segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS.

Nacional

FST 2014: Sindipetro-RJ debate criminalização dos movimentos sociais

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Quarta, 22 Janeiro 2014
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Não é de hoje que o movimento social no Brasil é tratado como caso de polícia. Os ataques recentes da polícia aos manifestantes são considerados resquícios da ditadura militar.
"Ditadura Ontem e Hoje - Ato Político contra a Criminalização dos Movimentos Sociais" foi o primeiro tema de debate que o Sindipetro-RJ e a campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso realizaram no Fórum Social Temático de 2014, em Porto Alegre. O evento, que aconteceu nesta quarta (22), no Memorial do Rio Grande do Sul, contou com a participação do diretor da FNP Emanuel Cancella, o diretor da CUT-RJ Edison Munhoz e o representante da FIST André de Paula.
Mídia
Quem acompanha as manifestações que vêm ocorrendo desde junho do ano passado em várias regiões do país, percebe que há uma articulação política, jurídica e militar que promove uma ofensiva contra os movimentos sociais e que, segundo Edison Munhoz, recebe o respaldo da mídia.
"Na tentativa de atacar e reprimir os setores mais organizados da sociedade, aqueles que enfrentam o sistema e que lutam pelo direito à educação, saúde, transporte e moradia, utiliza-se os meios de comunicação para criminalizar e jogar o movimento social contra a sociedade", denunciou o diretor de comunicação da CUT-RJ.
Pré-sal
Emanuel Cancella relembrou a mobilização que aconteceu em outubro passado contra o leilão de licitação do campo de petróleo de Libra, o primeiro do pré-sal e o maior da história do país.
"A campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso conseguiu mobilizar milhares de pessoas contra o leilão de Libra - a maior já conseguida em leilões de petróleo. E apesar do enfrentamento e da tentativa de repressão da Força Nacional de Segurança, conseguimos levar a discussão para as ruas e para a imprensa. Até a presidenta Dilma teve que ir à rede nacional justificar o leilão. Apesar de não obter a anulação do leilão, cumprimos com o nosso dever de informar a sociedade esse crime de lesa-pátria", declarou o diretor-geral do Sindipetro-RJ e da FNP.
Copa
O representante da Frente Internacionalista dos Sem-Tetos André de Paula denunciou a violação dos direitos humanos na remoção de famílias para as obras preparatórias dos megaeventos.
"No Rio, cerca de 30 mil famílias foram despejadas direta ou indiretamente por conta da Copa, com baixas indenizações, ausência de diálogo, fazendo com que os trabalhadores sejam jogados ainda para mais longe. O legado que a Copa vai deixar será parecido com o da África, onde pessoas continuam sem moradia, e os estádios, vazios", afirmou André.

Camilla Alves,
Agência Petroleira de Notícias

FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO EM PORTO ALEGRE.

Nacional

FST 2014: o petróleo e as novas fontes de energia

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Quarta, 22 Janeiro 2014
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"Geopolítica do petróleo e a necessidade de mudança da matriz energética" foi o tema do segundo debate promovido pelos petroleiros no Fórum Social Temático de Porto Alegre.
Na tarde desta quarta-feira (22), os diretores do Sindipetro-RJ Emanuel Cancella, José Maria Nascimento e Edison Munhoz denunciaram a entrega do nosso petróleo e apontaram as perspectivas de transição para uma nova matriz energética.
"Enquanto as guerras contemporâneas têm como pano de fundo o petróleo, nossos governantes entregam a preço de banana, a maior descoberta da Petrobrás e um dos maiores campos de petróleo do mundo: 15 bilhões de barris de petróleo, uma riqueza estimada em mais de 1 trilhão de doláres vendida por 15 bilhões de reais", denunciou Cancella.
O diretor-geral do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros ainda afirmou a necessidade de transição para novas fontes de energias. "O petróleo pode ser a salvação, financiando uma nova matriz energética. No Brasil, por ser um país tropical, podemos utilizar a energia solar, bacias hidrográficas, eólica etc. Precisamos ter uma política voltada para isso e dinheiro para financiar essa mudança. Nós defendemos o uso do petróleo de forma mais racional e que seus recursos possam, também, financiar outras formas de produção de energia", concluiu.
José Maria, por sua vez, alertou sobre a tentativa de sucateamento e o processo de desinvestimento na Petrobrás, "a fim de desestabilizar economicamente a empresa e justificar a privatização do nosso petróleo".
E Edison Munhoz encerrou o debate criticando a mídia por "servir única e exclusivamente a interesses corporativos e patrocinar a entrega da maior riqueza do Brasil para petroleiras estrangeiras".

