internacional e a Guerra na Ucrânia
Agora a situação é diferente. Vladmir Putin quer reerguer a União Soviética, declarou abertamente seu ódio pelo ocidente e pelos EUA em especial. Joe Biden por sua vez, quando está acordado inventa novas sanções econômicas contra a Rússia, o que deixa Putin, bem, você consegue completar o trocadilho.
Agora imagine como está esse climão em órbita.
A Estação Espacial Internacional é essencialmente um projeto conjunto entre os Estados Unidos e Rússia. Cada lado é responsável por áreas diferentes. Os russos reposicionam e elevam a órbita da estação. Os americanos geram a energia.
Sim, tem até santinho no lado russo da Estação Espacial Internacional
Sim, tem até santinho no lado russo da Estação Espacial Internacional
Foto: NASA / Meio Bit
Há uma escotilha separando as duas metades da estação, mas se ela for fechada os russos terão que depender de seu sistema de suporte de vida, que vive quebrando. Algum tempo atrás os russos falaram que poderiam separar a estação em duas, mas isso hoje é tecnicamente inviável.
Embora a maioria do trabalho na Estação Espacial Internacional seja pacífico, em tempos de guerra olhos no espaço são sempre bem-vindos, então é de se esperar que ambos os lados usem seus recursos para monitoramento e espionagem, mas como isso é provavelmente contra os acordos firmados pelo consórcio, um lado tentará monitorar o outro para que não viole a regra.
Em pior cenário possível, um dos lados pode decidir que assumir o controle da Estação é estrategicamente importante, e podem receber ordem de restringir e dominar os adversários. Sim, eu sei que isso é cenário de um filme de ficção ruim, mas a invasão da Ucrânia também não é?
Mais guerra, mais problemas
Dmitry Rogozin é Diretor-Geral da Roscosmos, a estatal russa de pesquisas espaciais. Ele é famoso por observações criativas como dizer que os russos poderiam se negar a enviar astronautas então os americanos teriam que usar um trampolim para chega até a ISS.
No momento, graças à SpaceX (estou olhando pra você, Boeing) os americanos têm como mandar astronautas por conta própria, mas como isso funciona em clima de guerra? É preciso bastante cooperação entre as partes, suprimentos vão para ambas as tripulações. Como estabelecer uma rotina de troca de suprimentos?
A situação é tão complicada, que os foguetes Soyuz russos dependem de componentes químicos produzidos... na Alemanha. Então em uma reviravolta, os russos podem ser obrigados a usar um trampolim para enviar seus cosmonautas.
Rogozin está surtando no Twitter, em 24/2/2022 ele postou uma longa diatribe, falando entre outras coisas:
"Se você bloquear a cooperação conosco, quem salvará a ISS de uma saída descontrolada e cairá nos Estados Unidos ou... Europa? Há também a opção de lançar uma estrutura de 500 toneladas para a Índia e a China. Você quer ameaçá-los com tal perspectiva? A ISS não sobrevoa a Rússia, então todos os riscos são seus. Você está pronto para eles?"
Ele também está chamando as sanções de Biden de "Sanções de Alzheimer".
E calma que piora. Em setembro de 2022 se tudo der certo será feito o segundo lançamento da missão ExoMars. Só que dificilmente as coisas darão certo.
A ExoMars é um consórcio entre a Agência Espacial Europeia e a Roscosmos. Na missão de setembro enviarão, ou pretendem enviar dois robôs, o russo Kazachok e o europeu Rosalind Franklin.
O robozinho russo que com muita sorte andará em Marte. Um dia.
O robozinho russo que com muita sorte andará em Marte. Um dia.
Foto: Kirill Borisenko / Wikimedia Commons / Meio Bit
O lançamento será feito da base na Guiana Francesa, em Kourou, usando um foguete Soyuz russo. Em teoria o foguete é parte do consórcio da Arianespace, mas em essência são Soyuz russos.
Já há gente pensando que o lançamento miou, outros não se arriscam a pensar tão no futuro quanto setembro.
Ultrapassa a irresponsabilidade fazer qualquer tipo de previsão com menos de 24 horas de guerra, ainda mais no campo espacial, que é repleto de simbolismo e constantemente sequestrado para fins de orgulho nacional.
Um bom exemplo foi a missão Apollo-Soyuz, em 1975, que fez a NASA gastar dinheiro que não tinha apenas para um lançamento de pura propaganda, fingindo uma cooperação inexistente com a União Soviética.
Esse tipo de propaganda será bem raro nos próximos anos, mas a única certeza é que não teremos grandes emoções no espaço. Astronautas e cosmonautas são um grupo especial de humanos, trabalham meses, anos juntos. Eles sabem que suas vidas dependem dos colegas, e em um ambiente que passa 24/7 tentando te matar, não há espaço para ideologia.
Qualquer ordem que envolva violência ou que coloque o outro lado em risco, será ignorada.
De resto, o que temos que fazer é aguardar. Essa crise mal começou, e parafraseando Winston Churchill, não estamos no começo do fim da crise. Não estamos nem no começo do fim. Nem mesmo estamos no fim do começo.
Com a Guerra na Ucrânia, como fica a Estação Espacial?
sábado, 12 de fevereiro de 2022
UM PRESIDENTE INCENDIÁRIO..
Ipam: Amazônia sob gestão Bolsonaro tem devastação alarmante
Segundo o instituto, o avanço ficou evidente ainda no segundo semestre de 2018, como consequência das eleições presidenciais daquele ano
André Borges
4 fev
2022
08h33
| atualizado às 09h12
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Vista aérea de região desmatada da Amazônia em Rondônia
REUTERS/Adriano Machado
Vista aérea de região desmatada da Amazônia em Rondônia REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters
A devastação da Amazônia verificada em três anos de gestão Bolsonaro cresceu em níveis alarmantes, afirma levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Relatório da instituição publicado na quarta-feira, 2, mostra que o desmatamento no bioma foi 56,6% maior entre agosto de 2018 e julho de 2021 que no mesmo período de 2015 a 2018.
Segundo o instituto, o avanço ficou evidente ainda no segundo semestre de 2018, como consequência das eleições presidenciais daquele ano. As pesquisadoras do levantamento avaliam que o efeito tende a se repetir neste ano.
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Desmatamento da Amazônia é o maior em 10 anos, diz Imazon
Centro da Terra está esfriando mais rápido: quais podem ser as consequências?
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Os aumentos consecutivos desde 2018 são resultado do enfraquecimento de órgãos de fiscalização e, portanto, pela falta de punição a crimes ambientais, bem como pela redução significativa de ações imediatas de combate e controle e pelos retrocessos legislativos.
De acordo com o relatório, 51% do desmatamento do último triênio ocorreu em terras públicas, sendo 83% dessas ações em áreas de domínio federal. Em termos absolutos, as chamadas Florestas Públicas Não Destinadas foram as mais atingidas: tiveram alta de 85% na área desmatada, passando de 1.743 km² derrubados anualmente para mais de 3.228 km². No último ano, essa categoria de floresta pública concentrou um terço de todo o desmatamento no bioma.
Proporcionalmente à área dos territórios, terras indígenas tiveram alta de 153% em média no desmatamento comparado do último triênio (1.255 km²) para o anterior (496 km²). Já o desmatamento em unidades de conservação teve aumento proporcional de 63,7%, com 3.595 km² derrubados no último triênio contra 2.195 km² nos três anos anteriores.
Uma das regiões mais afetadas citadas no estudo é a divisa entre Amazonas, Acre e Rondônia, a "Amacro", caracterizada como a nova fronteira do desmatamento no bioma. Amazonas passou da terceira para a segunda posição como Estado que mais desmatou a Amazônia. Está atrás apenas do Pará, onde se encontram as áreas mais críticas de perda de floresta e que se mantém em primeiro lugar desde 2017.
UM GOVERNO CONTRA A NATUREZA..
Amazônia tem recorde de desmatamento para janeiro
Alertas recebidos pelo Inpe, do Ministério da Ciência e Tecnologia, se concentram nos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará
André Borges
11 fev
2022
09h13
| atualizado às 11h38
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Vista aérea de área desmatada da Floresta Amazônica em Rondônia 28/09/2021
Vista aérea de área desmatada da Floresta Amazônica em Rondônia 28/09/2021
Foto: REUTERS/Adriano Machado
A Amazônia volta a registrar número recorde de desmatamento. Entre os dias 1º e 31 de janeiro, 430 quilômetros quadrados de floresta nativa foram desmatados. É o mesmo que abrir 43 mil campos de futebol na mata em apenas um mês ou o equivalente ao tamanho da cidade de Jundiaí (SP). São dados oficiais, coletados pelo sistema de satélite Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
O volume representa um aumento explosivo em relação ao mesmo período do ano passado, com alta de 418% ante janeiro de 2021, embora tenha chovido mais na região este ano. A devastação de janeiro, conforme os dados, representa a maior área perdida desde 2016, quando foram iniciadas as medições pelo sistema Deter-B. Os alertas de desmatamento recebidos pelo Inpe se concentram, principalmente, nos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará.
