quarta-feira, 8 de outubro de 2014

UM CÍRCULO VICIOSO: A MANIPULAÇÃO DAS PESQUISAS.

O círculo vicioso das manipulações

Escrito por: Luciano Martins Costa
Fonte: Observatório da Imprensa
Na expectativa das alianças que irão recompor as forças partidárias para o segundo turno da eleição presidencial, os jornais apresentam aos leitores um jogo de adivinhações que tenta dissimular suas preferências políticas. Daqui para a frente, seja qual for o movimento das peças, tudo será levado ao propósito maior da mídia tradicional, que é recompor sua influência sobre o poder Executivo federal.
O núcleo das análises é o destino que será dado aos votos que foram para a ex-ministra Marina Silva no primeiro turno. No entanto, há muita especulação sobre o significado da manifestação dos eleitores e muito desencontro nas opiniões em torno de algumas das disparidades reveladas pelas urnas. Por exemplo, a derrota de Aécio Neves em Minas Gerais e o massacre sofrido pelo Partido dos Trabalhadores em São Paulo, seu local de origem.
Em meio às profecias fundamentadas no desejo de seus autores, pode-se encontrar alguma reflexão consistente, como a manifestação de humildade dos diretores do Ibope e do Datafolha, os institutos de pesquisa que foram desmoralizados pelas urnas.
Vale a pena observar o que diz Márcia Cavallari, diretora do Ibope: “AS PESQUISASmedem a opinião, e as opiniões vão mudando. Elas só se consolidam quando o eleitor aperta o botão e confirma seu voto, lá na urna”. Mais interessante ainda é a declaração de Mauro Paulino, presidente do Datafolha: “Até por markenting, nós mesmos, dos institutos de pesquisa, tratamos esses números divulgados na véspera como prognósticos, mas na verdade eles são diagnósticos. Eles refletem uma realidade que já passou. Não estão olhando para a frente”, disse o executivo.
Diante dessas duas confissões, restaria ao leitor e eleitor perguntar: “Então, por que tanto barulho a cada rodada de consultas, se no fim das contas essas pesquisas não retratam a realidade?” A resposta talvez esteja embutida na própria pergunta: a imprensa dá muito valor às pesquisas de intenção de voto porque elas passam uma ilusão de objetividade, oferecendo aos editores a chance de manipular os dados e usar essa interpretação como argumento para convencer o eleitor.
As sandálias da humildade
Neste momento de transição entre os dois turnos da eleição presidencial, por exemplo, os jornais tentam empurrar para a opinião do público a tese de que todos os votos destinados a Aécio Neves e Marina Silva retratam um desejo majoritário de mudança. Então, nos editoriais e nos artigos de seus colunistas mais engajados, dá-se uma nova definição para essa suposta manifestação dos eleitores, com o intuito de nominar o candidato que seria o depositário desse desejo.
Essa manipulação fica mais clara após a declaração explícita de apoio a Aécio Neves feita pelo jornal O Estado de S.Paulo. Para o leitor típico do tradicional diário paulista, não há estranheza: quem lê o Estado não apenas espera que ele se declare contra o governo do PT, mas se regozija com cada linha que reafirma essa orientação ideológica.
O jornal é conservador desde sempre, produz e realimenta uma visão de mundo típica da elite paulista, e não há mal nenhum nisso. O problema está em fingir-se uma expressão da vontade popular, coisa que nenhum dos grandes diários representa.
Isso transparece quando a imprensa alimenta preconceitos para obter certos efeitos eleitorais. Por exemplo, o debate sobre a redução da maioridade penal é impactado por um assalto ocorrido na Universidade de São Paulo, do qual participou um menino de nove anos de idade. Seria o caso de os jornais questionarem: “Então, a maioridade penal deve começar aos sete ou aos oito anos?” Não. Quando a realidade desmoraliza a tese reacionária, os jornais deixam o assunto de lado.
AS PESQUISAS são importantes para esse processo de manipulação – porque sinalizam temores, desejos e aspirações difusas, que são interpretados segundo o viés ideológico da imprensa. Essa agenda é trabalhada nas redações e devolvida ao público alguns dias antes de cada nova rodada de pesquisa de intenção de voto, de modo que o material colhido pelos institutos dá novo impulso a esse círculo vicioso de manipulações.
Quando os institutos de pesquisa calçam as sandálias da humildade e admitem que não perscrutam o futuro, mas tentam explicar o passado, as distorções ficam escancaradas.

A CRIMINALIZAÇÃO DA FAVELA.

Criminalização da favela no noticiário continua

Escrito por: Leonardo Custódio
Fonte: Observatório da Imprensa
Uma das maneiras de diminuir a criminalização das favelas no noticiário policial é a diversificação as fontes. Ouvir moradores com mais frequência ajudaria a quebrar o estigma de que favelas são apenas territórios de medo e conivência controlados por facções criminosas. Por isso a popularização das redes sociais na periferia criou uma expectativa de mudança da representação das favelas e bairros pobres na cobertura jornalística do cotidiano.
No Rio, por exemplo, milhares de moradores – em anonimato ou “botando a cara” – se fazem ouvir diariamente narrando, analisando e contextualizando o que acontece nas favelas. Está claro que jornalistas da grande mídia ouvem as vozes online. Mas a criminalização das favelas e vitimização dos moradores continua. Como vimos na primeira semana de outubro, não adianta ter acesso à mais fontes se não há disposição ou interesse para criar novas narrativas.
No momento em que o governador Luiz Fernando Pezão afirmava em debate (ver aqui) que seu governo tinha libertado mais de 450 mil moradores com as UPPs, tiroteios intensos aconteciam em favelas “pacificadas” do Complexo do Alemão, Mangueira e em áreas ocupadas por militares na Maré. A pauta estava pronta: o discurso oficial não se reflete na realidade. Prato cheio para a imprensa colocar o governo contra a parede. Só que não.
Nas matérias e notas publicadas online entre 1/10 e 3/10 pelos jornais O Globo e Extra, a voz do morador só aparece para ilustrar o drama da violência dos confrontos. “Nas redes sociais, várias pessoas relataram terem escutado disparos na comunidade. ‘A troca de tiros é intensa em diversas áreas do Complexo do Alemão. Trabalhadores acordando assustados com o barulho de tiros’”, descreve o Globo (ver aqui). No jornal O Dia, no mesmo período, não há indício de que redes sociais tenham sido usadas para ouvir moradores.
Qual a desculpa hoje?
Tanto em O Globo/Extra quanto em O Dia, as fontes principais são policiais militares e a cúpula da segurança pública do estado. Como sempre. E como sempre fica a sensação de que moradores são uma plateia apavorada e silenciada que só usa as redes sociais para descrever o terror que sofre em tempos de conflito. Mas não é bem assim. Há alguns anos, vários moradores de favelas usam as redes sociais não só para avisar outros moradores de conflitos e denunciar casos de violência, mas também para fazer análises e abrir discussões críticas sobre a relação dos governos com a população de favelas e da periferia.
Páginas como Maré Vive, Ocupa Alemão, O Cidadão da Maré, Favela Fiscal e tantas outras mostram o quanto a paz está distante do cotidiano das áreas “pacificadas”. Nessas páginas, moradores questionam e confrontam a versão oficial do Estado diariamente. E talvez por também questionarem as próprias narrativas da imprensa corporativa, elas não apareçam como fontes em matérias sobre a violência nas favelas e na periferia do Rio de Janeiro. O que é uma pena. Pois se mais vozes críticas e menos descritivas das favelas fossem ouvidas, talvez tivéssemos um jornalismo que fizesse mais diferença na sociedade.
Do jeito que a cobertura policial é feita hoje, o jornalismo corporativo só usa vozes de moradores para dramatizar sem criticar ou questionar o que o governo diz. O que dá margem para as tantas acusações de cumplicidade entre o governo e as empresas jornalísticas.
Em um estudo publicado em 2007 (ver aqui), jornalistas admitiram que a cobertura jornalística contribuía para a criminalização e a criação de estereótipos das favelas e periferias. Uma das razões era a dificuldade de jornalistas terem contato direto e a confiança de moradores. Hoje, as redes sociais facilitam esse diálogo, mas as narrativas continuam as mesmas. Qual seria a desculpa dos jornalistas hoje, sete anos depois do estudo, para continuar reforçando a criminalização e estigmatização das favelas, periferias e seus moradores?
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Leonardo Custódio é mestre em Ciências Sociais e doutorando em Comunicação