Camilla Alves,
Agência Petroleira de Notícias

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

RS CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES...

Nacional

Governo do Rio Grande do Sul reestatiza rodovias

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Segunda, 13 Janeiro 2014
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Governo do Rio Grande do Sul reestatiza rodovias privatizadas há  15 anos devolvendo a responsabilidade de cobrança de pedágios nas estradas estaduais ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e as federais ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito e Transporte (Dnit). O pedágio, suspenso desde o último domingo (29), só voltará a ser cobrado a partir do próximo dia 6 de janeiro.
A partir do próximo dia 6 de janeiro, a cobrança de pedágios em alguns trechos de rodovias do Rio Grande do Sul ficará sob responsabilidade dos governos estadual e federal, segundo notícia publicada pelo repórter especial Lucas Azevedo, do jornal O Estado de S. Paulo.  Desde último domingo (29), a cobrança foi suspensa. Há 15 anos, as praças de pedágios em estradas e rodovias no Rio Grande do sul estavam com as concessionárias que, de acordo com levantamento da Agência Reguladora dos Serviços Delegados do RS (Agergs), arrecadaram R$ 5,5 bilhões durante esse tempo.

 Desse valor arrecado em todo o período que administrou as praças de pedágios, R$ 3,06 bilhões foram investidos nas rodovias e R$ 2,44 bilhões foram gastos com funcionários, impostos, equipamentos e revertidos em lucro.

 Com a reestatização de rodovias privatizadas, as estradas estaduais estão sendo devolvidas ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), enquanto as federais, ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Sendo que três pólos com dez praças serão suspensos e dois, com cinco postos de cobrança, repassados à recém-criada Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). As estradas estaduais estão sendo devolvidas ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), enquanto as federais, ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit).

TRECHOS

A partir do dia 6 de janeiro as cobranças serão feitas nos pólos de Gramado nos trechos Gramado-Taquara (ERS-115), Gramado-Nova Petrópolis (ERS-235) e São Francisco de Paula (ERS-235) - e Metropolitano - Santo Antônio da Patrulha (ERS-474) e Viamão-Pinhal (ERS-040). Nestes locais, a cobrança será feita pela EGR.

 Já nos pólos de Carazinho, em trechos como Carazinho-Soledade (BR-386), Carazinho-Sarandi (BR-386), Carazinho-Passo Fundo (BR-285) e Carazinho-Panambi (BR-285) - de Vacaria -Vacaria-divisa com SC (BR-116), Vacaria-Campestre da Serra (BR-116) e Vacaria-Lagoa Vermelha (BR-285) - e Metropolitano - Guaíba-Camaquã (BR-116), as cobranças serão feitas pela União.
Fonte: Brasil247

domingo, 12 de janeiro de 2014

FALA BOFF...