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Ipam: Amazônia sob gestão Bolsonaro tem devastação alarmante
Desmatamento da Amazônia é o maior em 10 anos, diz Imazon
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A porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, afirma que os estímulos para o desmatamento da região são evidentes, principalmente na gestão Jair Bolsonaro, fazendo com que meses de menor devastação - como janeiro, período chuvoso na região amazônica, - registrem altos índices de desmate. A política ambiental do governo tem sido criticada no Brasil e no exterior, diante dos seguidos aumentos da devastação e dos incêndios no bioma.
"Esse é um momento de ouro para quem desmata e/ou rouba terras públicas, já que existe uma falta proposital de fiscalização ambiental e expectativa de alteração na legislação para regularizar a invasão de terras públicas", diz Mazzetti. Segundo análise do Greenpeace Brasil, 22,5% da área com alertas de desmatamento entre 1º e 21 de janeiro deste ano se concentrou nas florestas públicas não destinadas, alvo frequente de grilagem de terras.
A devastação da Amazônia verificada em três anos de gestão Bolsonaro cresceu em níveis alarmantes, como mostrou levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e divulgado na semana passada. Relatório da instituição publicado mostra que o desmatamento no bioma foi 56,6% maior entre agosto de 2018 e julho do ano passado que no mesmo período de 2015 a 2018.
Os aumentos consecutivos desde 2018 são resultado do enfraquecimento de órgãos de fiscalização e, portanto, pela falta de punição a crimes ambientais, bem como pela redução significativa de ações imediatas de combate e controle e pelos retrocessos legislativos. O governo recorre a ações militares na floresta sob o argumento de que ajudariam a reduzir crimes ambientais.
Conforme o relatório, 51% do desmatamento do último triênio ocorreu em terras públicas, sendo 83% dessas ações em áreas de domínio federal. Em termos absolutos, as chamadas Florestas Públicas Não Destinadas foram as mais atingidas: tiveram alta de 85% na área desmatada, passando de 1.743 km² derrubados anualmente para mais de 3.228 km². No último ano, essa categoria de floresta pública concentrou um terço de todo o desmatamento no bioma.
domingo, 6 de fevereiro de 2022
OS MISTÉRIOS DO UNIVERSO..
Covid longa: estudo detecta lesões pulmonares ocultas
Pesquisadores usam nova tecnologia para detectar alterações no aparelho respiratório de pessoas que tiveram covid, mas não precisaram ser internadas.
Smitha Mundasad - Repórter de Saúde da BBC News
29 jan
2022
19h06
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Algumas pessoas com covid longa podem sofrer danos ocultos nos pulmões, sugere um estudo-piloto realizado no Reino Unido.
Isso ajudaria a explicar a falta de ar que alguns pacientes relatam sentir, mesmo depois de recuperados da infecção inicial.
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Os cientistas usaram um novo método para detectar lesões pulmonares que não são identificadas em exames de rotina.
A equipe avaliou 11 indivíduos que não precisaram de cuidados hospitalares quando tiveram covid pela primeira vez, mas, mesmo depois de recuperados, relataram falta de fôlego por um tempo prolongado.
Uma pesquisa maior e mais detalhada sobre esse tema está em andamento para confirmar os achados iniciais.
O trabalho divulgado recentemente se baseia em um estudo anterior, que analisou pessoas que foram internadas no hospital com Covid.
Os pesquisadores dizem que as descobertas lançam alguma luz sobre por que a falta de ar é tão comum durante e após a infecção pelo coronavírus — embora as razões para sentir esse incômodo sejam muitas e complexas.
O termo "covid longa" se refere a um conjunto de sintomas que continuam por várias semanas após o quadro inicial e não podem ser explicados por outra causa.
A jornada do oxigênio
A equipe, que reuniu especialistas das universidades de Oxford, Birmingham, Cardiff e Manchester, comparou os resultados de um exame de imagem que usa um gás chamado xenônio e outros testes de função pulmonar em três grupos de pessoas.
O primeiro grupo era composto por 11 indivíduos com covid longa e falta de ar que não precisaram ficar internadas durante a infecção.
O segundo reuniu 12 voluntários que foram hospitalizados pela covid, mas não tiveram esses sintomas de longa duração.
Por fim, também foram incluídas 13 pessoas saudáveis, para que os resultados pudessem ser comparados.
Usando a nova abordagem, desenvolvida pela Universidade de Sheffield, também no Reino Unido, todos os participantes inalaram gás xenônio durante a realização de um exame de imagem chamado ressonância magnética.
O gás se comporta de maneira muito semelhante ao oxigênio, mas pode ser rastreado visualmente durante o exame, de modo que os cientistas puderam "enxergar" claramente como ele se moveu dos pulmões para a corrente sanguínea — um passo crucial no transporte de oxigênio pelo corpo.
Os pesquisadores descobriram que, para a maioria das pessoas com covid longa, a transferência do xenônio dos pulmões para o sangue era menos eficaz do que o observado em indivíduos saudáveis.
As pessoas que foram internadas no hospital por causa da covid também apresentaram um problema parecido nessa transição do gás dos pulmões para a circulação sanguínea.
A pneumologista Emily Fraser, autora principal do estudo, diz que é frustrante ver pessoas procurando ajuda médica sem conseguir explicar muito bem porque estão sem fôlego. Para piorar, na maioria das vezes, radiografias e tomografias computadorizadas não detectam essas anormalidades pulmonares.
Exames de imagem convencionais, como a radiografia, muitas vezes não detectam essas lesões pulmonares
Exames de imagem convencionais, como a radiografia, muitas vezes não detectam essas lesões pulmonares
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
"Esta é uma pesquisa importante e eu realmente espero que ela ajude a esclarecer mais sobre essa questão."
A médica acrescentou: "É importante que as pessoas saibam que as estratégias de reabilitação e um treinamento respiratório podem ser realmente úteis".
"Quando vemos pessoas sem fôlego, nós entendemos o problema e podemos intervir melhor".
O radiologista e professor Fergus Gleeson, coautor do trabalho, declarou: "Agora existem questões importantes a serem respondidas, como quantos pacientes com covid longa terão esses exames alterados, o significado prático do que for detectado, a causa disso e as consequências de longo prazo."
"Assim que entendermos os mecanismos que levam a esses sintomas, poderemos desenvolver tratamentos mais eficazes", completou.
Vale dizer que o estudo foi publicado em formato de pré-print e ainda não foi revisado por especialistas independentes ou publicado numa revista científica.
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Covid longa: estudo detecta lesões pulmonares ocultas
Pesquisadores usam nova tecnologia para detectar alterações no aparelho respiratório de pessoas que tiveram covid, mas não precisaram ser internadas.
Smitha Mundasad - Repórter de Saúde da BBC News
29 jan
2022
19h06
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Algumas pessoas com covid longa podem sofrer danos ocultos nos pulmões, sugere um estudo-piloto realizado no Reino Unido.
Isso ajudaria a explicar a falta de ar que alguns pacientes relatam sentir, mesmo depois de recuperados da infecção inicial.
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Os cientistas usaram um novo método para detectar lesões pulmonares que não são identificadas em exames de rotina.
A equipe avaliou 11 indivíduos que não precisaram de cuidados hospitalares quando tiveram covid pela primeira vez, mas, mesmo depois de recuperados, relataram falta de fôlego por um tempo prolongado.
Uma pesquisa maior e mais detalhada sobre esse tema está em andamento para confirmar os achados iniciais.
O trabalho divulgado recentemente se baseia em um estudo anterior, que analisou pessoas que foram internadas no hospital com Covid.
Os pesquisadores dizem que as descobertas lançam alguma luz sobre por que a falta de ar é tão comum durante e após a infecção pelo coronavírus — embora as razões para sentir esse incômodo sejam muitas e complexas.
O termo "covid longa" se refere a um conjunto de sintomas que continuam por várias semanas após o quadro inicial e não podem ser explicados por outra causa.
A jornada do oxigênio
A equipe, que reuniu especialistas das universidades de Oxford, Birmingham, Cardiff e Manchester, comparou os resultados de um exame de imagem que usa um gás chamado xenônio e outros testes de função pulmonar em três grupos de pessoas.
O primeiro grupo era composto por 11 indivíduos com covid longa e falta de ar que não precisaram ficar internadas durante a infecção.
O segundo reuniu 12 voluntários que foram hospitalizados pela covid, mas não tiveram esses sintomas de longa duração.
