sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

PETROBRÁS ORGULHO DO BRASIL.

A Petrobrás sempre foi motivo de orgulho
Por Emanuel Cancella
O último saquinho de maldades da grande mídia contra a Petrobrás tenta assustar os acionistas. È um massacre diário com notícias do tipo: “.ações da Petrobras caem 4% ” ; “Processos judiciais contra a Petrobras nos EUA incluem acionistas brasileiros.”. E por aí vai.
No entanto, com menos destaque, os especialistas sugerem que os investidores mantenham os papéis da estatal. Quanto às ações na Justiça, não é novidade na relação entre as empresas e seus acionistas, ou seja, não existe nada de bombástico nisso, a não ser o tom escandaloso da mídia.
Estaria a Petrobrás mal financeiramente? A OPEP aumentou a oferta de petróleo e com isso o preço do barril no mercado internacional caiu para U$ 66. Mas, aos inimigos de plantão, é preciso informar que o petróleo continua a ser o  “ouro negro”. O site TN Petróleo, especializado no tema, publicava em 13 de agosto de 2014:
“...O campo de Lula, por exemplo, teve custo de extração de US$ 9 por barril de óleo equivalente (boe), menor do que a média do custo de extração da Petrobras como um todo, de US$ 14,76/ boe em 2013...” - Nenhum negócio dá essa margem de lucro: o custo de produção por barril por U$ 14,76 – ou menos - enquanto o preço de venda no mercado internacional foi de US$ 66. Mas essa informação substancial a mídia não divulga.
Sempre é bom reprisar um pouco de história. O povo brasileiro foi às ruas, nas décadas de 1940-50, na campanha “O Petroleo é Nosso!” movimento cívico que uniu militares, civis, comunistas e conservadores, resultando na criação da Petrobrás. Os petroleiros ergueram uma empresa que, nos seus 61 anos, além de cumprir o preceito constitucional de garantir o abastecimento de derivados de petróleo em todo o nosso país, sempre pagou seus impostos em dia. Ao contrário de uma certa de rede de comunicação,  a Petrobrás nunca esteve em listas dos sonegadores fiscais.
A companhia já ganhou vários prêmios internacionais, dentre os quais citamos: em 1992, da Offshore Tecnology Conference - OTC, por “excelência na prospecção de petróleo no mar”; e o mais recente, em 2014, Prêmio Global Pacific ET Parttner, na categoria Offshore/Deepwater.
A Petrobrás e os petroleiros desenvolveram tecnologia inédita no mundo que permitiu a descoberta do pré-sal, elevando nossas reservas para 60 bilhões de barris de petróleo, o suficiente para abastecer o país nos próximos 50 anos. A Petrobrás também financia, por meio dos impostos que paga, 75% do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC. Sem falar nos programas sociais e culturais.
A grande mídia tenta, a todo custo, incutir na sociedade a imagem de uma empresa que é só corrupção e que estaria mal financeiramente. O Procurador Geral da República sugeriu a mudança de toda a direção da Petrobrás.
Para os petroleiros,  a atual direção da Petrobrás mais atrapalha do que ajuda. Figuras como os diretores Paulo Roberto Costa, Renato Duque e o gerente Pedro Barusco envergonham os trabalhadores. Mas a Petrobrás é maior do que eles. Somos nós, que sempre sentimos orgulho de servir ao povo brasileiro, por meio da nossa dedicação à Petrobrás.
O fato é que, enquanto a companhia está entre as maiores petroleiras no mundo, pois os números não mentem, parte da mídia golpista segue ladeira abaixo.  A Veja cogita virar somente revista eletrônica. A Folha de São Paulo demitiu recentemente 25 profissionais, dentre os quais a jornalista Eliane Castanhêde.  Já presidenta Dilma se reuniu com os Marinho, herdeiros da Globo.  Estariam os magnatas da comunicação em busca de ajuda financeira? A audiência da emissora continua caindo...
O fato é nenhuma outra empresa consegue fazer o que a Petrobrás e os petroleiros fazem pelo Brasil. Então, por que será que a mídia e, principalmente a Globo, tem esse ódio visceral da  companhia?
Emanuel Cancella é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

CRIMES DA DITADURA.