Opinião

O funesto império das corporações

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Quinta, 09 Janeiro 2014
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Leonardo Boff reflete sobre a organização econômica mundial, em que 1% das corporações concentra a riqueza e castiga toda a humanidade. Indica a leitura de um resumo explicativo, feito pelo professor. de economia da PUC-SP Ladislau Dowbor e disponível em seu site (hppt://dowbor.org) . Ao final, indaga: até quando suportaremos?
Os bons votos de um ano feliz são rituais. Não passam de simples votos, pois não conseguem mudar o curso do mundo onde os super-poderosos seguem sua estratégia de dominação global. Sobre isso é que precisamos pensar e até rezar pois as consequências econômicas, sociais, culturais, espirituais e para o futuro da espécie e da natureza podem ser nefastas.
Muitos como J. Stiglitz e P. Krugman esperavam que o legado da crise de 2008 seria um grande debate sobre que tipo de sociedade queremos construir. Erraram feio. A discussão não se deu. Ao contrário, a lógica que provocou a crise foi retomada com mais furor. Richard Wilkinson, um dos maiores especialistas sobre o tema desigualdade foi mais atento e dissse, há tempos, nums entrevista ao jornal Die Zeit da Alemanha:”a questão fundamental é esta: queremos ou não verdeiramente viver segundo o princípio que o mais forte se apropria de quase tudo e o mais fraco é deixado para trás?”.
Os super-ricos e super-poderosos decidiram que querem viver segundo o princípio darwinista do mais forte e que se danem os mais fracos. Mas comenta Wilkinson: “creio que todos temos necessidade de uma maior cooperação e reciprocidade, pois as pessoas desejam uma maior igualdade social”. Esse desejo é intencionalmene negado por esses epulões.
Via de regra, a lógica capitalista é feroz: uma empresa engole a outra (eufemisticamente se diz que se fizeram fusões). Quando se chega a um ponto em que só restam apenas algumas grandes, elas mudam a lógica: ao invés de se guerrearem, fazem entre si uma aliança de lobos e comportam-se mutuamente como cordeiros. Assim articuladas detém mais poder, acumulam com mais certeza para si e para seus acionistas, desconsiderando totalmente o bem da sociedade.
A influência política e econômica que exercem sobre os governos, a maioria muito mais fracos que elas, é extremamente constrangedor, interferindo no preço das commodities, na redução dos investimentos sociais, na saúde, educação, transporte e segurança. Os milhares que ocupam as ruas no mundo e no Brasil intuíram essa dominação de um novo tipo de império, feito sob o lema:”a ganância é boa” (greed is good) e “devoremos o que pudermos devorar”.
Há excelentes estudos sobre a dominação do mundo por parte das grandes corporações multilaterais. Conhecido é o de David Korten”Quando as corporações regem o mundo”(When the Corporations rule the World). Mas fazia falta um estudo de síntese. Este foi feito pelo Instituto Suiço de Pesquisa Tecnológica (ETH)” em Zurique em 2011 que se conta entre os mais respeitados centros de pesquisa, competindo com MIT. O documento envolve grandes nomes, é curto, não mais de 10 páginas e 26 sobre a metodologia para mostrar a total transparência dos resultados. Foi resumido pelo Prof. de economia da PUC-SP Ladislau Dowbor em seu site (hppt:// dowbor.org) Baseamo-nos nele.
Dentre as 30 milhões de corporações existentes, o Instituto selecionou 43 mil para estudar melhor a lógica de seu funcionamento. O esquema simplificado se articula assim: há um pequeno núcleo financeiro central que possui dois lados: de um, são as corporações que compõe o núcleo e do outro, aquelas que são controladas por ele. Tal articulação cria uma rede de controle corporativo global. Essse pequeno núcleo (core) constitui uma super-entidade(super entity). Dele emanam os controles em rede, o que facilita a redução dos custos, a proteção dos riscos, o aumento da confiança e, o que é principal, a definição das linhas da economia global que devem ser fortalecidas e onde.
Esse pequeno núcleo, fundamentalmente de grandes bancos, detém a maior parte das participações nas outras corporações. O topo controla 80% de toda rede de corporações. São apenas 737 atores, presentes em 147 grandes empresas. Ai estão o Deutsche Bank, o J.P. Morgan Chase, o UBS, o Santander, o Goldes Sachs, o BNP Paribas entre outros tantos. No final menos de 1% das empresas controla 40% de toda rede.
Este fato nos permite entender agora a indignação dos Occupies e de outros que acusam que 1% das empresas faz o que quer com os recursos suados de 99% da população. Eles não trabalham e nada produzem. Apenas fazem mais dinheiro com dinheiro lançado no mercado da especulação.
Foi esta absurda voraciade de acumular ilimitadamente que gestou a crise sistêmica de 2008. Esta lógica aprofunda cada vez mais a desigualdade e torna mais difícil a saída da crise. Quanto de desumanidade aquenta o estômago dos povos? Pois tudo tem seu limite nem a economia é tudo. Mas agora nos é dado ver as entranhas do monstro. Como diz Dowbor: ”A verdade é que temos ignorado o elefante que está no centro da sala”. Ele está quebrando tudo, critais, louças e pisoteando pessoas. Mas até quando? O senso ético mundial nos assegura que uma sociedade não pode subsistir por muito tempo assentada sobre a super exploração, a mentira e a anti-vida.
Fonte: Leonardo Boff é filósofo e teólogo 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