Por fim, também foram incluídas 13 pessoas saudáveis, para que os resultados pudessem ser comparados.
Usando a nova abordagem, desenvolvida pela Universidade de Sheffield, também no Reino Unido, todos os participantes inalaram gás xenônio durante a realização de um exame de imagem chamado ressonância magnética.
O gás se comporta de maneira muito semelhante ao oxigênio, mas pode ser rastreado visualmente durante o exame, de modo que os cientistas puderam "enxergar" claramente como ele se moveu dos pulmões para a corrente sanguínea — um passo crucial no transporte de oxigênio pelo corpo.
Os pesquisadores descobriram que, para a maioria das pessoas com covid longa, a transferência do xenônio dos pulmões para o sangue era menos eficaz do que o observado em indivíduos saudáveis.
As pessoas que foram internadas no hospital por causa da covid também apresentaram um problema parecido nessa transição do gás dos pulmões para a circulação sanguínea.
A pneumologista Emily Fraser, autora principal do estudo, diz que é frustrante ver pessoas procurando ajuda médica sem conseguir explicar muito bem porque estão sem fôlego. Para piorar, na maioria das vezes, radiografias e tomografias computadorizadas não detectam essas anormalidades pulmonares.
Exames de imagem convencionais, como a radiografia, muitas vezes não detectam essas lesões pulmonares
Exames de imagem convencionais, como a radiografia, muitas vezes não detectam essas lesões pulmonares
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
"Esta é uma pesquisa importante e eu realmente espero que ela ajude a esclarecer mais sobre essa questão."
A médica acrescentou: "É importante que as pessoas saibam que as estratégias de reabilitação e um treinamento respiratório podem ser realmente úteis".
"Quando vemos pessoas sem fôlego, nós entendemos o problema e podemos intervir melhor".
O radiologista e professor Fergus Gleeson, coautor do trabalho, declarou: "Agora existem questões importantes a serem respondidas, como quantos pacientes com covid longa terão esses exames alterados, o significado prático do que for detectado, a causa disso e as consequências de longo prazo."
"Assim que entendermos os mecanismos que levam a esses sintomas, poderemos desenvolver tratamentos mais eficazes", completou.
Vale dizer que o estudo foi publicado em formato de pré-print e ainda não foi revisado por especialistas independentes ou publicado numa revista científica.
UM RAIO GIGANTE.
O relâmpago de 768 km de comprimento que cruzou 3 estados dos EUA
Especialistas dizem que o raio que se estendeu pelo Mississippi, Louisiana e Texas foi 'extraordinário'
2 fev
2022
08h23
| atualizado às 09h34
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Imagem de satélite do relâmpago da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica
Imagem de satélite do relâmpago da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica
Foto: BBC News Brasil
Um raio de quase 800 quilômetros de comprimento que iluminou o céu em três estados dos EUA bateu o recorde mundial de relâmpago mais longo, confirmaram cientistas.
O fenômeno, registrado em 2020, se estendeu por um total de 768 km, cruzando os estados do Mississippi, Louisiana e Texas, nos Estados Unidos.
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O recorde anterior, de 709 km, havia sido registrado no Brasil em 2018.
Um raio raramente se estende por mais de 16 km e geralmente dura menos de um segundo.
Outro relâmpago registrado também em 2020 — desta vez no Uruguai e na Argentina — bateu um novo recorde de duração: 17,1 segundos. O recorde anterior era de 16,7 segundos.
"São recordes extraordinários para relâmpagos", afirmou o professor Randall Cerveny, relator da Organização Meteorológica Mundial (OMM) para fenômenos meteorológicos e climáticos extremos.
Segundo a OMM, ambos os registros ocorreram em áreas propensas a tempestades intensas que produzem "megarelâmpagos".
Cerveny acrescentou que é provável que existam fenômenos mais extremos — e provavelmente serão registrados no futuro, graças aos avanços na tecnologia de detecção de raios no espaço.
A OMM alertou para o perigo dos raios e fez um apelo para as pessoas — em ambas as regiões e em todo o mundo — tomarem cuidado durante as tempestades.
"Estas ocorrências de raios extremamente grandes e de longa duração não foram isoladas, ocorreram durante tempestades ativas", afirmou o especialista em raios Ron Holle em comunicado da OMM.
"Sempre que se ouve um trovão, é hora de procurar um lugar a salvo de relâmpagos".
Os "relâmpagos extremos" registrados pela OMM incluem um incidente em 1975, no qual 21 pessoas foram mortas por um único raio, enquanto se amontoavam dentro de uma barraca no Zimbábue.
Em outro incidente, 469 pessoas morreram quando um raio atingiu a cidade egípcia de Dronka em 1994, provocando uma queima de óleo que se espalhou pela cidade.
A OMM observa que os únicos locais seguros contra raios são construções "substanciais", com fiação e encanamento, em vez de estruturas como pontos de ônibus ou aquelas encontradas nas praias.
Veículos com teto de metal totalmente fechados também são considerados seguros.
O GOVERNO CRIMINOSO DO CAPITÃO HEMORRÓIDA..
Desmatamento da Amazônia é o maior em 10 anos, diz Imazon
Segundo o Imazon, foram 10.362 quilômetros quadrados de área nativa desmatada na região, o que equivale à metade do Estado de Sergipe
Ricardo Brito
1 fev
2022
18h46
| atualizado às 18h52
ver comentários
Levantamento divulgado nesta terça-feira pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou que o desmatamento na Amazônia em 2021 cresceu 29% em relação ao ano anterior e é o maior dos últimos dez anos.
Segundo o Imazon, foram 10.362 quilômetros quadrados de área nativa desmatada na região, o que equivale à metade do Estado de Sergipe. Em 2020, o desmatamento na Amazônia foi de 8.096 quilômetros quadrados, de acordo com o instituto.
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Após realizar um cruzamento de dados com as áreas desmatadas do Cadastro Nacional de Florestas Públicas do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), foi constatado que 4.915 quilômetros quadrados estavam em territórios federais --equivalente a 47% do total desmatado na Amazônia no ano passado.
Vista aérea de região desmatada da Amazônia em Rondônia
28/09/2021
REUTERS/Adriano Machado
Vista aérea de região desmatada da Amazônia em Rondônia 28/09/2021 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters
O Pará foi o Estado líder em desmatamento da região, com 4.037 quilômetros quadrados devastados, ou 39%. Em segundo lugar, foi o Amazonas, com 2.071 quilômetros quadrados, seguido pelo Mato Grosso, com 1.504 quilômetros quadrados.
Procurado, o Ministério do Meio Ambiente não respondeu de imediato ao pedido de comentário acerca dos dados.
O governo federal tem sido alvo de críticas dentro e fora do país por não estar tendo uma atuação firme no enfrentamento ao desmatamento e queimadas na região amazônica e em outros biomas brasileiros.
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
SAÚDE
Risco cardiovascular pode significar pior prognóstico cognitivo para mulheres na meia-idade
Estudo acompanhou 1.857 pessoas, entre 50 e 69 anos, que se submeteram a avaliações periódicas para medir sua aptidão mental
Rio de Janeiro
25/01/2022 06h01 Atualizado há 44 minutos
Embora os homens de meia-idade sejam mais propensos a ter doenças cardiovasculares, somando fatores de risco como tabagismo, pressão alta e diabetes, o impacto dessas condições na capacidade cognitiva das mulheres, na mesma faixa etária, pode ser mais negativo. Trata-se do resultado de trabalho divulgado no começo do mês pela Academia Americana de Neurologia, que congrega 36 mil membros. O estudo acompanhou 1.857 pessoas, entre 50 e 69 anos, que não apresentavam sinais de demência no início do monitoramento. O grupo realizou exames a cada 15 meses durante três anos, incluindo testes de memória, linguagem e habilidade espacial, de forma a calcular uma pontuação cognitiva, que mede a aptidão da capacidade mental do indivíduo.
Risco cardiovascular pode significar pior prognóstico cognitivo para mulheres na meia idade — Foto: Gerhard Bögner para Pixabay
Risco cardiovascular pode significar pior prognóstico cognitivo para mulheres na meia idade — Foto: Gerhard Bögner para Pixabay
Dos participantes, 79% tinham pelo menos um dos fatores de risco citados anteriormente: 83% dos homens e 75% das mulheres manifestavam algum problema. O que os pesquisadores descobriram é que, para elas, havia uma relação bem mais forte entre condições cardiovasculares alteradas e um impacto negativo nas funções cognitivas. Por exemplo, no caso de doença coronariana, dobrava a probabilidade de a pontuação cognitiva feminina ser menor. O estudo não garante que, necessariamente, as mulheres com fatores de risco enfrentarão declínio cognitivo na meia-idade, mas aponta uma associação entre esses elementos. As mudanças hormonais ocorridas no climatério também podem ter papel no processo. De acordo com Michelle M. Mielke, PhD da Clíncia Mayo Clinic e membro da Academia Americana de Neurologia, é preciso investigar as diferenças de gênero e sua relação com biomarcadores de enfermidades no cérebro.