BRIZOLA TINHA RAZÃO.

Especialista confirma: urna eletrônica é insegura
O jornalista Osvaldo Maneschy publicou extensa reportagem sobre a insegurança do voto eletrônico adotado nas eleições de 2014. A matéria é de 12 de maio de 2012, mas continua atualíssima.. Resume a cobertura de uma audiência pública, em Brasília. Em destaque, alertas do professor da UnB, Diego Aranha, sobre os riscos de fraude. Os estranhos e disparatados resultados nas últimas eleições, com forte descompasso entre as previsões dos institutos de pesquisa e os resultados,  geram desconfianças.

Sobre as urnas que acabariam sendo adotadas em 2014, afirmava o especialista:

“Tivemos apenas uma hora de acesso ao código-fonte da urna eletrônica brasileira, mas foi tempo suficiente para quebrarmos o único dispositivo que ela usa para garantir o sigilo do voto†, afirmou o professor Diego Aranha, do Departamento da Ciência da Computação da Universidade de Brasília, em depoimento na audiência pública realizada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, no dia 8 de maio de 2012.  Ele debateu sobre a segurança  do voto eletrônico, na forma prevista para as eleições de 2014.

O projeto de lei 2.789/2011, naquele momento em discussão na CCJ, revogava a impressão do voto prevista na Lei n° 12.034, de 29 de setembro de 2009. A audiência pública durou mais de quatro horas e foi aberta pelo presidente da CCJ, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) e depois presidida pelo relator, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). A lei da  impressão do voto (N° 12.034), iniciativa dos então deputados Brizola Neto (PDT-RJ) e Flávio Dino (PCdoB-MA), foi sancionada pelo presidente Lula em 2009 apesar das gestões do TSE contra. Já o pedido de revogação dela, em discussão, foi apresentado pelo Senador Lindberg Farias (PT-RJ) a pedido do TSE e aprovado (PLS-478/2011) com a ajuda de Demóstenes Torres, que a relatou.

SIGILO QUEBRADO
Diego Aranha, professor-doutor de 27 anos, chefiou a equipe da UnB que mais se destacou nos testes de segurança promovidos pela Secretaria de Informática do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para testar as defesas da urna. “Descobrimos que a hora e os segundos do relógio da urna eletrônica são usados como semente para embaralhamento dos votos a partir da zerésima, vulnerabilidade semelhante a que foi descoberta há 17 anos no Netscape, software comercial, por dois calouros de Ciência da Computação americanos†, explicou.

Instigando os deputados, questionou:  “Que leitura se pode fazer, do ponto de vista da segurança, de um sistema que colapsa depois de uma hora de exame e apresenta a mesma vulnerabilidade de 17 anos atrás de um software comercial?â€

Sobre a obrigatoriedade da impressão do voto, tema da discussão, foi enfático: é consenso na área acadêmica de que para garantir a integridade do voto produzido por máquinas semelhante às brasileiras, totalmente dependentes de softwares, só existe um caminho seguro: a impressão do voto.

“O voto impresso e a apuração por amostragem são as formas mais simples e compatíveis para verificar os resultados, independente do software, para que a urna brasileira satisfaça aos mínimos requisitos e seja considerada segura†.

Acrescentou: “Não existe sistema inviolável, isto é até uma impossibilidade teórica. Na área de segurança de softwares, o trabalho não é projetar sistemas invioláveis, é projetar sistemas onde o custo do ataque seja demasiadamente alto†.

E finalizou: “Fica a cargo de vocês a conclusão se é alto ou não o custo de tentar fraudar uma eleição para alguém que tenha motivação financeira ou política†. 
Fonte: Agência Petroleira de Notícias

A VERGONHA DOS INSTITUTOS DE PESQUISA..