SNOWDEN ,UM ARQUIVO VIVO.

nternacional

Snowden faz campanha para ter asilo no Brasil

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Quinta, 19 Dezembro 2013
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O ex-consultor de empresa que prestava serviços à Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, Edward Snowden, quer asilo político do governo brasileiro. Por meio de uma campanha na internet que permite a assinatura de petições, Snowden pretende obter o apoio da população brasileira para vir ao país.

Esta deverá ser a segunda vez que o ex-consultor pede asilo ao governo brasileiro. Quando as primeiras denúncias sobre espionagem dos Estados Unidos vieram à tona, Snowden pediu asilo político a 21 países, entre os quais o Brasil.Na época, o governo negou o pedido. A concessão de asilo político é uma possibilidade prevista pela Constituição.
"Se Snowden estivesse no Brasil, seria possível que ele pudesse fazer muito mais para ajudar o mundo a entender como a NSA e aliados estão invadindo a privacidade de pessoas no mundo todo, e como podemos nos proteger, informa o texto da campanha na internet. O país mais adequado para abrigar alguém que denuncia irregularidades, o país cuja presidente fez um discurso veemente na ONU [Organização das Nações Unidas] denunciando a espionagem é o Brasil", acrescenta o texto.

Esta semana, o ex-consultor enviou uma carta à senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), uma das relatoras da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem, no Senado, em que se dispõe a colaborar com o governo brasileiro caso haja "possibilidades legais" para tal. Hoje (17), a CPI se reúne para discutir o tema e a possibilidade do asilo brasileiro a Snowden está na pauta. Em julho, o assunto chegou a ser debatido na Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Senado. Por unanimidade, os parlamentares recomendaram a concessão de asilo ao ex-consultor.

Edward Snowden está atualmente na Rússia. O país lhe concedeu asilo temporário de um ano, prazo que expira em meados de 2014. As denúncias feitas por Snowden sobre as práticas de espionagem dos Estados Unidos causaram reações em vários países, entre os quais o Brasil. O tema chegou a ser discutido na ONU, para que sejam elaboradas normas internacionais com o objetivo de proteger dados na internet.

Fonte: Agência Brasil

DIREITOS HUMANOS.

Direitos Humanos

Pena de morte não declarada: a discussão sobre as polícias no Brasil

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Quarta, 18 Dezembro 2013
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O debate sobre as polícias atravessa a América do Sul. No Fórum de Direitos Humanos, a ministra de Direitos Humanos pediu reação em defesa dos mais pobres.