Divulgado ontem, outro estudo lança luz sobre as diferenças de gênero. De acordo com o setor da American Heart Association dedicado aos AVEs (acidentes vasculares encefálico, popularmente conhecidos como derrames), as mulheres até 35 anos têm 44% mais chances de um acidente vascular isquêmico – que é causado pela obstrução dos vasos sanguíneos – que os homens de faixa etária similar. Trata-se do resultado da revisão de 16 trabalhos publicados entre 2008 e 2021, com quase 70 mil pessoas. Depois de um derrame, as mulheres jovens também apresentam risco aumentado de duas a três vezes para algum tipo de comprometimento funcional. Entretanto, vale registrar que apenas 15% desses eventos ocorrem em adultos com menos de 50 anos.
ASSÉDIO ROBÓTICO
Homens estão criando namoradas-robô - e abusando delas Usuários cometem abusos contra chatbots Imagem: Getty Images/iStockphoto Simone Machado Colaboração para Tilt, em São José do Rio Preto (SP) 25/01/2022 04h00 Um aplicativo de criação de chatbots (robôs que dialogam com o usuário) está sendo usado para que homens programem IAs (Inteligências Artificiais) como se fossem suas namoradas — e então, abusem verbalmente delas. O Replika, um programa de criação de bots movido por aprendizado de máquina, resultando em assistentes que estão sempre à disposição para conversar, agora está servindo para que seus usuários pratiquem assédios aos robôs, em diálogos muito similares a situaç... - Veja mais em https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2022/01/25/homens-criam-namoradas-de-inteligencia-artificial-e-cometem-abusos-verbais.htm?cmpid=copiaecola
UM BRASIL GENOCIDA
Queiroga diz que analisará recurso contra nota que defende cloroquina
No último sábado, o secretário Hélio Angotti Neto defendeu o uso da hidroxicloroquina após a Conitec contraindicar o medicamento
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24/01/2022 18:58
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Atualizada às 24/01/2022 18:59
O ministro da Saúde Marcelo Queiroga
Walterson Rosa/MS
O ministro da Saúde Marcelo Queiroga
Ao ser questionado sobre a nota elaborada por Hélio Angotti Neto , secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Queiroga afirmou que os "fatos são mais importantes que narrativas". No texto, Angotti defende o uso da hidroxicloroquina.
Em nome do Ministério da Saúde, o posicionamento do secretário teve como objetivo rejeitar protocolo aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) sobre a não indicação do uso do "kit Covid" .
Com a decisão, a Conitec afirmou que pretende enviar um recurso diretamento ao ministro Marcelo Queiroga entre quarta (26) e quinta-feira (27). O ministro afirmou que a recomendação da Comissão não é decisiva e que analisará o novo recurso.
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"Elaboração de uma diretriz terapêutica passa pela recomendação da Conitec, que não é taxativa, é uma recomendação, e quem decide é o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Ele fez a decisão e da decisão dele cabe recurso e o recurso vem ao ministro".
COVID 19
Em 24h, Brasil tem mais de 83 mil novos casos de covid-19
Total de mortes no período foi de 259, segundo o Conass
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24/01/2022 18:20
Número de casos de covid-19 voltou a crescer no Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil
Número de casos de covid-19 voltou a crescer no Brasil
Segundo dados do boletim diário da covid-19 divulgado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Brasil registrou nas últimas 24h 83.340 novos casos de covid-19.
O número confirma a tendência de alta vivida pelo país desde o início de janeiro. O total de resultados positivos no país até agora é de 24.127.595.
A média móvel de infecções, estatística que leva em conta os últimos sete dias, ficou em 150.401.
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Com relação às mortes, foram contabilizadas 259 desde ontem, elevando o total de vidas perdidas no país para 623.356 desde o início da pandemia. A média móvel de óbitos está em 313, também em alta.
O crescimento no número de casos é mundial. Segundo o Johns Hopkins, já são 353.664.208 registros em todo o mundo. O número de mortes é de 5.061.789.
MENOS UM..
Morre Olavo de Carvalho, o 'parteiro' da nova direita brasileira
Há 1 hora
Olavo de Carvalho
CRÉDITO,JOÃO FELLET
Legenda da foto,
Olavo vivia nos EUA há mais de uma década e influenciou a nova direita com livros e cursos online
Ideólogo da direita brasileira e considerado uma espécie de "guru" do bolsonarismo, o escritor Olavo de Carvalho morreu na segunda-feira (24/01) aos 74 anos. As causas da morte não foram divulgadas pela família, que anunciou o falecimento no perfil oficial dele no Facebook.
"O professor deixa a esposa, Roxane, oito filhos e 18 netos. A família agradece a todos os amigos as mensagens de solidariedade e pede orações pela alma do professor", afirma a nota oficial. Olavo estava hospitalizado na região de Richmond, na Virgínia (EUA), onde morava havia mais de uma década. Segundo mensagem veiculada em seu canal no Telegram no dia 15/01, ele havia contraído covid-19 e precisava cancelar as aulas de um curso de filosofia que ministrava online.
Em julho de 2021, ele havia viajado ao Brasil para tratar de problemas cardíacos e chegou a passar três meses internado após novas complicações de saúde.
A notícia de sua morte gerou uma onda de homenagens, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos. "Nos deixa hoje um dos maiores pensadores da história do nosso país, o filósofo e professor Olavo Luiz Pimentel de Carvalho. Olavo foi um gigante na luta pela liberdade e um farol para milhões de brasileiros. Seu exemplo e seus ensinamentos nos marcarão para sempre", publicou Bolsonaro em seu perfil no Twitter.
"Aqui na Terra seus livros, vídeos e ensinamentos permanecerão por muito tempo ainda", escreveu o deputado federal Eduardo Bolsonaro em postagem no Twitter, com fotos deles juntos. "Ao Professor Olavo a minha eterna gratidão por sua vida dedicada ao conhecimento, que semeou em uma terra arrasada chamada Brasil e fez florescer em muitos de nós um sentimento de esperança, de amor pela verdade e pela liberdade. Que sua obra ilumine para sempre a nossa história!", escreveu o vereador Carlos Bolsonaro na mesma rede social.
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
UM ESTADISTA DE FATO..
Entenda por que Macron despreza Bolsonaro, mas recebeu Lula como chefe de Estado
Ex-presidente se encontra com mandatário francês no momento em que as relações entre os dois países está abalada
Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 17 de Novembro de 2021 às 13:10
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Lula e Macron se encontraram em Paris nesta quarta-feira (17) - Foto: Ricardo Stuckert
Com protocolo de chefe de Estado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido, na manhã desta quarta-feira (17), pelo presidente da França, Emannuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris. O encontro foi fechado e a pauta da reunião não foi divulgada para a imprensa.
É possível imaginar que Lula -- que lidera as pesquisas de intenção de votos para as eleições de 2022 - dialogue com Macron sobre a conturbada relação entre França e Brasil durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que se tornou desafeto do presidente francês.
Macron não esconde a antipatia que nutre por Bolsonaro e tem utilizado o presidente para mostrar aos franceses que seu governo tem uma preocupação ambiental, colocando o brasileiro como exemplo de descompromisso com o meio ambiente.
O ponto alto da tensão entre os dois países, foi quando o presidente brasileiro marcou uma audiência com Jean-Yves Le Drian, ministro de Relações Exteriores da França, em julho de 2019, e cancelou a reunião para fazer uma live, em suas redes sociais, cortando o cabelo.
O desrespeito de Bolsonaro com o ministro francês não ficou barato. Em agosto de 2019, um mês depois, Macron convidou o Chile para que fosse o representante sul-americano no encontro do G7, realizado na França.
Durante o encontro, o presidente chileno Sebastián Piñera foi flagrado criticando Bolsonaro em um bate-papo com Macron. Um dia antes, o presidente brasileiro havia zombado da aparência da primeira-dama francesa, Brigitte Macron, ao responder o comentário de um seguidor na internet que a comparava com Michelle Bolsonaro, companheira do mandatário brasileiro.
“Entende agora por que o Macron odeia Bolsonaro?”, perguntou o bolsonarista em publicação no Facebook. Bolsonaro comentou: “Não humilha cara. Kkkkkk”. A resposta do brasileiro gerou uma crise entre os dois países e Macron falou sobre o tema com Piñera.