Por Bajonas Teixeira de Brito no Site Congresso em Foco

Imagine-se que um grupo de especuladores do mercado financeiro se dispusesse a manipular a eleição presidencial brasileira. Supondo que isso seja tecnicamente possível, pelo menos a quem se disponha a investir alguns milhões de dólares para ganhar de volta algumas centenas, talvez sequer fosse percebido pelas antenas sensíveis do país. A julgar pela excitação infantil dos comentaristas da Globonews ontem enquanto avançava a apuração da eleição presidencial, a capacidade de dar uma braçada contra a maré ― não diremos nadar, o que seria pedir demais ― foi definitivamente extinta da mídia brasileira. Ao invés de analisarem a situação, repetiram o mesmo mantra da “desidratação de Marina” e fingiram que Dilma não existia. Tudo parecia tão óbvio que dava para desconfiar.
Na segunda-feira (6) posterior ao resultado do primeiro turno, a bolsa subiu quase sete pontos e o dólar caiu significativamente. O contrário tinha acontecido na semana passada, na segunda, 29 de setembro, com baixas febris em ações, incluindo bancos privados (o Unibanco caindo 7.03%, o Bradesco recuando 7,03%) e estatais, como a Eletrobrás e a Petrobras (essa liderou a queda com 11,7%). O Banco do Brasil também caiu, 8,54%. Manipular nesse cenário, o da sétima economia mundial e um dos países com menor nível de controle e fiscalização, não promete pouco. As manipulações existem, ou melhor, as manipulações são a normalidade do nosso dia a dia. A imprensa, os partidos, os candidatos, os marqueteiros manipulam. O que foge à normalidade não é a manipulação, mas as grandes manipulações.
urna
No Brasil, basta lembrar as bombas nas torres de transmissão de Furnas Centrais Elétricas em setembro de 1998. Em escala internacional, e incomparavelmente mais sofisticada, tivemos em abril de 2013 a invasão da conta do Twitter da agência norte-americana Associated Press (AP) e a informação de que a Casa Branca sofrera um atentado, e que Barack Obama estaria entre os feridos. O índice Dow Jones chegou a perder 130 pontos, e foram atingidos também o S&P 500 e o índice Nasdaq. Com o desmentido da Associated Press, as ações voltar a subir. Quem comprou na baixa e vendeu na alta, no breve espaço entre a notícia e o desmentido, obteve lucros astronômicos.
“Quem toma a sério a ideia de que, numa reta final sem novidades, o pacato e sorridente Aecinho poderia passar de 15% para 33,5% em três semanas?”
Penso que quem admitir, por hipótese, uma manipulação nas eleições brasileiras acreditará menos em milagres do quem tomar a sério a ideia de que, numa reta final sem novidades, depois de debates sem sobressaltos, na ausência de escândalos e comoções, o pacato e sorridente Aecinho poderia dar um salto tão extraordinário, mais que dobrando suas intenções de voto, e passando de 15% em 12 de setembro para 33,5% em 5 de outubro. Uma bagatela de 18,5 pontos a mais em coisa de três semanas. Quem algum dia apostaria em tamanho despautério? O panteão reunido das entidades sobrenaturais mineiras – O Chupacabra, a Mula sem Cabeça e o Zé Arigó ― não seria capaz de produzir tal prodígio. Ainda mais que não ungiram Aécio nem em seu próprio estado, onde Dilma ganhou.
Antes de entrar na análise propriamente dita, me parece interessante observar que o termômetro mais sensível que temos para a eleição, o seu impacto sobre o Facebook, não mostrou qualquer alteração em benefício de Aécio. No domingo, constava que na última semana Dilma apareceu nele com quase 11 milhões de menções (46%), Marina, com pouco mais de 6,5 milhões (28%), e Aécio com quase 6 milhões (26%). Nas últimas 24 horas antes da eleição, que poderia ter mostrado fortíssima oscilação em favor de Aécio, também nada de excepcional se verificou: Dilma teve 4 milhões de menções (49%), Marina 2,2 milhões (27%), e Aécio 2 milhões (24%).
Se algo pode ser deduzido daí, é que Dilma cresceu 24 horas anteriores à eleição, enquanto Marina e Aécio mostraram uma discreta imobilidade. Nunca, porém, que Aécio disparara em uma velocidade tão grande que não deixaria digitais, rastros ou qualquer marca no Facebook.
Podemos aproximar mais a linha do tempo, reduzindo as margens para analisar melhor o paradoxo aeciano. Na pesquisa Datafolha do dia 30 de setembro, Aécio apareceu com 20% das intenções de voto. Bastante distante do resultado final de 33,5%. Um crescimento de 20 para 33,5 pontos percentuais em uma semana certamente é coisa raríssima nos anais da crônica de eleições pelo mundo. Talvez na derrota de Cidadão Kane nas eleições em que era favorito absoluto. Mas ali tem o escândalo de uma vedete dentro do armário, que os inimigos vão buscar. E, como dizem os franceses, foi preciso fazer só o óbvio: cherchez la femme. Mas aqui estamos Muito além de cidadão Kane. Nada disso ocorre. Não há vedete nem dançarina, nenhum escândalo, nenhuma revelação chocante. A situação desafia todos os cânones da fria razão. Recapitulemos brevemente os dados mais significativos sobre a evolução dos candidatos.
Na pesquisa do Datafolha de 10 de setembro, tínhamos Dilma com 36%, Marina com 33% e Aécio com 15%. Já dois dias depois, em 12 de setembro, na pesquisa do Ibope, Dilma subiu para 39%, Marina caiu para 31% e Aécio continuou com seus 15%. Nova pesquisa do Datafolha em 19 de setembro, mostrou que essa tendência se confirmava: Dilma 37%, Marina, 30%, e Aécio, 17%. Dentro da margem de erro, Dilma poderia estar com 39, dois pontos para mais. Aécio com 19, e Marina, com 28. Seria o esperado. É quase o que se tem na pesquisa do Datafolha de 23 de setembro: Dilma aparece com 38%, Marina 29% e Aécio 19%. Assim, verifica-se uma tendência à queda de Marina, refletindo os tropeços que trouxeram luz sobre as inconsistências da candidatura.
Até aqui, salvo a virada messiânica que fez Marina ascender às grimpas, explicável numa população supersticiosa que se alimenta de novelas há tanto tempo, tudo é bem plausível. Até mais que isso, a queda de Marina parecia refletir uma guinada em direção à realidade contra o encantamento do mundo. O surto, tudo indicava, tinha dado lugar à lucidez meridiana.
Para confirmar esse diagnóstico, tivemos duas pesquisas atestando a mesma tendência, ambas divulgadas no sábado dia 4, ou seja, um dia antes da eleição do domingo, 5. A pesquisa Ibope, dava Dilma com 46% dos votos válidos e Aécio com 27% e o Datafolha apurava 44% dos votos válidos para Dilma e 26% para Aécio. Desprezando o fato de que as pesquisas não tratam ambas de votos válidos, mas ficando apenas na proporcionalidade que indicam, Dilma foi de 37 a 46, entre 19 de setembro e 04 de outubro, subindo 9 pontos. Aécio, foi no mesmo período de 19 a 27, ganhando 8 pontos. Nada, portanto, que fugisse ao script da nossa vã filosofia e da clarividência científica. Artigo sobre a pesquisa no G1 começava com as seguintes palavras:
“Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas neste sábado (4) mostram que a candidata Dilma Rousseff (PT) continua na liderança isolada na disputa pela Presidência da República, mas ainda não tem pontuação suficiente para vencer no 1º turno.”
Note-se que é dito que Dilma ocupa a “liderança isolada”. Por mais que o movimento fosse de ascensão para Aécio, não chegava a ser um movimento vertiginoso e irrefreável. Tanto mais que Dilma movia-se também em sentido ascendente.
Portanto, a subida de Aécio não se explica por uma brusca queda de Dilma. Agora, a passagem de Aécio, tomando os dados do Ibope, de 19% no dia 2 de outubro para 33,5% no dia 5, desafia toda sanidade. São as leis do mundo reais, tridimensional, movido por causas e efeitos, que são vilipendiadas. Em suma, a subida de 14,5 pontos em três dias, 72 horas, é ridícula. Nem Marina, com a hecatombe da morte de Eduardo Campos, passou por uma virada tão estrambótica. Há ainda o agravante de que no caso de Aécio, nada de comovente ocorreu. Nenhum fenômeno (natural ou sobrenatural) que pudesse abalar, chocar, desestabilizar uma parte do eleitorado foi verificado. Foram debates mornos, nada eletrizantes. Como é possível que, em condições tão sóbrias e mundanas, tão contidas dentro das rédeas da previsibilidade, o cavalo do imprevisível tenha desembestado?
Aécio não teve nenhum desempenho brilhante nos debates. Nem Dilma foi submetida a qualquer rolo compressor. Nada ocorreu fora do riscado. Tudo normal. Ora, a natureza não dá saltos. E como explicar tanta bananada para tão pouca banana, como dizia minha avó? Se trata de um efeito sem causas? Mas não existem efeitos sem causas, assim como não existe mula sem cabeça. Até a mágica, que parece não ter causas, é feita a partir de truques de manipulação muito concretos.
Se o empate técnico de Marina e Aécio só foi registrado na pesquisa divulgada na quinta-feira dia 2, vamos crer que na data da eleição, três dias depois, Aécio estaria com 34% dos votos e Marina com 21%, ou seja, uma diferença de 13 pontos percentuais em 72 horas? E logo Aécio, tão pacato, tão pouco dado a arroubos e sobressaltos. Como seria ele capaz de provocar esse estouro da boiada? Isso é absurdo. Por mais que o Brasil esteja habituado, faz muito tempo, às formas mais variadas de demência, despautério, despropósito, alucinação e o mais, não se deve aceitar passivamente uma situação tão despropositada. Seria o cúmulo da ingenuidade correr para dizer que os institutos de pesquisa erram quando, para qualquer observador sereno, são os fatos, em especial as percentagens, que se mostram suspeitos.
“Nos lugares em que se esperaria uma maior maturidade da classe média, ela se mostrou o segmento social mais perdido.”
Da minha parte, não sei por que o silêncio paira tão espesso sobre fatos tão óbvios, e ninguém levanta a voz para dizer que o rei está nu. Talvez isso se deva ao fato de a classe média brasileira, o locus de onde costuma sair aquilo que se chama opinião pública, tenha perdido de vez a capacidade de refletir.
Dificilmente essa eleição deixará de entrar para a história brasileira como um ponto de mutação. Não evidentemente da política, que continuará marcada pela força do latifúndio (agronegócio), das empreiteiras e da corrupção. O que se cristalizou com uma força assustadora foi o completo esvaziamento do senso da classe média ― não estou falando em senso crítico, mas apenas na modesta capacidade de julgamento normal, médio, de qualquer cidadão. Esse déficit parece ter sido mais sentido nos centros mais urbanizados onde, pelas teorias clássicas da sociologia, seria menos esperado. Ou seja, nos lugares em que se esperaria uma maior maturidade da classe média, ela se mostrou o segmento social mais perdido.
Certamente essas eleições se desenvolveram como Janus, com duas faces, uma muito marketizada, colorida e sorridente, e outra tenebrosa, pontuada pela desesperança e pela cruel constatação da falta de opção. O eleitor se viu emparedado entre o deserto e a miragem, e talvez, no fim, tenha preferido mergulhar no delírio. Basta analisar minimamente o perfil dos candidatos para ver que “grandes são os desertos”.
BracoQueda
Raspando um pouco a maquiagem colorida, os candidatos aparecem como figuras essencialmente retrógradas e exemplos muito límpidos da velha tradição da política brasileira. A tradição dos herdeiros e apadrinhados. Dilma, evidentemente, sem nunca ter ocupado cargo eletivo, nem de vereadora, chegou à presidência por milagre emanado de Lula. Aécio, que também nunca precisou fazer força pelo voto, embora tenha sido eleito várias vezes, é o neto ungido pelo avô Tancredo. Na verdade, é quase um sarcófago vivo que carrega as cinzas e as relíquias de prestígio do antepassado. Marina (a única para quem a alcunha de herdeira seria forçada, ao menos até sua parceria com a herdeira do Itaú) é a fiel depositária de vontade póstuma de Eduardo Campos que, por sua vez, foi o delfim do avô, Miguel Arraes, e, por fim, Luciana Genro, que aparece na rabeira, é filha de Tarso Genro, governador, ex-ministro da Educação, ex-ministro das Relações Institucionais, ex-ministro da Justiça, ex-presidente nacional do PT. Nesse quadro, ainda mais considerando a falta quase completa de programa inovador dos partidos, não se vê nada que pudesse apontar alguma luz no fim do túnel.
Em torno desses personagens com clara fixação nas modalidades antigas de identidade política, uma classe média tresloucada se viu chamada a decidir. Ela poderia ter sido o fiel da balança, mas foi na verdade o biruta de aeroporto, aquela touca sem cabeça que indica para onde apontam os ventos. Assim, essa cabeça de vento, sem peso, sem decisão, sem lastro, apontou em diversas direções, subindo e descendo à força das imagens construídas pelo momento, pelas ênfases da mídia ou pelo pânico de boiada. Extremamente gelatinosa e volúvel, essa classe média migrou de Aécio para Marina, por motivos messiânicos logo depois da morte de Eduardo Campos. O avião que caiu dos céus seria a estrela cadente, sinal celeste seguro de que Marina era a eleita do senhor.
Agora é ver se o resultado das eleições será aceito por todos os brasileiros, como se o país fosse formado por milhões de aloprados espalhados por vasto território. Quem cala consente e aceita. O mais provável é que o fetichismo da modernidade cosmética, das urnas eletrônicas hermeticamente lacradas e da infalibilidade dos tribunais superiores, como a antiga infalibilidade do papa, já de antemão tenham vacinado o eleitorado contra qualquer fagulha reflexiva. Mas se até os Estados Unidos não se vexou de proceder a uma recontagem de votos, reconhecendo que através dela se conferia legitimidades às eleições presidenciais, não se vê motivos que impediriam de colocar a questão para o Brasil.