CNV: Operação Condor usou esquadrões da morte para assassinar

No dia da entrega do relatório da Comissão Nacional da Verdade, Levante sai às ruas reivindicando justiça


Conversa Afiada reproduz do Opera Mundi:


RELATÓRIO DA CNV: OPERAÇÃO CONDOR USOU ESQUADRÕES DA MORTE PARA ASSASSINAR OPOSITORES


Cooperação entre governos ditatoriais da América do Sul também foi responsável pela morte de dois ministros chilenos


A Operação Condor, cooperação entre regimes autoritários da América do Sul na década de 1970 para assuntos relacionados ao “combate à subversão”, fez uso sistemático de esquadrões da morte e sindicatos do crime, em “clara situação de terrorismo de Estado”. Essa é uma das conclusões de relatório da CNV (Comissão Nacional da Verdade) entregue à presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira (10/12).



De acordo com o documento oficial, que tem dois capítulos sobre a violação de direitos humanos de brasileiros no exterior e a aliança entre as ditaduras do Cone Sul, a Operação Condor foi oficializada no final de 1975, em uma reunião na cidade de Santiago, no Chile, da qual participaram seis países (Brasil, Chile, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai).



O relatório, porém, apresenta indícios de que essa cooperação já existia dois anos antes desse encontro.



Para os pesquisadores da CNV, a Operação Condor foi realizada em três fases: na primeira, “houve a formalização da troca de informações entre os serviços de Inteligência, com a criação de um banco de dados sobre pessoas, organizações e outras atividades de oposição aos governos ditatoriais”; na segunda, “aconteceram operações conjuntas nos países do Cone Sul e a troca de prisioneiros, mobilizando agentes da repressão local envolvidos na localização e prisão de opositores caçados por governos estrangeiros”; já a última fase “consistiu na formação de esquadrões especiais integrados por agentes dos países-membros, assim como por mercenários oriundos de outros países (neofascistas italianos e cubanos anticastristas), que tinham por objetivo a execução de assassinatos seletivos de dirigentes políticos”.



O relatório ainda classifica esse último momento da Operação Condor como o “mais arrojado e secreto”. Entre os mortos desta fase estão dois ministros chilenos, sendo que apenas um dele teve o nome divulgado: o ex-chanceler Orlando Letelier, ”morto por atentado a bomba executado por agentes da Dina em Washington, em setembro de 1976.” A Dina (Departamento Nacional de Inteligência) era uma espécie de SNI (Sistema Nacional de Informações) chileno.



O trabalho divulgado hoje também apresenta uma lista de 377 militares, policiais e ex-agentes do Estado acusados pelos crimes cometidos durante a ditadura brasileira. Um dos mais conhecidos é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que teve atuação destacada na Operação Condor. Entre dezembro de 1974 e dezembro de 1977, Ustra foi chefe do Setor de Operações do CIE (Centro de Informações do Exército), considerado “braço brasileiro da Condor”.



Além disso, a comissão também divulgou outra lista, com os nomes de 434 mortos e desaparecidos políticos, em ordem cronológica. Leia aqui a ÍNTEGRA DO RELATÓRIO.




Em tempo: Do Levante:

NO DIA DA ENTREGA DO RELATÓRIO DA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, LEVANTE SAI ÀS RUAS REIVINDICANDO JUSTIÇA



Em abril de 2012, jovens de oito estados do Brasil saíram às ruas em uma ação simultânea para denunciar torturadores que atuaram durante a ditadura militar, período sequer vivenciado por eles. Essa geração, nascida em sua maioria entre os anos 1980 e 2000, se levantou por memória, verdade e justiça, por entender que a democracia de hoje foi conquistada às custas de muito sangue.



Ainda pouco conhecidos na época, os tais jovens do Levante Popular da Juventude mostraram que o recente passado da ditadura militar no Brasil ainda se mostra vivo. Escrachando ex torturadores, o movimento ganhou muito mais do que ampla projeção nacional: conseguiu reativar os debates sobre esse passado escondido nos porões do país, além de impulsionar a instauração da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em maio de 2012.