“Eu tinha que reagir, entende?”, perguntou Macron a Piñera. “Eu queria ser pacífico, queria ser correto, construtivo com o cara e respeitar sua soberania. Tudo bem. Mas eu não poderia aceitar isso. Me desculpe, isso não é atitude de um presidente”. “Eu concordo”, respondeu o chileno.
Edição: Leandro Melito
GENOCÍDIO...
Brasil tem 611.851 mortos por covid-19 e 21.977.661 casos
Nas últimas 24h, país registrou 373 óbitos
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17/11/2021 18:21
Registro de enterro de vítima de Covid
Amazônia Real
Registro de enterro de vítima de Covid
O Brasil registrou 373 óbitos e 11.977 novos casos de covid-19 em 24h. Com isso, o país atingiu os 611.851 óbitos e 21.977.661 diagnósticos positivos desde o fim da pandemia.
A média móvel de mortes ficou em 259, patamar semelhante ao apresentado nos últimos dias. A de casos fechou o dia em 9.766.
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Os números são consolidados diretamente com as secretarias estatuais de saúde pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).
A Universidade Johns Hopkins contabiliza 5.120.934 mortes por covid-19 em todo o mundo; e 254.808.807 diagnósticos positivos. Os Estados Unidos é o país líder nas estatísticas, seguido por Brasil e Índia.
Link deste artigo: https://saude.ig.com.br/2021-11-17/mortes-casos-covid-19-17-novembro-2021.html
sábado, 13 de novembro de 2021
VERGONHA...
Gabriel Cassiano Economia/Política
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De ladrão de banco a estelionatário que é violento com a mulher. Acabou, Bolsonaro! #Cassiano12000
CAPA da VEJA dessa semana
*O outro Bolsonaro*
Ex-mulher acusa o presidenciável de furtar um cofre de banco, ocultar patrimônio, receber pagamentos não declarados e agir com “desmedida agressividade”
Em 2007, o deputado Jair Bolsonaro, então com 52 anos, estava terminando seu segundo casamento, com Ana Cristina Siqueira Valle. Depois de mais de dez anos juntos e um filho, o casal resolveu se separar, mas o caso acabou na Justiça. Eles disputavam a guarda do filho, hoje com 20 anos, e Ana Cristina alegava que seu ex-marido resistia a fazer uma partilha justa dos bens. Por isso, em abril de 2008, ela deu entrada com uma ação na 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O processo, com mais de 500 páginas, ao qual VEJA teve acesso, contém uma série de incriminações mútuas que fazem parte do universo privado do ex-casal. Há, no entanto, acusações de Ana Cristina ao ex-marido que entram na esfera do interesse público porque contradizem a imagem que Bolsonaro construiu sobre si mesmo na campanha presidencial. São elas:
SILÊNCIO – Ainda internado depois do atentado, Bolsonaro não quis se manifestar sobre as acusações da ex-mulher
• Bolsonaro ocultou patrimônio pessoal da Justiça Eleitoral em 2006. Quando foi candidato a deputado federal, declarou que tinha um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações financeiras, que somavam, na época, 433 934 reais. Sua ex-mulher, no mesmo processo, anexou uma relação de bens e a declaração do imposto de renda do ex-marido, mostrando que seu patrimônio incluía também três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. Os bens do casal, em valores de hoje, somariam cerca de 7,8 milhões de reais.
• Bolsonaro tinha uma “próspera condição financeira” quando era casado com Ana Cristina, segundo ela própria. A renda mensal do deputado chegava a 100 000 reais — cerca de 183 000 reais, em valores atualizados. Na época, oficialmente, Bolsonaro recebia 26 700 reais como deputado e 8 600 reais como militar da reserva. Para chegar aos 100 000 reais, diz a ex-mulher, Bolsonaro recebia “outros proventos”, que ela não identifica.
• Bolsonaro, de acordo com Ana Cristina, furtou seu cofre numa agência do Banco do Brasil, em outubro de 2007, e levou todo o conteúdo: joias avaliadas em 600 000 reais, 30 000 dólares em espécie e mais 200 000 reais em dinheiro vivo — totalizando, em valores de hoje, cerca de 1,6 milhão de reais. O cofre ficava na agência do Banco do Brasil da Rua Senador Dantas, no centro do Rio. Seu conteúdo é incompatível com as rendas conhecidas do então casal.
• Bolsonaro era um marido de “comportamento explosivo” e de “desmedida agressividade”. Essa foi a razão que levou Ana Cristina a separar-se, segundo ela mesma informa.
“ELEVADO PADRÃO” - A casa do deputado num condomínio de luxo no Rio de Janeiro
Bolsonaro e Ana Cristina se separaram oficialmente em 2008, depois de dez anos juntos. Com o passar do tempo, os dois voltaram a se entender e selaram um armistício que dura até hoje, tanto que Ana Cristina, candidata a deputada federal pelo Podemos do Rio de Janeiro, até usa o sobrenome do presidenciável e se apresenta aos eleitores como “Cristina Bolsonaro” — sobrenome que jamais teve.
Agora, ela diz que as acusações que fez contra o ex-marido são fruto de excessos retóricos. Não é incomum que, em separações litigiosas, marido e mulher troquem acusações infundadas, destinadas a magoar ou tentar extrair alguma vantagem. Mas uma consulta ao processo e suas adjacências mostra que Ana Cristina não estava mentindo. O furto do cofre, por exemplo, realmente ocorreu. Em 26 de outubro de 2007, ela esteve na agência do Banco do Brasil e, misteriosamente, sua chave não abriu o cofre. Chamado ao local, um chaveiro destravou o equipamento, e Ana Cristina constatou que estava vazio. “Isso só pode ter sido coisa do meu ex-marido”, disse ela aos funcionários do banco. Um deles tentou acalmá-la, sem sucesso. “Ele pode tudo, e vocês têm medo dele”, respondeu ela. No mesmo dia, Ana Cristina registrou um boletim de ocorrência sobre o furto na 5ª Delegacia da Polícia Civil.
PATRIMÔNIO OCULTO – Em 2006, Bolsonaro apresentou à Justiça Eleitoral a relação de seus bens, que totalizavam, segundo ele, 433 934 reais — ou 850 000 em valores atualizados. No processo de separação (abaixo), descobre-se que o patrimônio real do casal à época era de 4 milhões de reais — ou 7,8 milhões em valores atualizados
VEJA teve acesso ao inquérito policial. Em depoimento, Alberto Carraz, um dos gerentes do Banco do Brasil, confirmou que tanto Ana Cristina quanto Bolsonaro mantinham cofres na agência. No caso do deputado, não se sabe o que ele guardava — e ele também nunca declarou a propriedade do cofre. Já a ex-mulher disse que guardava joias avaliadas em 600 000 reais, mais 30 000 dólares em espécie e 200 000 reais em dinheiro vivo. Localizado por VEJA, Alberto Carraz conta que, de fato, o conteúdo do cofre sumiu e dá uma pista do que pode ter sido o desfecho da história: “Quando Bolsonaro soube que a ex-mulher tinha feito um registro de ocorrência na delegacia, ele me disse que iria resolver a questão. Depois, eu soube por ele que estava tudo resolvido e que ela tinha retirado a queixa”. Na verdade, não foi bem assim.
A discussão sobre o furto do cofre continuou, segundo mostra o processo. A defesa de Bolsonaro, na etapa em que o ex-casal discutia a guarda do filho, juntou um depoimento em que o deputado acusava a mulher de chantageá-lo. Dizia que ela tinha levado o filho para o exterior e condicionava o retorno da criança à devolução do dinheiro e das joias subtraídos do cofre. Bolsonaro acusou a mulher de sequestro. Ela acusou-o de furto. Na época, além de procurar a Polícia Federal, Bolsonaro pediu ajuda ao Itamaraty para localizar o filho no exterior. Ana Cristina e a criança estavam em Oslo, na Noruega. Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo divulgou telegramas do Itamaraty nos quais Ana Cristina, em conversa com um vice-cônsul brasileiro em Oslo, dizia que fora para a Noruega depois de ser ameaçada de morte pelo ex-marido. Ela negou que tenha dito isso ao vice-cônsul, mas o jornal ouviu cinco amigas brasileiras de Ana Cristina em Oslo e todas a desmentiram e confirmaram que a ameaça de morte fora o motivo de sua viagem para a Europa. O fato é que, quando o depoimento de Bolsonaro acusando Ana Cristina de sequestro foi anexado ao processo, o ex-casal chegou imediatamente a um acordo. O filho voltou do exterior, a disputa pelos bens foi resolvida nos termos reivindicados por Ana Cristina e o valor da pensão foi acertado. Sobre o furto do cofre, porém, nenhuma palavra.