PORQUE NÃO DEIXAR O PSDB VOLTAR.

Derrotar a Direita Não Permite Vacilação!
             Concluímos o primeiro turno das eleições gerais com um Congresso Nacional mais conservador. A onda reacionária fortaleceu as bancadas ligadas à grupos evangélicos fundamentalistas, lideranças contra a ampliação de direitos e a chamada "bancada da bala", defensora da intensificação de medidas repressivas. Mas fortaleceu principalmente as bancadas patronais ligadas aos grandes grupos econômicos.
                Votos nulos, em branco e a abstenção apresentaram um significativo crescimento, permitindo concluir que também canalizaram a insatisfação dos eleitores.
                A conjunção entre um quadro recessivo na economia e o momento eleitoral sempre fragiliza a situação e fortalece o discurso oposicionista. Neste contexto, as forças neoliberais percebem a possibilidade de vitória e jogarão todas as suas fichas nos próximos dias. O confronto entre Dilma Rousseff e Aécio Neves será uma batalha decisiva, duríssima, que exigirá a mais ampla mobilização de todos os setores populares e de esquerda em nosso país.
                Neste momento, assistimos o esforço da candidatura de Aécio Neves para disputar o espólio eleitoral de Marina Silva, em especial os setores mais reacionários que haviam enxergado uma possibilidade de vitória através da candidata do PSB. Para isso, contará com o apoio infalível da grande mídia que também se prepara para utilizar toda sua artilharia de denúncias nas próximas semanas.
                Mais do que nas outras eleições em que a candidatura do PT enfrentou-se com o PSDB, a vitória de Dilma Rousseff dependerá da mobilização militante. Uma eleição a ser decidida com o trabalho voluntário, de casa em casa, nas ruas, como nos melhores momentos da história do PT. E dependerá, muito mais, da ousadia em aprofundar o programa de mudanças, deixando claro para a juventude trabalhadora e a militância popular seu compromisso e disposição concreta em enfrentar os complexos desafios das mudanças sociais.
                O segundo turno favorecerá o debate político entre dois projetos distintos. O significado do retorno do neoliberalismo, com suas privatizações, alinhamento com os EUA e redução de investimentos sociais de um lado e a necessidade da frente neodesenvolvimentista avançar no enfrentamento dos problemas estruturais que foram relegados em nome da manutenção da unidade com setores burgueses, de outro.
                A proposta de uma Plataforma dos Movimentos Sociais, elaborada por 60 organizações sociais de todo o país é uma alternativa concreta, possível e imediata da necessária radicalização que deve ser acolhida pela candidatura de Dilma para enfrentar a ofensiva neoliberal neste segundo turno.
                O momento histórico não permite vacilações. É preciso derrotar o neoliberalismo. Silenciar num momento tão decisivo ou esconder-se com o pretexto da coerência num discurso sectário é cometer um grave erro político.
                Permitir uma derrota para o projeto do neoliberalismo significa uma tragédia não só para as forças populares em nosso país, mas para todos os governos progressistas de nosso continente, fortalecendo o imperialismo com implicações geopolíticas mundiais.
                Porem, mesmo vitoriosa Dilma governará com uma correlação de forças desfavorável no Congresso Nacional, com os setores médios, também chamados de "classe média alta" extremamente rancorosos e com uma parcela do eleitorado muito desconfiada de seus reais compromissos em aprofundar as mudanças.
                Este cenário reforça, mais ainda, a necessidade de lutar por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Sem enfrentar o atual sistema político estaremos condenados a assistir o fechamento de um verdadeiro cerco político reacionário.
                 É fundamental enfrentar a ofensiva neoliberal e apoiar a candidatura Dilma, mas não de forma subordinada, apenas reproduzindo os slogans e frases de campanha. Erguer com força a bandeira da 'Constituinte Já', exigir que seja Exclusiva e Soberana, trabalhar a 'Plataforma dos Movimentos Sociais', aproveitar o momento eleitoral para o debate político com povo são os caminhos de um apoio político que compreende que não basta ganhar, será preciso ser ousado para exigir mudanças políticas que se não forem realizadas permitirão que se feche o cerco conservador.