Desde então, os arquivos da ditadura vem sendo abertos, sendo possível presenciar a memória viva de militares e ex presos polílitos através de emocionantes depoimentos. O depoimento do ex-agente do CIE, Paulo Malhães, destaca-se como um dos mais acessados no canal da CNV no Youtube. Indagado sobre quantas pessoas ele teria matado, Magalhães afirma: “Tantos quantos foram necessários”. Magalhães ainda justifica dizendo que “a tortura em elemento de grande periculosidade é válida para extrair informações”.



Hoje, outro importante passo será tomado na luta por memória, verdade e justiça. A CNV apresentará seus relatórios em Brasília, juntamente com um conjunto de recomendações ao Estado brasileiro. Para que tais relatórios não tornem-se apenas livros, é necessário que a juventude se coloque novamente nas ruas, exigindo justiça e punição aos agentes da ditadura militar no Brasil.



Em diversos países da América Latina que também compartilham de um passado de ditaduras militares, como o Chile e a Argentina, os torturadores foram devidamente julgados e punidos. Porém, no Brasil os torturadores são amparados pela lei da Anistia, que atualmente iguala vítimas e agentes da ditadura.



Segundo Lira Alli, o relatório produzido pela Comissão Nacional da Verdade, assim como as recomendações ao Estado brasileiro, devem deflagrar um novo período de lutas aos movimentos sociais que atuam contra a impunidade com centralidade na luta pela Justiça.



É por acreditar que somente vamos conquistar justiça no Brasil às custas de muita luta que o Levante Popular da Juventude sai às ruas novamente nessa importante data para a história do país.



Realizamos ações em Brasília, no Ceará, em Salvador em Recife e outras cidades brasileiros, e sairemos às ruas mais quantas vezes forem necessárias até que essa mancha de sangue seja apagada da história do nosso país.

Thiago Pará, que faz parte da diretoria executiva da UNE e do Levante Popular da Juventude, avalia as ações realizadas pelo movimento na manhã desta quarta feira:  “realizamos ações em Brasília, no Ceará, em Salvador no Recife, no Espírito Santo e em outras cidades brasileiros. Sairemos às ruas mais quantas vezes forem necessárias até que essa mancha de sangue seja apagada da história do nosso país”.


Levante por memoria, verdade e justiça!


Nota assinada por diversos movimentos:


HTTP://WWW.LEVANTE.ORG.BR/NOTA-PUBLICA-PELA-PUNICAO-DOS-TORTURADORES-DA-DITADURA-MILITAR/




Leia mais:

JUSTIÇA VOLTA A RECONHECER USTRA COMO TORTURADOR



CNV: SE É CRIME CONTRA A HUMANIDADE, LEI DA ANISTIA ACABOU



DILMA SE EMOCIONA AO RECEBER RELATÓRIO DA COMISSÃO DA VERDADE



AS CONTAS DO PSDB.

PT denuncia irregularidades
nas contas eleitorais de Aécio

PSDB teria listado 28 empresas criadas em 2014 e que prestaram serviços sem apresentar toda a documentação necessária


ENCONTRADAS NOVAS IRREGULARIDADES NAS CONTAS ELEITORAIS DE AÉCIO E DO PSDB


O partido lista 28 empresas criadas em 2014 e que prestaram serviços a campanha tucana, sem apresentar toda a documentação necessária

O Partido dos Trabalhadores denunciou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (9), novas ilegalidades identificadas nas contas do candidato derrotado à Presidência, senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do comitê financeiro de seu partido. O documento enviado ao setor técnico responsável pela análise de contas solicita a investigação de  empresas que prestaram serviços à campanha tucana.

A principal suspeita refere-se a uma lista composta por  28 empresas, criadas neste ano, que atuaram em favor da campanha de Aécio. Outro fato considerado grave pelos advogados do partido é a constatação de que apenas 21% das notas fiscais desses estabelecimentos foram juntados aos autos.

Foi apontada, ainda, a ausência de documentos de apresentação obrigatória, como extratos bancários compreendendo todo o período de campanha e o termo de encerramento das contas.