Alguém do público gritou: “Traidor!”. Um grupinho o seguiu. Luiz Inácio Lula da Silva os olhava do cenário, sério, muito sério. E escutou de outro setor: “Lula guerreiro/ do povo brasileiro”. Então desprendeu o microfone de seu suporte e começou a caminhar rápido, quase como Mick Jagger. Foi um momento intenso do Fórum Mundial dos Direitos Humanos que aconteceu com milhares de pessoas e centenas de painéis, entre protestos e alegrias, com clima de controvérsia e debate.

Quando Lula fez sua intervenção no Fórum, na quinta-feira pela tarde, já apareciam com nitidez dois temas. Um, o papel das polícias dos estados, que na Argentina se chamam províncias. Outro, as reivindicações de povos originários por suas terras. Os protestos contra Lula partiram de um grupo do segundo setor. No Brasil ainda se fala de índios e não de povos originários, assim como se fala de negros e não de afro-brasileiros. Sem voltas.

Lula entrou de cabeça na discussão porque antes dele a presidenta Dilma Rousseff havia sido alvo de um protesto de uma parte do público pelos mesmos dois temas.
Dilma recebeu os gritos depois de entregar os prêmios aos direitos humanos. Um dos que recebeu o prêmio foi Julio Jacobo, um portenho de Flores Sur da Flacso-Brasil que investiga sobre segurança pública e os níveis altos de vitimização de pobres e negros.

Outra das premiadas foi Debora Maria da Silva, mãe de um jovem assassinado em 2006, durante um tiroteio cruzado entre duas instituições policiais. “Se temos uma polícia militarizada, a democracia é falsa”, afirmou com voz forte. “A bala acertou no coração do meu filho, mas não me livrou do compromisso de lutar por este país.” E encerrou assim: “Se comemora o fim da ditadura militar, mas se esqueceram de comunicar à polícia que a ditadura terminou”. A ditadura governou de 1964 a 1985, durante 21 anos ininterruptos.

Polícias

No Brasil, como na Argentina, cada estado tem sua polícia. Só que no Brasil a polícia de cada estado se chama Polícia Militar. O chefe depende do governador do estado, mas antes deve ser aprovado pelas Forças Armadas.

Os dois aspectos criam um duplo problema.

Por um lado, a referência original às forças armadas vertebra polícias não verticais, mas militarizadas nas quais nem sequer os próprios agentes têm forma de defender seus direitos como cidadãos.

Por outro lado, a forte dependência dos governadores faz que o governo nacional careça de instrumentos de mando e controle.

A estrutura política do Brasil acrescenta outro problema aos dois anteriores: muitos governadores pertencem ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro que, a rigor, é uma constelação de forças estaduais. O PMDB é o aliado de centro ou de centro-direita (depende do caso e do Estado) da coalisão de governo que, a nível nacional, é dirigida pelo Partido dos Trabalhadores de Lula e Dilma. Não apenas é um aliado a nível de governações. Também, ou sobretudo, no Congresso nacional.

Dilma, então, como Lula antes, não apenas tem um limite de jurisdição, mas político. O avanço sobre os governadores ou os estados é parte de uma equação onde, além da Constituição, há margens ditadas pela política. Nessa equação, diluir-se em aliados incômodos carrega o perigo de perder identidade e perder aliados sobre o risco de diluir as possibilidades de governar o processo de mudança que tirou da pobreza 40 milhões de brasileiros nos últimos dez anos.

“No Congresso nacional não podemos fazer o que queremos”, disse Lula. “Há algo que se chama correlação de forças. Há que negociar.”

O equilíbrio não impede movimentos como o que protagonizou no próprio Fórum a ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes. “O mundo ainda discute a pena de morte, que não deveria existir mais”, disse. E se perguntou: “Não deveríamos reagir porque há uma pena de morte não declarada nos bairros periféricos de Brasil?”. A própria ministra disse:

“As democracias também precisam democratizar-se. O acesso à Justiça é fundamental em um país onde morrem proporcionalmente muito mais negros que brancos. Aproximadamente 82% mais. O racismo é parte da estrutura mais profunda de uma sociedade que foi escravista. A democracia racial não foi assumida e é uma marca profunda”.