MUITAS RAZÕES PARA NÃO VOTAR NO AÉCIO.

28 Motivos para Não Votar em Aécio Neves

Estacionamento irregular Veja acima a arrogância do estacionamento irregular em vaga reservada para deficientes físicos.
Após cada capítulo abaixo, há links para comprovar as denúncias contra o herdeiro da dinastia política dos Neves em MG.
CENSURA
1- Censurou a parte da imprensa mineira que ousou denunciar esquemas de corrupção quando era governador de MG.
2- Também tentou censurar o Google, Yahoo! e Bing, movendo um processo para retirada de links relacionados ao uso de drogas e ao desvio de verbas da saúde.
3- Mandou demitir um diretor da Globo de Minas Gerais após três reportagens que o desagradaram.
4- Mobiliza-se para não ser investigado: em 10 anos ele e seu sucessor Anastasia só permitiram 3 CPIs em Minas Gerais; mais de 70 foram barradas.
http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/09/262572.shtml
CORRUPÇÃO QUANDO FOI GOVERNADOR DE MINAS GERAIS
5- Foi processado por desviar R$ 4,3 bilhões da saúde.
6- Construiu 5 aeroportos em cidades com menos de 25 mil habitantes no entorno de sua fazenda.
7- Um dos aeroportos custou R$ 14 milhões e fica na fazenda de seu tio.
8- Pagou R$ 56 mil reais ao ex-ministro do STF Ayres Britto para arquivar a investigação de ilegalidade no aeroporto na fazenda de seu tio.
9- Quando governador, desapropriou um terreno de seu tio-avô no valor de R$ 1 milhão e fez o Estado pagar a ele uma indenização superfaturada de R$ 20 milhões.
INFRINGINDO A LEI
10- Apesar de declarar apenas R$ 100 mil em bens, sua rádio tem uma frota de carros de luxo e de passeio no valor de mais de 1 milhão de reais.
11- Foi pego pela polícia dirigindo o carro de sua rádio, um Land Rover no valor de R$ 192.000,00. Estava embriagado e se recusou a fazer o teste do bafômetro.
12- Troca de favores ou compra de votos? Quando era governador contratou 98 mil servidores públicos sem concurso e de maneira ilegal.
13- Nepotismo: com apenas 25 anos foi nomeado diretor da Caixa Econômica Federal por seu primo, o então Ministro da Fazenda Francisco Oswaldo Neves Dornelles. Segundo testemunho dos economiários da época, ele pouco a frequentava…
EDUCAÇÃO E SAÚDE
14- Durante seu governo, Minas Gerais passou a pagar o piso salarial mais baixo do Brasil a professores.
15- Aliás, tal piso era mais baixo que o permitido pela lei do piso salarial de professores, portanto, ilegal.
16- Diminuiu o salário-base dos médicos em Minas para apenas R$ 1.050,00 — o segundo mais baixo do Brasil.
17- Quando era governador de MG, pagou com dinheiro do Estado uma dívida da Rede Globo de US$ 269 milhões referente à compra da Light.
ECONOMIA
18- Em 2013, quando Dilma anunciou redução de 20% na conta de luz, os tucanos de Minas se posicionaram contra. Pediram um aumento de 30%. Em vez de a conta abaixar, subiu 14,76% (que foi o que a Aneel aprovou).
19- Ele e seu sucessor fizeram a dívida de Minas crescer 127% em 11 anos.
MENSALÃO TUCANO E PROTEGIDO DA IMPRENSA
20- Tem um dos réus do mensalão tucano como assessor: o publicitário Eduardo Guedes, acusado de desviar R$ 3,5 milhões para a empresa de Marcos Valério.
21- Tem em seu palanque em Minas o maior réu e mentor do mensalão tucano: seu antecessor no governo de MG, Eduardo Azeredo.
22- Seu primo, Rogério Lanza Tolentino, era braço direito de Marcos Valério e foi condenado por lavagem de dinheiro em MG.
23- Outro primo, Tancredo Aladin Rocha Tolentino, foi preso por vender sentenças judiciais. A Globo se calou.
24- Conseguiu um mandado de busca e apreensão para que a polícia invadisse o apartamento de uma jornalista: computador, HD externo, cds e celular foram apreendidos.
SENADOR EXEMPLAR?!
25- Nos quatro anos como senador, apresentou menos projetos que o deputado Tiririca.
26- Gastou 63% do dinheiro com passagens de avião pagas pelo senado com viagens para o Rio de Janeiro. Apenas 27% das viagens foram para MG, estado que o elegeu senador.
27- Aliás, torrou 589 mil reais em passagens de avião para o Rio em pouco mais de 3 anos e meio como senador.
COMPORTAMENTO MACHISTA:
28- Segundo o jornalista Juca Kfouri, Aécio Neves bateu em sua ex-mulher, em público, em uma festa em hotel no Rio de Janeiro. Apesar de tentar censurar a matéria, Aécio perdeu na justiça, que não a considerou caluniosa.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A MÍDIA;UMA ESTRUTURA CONTRA A DEMOCRACIA.