O EX-GERENTE - Carraz confirmou que o casal mantinha dois cofres no banco
Alberto Carraz se diz amigo de Bolsonaro até hoje. Há dois anos, ele foi acusado de furtar 2 milhões de reais de vários cofres da agência do Banco do Brasil. Poderia ter sido ele então o ladrão do cofre de Ana Cristina? Na relação oficial das supostas vítimas de Carraz não aparece o nome nem de Ana Cristina nem de Bolsonaro. E a investigação policial sobre o assunto não deu em nada. Ana Cristina foi chamada a depor duas vezes, não compareceu e, no ano passado, depois de dez anos, a polícia encerrou o caso sem esclarecê-lo. Bolsonaro e Ana Cristina não tinham renda para possuir bens e valores da ordem de 1,6 milhão de reais guardados num cofre de banco. Localizada por VEJA, Ana Cristina não quis entrar em detalhes. Deu-se o seguinte diálogo:
De onde vieram as joias, dólares e reais? Era coisa minha, que juntei. Coisas do meu ex-marido, joias que ganhei do Jair.
*Por que a senhora não atendeu às convocações para depor na polícia?* Não lembro. Fiquei quieta.
*Por quê?* Não me sentia à vontade. Iria dar um escândalo para ele e para mim. Deixei para lá.
*Escândalo para o deputado?* Eu, brava, falo besteira.
*Por isso a senhora desistiu da investigação?* Nós dois tínhamos um acordo de abrir mão de qualquer apuração porque não seria bom.
*Qual o acordo?* Aí eu prefiro ficar… me omitir.
Ao entrar na Justiça para formalizar a separação, Ana Cristina queria a divisão que considerava justa do patrimônio que o casal adquiriu ao longo do casamento. À Justiça, ela disse que o ex-marido “proporcionava a sua família um elevado padrão, financiando frequentes viagens ao exterior” e que Bolsonaro tinha “remuneração de militar da reserva, de deputado federal e outros proventos que ultrapassam a mais de 100 000 reais mensalmente”. Na época, a renda oficial de Bolsonaro era de 35 300 reais. Recebia 26 700 reais como deputado e 8 600 reais como militar aposentado. Para chegar aos “mais de 100 000 reais”, a renda do deputado teria de ser multiplicada por três. Ana Cristina não informou quais seriam os “outros rendimentos” de Bolsonaro, mas anexou ao processo uma relação de bens e a declaração de imposto de renda do ex-marido referente ao ano de 2006. Os peritos da Justiça avaliaram esse patrimônio todo em 4 milhões de reais — cerca de 7,8 milhões de reais em valores atualizados.
O FURTO DO COFRE – Em 26 de outubro de 2007, Ana Cristina registrou um boletim de ocorrência que relatava o furto de 600 000 reais em joias, 30 000 dólares em espécie e 200 000 reais em dinheiro vivo, guardados em um cofre que ficava numa agência do Banco do Brasil. Na época, ela acusou Bolsonaro pelo crime
No mesmo ano de 2006, Bolsonaro entregou à Justiça Eleitoral uma relação de bens que somava somente 433 934 reais — coisa de 10% apenas do que a perícia judicial avaliara. Ele omitiu a propriedade de três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. A lei exige que cada candidato divulgue seus bens para que o eleitor possa acompanhar a evolução do seu patrimônio e avaliar, por exemplo, se amealhou bens em valores desproporcionais aos proventos recebidos durante o mandato. “É um mecanismo de fiscalização dos eleitores e da imprensa sobre os políticos”, diz Henrique Neves, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral. Quando um candidato divulga uma lista subfaturada, está enganando o eleitor. O advogado Daniane Furtado, especialista em direito eleitoral, diz que a omissão de bens na declaração entregue à Justiça Eleitoral pode ser enquadrada nos crimes de falsidade ideológica e sonegação. “O que o político informou à Justiça Eleitoral tem de ser compatível com o que está no imposto de renda”, diz.
RENDA NÃO DECLARADA – Ana Cristina anexou ao processo os holerites de Bolsonaro e relatou que o casal tinha uma renda de “mais de 100 000 reais” — em valores de hoje equivalentes a 183 000 reais. Na época, os proventos como deputado e militar da reserva, suas únicas fontes de renda conhecidas, totalizavam 35 300 reais mensais
Numa das petições, a ex-mulher de Bolsonaro diz que o casal sempre teve uma “afortunada” condição de vida, que podia ser confirmada “pelos sinais exteriores de riqueza”. Para comprovar o relato, juntou ao processo documentos, holerites, fotos de viagens — e a acusação dos tais “mais de 100 000 reais” não declarados, hoje equivalentes a 183 000 reais. Nas declarações de imposto de renda de Bolsonaro anexadas ao processo — tanto a referente a 2006 quanto a de 2007 — não há registro de nenhuma renda além dos proventos de deputado e militar da reserva.
A vida patrimonial de Bolsonaro, a julgar pelos documentos entregues à Receita Federal e à Justiça Eleitoral, é uma gangorra. Em 2001, ele declarou à Receita um patrimônio de 419 000 reais. Em 2006, o patrimônio informado ao Fisco subiu para 1,6 milhão de reais — embora, nos cinco anos transcorridos entre uma declaração e a outra, a soma de seus proventos como parlamentar e militar aposentado não tenha chegado a 1 milhão de reais líquidos. Neste ano eleitoral de 2018, Bolsonaro disse à Justiça Eleitoral que seu patrimônio soma 2,2 milhões de reais, incluindo cinco imóveis. Um deles, comprado em 2009, fica num condomínio residencial localizado em frente à praia na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Corretores da região consultados por VEJA informam que as casas mais baratas no condomínio de Bolsonaro não custam menos de 2 milhões de reais. Uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em janeiro passado, revelou que Bolsonaro comprou sua casa no condomínio por 400 000 reais — é um valor inferior aos 580 000 reais que o próprio vendedor pagou ao adquiri-la quatro meses antes.
Hoje, Ana Cristina nega as acusações. “Quando você está magoado, fala coisas que não deveria”, disse a VEJA. Sobre os “outros rendimentos” e a vida “afortunada” do candidato, ela diz que nem se lembra: “Eu falei isso?”. No processo, Ana Cristina explicou que a separação do casal aconteceu porque o comportamento de Bolsonaro era “explosivo”, o que tornou a convivência “insuportável”, em virtude da “desmedida agressividade” do parlamentar. Mas, agora, tudo mudou. Diz ela: “Bolsonaro é digno, carinhoso, honesto e provedor. Apesar de ‘machão’, ama os filhos incondicionalmente e trata suas mulheres como princesas”. Consultado por VEJA, Bolsonaro não quis dar entrevista.
_Com reportagem de Gabriel Castro e Laryssa Bor
VERGONHA DA FAMILÍCIA..
Orçamento secreto: Senadores pedem a Rosa apuração sobre descumprimento de decisão
Os parlamentares levantam a possibilidade de aplicação de multa pessoal e apuração do descumprimento da decisão judicial
Por Redação Jornal de Brasília
12/11/2021 9h06
Foto: Rosinei Coutinho/ SCO/STF
Os senadores Randolfe Rodrigues e Humberto Costa enviaram à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, pedido para adoção de medidas “pertinentes” sobre descumprimento à decisão que suspendeu a distribuição de emendas de relator – mecanismo do orçamento secreto – esquema de sustentação do governo Jair Bolsonaro no Congresso, revelado pelo Estadão.
Os parlamentares levantam a possibilidade de aplicação de multa pessoal, apuração do descumprimento da decisão judicial e até eventual responsabilização do presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, “na qualidade de gestor político do orçamento secreto”, e do presidente Jair Bolsonaro e ministros de Estado apontados como “responsáveis pela operacionalização” dos repasses.
O descumprimento mencionado pelos senadores diz respeito a eventos de empenho, liquidação e pagamento – três etapas da execução do orçamento – com recursos das emendas de relator realizados entre os últimos dias 6 e 9 deste mês. Os atos são posteriores à decisão liminar de Rosa que suspendeu os repasses do orçamento secreto.
Segundo os parlamentares, consulta ao Portal da Transparência do Governo Federal indica que, em tal período, o valor total de ordens bancárias ligadas às emendas do relator foi de R$ 5.012 622,26. Os senadores dizem ainda que os eventos identificados envolvem órgãos como os Ministérios do Desenvolvimento Regional, da Saúde, da Defesa e da Cidadania.
A petição foi apresentada ao STF nesta sexta-feira, 12, três dias depois de o Supremo Tribunal Federal ratificar, por 8 votos a dois, decisão da ministra Rosa Weber que suspendeu, integral e imediatamente, a distribuição de emendas de relator até o final de 2021. Ainda foi determinado que o governo dê “ampla publicidade” aos ofícios encaminhados por parlamentares em 2020 e 2021 para alocação dos recursos em seus redutos eleitorais.