O PT também constatou que não há na prestação de contas do contrato específico de fotógrafo da campanha, nem da produção e disponibilização de conteúdo para celulares, como vídeos para o aplicativo “WhatsApp”.

O partido pede, com isso, que seja verificada a idoneidade das empresas que prestaram serviço a campanha tucana. Segundo o advogado da campanha do PT à presidência, Rodolfo Tsunetaka Tamanaha, o pedido quer apenas a apresentação das mesmas comprovações documentais cobradas da campanha de Dilma Rousseff.

“Pedimos que sejam esclarecidos os fatos, se foi um simples erro ou realmente foram cometidas ilegalidades pela campanha do PSDB”, afirma.

O documento pede que seja comprovada a existência das empresas e a autenticidade dos documentos entregues ao TSE. Solicita ainda que seja verificado se o estabelecimento está autorizado ou não a prestar o serviço descrito nas notas fiscais.

Outro ponto pede a conferência se o faturamento das empresas é compatível com o serviço prestado e que sejam investigadas eventuais inconsistências em relação aos fornecedores de bens ou serviços de campanha criados no ano da eleição.

Por Flávia Umpierre, da Agência PT de Notícias.




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É PRECISO ENFRENTAR OS QUE QUEREM DERRUBAR O BRASIL




JANOT: PIG ME ATACA POR “INTERESSES INCONFESSÁVEIS”


A POLÍTICA DO LEBLON.

Leblon: mais política
na condução da economia

Obama não conseguiria ser um ‘Roosevelt’ da crise atual, nem que quisesse.


Conversa Afiada reproduz artigo de Saul Leblon, extraído da Carta Maior:

O PESCOÇO DO BRASIL


2014 é o melhor ano do emprego nos EUA desde 1999, festeja o Wall Sreet Journal. Por que raios, então, o negro Eric Garner vendia cigarros ilegalmente nas ruas.

por: Saul Leblon


Negros desarmados mortos por policiais brancos compõem um postal da identidade norte-americana.


São standarts, como as freeways, a CIA, a Coca-cola de uma sociedade plasmada pelo capitalismo mais exitoso do planeta.


Nela, o condutor de um carro velho recebe, por definição, o carimbo de ‘looser’ (perdedor). Pela mesma razão que um negro pobre é suspeito e passível de ação policial, até prova em contrário.


O negro Eric Garner, vendedor ambulante em Nova Iorque, asmático,  43 anos, não teve tempo, nem ar, na semana passada, para provar quem era.


Garner avisou ao policial que comprimia seu pescoço com uma chave de braço, que não estava conseguindo respirar.


Fez isso 11 vezes.


Até morrer.


Negros formam 13% da população norte-americana; representam mais de 40% da massa carcerária; algo como um milhão em um total de 2,5 milhões.


Prisões em massa e mortes, nada disso é novidade para eles nos EUA.


A novidade diante da rotina são os protestos que ela vem provocando exatamente quando a recuperação econômica faz de 2014 ‘o melhor ano em termos de criação de empregos desde 1999’, garante o Wall Sreet Journal, desta 2ª feira.


Por que raios, então, Garner vendia cigarros ilegalmente nas ruas, como suspeitou a batida policial que o levou à morte?


A resposta desnuda um traço constitutivo do ajuste capitalista conduzido pela lógica dos mercados e emite uma advertência em relação à chave de braço que alguns querem aplicar no pescoço na economia brasileira.


Seis anos após o colapso de 2008, a lucratividade dos bancos norte-americanos registra recordes sobre recordes, trimestre após o outro.


Em contrapartida, a subutilização da força de trabalho –indicador que soma emprego parcial e desistência de buscar vaga, como deve ter sido o caso de Garner – atinge assustadores 13%.


Na maior economia capitalista da terra, metade das vagas criadas no pós-crise é de tempo parcial, com salários depreciados.


Não é um aquecimento de motores.


É o padrão de uma economia desossada em suas vértebras produtivas , por obra da desregulação financeira do ciclo neoliberal iniciado nos anos 80, com Reagan.