Força da militância derrotará a mídia
Por Osvaldo Bertolino
 

Nestes poucos dias que restam antes do primeiro turno das eleições, o que se prenuncia é uma batalha de proporções épicas. O resultado terá grande influência na boca da urna. Para que a democracia saia vitoriosa, contudo, é preciso ter pleno conhecimento das armas do inimigo. No atual estágio da democracia brasileira, a principal arma desse inimigo chama-se mídia. Ou seja: o sistema de comunicação controlado com mão de ferro pela direita.
Quem jacta-se de si mesmo pouco tem do que jactar-se. Nesta estupenda frase de Honoré de Balzac está contida toda a essência do comportamento falacioso da mídia nos dias atuais. A verdade é que existem muito mais coisas entre o céu — onde está a imaginação — e a terra — onde se vive a realidade — do que sonha a vã filosofia dos que subestimam o peso da monopolização dos meios de informação no destinos do país. Pelas melhores regras do que se considera ser a ciência política, pela sabedoria acumulada nas academias e até pelas experiências do passado, não cabe vacilação nessas horas cruciais que antecedem a votação do próximo dia 5 de outubro: a militância democrática e progressista tem a grande missão de desmascarar a mídia, o Departamento de Gerência de Falsidades e Mentiras da direita.
Trabalhando de maneira intensiva 24 horas dia, sete dias por semana, esse Departamento tem como meta fazer a candidata à reeleição Dilma Rousseff chegar ao segundo turno com a língua de fora. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) já avisou que o mais importante é derrotar “essa gente que está no governo”. “Não é só o PT não, essa gente que está no governo porque fizeram muita coisa errada no Brasil", sentenciou, repetindo Jorge Bornhausen (ex-oligarca do falido PFL), que falou em "exterminar essa raça", que por sua vez repetiu o barão de Cotegipe (um dos líderes do Partido Conservador, eleito senador pela Província da Bahia e presidente do Senado de 1882 a 1885) que se referiu às multidões entusiasmadas que assistiam às sessões do parlamento durante a votação da Abolição da Escravatura como "a raça libertada".
Truques de FHC
Em 2006, o Partido dos Trabalhadores (PT) entrou com queixa-crime contra FHC por ele ter difamado a sigla em declarações à mídia. Seria uma importante oportunidade para pôr um dos principais personagens da direita no seu devido lugar, o banco dos réus, mas o Ministério Público Federal, contaminado pelo veneno golpista que se instalara no país, arquivou o pedido. "A ética do PT é roubar", disse o ex-presidente, frase imediatamente elevada às capas e às chamadas da mídia. Tomado pelo sentimento de impunidade, FHC entrou no atual debate eleitoral atirando para todos os lados, abrindo a temporada de baixarias.
A calamitosa sequência de truques de FHC para vender suas falsidades, contudo, é uma prática que faz primeiro o sujeito perder a pose, depois o respeito e por fim qualquer condição de continuar falando em moral, ética e bons costumes. Para a corrente de pensamento do ex-presidente neoliberal, é natural que a mídia esteja acima do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e do Poder Executivo. Para eles, é bom ter alguém com poderes para invalidar leis que os parlamentos aprovam, inventar regras novas por conta própria e decidir o que a Constituição quis ou não quis dizer em cada artigo. Assim fica bem mais fácil criar manobras para retirar do eleitor — ou, no mínimo, reduzir pela metade — o seu direito de escolher os nomes das autoridades públicas.
Quando infratores do Código Penal — como FHC e a Veja — tentam dar o tom à atividade política do país, no entanto, é preciso elevar a vigilância democrática. A mídia em geral tem se esmerado na prática de esconder informação, não dando a mais vaga ideia do que está acontecendo no país e transformando o que existe de pior — as propostas e a prática da direita — em um mundo róseo.
Alma da mídia
Cláudio Abramo, conceituado jornalista com ideias situadas à esquerda no espectro político e respeitável ícone do jornalismo brasileiro — ele conheceu as entranhas de jornais como Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo —, dizia que para ter democracia no Brasil é preciso começar fechando todas as TVs particulares. Os latifúndios de mídia, dizia ele, são as primeiras trincheiras usadas pelas classes dominantes em ocasiões de decisões políticas importantes para o país. Ele não fez uma tirada inconsequente — apenas disse o que acontece. Não porque achava, porque sabia.
Quem fez uma tirada que também merece ser lembrada foi o atual ministro da Defesa, Celso Amorim, quando estava à frente do Ministério das Relações Exteriores. Segundo ele, a mídia gastava rios de tinta, horas e horas de transmissão, largos espaços na internet e dedicava manchetes estrepitosas para sabotar a política externa do governo. "Preciso fazer psicanálise para entender (esse comportamento)", afirmou. Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Amorim deixou o terreno da psicanálise, preferindo outras disciplinas para explicar as críticas feitas pela mídia. "Talvez fosse o caso de conversar com antropólogos e sociólogos, para que se detenham nessa necessidade de autoflagelação que existe no Brasil", afirmou.
Essas formulações, tão reveladoras da alma da mídia, dão uma compreensão mais exata do que ocorre nos dias atuais; a obcessão do noticiário é convencer os brasileiros a não outorgar à presidenta Dilma Rousseff, nas urnas, um segundo mandato e lhe acenar com um contundente adeus. Depois de protagonizar uma sucessão impressionante de episódios patéticos, com um denuncismo que mistura bravatas e foguetórios, degradando a palavra "escândalo" dada a miserável insignificância das “revelações”, eles partiram para a desqualificação da gestão do governo e da própria presidenta.
Moralismo e hipocrisia
Na Folha de S. Paulo da quinta-feira (2), o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o jornalista Thomas Traumann, escreveu que a manchete do jornal da segunda (29) — "Dilma não cumpriu 43% das promessas de 2010" — é exemplo de jornalismo superficial. “A reportagem tenta cumprir a louvável função de avaliar o cumprimento das metas do governo, mas se perde em falhas metodológicas, avaliações subjetivas e erros grosseiros”, afirmou. “O texto conclui que, se o Brasil fosse um colégio, a gestão da presidenta Dilma Rousseff teria ‘passado de ano raspando’. Por essa analogia, a Folha teria sido reprovada”, constatou.
A questão é que muito eleitores viram a manchete garrafal do jornal, exposto em muitos pontos de venda pelo país afora e na internet, mas não tomou conhecimento do desmentido do ministro. É possível que muitos desses cidadãos, desinformados pela Folha, tenham ficado com a sensação de que o episódio foi apenas mais um serviço prestado por uma imprensa comprometida com o seu destino. Eles tampouco saberão, se depender da mídia, que a proliferação de “denúncias” ocorre pelo simples e fundamental fato de que o Brasil entrou, no ciclo Lula-Dilma, em um cenário de reacomodação dos interesses de classes e podem cair na armadilha de imaginar que uma onda de moralidade despontou no horizonte. Moralismo e hipocrisia são conceitos fáceis de confundir.
O que existe, na verdade, é uma combinação quase macabra de interesses contrários ao governo. E sempre tem espaço para mais um; quem quiser ocupar os holofotes para jogar lama na presidenta tem espaço garantido. As suposições são imediatamente reproduzidas e cria-se um ambiente em que os acusados têm que provar que são inocentes. Contudo, em grande parte do eleitorado — possivelmente a maioria — a overdose de denúncias, acusações e condenações sumárias não cola mais. O leitor, ou telespectador, ou ouvinte — sempre a grande vítima — percebe que se vê às voltas com um retrato desfigurado da realidade.
Volta do Senhor
Para quem conhece bem essa prática, é difícil olhar para os jornalistas da mídia, que trabalham sob a camisa de força ideológica dos donos dos meios de comunicação, e não ter a sensação de que eles estão ali para nos enrolar. No caso da maioria dos grandes nomes desse tipo de "jornalismo", empoleirados em Brasília ou esparramados pelas redações e estúdios, é impossível não olhar para eles com um sentimento que intercala desconfiança e repúdio, revolta e indiferença. Paulo Francis, ícone do jornalismo conservador brasileiro, dizia que política é coisa de gentinha. Há, certamente, gentinha na política, mas há muito mais dela na mídia, imaginando ser gente grande.
No entender dessa gente, só se pode dizer que algum deles tem culpa, culpa mesmo, no dia do julgamento universal, quando o Senhor, finalmente, voltar — segundo os cristãos — para acertar as nossas contas. Até lá, sugere-se que o público tenha paciência e continue a sorver cotidianamente as baboseiras que eles produzem. Não se trata, aparentemente, de algo que se possa resolver com o tempo. Na teoria, a atuação constante e paciente da democracia — com eleições, separação dos poderes e exercício da cidadania — vai, pouco a pouco, limpando a vida política, desenvolvendo um verdadeiro espírito público e separando o joio do trigo.
Na mídia brasileira, essa teoria funciona ao contrário: com o passar do tempo, as coisas pioram, em vez de melhorar. O joio vai sendo separado, sim, do trigo — só que o “mundo da informação” fica cada vez com mais joio. Eles ignoraram o povo, com o qual não consegue dialogar, e o próprio bom senso para impor o seu coquetel anti-Dilma. A tática é deixar o eleitor sem entender patavina.
Oligarquias destronadas
Já se passaram 30 anos desde o último presidente militar, e 35 desde que o AI-5 foi revogado. É tempo mais que de sobra para aprender como funciona uma democracia. Mas o que se conseguiu de concreto nesses anos todos foi a realidade contraditória que existe hoje; de um lado, um governo apoiado pelas forças progressistas e de outro uma relativa força do condomínio da direita que luta para golpear o progresso social e a democracia. Sem o poder que a mídia acumulou, sobretudo nos anos da ditadura militar, a democracia certamente já estaria em um patamar bem mais elevado.
A direita pensa como Hipólito da Costa, que em 1808 fundou o primeiro jornal brasileiro, o Correio Brasiliense — mesmo ano da criação da imprensa no Brasil —, que dizia: “Ninguém deseja mais do que nós (a elite) as reformas úteis, mas ninguém se aborrece mais do que nós que essas reformas sejam feitas pelo povo.” Ou como o principal líder civil da “Revolução Constitucionalista” de 1932, o então dono do jornal O Estado S. Paulo, Júlio de Mesquita Filho, para quem “o império da lei e da justiça” só poderia ser restabelecido no dia em que São Paulo voltasse “à sua condição de líder insubstituível da nação'' — uma referência ao poderio das oligarquias destronadas pela Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas.
O que está realmente em jogo nisso tudo é uma diferença essencial no entendimento do que seja liberdade de expressão. Quem se opõe a esses grupos acredita em algo muito simples: os meios de comunicação que publicam informações erradas, cometem injustiças, causam danos ao público e aos indivíduos, atentam contra a lógica e ofendem o país — e até o vernáculo — não deveriam contar com a impunidade para cometer abusos indefinidamente.
Grau de democracia
O abuso do poder, em qualquer época da história da humanidade, teve sempre ao seu lado a cumplicidade da mentira. No Brasil de hoje, não é aceitável que as mazelas de um esquema monetarista, tecnocrático, contrário aos interesses da nação, sejam atribuídas precisamente àqueles que buscam o fortalecimento das instituições democráticas capazes de dar ao povo brasileiro a independência econômica e a soberania política de que tanto o país necessita.
A terapia para isso não está na criação de tribunais de disciplina. Para delitos praticados por jornalistas há o Código Penal. E para os prejuízos que causam há as indenizações aplicadas pela Justiça, com frequência e valores maiores do que em geral se imagina — apesar de isso não ser nada para o poderio econômico dos grupos que controlam o setor. O que falta é meios reais para o julgamento público de seus atos. Só com esses meios o país terá uma imprensa com o grau de qualidade que corresponda à sua exigência — da mesma forma que os países verdadeiramente democráticos têm os governos que escolhem e merecem.
Esse grau de democracia, no entanto, só será possível quando for limitada a progressão cada vez mais veloz e mais agressiva do desrespeito à liberdade de expressão como prática regular para defender interesses restritos. A desconstrução dessa desordem na vida diária do país só será possível pela via política. A coragem e a clareza que o governo mostrou ao fixar as linhas básicas de sua conduta, e que produziram resultados notáveis, só será possível na comunicação com a efetiva entrada em cena das forças progressistas.