Quando entrou uma bateria enquanto pronunciava seu discurso, a ministra olhou para eles e disse que “o Brasil acredita na democracia e no diálogo como princípio”.
Também lembrou que “no Brasil, as violações aos direitos humanos não passam despercebidas para nós, no Estado” e que “nas manifestações de junho aqui, houve uma presidenta que não reagiu com intolerância”.

Em junho, manifestantes que se concentraram primeiro em São Paulo e depois no Rio de Janeiro e nas principais cidades contra a precariedade do transporte público em alguns Estados, foram reprimidos com ferocidade. A presidenta disse que havia que escutar os protestos e os convocou a dialogar no Planalto, a casa de governo de Brasília.

Dilma chegou ao Fórum depois de ter viajado à África do Sul para os funerais de Nelson Mandela. Mencionou seu nome: “Mandela nos remete ao direito de resistência à opressão e também à capacidade de um líder de construir um país livre do racismo e da opressão”. Disse que com o projeto “Mais Médicos” o governo “leva atenção sanitária às periferias”, enquanto “enfrentamos a violência contra os jovens, sobretudo negros e pobres”.

Pablo Gentili, o secretário executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais, a quem agradeceram Nunes e Lula, falou em nome dos organizadores do Fórum.

Em um dos trechos mencionou o assassinato de Kevin Molina, o menino de 9 anos que, em setembro, morreu assinado enquanto tratava de proteger-se na cozinha de sua casa em Villa Zavaleta durante um tiroteio. “Fechem os olhos e pensem que o menino que está embaixo da mesa, entre os tiros, é nosso filho”, pediu Gentili. “Tem angústia, medo. Não sentimos um vazio? A defesa dos direitos humanos pressupõe essa sensação de indignação. Se não estamos em condições de pensar que é nosso filho não estaremos em condições de desenvolver os direitos humanos. Mas da indignação há que fabricar reflexão e desenvolver estratégias e políticas públicas.”

Sem papeis

Quando Lula chegou ao Centro de Convenções, seus colaboradores já haviam lhe informado que poderia receber vaias ou gritos. Por isso subiu ao palco, olhou fixamente aos que o insultaram e disse que jogaria fora o discurso que trazia escrito. Na verdade, Lula fez isso muitas vezes. Quando era presidente, seguidamente começava lendo e depois improvisava. No Fórum mudou, pareceu decidir pelo gesto de lançar os papéis fora de forma ostensível. Fez, disse e depois de olhar aos que gritavam, gritou ele mesmo, com o microfone na mão:

“Se há algo que não me assusta é o protesto. Na década de 80 e de 90 ninguém protestou mais que eu, e os trabalhadores enfrentaram a polícia. Lutamos duramente pela democracia. Os governantes devem ter consciência de que a democracia permitiu que um índio chegasse à presidência da Bolívia, um negro à presidência dos Estados Unidos, um torneiro à presidência do Brasil e uma torturada pela ditadura à presidência deste país. Me orgulho de ter sido eleito presidente depois de três derrotas. Muitos queriam que desistisse, mas eu queria provar à elite brasileira que um torneiro mecânico sem diploma universitário podia ser presidente da república e fundar mais universidades que qualquer outro”.

Lula se meteu com a história. “Em 1550 o Peru já tinha sua primeira universidade. O Brasil, recém em 1930. Quase 400 anos depois. Hoje acontece que nunca tivemos tanta gente da periferia, tantos negros estudando neste país. Cerca de 50% dos alunos da Universidade Federal do ABC, que acaba de me conceder o doutorado Honoris Causa, são da periferia. Isso se chama direitos humanos. Dar ao pobre o direito de ser engenheiro, de ser diplomata, de discutir o mercado de trabalho em igualdade de condições. Quantos de vocês vieram de avião... Antes para estes fóruns só viajávamos em ônibus e dormíamos em colchões na rua.”