A ideia de que um  reposicionamento  econômico dentro do capitalismo possa ser terceirizado ao mercado, como se fosse um freio de arrumação neutro, faz tanto sentido quanto dar uma chave-de pescoço em um asmático e ficar surpreso com  a sua morte.


O fato de os EUA terem um salário mínimo congelado há 15 anos, diz muito sobre a natureza dessa chave de pescoço econômica, que joga milhões de Garners para o submundo dos loosers.


A decepção de Obama ao constatar que a tão aguardada ‘recuperação’ pode acontecer associada a uma maior desigualdade e, portanto, sem revitalizar sua popularidade –como evidenciou a derrota nas eleições legislativas de novembro– ilustra a dificuldade de se atribuir ao mercado aquilo que ele não sabe fazer.


O conjunto sugere que a presidenta Dilma terá que analisar detidamente cada medida de aperto fiscal que lhe for apresentada pela nova equipe econômica.


O risco é o país perder a última linha de resistência diante de um mercado mundial que estrebucha: o dinamismo de sua demanda interna.


Os sinais de alarme desta 2ª feira justificam a prontidão.


As exportações chinesas cresceram a metade do esperado em novembro  (4,7% contra 8%); o PIB do Japão caiu mais que  previsto no 2º trimestre e a possante máquina germânica rasteja tendo registrado uma expansão de apenas 0,2% em outubro. Tudo isso explica que o barril de petróleo custe hoje 40% menos e que as cotações das commodities agrícolas exportadas pelo Brasil valham, em média, 13% abaixo do patamar de 2013.


A sabedoria dos especialistas é insuficiente para conduzir um país a salvo por esse desfiladeiro emparedado entre a queda das  cotações das commodities, de um lado, e a sinalização de alta dos juros, do outro.


Em  ciclos anteriores, sempre  que essa sobreposição se deu, como em 1810-1930 e 1980, América Latina viveu solavancos políticos fortes.


Foi o que aconteceu no caso do Brasil, com a declaração da Independência, a ascensão de Vargas e a derrubada da ditadura.


O cerco conservador agora reflete o faro da matilha para um novo ciclo de vulnerabilidade da presa.


O caminho das pedras terá que ser modulado e ordenado pela mobilização e o engajamento dos principais interessados na preservação do rumo mais equitativo seguido até aqui: os sindicatos, os movimentos sociais e os partidos do campo progressista.


Em nenhum lugar do mundo há notícia de que a democracia social tenha se  consolidado  sem um sujeito histórico correspondente.


Obama não conseguiria ser um ‘Roosevelt’ da crise atual, nem que quisesse.


Faltam-lhe as bases organizadas que o sindicalismo combativo dos anos 30/40 propiciou ao democrata que comandou os EUA entre 1933 e 1945.


O Brasil tem forças sociais estruturadas.


Suas centrais sindicais que, finalmente, se reuniram com a Presidenta Dima, nesta 2ª feira,  preservam certa capilaridade.


A inteligência progressista dispõem de propostas críveis e sensatas.


Nos últimos doze anos, o país foi dotado de sólidas políticas sociais, ademais de estruturas de Estado para ampliá-las.


O conjunto permite à Presidenta Dilma negociar rumos e metas do desenvolvimento com a sociedade, preservando-se o mercado de massa, mesmo em  um intermezzo de reacomodação fiscal.


Há um requisito, porém: o timming das iniciativas de governo – de qualquer governo – faz enorme diferença.


Uma crise tem um tempo certo para ser derrotada, ou derrotará o governo, a produção,  o emprego e os atores que vacilarem diante dela.


Nisso, sobretudo nisso, Franklin Roosevelt revelou-se o estadista cuja habilidade ainda tem lições a oferecer aos seus contemporâneos.


Em apenas uma semana após a sua posse, em 1933, ele tomou algumas decisões que não exorcizaram todos os demônios, mas foram afrontá-los em seu próprio campo.


Os tempos são outros; as agendas precisam ser renovadas, mas nada justifica ofuscar o componente de coragem do passado para dissimular a tibieza no presente.