UM PIG SEM NORTE.

Blogueiros do PIG estão desnorteados

Escrito por: Altamiro Borges
Fonte: Blog do Miro
Não é fácil ser jornalista chapa-branca do PIG (Partido da Imprensa Golpista) numa eleição tão carregada de surpresas. Nas anteriores, desde a redemocratização do país, a tarefa foi mais simples. Para derrotar Lula na primeira eleição direta, em 1989, a mídia forjou o “caçador de marajás” e os colunistas amestrados se fingiram de mortos. Nas duas seguintes, quase todos apostaram as suas fichas no “príncipe da Sorbonne”. Com a vitória de Lula, em 2002, todos viraram oposicionistas radicais e fizeram campanha pela volta dos amigos tucanos ao poder. Agora, os jornalistas de aluguel, cada um com seu blog, já tinham aderido à campanha de Aécio Neves. Mas a trágica morte de Eduardo Campos embaralhou o jogo.
Para derrotar o temido “lulopetismo”, uma obsessão doentia desta turma chapa-branca dos impérios midiáticos, alguns deixaram o ninho tucano e expressaram seu amor pela ex-petista Marina Silva. O “imortal” Merval Pereira, por exemplo, postou vários textos de elogio à candidata-carona do PSB. Outros não chegaram a este extremo, mas sinalizaram que dariam apoio a ex-senadora no segundo turno. Agora, com o derretimento de Marina Silva, eles retornam ao ninho de forma militante. Em texto neste sábado, Ricardo Noblat, que também é pago pela Rede Globo, implorou ao eleitorado para que permita o segundo turno. Já na sua postagem deste domingo, ele garante que a ex-verde Silva dará apoio a Aécio Neves.
“Marina Silva já decidiu: caso não dispute o segundo turno da eleição contra Dilma Rousseff, apoiará Aécio Neves. O anúncio do apoio deverá ser feito na segunda-feira. No mais tardar na terça-feira... Por mais que tenha dito que Aécio e Dilma não apresentaram programas de governo, ela admite que informalmente Aécio tem um, sim. E que o programa de Aécio é o mais parecido com o seu programa”, garante o blogueiro com base em fontes não reveladas. No auge da sua militância, Noblat chega a dar conselhos. “Pareceria arrogância demais Marina preferir a neutralidade, como o fez em 2010 quando negou seu apoio a Dilma e a José Serra. A neutralidade removeria Marina do primeiro plano da política nacional”.
Já Merval Pereira até lamenta que Marina Silva tenha sido “atropelada na reta final”, mas conclama a união da direita para derrotar Dilma. Para o “imortal” da famiglia Marinho, a ex-verde tem “obrigatoriamente de fazer um gesto político em direção ao companheiro de oposição que estará no segundo turno. Se mais uma vez decidir ficar em cima do muro estará confirmando que é uma liderança política não gregária, que se recusa ao jogo democrático... Sair da disputa sem apoiar o projeto oposicionista que a superou nas urnas, numa eleição tão apertada quanto essa, é ajudar que o grupo político que está no poder continue predominando”.
Dos blogueiros chapa-branca que empesteiam a mídia hegemônica, o único que parece desiludido é Josias de Souza, da Folha. Ele inclusive anunciou neste domingo que anulará parte do seu voto. Já no artigo postado no sábado, ele fez duras críticas à “inépcia da oposição”. Para ele, a liderança folgada de Dilma Rousseff decorre da “incompetência” da direita, que não soube aproveitar o clima de descontentamento presente nas “praças cheias de junho de 2013”. Diante deste cenário, o blogueiro da famiglia Frias se mostra bem desanimado com o futuro. Como se observa, é difícil ser blogueiro chapa-branca numa eleição tão complexa. Reinaldo Azevedo, pitbull da Veja, confessou sua tentação para “criar galinhas”. Outros ameaçam deixar o Brasil! Que tristeza!