Os valores destinados a esta modalidade neste ano somam R$ 18,5 bilhões. Como revelou o Estadão, o governo liberou R$ 1,2 bilhão em recursos do orçamento secreto para garantir a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios em primeiro turno na Câmara.
Em outra esfera, o Tribunal de Contas da União também foi acionado nesta sexta-feira, 12, em razão do orçamento secreto. O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado enviou representação para que a corte identifique e afaste os “responsáveis”, no âmbito do Governo Federal, pela execução das emendas relator. Considerando a falta de transparência e de critério envolvendo os repasses, Furtado aponta “grave falha” na execução das emendas, destacando que os responsáveis por tal processo “deveriam ter se negado a praticar ou impedido” tais atos.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2021
A INDUSTRIA DO FAKE..
Check-up: até onde vão as mentiras sobre vacinas?
31/10/2021 às 17:00
2 min de leitura
Imagem de: Check-up: até onde vão as mentiras sobre vacinas?Imagem: rafa jodar/Shutterstock
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Equipe TecMundo
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Aos domingos, o TecMundo reúne algumas das principais notícias de saúde da semana em um só lugar.
O vírus
Notícias da pandemia
As vacinas não causam Aids
Na quinta-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro leu em uma transmissão ao vivo textos com informações falsas que afirmavam que, no Reino Unido, pessoas vacinadas estariam desenvolvendo Aids, o que é mentira. Não há nenhuma relação estabelecida entre as vacinas contra a covid-19 e a Aids — explicamos melhor aqui.
O que se sabe, na verdade, é que portadores do vírus do HIV, que causa Aids, têm um sistema imune mais suscetível às doenças infecciosas e precisam receber todas as doses disponíveis no sistema de saúde para fortalecer sua imunidade. As vacinas fortalecem as nossas defesas, e não o contrário.
O presidente foi desmentido por especialistas, sociedades médicas e autoridades sanitárias. Os vídeos foram removidos do Facebook, Instagram e YouTube no início desta semana. Ainda assim, a saúde de milhões de brasileiros foi colocada em risco pela disseminação de uma mentira que pode fazer com que as pessoas rejeitem os imunizantes que têm se mostrado eficazes para acabar com a pandemia.
A prova disso é que cerca de 90% dos internados por covid neste ano no Brasil são pessoas que não completaram a vacinação, segundo um levantamento divulgado pelo Hospital Emílio Ribas, referência nacional no tratamento de doenças infecciosas.
Segundo analistas, o vídeo do presidente deve acender um alerta para as redes sociais e autoridades reguladoras da internet, que precisam zelar pelo bom uso dos canais digitais.
Vacina
Pessoa se prepara para receber vacina (créditos: Pordee_Aomboon/Shutterstock)
As vacinas para crianças
Na sexta-feira (29), a FDA (Food and Drug Administration), agência regulatória dos Estados Unidos, autorizou o uso do imunizante da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos de idade. A vacinação deve ter início alguns dias depois que o CDC (Centro para Controle e Prevenção de Doenças) confirmar a autorização.
De acordo com dados divulgados no dia 22 de outubro, a vacina da Pfizer apresentou alta eficácia para prevenir covid sintomática em crianças. A empresa disse que deve pedir a autorização para uso do imunizante em crianças no Brasil ainda no mês de novembro.
Enquanto isso, aqui no Brasil...
No mesmo dia em que os Estados Unidos aprovaram as vacinas para os mais novos, A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que os cinco diretores da agência receberam ameaças de morte caso aconteça a mesma aprovação por aqui. A intimidação foi feita por email.
Anticoncepcional baseado em ultrassom
Uma designer alemã desenvolveu um dispositivo que usa ultrassom para "banhar" os testículos e inviabilizar os espermatozoides. O invento acaba de ganhar o prêmio de design James Dyson Awards, conhecido mundialmente por incentivar estudantes a “projetar algo que resolva algum problema.”
Contra a 'supercandidíase'
Fungo
Ilustração mostra o fungo Candida auris, um dos causadores da candidíase (créditos: Juan Gaertner/Shutterstock)
Uma pesquisa conseguiu identificar os genes que levam à resistência no tratamento da candidíase, doença causada por fungos que frequentemente atinge os órgãos genitais. A preocupação com relação à candidíase resistente aos tratamentos disponíveis é crescente no mundo todo, e a pesquisa pode ajudar a desenvolver novos tratamentos e abordagens para combater o fungo.
FAKES DO CAPITÃO HEMORRÓIDA..
Facebook remove live em que Bolsonaro relaciona vacina à Aids
25/10/2021 às 09:31
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Imagem de: Facebook remove live em que Bolsonaro relaciona vacina à AidsImagem: Reprodução/YouTube
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Equipe TecMundo
@tec_mundo
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*Este texto foi atualizado às 12h57 do dia 25/10/2021.
No domingo (24), o Facebook tirou do ar uma live em que o presidente Jair Bolsonaro associa a vacina contra a covid-19 à Aids. No vídeo transmitido na quinta-feira (21), o chefe do Executivo afirma que pessoas do Reino Unido estão tomando vacina e adquirindo a doença causada pelo vírus HIV, informação que já foi desmentida por autoridades de saúde.
Após remover o conteúdo da rede, o Facebook explicou que as políticas da plataforma "não permitem alegações de que as vacinas de covid-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas". O Instagram — que pertence ao Facebook — também removeu o vídeo.
HIV: altas doses de anticorpo intravenoso pode proteger humanos
A alegação de Bolsonaro foi refutada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e criticada pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Em comunicado, o Comitê de HIV/Aids da SBI afirmou: "Não se conhece nenhuma relação entre qualquer vacina contra covid-19 e o desenvolvimento de síndrome da imunodeficiência adquirida [Aids]".
Médicos, infectologistas e cientistas classificaram a fala de Bolsonaro como absurda. Nas redes sociais, os especialistas reforçam que não existe possibilidade de que uma das vacinas liberadas para uso contra a covid-19 cause Aids.
"Não existe NENHUMA possibilidade de a vacina causar AIDS. ZERO. Qualquer que seja a vacina. É isso que precisa ser divulgado de forma clara e direta", escreveu o médico e advogado sanitarista Daniel Dourado.
O médico infectologista Gerson Salvador afirmou que a declaração do presidente pode atrapalhar a campanha de vacinação, que deve vencer a barreira daqueles que desconfiam — sem fundamentos sólidos — das vacinas.
A SBI também reforça a importância da vacinação para pessoas que vivem com HIV. "Destacamos, inclusive, a liberação da dose de reforço (3ª dose) para todos que receberam a 2ª dose há mais de 28 dias", disse a sociedade médica.
Em março de 2020, a rede social tirou do ar um vídeo em que Bolsonaro promovia aglomerações em meio à pandemia. No entanto, esta é a 1ª vez que uma live semanal é removida.
De onde vem a informação falsa?
As supostas notícias lidas por Bolsonaro na transmissão afirmavam que relatórios do governo britânico indicavam que vacinados estariam com o sistema imunológico enfraquecido e adquirindo a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). Na verdade, os documentos fazem a vigilância dos efeitos das vacinas na população ao longo do tempo e não citam a Aids ou qualquer prejuízo causado ao sistema imune nos vacinados.
A agência de checagem independente aos fatos fez uma verificação completa (que pode ser confirmada pelo leitor aqui).
O atraso de 3 dias até que o Facebook decidisse tirar do ar o vídeo com a transmissão de Bolsonaro ampliou o estrago — milhares ou talvez milhões de brasileiros tiveram contato com uma informação falsa reproduzida pelo chefe do executivo e cabeça do governo brasileiro.
Até o momento, mais de 50% da população brasileira recebeu as 2 doses de uma das vacinas contra a covid-19, e vários outros países estão com taxas semelhantes de vacinação. Embora nenhuma vacina contra nenhuma doença ofereça proteção total e seja totalmente isenta de efeitos colaterais, assim como acontece com qualquer tratamento de saúde, os números da pandemia mostram que os imunizantes funcionam e são a melhor opção para combater a covid-19, além de evitar ainda mais mortes.
Coronavírus: precisamos da 3ª dose da vacina contra covid no Brasil?
As vacinas causam alguma doença?
As vacinas não são feitas para causar doenças, mas sim para preveni-las. Para isso, elas usam um antígeno (um pedaço do patógeno ou ele inteiro e inativado) que ativa o sistema imunológico para produzir células de proteção contra um invasor específico.
Funciona assim: sempre que o corpo detecta um invasor que pode causar algum mal (bactérias, vírus etc.), inicia a produção de anticorpos e outras células de proteção voltadas para a eliminação do invasor recém-chegado. Assim, as vacinas apresentam ao corpo um pedacinho do vírus que funciona como uma identidade que permite reconhecê-lo (o antígeno). É como se a vacina dissesse ao corpo: "Está vendo esse cara aqui? Vai atrás e tira ele daqui!".