Muitos relativizam o alcance das medidas anti-cíclicas tomadas por Roosevelt nos 11 anos que antecederam o ingresso dos EUA na guerra de 1944, quando seu potencial produtivo, finalmente, foi acionado a plena carga.


Mas poucos se lembram de perguntar o que teria acontecido com o presidente democrata, reeleito quatro vezes (de 1933 a 1945), se a sua autoridade tivesse fraquejada no primeiro mandato, na primeira semana ou no primeiro dia de março.


É sobre isso que os chefes de Estado de hoje deveriam refletir em vez de adiarem decisões à espera de um auto-ajuste dos mercados.


A calibragem fina entre a barbárie e a emancipação de uma sociedade não está prevista nos manuais de economia.


Esse apanágio pertence à democracia.


Se não dilatar o espaço da política na condução da economia no seu segundo mandato, a presidenta Dilma corre o risco de acordar um dia com uma chave de braço atada ao pescoço do país.


E perder o que já tem.


Sem obter o que a ortodoxia lhe promete entregar.



Leia mais:

SINDICALISTAS DESTACAM COMPROMISSO DE DILMA COM TRABALHADORES


CRIME CONTRA A HUMANIDADE.

CNV: se é crime
contra a humanidade,
Lei da Anistia acabou

CNV não tem coragem de exigir o fim da Lei da Anistia, mas abre o caminho.
A Comissão da Meia Verdade não teve coragem de enfrentar os militares vencedores de 1964.

A Comissão da Meia Verdade tirou da tomada a conexão da cadeira do dragão e, de uma forma bem brasileira, macunaímica, entregou à sociedade o dever irremediável de condenar os generais torturadores.

O ansioso blogueiro contempla o Dia Universal dos Direitos Humanos, desde Buenos Aires.

E aqui, com vergonha de ser brasileiro, reproduz o texto desta Folha torturadora, a Folha de São Paulo, sobre o papel covardemente conciliador da CVN:


Em tempo: quando o Supremo Tribunal Federal – que materializou o crime de anistiar a Lei da Anistia – for julgar o primeiro processo que reveja a Lei da Anistia, o relator sorteado será Gilmar Mendes. 


RELATÓRIO AFIRMA QUE CRIMES CONTRA A HUMANIDADE FORAM SISTEMÁTICOS


A Comissão Nacional da Verdade determinou, em relatório final divulgado nesta quarta-feira (10), que 377 pessoas são responsáveis pelas graves violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.


O trabalho do grupo incluiu dentre os culpados pelas mortes, torturas, desaparecimentos forçados, ocultações de cadáveres e prisões arbitrárias os cinco generais que presidiram o país durante o regime, ministros, além de outros militares e policiais diretamente envolvidos na repressão política.


No documento, entregue nesta manhã no Palácio do Planalto à presidente Dilma Rousseff (que foi presa e torturada pelos militares), os seis comissários afirmam que as práticas foram “crimes contra a humanidade” e fizeram parte de uma política sistemática, que funcionou durante os 21 anos de ditadura.


Essa conclusão contraria o argumento, usado pelas Forças Armadas desde os anos 1960 e refletido em parte da historiografia sobre o tema, de que os abusos eram marginais e obra de um grupo pequeno de radicais.


“Na ditadura militar, a repressão e a eliminação de opositores políticos se converteram em política de Estado, concebida e implementada a partir de decisões emanadas da presidência da República e dos ministérios militares. Operacionalizada através de cadeias de comando que, partindo dessas instâncias dirigentes, alcançaram os órgãos responsáveis pelas instalações e pelos procedimentos diretamente implicados na atividade repressiva, essa política de Estado mobilizou agentes públicos para a prática sistemática de detenções ilegais e arbitrárias e tortura, que se abateu sobre milhares de brasileiros, e para o cometimento de desaparecimentos forçados, execuções e ocultação de cadáveres”, diz o documento.


(…)



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DILMA SE EMOCIONA AO RECEBER RELATÓRIO DA COMISSÃO DA VERDADE


ERUNDINA: COMISSÃO FOI COVARDE EM NÃO ENFRENTAR MILITARES


PLIM...PLIM !!