UM TERRORISTA ??

Smartphone terrorista?

Escrito por: Sergio da Motta e Albuquerque
Fonte: Observatório da Imprensa
O Estado de S.Paulo informou (27/9) que a NSA, a agência de segurança nacional dos Estados Unidos, está preocupada com a criptografia do novo celular da Apple, o iPhone 6. O aparelho é capaz de neutralizar todas as medidas invasivas usadas pelo governo americano para bisbilhotar o mundo inteiro. Seu novo sistema operacional superou o arsenal de espionagem virtual dos americanos.
Da tecnologia da Apple veio “um algoritmo complexo” que grava um código criado pelo dono do aparelho, que fica com o poder total de proteção de seus dados. Nem mesmo a Apple tem acesso às senhas de seus mais modernos celulares. A megacompanhia criada pelos “Steves” (Jobs e Wosniak) acabou de criar um problemão para a agência de segurança americana, que acredita em seu direito divino de espionar a quem quiser em qualquer tempo.
O medo maior é que o aparelho caia em mão de terroristas ou estados inimigos da política externa norte-americana. A matéria foi um extrato de outra postada no dia anterior pelo New York Times (26/9). O Estadão faz um pequeno comentário online e não escondeu a fonte: sinalizou para o jornal americano, que publicou uma reportagem levantando questões importantes e preocupações atuais dos agentes estatais da agência de segurança norte-americana.
“Terroristas vão decifrar a coisa, junto com criminosos espertos e ditadores paranoicos”, previu uma fonte. Outra disse: “É como exibir um anúncio que diz: ‘Aqui está: como evitar a vigilância – mesmo a vigilância legal’”. Agentes da lei agora não podem mais obrigar a Apple a entregar dados de usuários de seus aparelhos. O usuário “tranca” tudo dentro do aparelho, e ninguém mais tem acesso a nenhum dado a não ser ele mesmo. Como deveria ser desde o início.
Em alerta
Isso irritou bastante as autoridades da segurança de Estado norte-americana. Eles não aprovam a ideia de uma empresa produzir qualquer objeto tecnológico que não esteja ao alcance de seus meios atuais de vigilância. Mas não há muito que possa ser feito. Até 1994, havia uma legislação que obrigava a toda a indústria produtora de meios de comunicação instalar uma “porta de acesso” à vigilância estatal em cada aparelho produzido. Mas ela está desatualizada. Não cobre smartphones, para o desespero das autoridades americanas.
Para piorar ainda mais a coisa, o Google anunciou um projeto semelhante para o Android. Este sistema já pode ser criptografado pelo usuário há três anos, mas não é opção padrão, e leva uma hora para o sistema alcançar um bom nível de segurança, se o usuário souber ajustar o aparelho. Tudo isso acaba em sua próxima versão a ser lançada em outubro. Tudo o que for armazenado em Android será criptografado automaticamente.
A segurança do sistema operacional foi reforçada e simplificada graças ao avanço da concorrente, que desenvolveu, junto com o seu novo telefone, um sistema operacional (o iOS 8) com uma poderosa criptografia capaz de desafiar a tecnologia atual de rastreio e causar grande desconforto entre a turma da segurança americana. E agora seus concorrentes vão trilhar o mesmo caminho, para poder seguir na competição.
É difícil acreditar que os supercomputadores da NSA não consigam quebrar a criptografia de um simples código alfanumérico de seis dígitos. Alguns duvidam da história toda. Ou, como sugeriu o New York Times, alguém pode superar a segurança do sistema, fazer um “hack” a partir da Apple e invadir o aparelho desejado. É possível, mas não é legal, informou o jornal. Mas o importante aqui não são as preocupações da agência de segurança norte-americana. O modo como eles veem o mundo e as tecnologias de comunicação, são.
O pessoal da espionagem americana ainda não entendeu bem o papel e o impacto da tecnologia entre a população. Há um mundo inteiro interconectado e inquieto lá fora, mas eles continuam a negar a realidade maior da “era pós-Snowden” e do século 21: privacidade é tudo. A preocupação maior das empresas produtoras de meios de comunicação digitais é a segurança dos dados de seus usuários. Elas têm perdido muito dinheiro em processos judiciais baseados em falhas em proteção de dados. Ou no uso abusivo deles. Os estados nacionais também estão em alerta contra ataques virtuais e invasões indevidas de bancos de dados sensíveis, desde que o governo norte-americano reafirmou sua prática de espiar a vida e o cotidiano de seus amigos e inimigos.
Sob controle
Até o momento, a grande notícia sobre o iPhone 6 era sua tendência a dobrar no bolso dos usuários. Agora, tudo mudou. Ou estamos diante da maior e melhor campanha de publicidade que jamais existiu, ou os limites da segurança norte-americana são mais frágeis do que pensamos. Não por falta de equipamento ou ciência, mas por sua concepção antiquada de tecnologia. Esta não é apenas equipamento e inovação, mas também a capacidade da população em lançar mão dela em defesa de seus próprios interesses, diretamente. De apropriar-se dela sem a mediação do Estado.
Não vale a pena sacrificar a liberdade em nome da segurança. No final, acaba-se vivendo no medo eterno do próximo atentado. Isso não é liberdade, é o jogo que o terror quer impor: um mundo mais assustador e desconfortável a cada dia.
Quando a autoridade pública acredita que tudo e todos têm que estar dentro de seu controle, não se vive mais em um Estado democrático, mas em um regime policial.