Quando a pessoa recebe a vacina, o corpo fica mais ágil e preparado para criar as células de proteção em massa e combater a infecção de uma maneira muito mais eficiente quando tiver contato com o vírus de verdade.
Mas e as pessoas que tomaram a vacina e tiveram febre e dores? Isso acontece porque vacina necessariamente induz uma inflamação leve para ativar o sistema imunológico e, assim, dores ou febre podem aparecer. Portanto, isso é um sinal de que o sistema imune funciona.
FAKE
Vacinas contra covid-19 não causam Aids; saiba o que diz a ciência
25/10/2021 às 14:52
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Imagem de: Vacinas contra covid-19 não causam Aids; saiba o que diz a ciênciaImagem: PhotobyTawat/Shutterstock
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Everton Lopes Batista
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*Este texto foi atualizado às 15:52 do dia 25/10/2021.
O que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugeriu em sua transmissão ao vivo no Facebook na quinta-feira (21), que as vacinas contra a covid-19 estão causando Aids em quem as recebeu no Reino Unido, não foi uma fala polêmica ou imprecisa — foi uma informação falsa.
As supostas notícias lidas por Bolsonaro na transmissão afirmavam que relatórios do governo britânico indicavam que vacinados estariam com o sistema imunológico enfraquecido e adquirindo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Na verdade, os documentos fazem a vigilância dos efeitos das vacinas na população ao longo do tempo e não citam a Aids ou qualquer prejuízo causado ao sistema imune nos vacinados.
A agência de checagem independente Aos Fatos fez uma verificação completa dos fatos (que pode ser confirmada pelo leitor) aqui.
A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do comitê científico da SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia), diz que as falas do presidente são lamentáveis.
"Trata-se de uma campanha organizada para desinformar e prejudicar as pessoas. É proposital e muito grave", afirma a cientista ao TecMundo.
Na noite do domingo (24), o Facebook decidiu tirar do ar o vídeo com a transmissão de Bolsonaro, mas o estrago já estava feito — milhares ou talvez milhões de brasileiros tiveram contato com uma informação falsa reproduzida pelo chefe do executivo e cabeça do governo brasileiro.
Até o momento, mais de 50% da população brasileira completou a vacinação com uma das vacinas contra a covid-19, e vários outros países estão com taxas semelhantes de vacinação. Embora nenhuma vacina contra nenhuma doença oferece proteção total e seja totalmente isenta de efeitos colaterais, assim como acontece com qualquer tratamento de saúde, os números da pandemia mostram que os imunizantes funcionam e são a melhor opção para combater a covid-19 e evitar ainda mais mortes.
O que diz a ciência?
Em outubro de 2020, um grupo de cientistas publicou uma carta na revista científica The Lancet, uma das mais respeitadas na área da saúde, fazendo um alerta sobre a relação entre vacinas contra covid-19 e Aids.
No texto, os pesquisadores relatam que, há cerca de uma década (ou seja, muito antes do surgimento da covid-19), um estudo com uma vacina experimental contra o HIV que usava o adenovírus do tipo 5 (Ad5) como vetor viral concluiu que os participantes homens não circuncidados que já haviam tido contato com o Ad5 e tiveram relação sexual sem proteção com pessoas soropositivas ou de status sorológico desconhecido tiveram um risco maior de contrair o HIV.
Vale lembrar que o sexo desprotegido é um comportamento de risco para o HIV, ainda mais em locais onde a circulação do vírus é elevada.
Bonorino diz que a carta está equivocada. "Os dados mostram que a vacina [experimental contra HIV] não funcionou, mas não provam que a vacina tenha causado Aids nessas pessoas", afirma.
A pesquisadora explica que o Ad5 é um vírus causador de gripe comum, e muitas pessoas já tiveram contato com ele. Assim, é plausível pensar que uma vacina que usa o Ad5 como vetor viral, contra o qual muitas pessoas já desenvolveram anticorpos, pode não funcionar muito bem.
Para o médico e pesquisador Bruno Filardi, há um risco clínico teórico de uma vez receber a vacina de Adenovírus 5 e a pessoa ficar mais suscetível a contrair o HIV após a exposição ao vírus do HIV.
"TEÓRICO pois o fenômeno foi visto no laboratório e apenas em estudos de vacina para HIV. Não para covid", escreveu o médico em seu perfil do Twitter.
Em outubro do ano passado, logo após a publicação da carta, alguns veículos de imprensa repercutiram o seu conteúdo, o que causou uma confusão ainda maior após as declarações de Bolsonaro na última semana.
As vacinas Sputnik V (russa) e o imunizante produzido pela chinesa CanSino usam o Ad5 em sua composição. Nenhuma das vacinas aprovadas no Brasil usa o Ad5 como vetor viral. Nem no Reino Unido, como pode ser verificado no site do Serviço Nacional de Saúde (NHS).
A vacina Sputnik V tem o Ad5 como vetor somente em uma das duas doses previstas, a outra aplicação conta com um adenovírus diferente.
Filardi afirma que não há relação estabelecida entre as vacinas contra a covid e a Aids. Para ele, o que foi visto no estudo com a vacina experimental contra HIV pode ser explicado ainda por um fenômeno comportamental do voluntário, que por pensar estar protegido contra a doença não segue protocolos de prevenção, como uso da camisinha.
sputnik v
Mulher recebe a vacina Sputnik V em Tomsk, na Rússia (créditos: Dmitriy Kandinskiy/Shutterstock)
De fato, os participantes do estudo que se infectaram fizeram sexo desprotegido com pessoas soropositivas ou de status sorológico desconhecido, como diz a carta publicada na Lancet. Esses resultados reforçam o que os cientistas vêm dizendo há décadas: que há comportamentos de risco que facilitam uma infecção: falta de camisinha (no caso da Aids) e recusar uso de máscara e distanciamento físico (no caso da covid-19).
Excesso de cautela
No dia 18 de outubro, a Autoridade Regulatória de Produtos de Saúde da África do Sul (SAHPRA) decidiu não aprovar o uso da Sputnik V no país, citando o possível aumento de risco de infecção pelo HIV. No domingo (24), a Namíbia seguiu a decisão da África do Sul e afirmou que deve suspender a aplicação da Sputnik V em seu território. Ambos os países, assim como outras nações no continente africano, sofrem com a alta circulação do HIV.
Em um comunicado divulgado pela agência Reuters, o ministro da Saúde da Namíbia disse que a decisão partiu do excesso de cautela.
As vacinas contra a covid não carregam nenhum elemento do vírus da Aids e não causam supressão no sistema imunológico, pelo contrário, elas estimulam e fortalecem o sistema imune para combater o SARS-CoV-2.
"As vacinas não enfraquecem a resposta imune, elas reforçam essa resposta. A prova disso é que a vacinação está fazendo diminuir os números de casos e mortes causadas pela covid-19", afirma Bonorino.
A decisão dos países africanos está relacionada à alta circulação do vírus do HIV no continente e ao risco ainda não comprovado de que as vacinas que usam o Ad5 podem aumentar o risco de se infectar com o HIV (mas somente nos casos em que há exposição ao vírus do HIV e comportamento de risco).
É importante repetir que o que está dito na carta publicada na Lancet em outubro de 2020 é que quem teve um risco maior de contrair HIV foram os participantes homens do estudo que receberam a vacina experimental e fizeram sexo desprotegido com pessoas infectadas pelo HIV ou de status sorológico desconhecido.
As vacinas causam alguma doença?
As vacinas não são feitas para causar doenças, mas sim para preveni-las. Para isso, elas usam um antígeno (um pedaço do patógeno ou ele inteiro e inativado) que ativa o sistema imunológico para produzir células de proteção contra um invasor específico.
Funciona assim: sempre que o corpo detecta um invasor que pode causar algum mal (bactérias, vírus etc.), inicia a produção de anticorpos e outras células de proteção voltadas para a eliminação do invasor recém chegado. Assim, as vacinas apresentam ao corpo um pedacinho do vírus que funciona como uma identidade para o corpo reconhecê-lo (o antígeno). É como se a vacina disse ao corpo: "Tá vendo esse cara aqui? Vai atrás dele e tira ele daqui!"
Quando a pessoa recebe a vacina, o corpo fica mais ágil e preparado para criar as células de proteção em massa e combater a infecção de uma maneira muito mais eficiente.
Mas e as pessoas que tomaram a vacina e tiveram febre e dores? Simples, a vacina necessariamente induz uma inflamação leve para ativar o sistema imunológico e, assim, dores ou febre podem aparecer. Isso é um sinal de que o sistema imune funciona.
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