Má fé da Globo e o apartamento de Lula

Escrito por: Paulo Nogueira
Fonte: Blog do Miro
Lula não é Mujica, sabemos todos.
Mas quem é? Francisco, o papa. E vamos parando por aí.
Isto posto, é absolutamente canalha o destaque dado pelo Globo à informação de que Lula tem um tríplex no Guarujá.
É o tipo de coisa que, editada desonestamente, só serve para alimentar a ignorância estridente dos analfabetos políticos de direita.
Vamos começar pelo seguinte: Lula tem condições para comprar um apartamento avaliado em 1,5 milhão de reais?
Ora, Lula é um dos palestrantes mais bem remunerados do mundo. Palestras de estrelas do circuito mundial giram em torno de 100 mil dólares.
Isso quer dizer o seguinte: com um punhado de palestras, não mais que isso, ele pode comprar um apartamento como o que o Globo, com a Veja na esteira, noticiou com alarde.
Fora isso, Lula tem seus benefícios de ex-presidente. Finalmente: 67 anos é uma idade em que pessoas bem sucedidas como ele, ou muito menos que ele, podem já ter acumulado um respeitável patrimônio legítimo.
Muito mais estranho, para ficar em imóveis e na Globo, foi a notícia de que a apresentadora Patrícia Poeta estava comprando, aos 38 anos, um apartamento 15 vezes mais caro na avenida Atlântica, no Rio.
Ainda no campo imobiliário, por que o apartamento de Lula é notícia, para o Globo, e o de Joaquim Barbosa em Miami não?
O valor é mais ou menos o mesmo, segundo se noticiou. Com o detalhe de que, para fazer a compra em Miami, Joaquim Barbosa inventou uma pessoa jurídica que lhe permitiu fugir de impostos americanos.
Este tipo de comportamento – denúncia é contra aqueles de quem não gostamos – ajuda a entender a imensa rejeição que tantos brasileiros têm pelas grandes empresas jornalísticas.
O Globo ludibria seus leitores ao não colocar a informação do apartamento sob o devido contexto.
A Veja, ao reproduzir o Globo, faz o que sempre faz: panfletagem, em vez de jornalismo. E o resto, bem, é o resto. Na Jovem Pan — que vai se tornando reduto do que há de mais reacionário na mídia — Rachel Sheherazade falou sobre o “chiquérrimo” apartamento de Lula, e conseguiu citar seu irmão de alma Rodrigo Constantino.
Constantino escreveu, segundo Sheherazade, que se Boulos, do MSTS, souber do triplex, pode ter a ideia de colocar lá várias famílias de sem teto. Bem, o tamanho do imóvel, segundo o Globo: 297 metros quadrados. A sala de Roberto Marinho, na sede da Globo, na qual estive mais de uma vez, tinha mais que isso.
Lula é uma saudade para milhões de brasileiros e para a mídia, que não se conforma com isso, uma obsessão.
A tal ponto chega tal obsessão que hoje no site da Folha Ronaldo ‘Quem?’ Caiado ficou por várias horas na primeira página.
O que ele fez para merecer a honraria?
Disse, do alto de sua clarividência, que Lula não tem “a menor chance” em 2018. O morto-vivo Caiado descobriu que para ser objeto dos holofotes basta falar mal de Lula.
Fazer previsões sobre 2018 agora, quando Dilma sequer iniciou o segundo mandato, remete a uma frase clássica de Keynes. “A longo prazo estaremos todos mortos.”
As grandes empresas de jornalismo, com sua obtusidade desonesta, provavelmente estarão mortas em prazo mais breve, para o bem da sociedade.

JORNALISTAS...QUEM SÃO ?

Quem são os jornalistas brasileiros?

Escrito por: Luciano Martins Costa
Fonte: Observatório da Imprensa
Há uma série de trabalhos acadêmicos sobre essa profissão no Brasil, entre os quais estudos feitos sob encomenda de entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas, mas não estão disponíveis levantamentos atualizados e completos sobre os perfis predominantes nesse campo. Por isso, é importante o boletim Jornalistas&Cia, que produz o Portal dos Jornalistas (ver aqui) e atualiza constantemente uma relação que já tem 5.600 trabalhadores da imprensa.
No entanto, embora estejam ali expostas as carreiras, especializações e obras literárias eventualmente produzidas por esses profissionais, há imprecisões que dificultam a compreensão do universo da mídia nacional sob o ângulo daqueles que fazem acontecer o jornalismo. Aparentemente, há uma espécie de barreira entre dois mundos: o daqueles que exibem seus trabalhos nas grandes empresas de comunicação e os que exercem seu mister em outras áreas, como a comunicação corporativa, trabalhando em blogs, sites ou mantendo páginas pessoais ou coletivas nas redes sociais.
Ainda que incompleto, esse conjunto de perfis permite a pesquisadores um contato primário com uma base de trabalhadores intelectuais cujo destino é afetado diretamente pelas mudanças que ocorrem nos últimos anos no campo da comunicação. Não apenas pelo advento das tecnologias digitais, mas, no caso do Brasil, o contexto em que atuam os profissionais da imprensa tem sofrido alterações profundas por conta de uma guinada conservadora no núcleo duro da mídia, onde se concentram quatro dos mais poderosos grupos empresariais do setor.
Jornalistas que atuam nos grupos Globo, Folha, Abril e Estado tendem a ser identificados com as empresas que pagam seus salários, característica que não era determinante dos perfis profissionais em décadas recentes. Hoje, o alinhamento com a política editorial é quase uma condição para a manutenção do emprego.
O “quase” fica por conta das exceções de praxe, tão raras quanto delicadas, ao ponto de se poder afirmar que a estabilidade pode estar condicionada ao grau de engajamento do jornalista na linha predominante na empresa.
Interessante observar que essa dicotomia só é perceptível na chamada mídia alternativa, porque nas páginas da chamada grande imprensa o discurso hegemônico permite pouca diversidade, e vozes eventualmente dissonantes cumprem uma função mercadológica, por assim dizer.
O fantasma bolivariano
Na segunda-feira (8/12), algumas centenas de jornalistas puderam observar como se manifesta essa divisão vertical na categoria profissional. Reunidos por iniciativa de Jornalistas&Cia, para a festa em homenagem aos cem jornalistas mais admirados do Brasil, os agraciados se compuseram naturalmente em tribos que reproduziam claramente essa característica do universo jornalístico brasileiro.
Exceto pelos veteranos que carregam em suas personas a história quase inteira da imprensa moderna no Brasil, e que por isso podem trafegar com naturalidade por todo o campo conflagrado, o que se viu foi a composição de mesas por afinidade ideológica ou empregatícia.
Na hora dos agradecimentos, foi das mesas onde se concentravam figuras conhecidas das grandes empresas de comunicação que brotaram os raros discursos com teor político: como num jogral, personalidades da escrita, do rádio e da TV desfiaram no palco seus temores e seu repúdio a uma suposta ameaça à liberdade de imprensa, que estaria pairando sobre o universo midiático. Foi quase um manifesto de lealdade ao credo patronal: o Brasil estaria à beira de ver ressuscitar a censura do período militar, agora por conta da iminência de um regime “bolivariano” em Brasília.
As frases de sentido dúbio insinuavam essa aleivosia, que vem sendo repetida por outros jornalistas menos categorizados do que aqueles – os pitbulls remunerados para radicalizar o discurso partidário da imprensa –, colocando respeitados profissionais no papel pouco edificante de incutir naquele ambiente festivo um viés que – por imposição ética do jornalismo – só deve ser exposto em circunstância que permita o contraditório.
Além do mais, foi uma manifestação de pouca educação, visto estarem todos ali para uma celebração, não para uma dessas passeatas que levam à Avenida Paulista os desafetos da democracia.
A demonstração de corporativismo em seu sentido mais raso teve frases de efeito que beiravam a sabujice. Mas nada disso estragou a festa. O evento de Jornalistas&Cia talvez seja o último lugar onde jornalistas brasileiros postados em campos ideológicos opostos podem trocar amabilidades, ainda que alguns não tenham entendido o espírito da coisa.