Narrou que, na primeira vez que viu Mandela, “entendi que as pessoas não estavam contentes de que todos houvessem saído da pobreza, porque isso não havia acontecido, mas porque o povo sentia que Mandela havia recuperado a dignidade dos negros”.

Em sua própria opinião, a melhor herança que deixou foram as conferências nacionais para debater temas. “Me diziam que não fosse à LGTB. Fui. Tratei com respeito e me trataram com respeito.”

“Se é pouco? Sim, claro, eu sei que é pouco. Mas também, se quiserem saber, como experimentei em minha própria vida, o que é buscar água em um balde, como é estar sem comer, como é levantar com bichos na cama, perguntem a mim.”
Fonte: Carta Maior

TRANSPORTE URBANO : A MESMA VERGONHA DE SEMPRE.

Questões Urbanas

Movimento Passe Livre RJ divulga nota sobre ato contra o aumento das passagens no Rio

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Sábado, 28 Dezembro 2013
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Leia a íntegra da nota do MPL Rio de Janeiro. Próximo protesto será no dia 16 de janeiro, às 17h30, na Candelária.
Depois do anúncio do prefeito Eduardo Paes de que aumentará o valor das tarifas dos ônibus na cidade do Rio de Janeiro, os protestos não demoraram a retornar. No fim da tarde da sexta, 20 de dezembro, os manifestantes realizaram passeata pelas ruas do centro do Rio repudiando aumento de passagens e exigindo a redução da tarifa.
Centenas de pessoas levaram cartazes e fantasias para mostrar sua indignação com criatividade e radicalidade. A campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso, assim como outros movimentos e organizações, participou do protesto levando suas faixas e materiais contra a privatização do petróleo. O próximo ato contra o aumento das passagens está marcado para quinta, 16 de janeiro, às 17h30, na Candelária.
Eduardo Paes anuncia novo aumento
O prefeito Eduardo Paes confirmou que haverá aumento de passagens de ônibus no ano que vem. No dia 29 de maio de 2013, a Prefeitura do Rio de Janeiro publicou no Diário Oficial o decreto que estabelecia o aumento da tarifa para R$ 2,95, a partir de 1º de junho. A partir daí, manifestações se espalharam pelo país e com enorme intensidade na capital fluminense. Diante da pressão popular, que se ampliou para uma luta por direitos sociais, o governo do Rio cedeu 19 dias após o reajuste entrar em vigor e retornou para R$ 2,75.
— É uma previsão contratual ter aumentos de passagens. Fizemos uma redução esse ano por motivos óbvios mas temos o contrato. Fazemos essa conta a partir da planilha de equação econômica existente. Fazemos isso e devemos implementar na frente — afirmou Paes, sem antecipar a data ou os valores do aumento das tarifas.

Leia a nota na íntegra do Movimento Passe Livre sobre o ato de 20 de dezembro:
NOTA SOBRE O ATO PÚBLICO DE 20/12/2013 - MPL
Em dezembro de 2013 o Movimento Passe Livre convocou para o dia 20 um protesto, tendo em vista a iminência de mais um aumento na tarifa dos transportes coletivos, promovido pelo prefeito Eduardo Paes, em sua necessidade de cumprir compromissos com os barões do transporte.
A população ciente desta incrível piada de mal gosto, que é o aumento da tarifa de um transporte violento, precário e excludente, mostrou novamente sua força nas ruas em um ato de aproximadamente 2 mil pessoas dizendo um
grande basta a política de encarecimento da vida, que beneficia exclusivamente ao empresariado. 
Torna-se imprescindível para nós, portanto, manifestar a satisfação em contar com tantos rostos e ideias na construção do ato que inicia esta nova jornada de luta.
De negro, vermelho, colorido, independentes e antigos lutadores (e nem tão antigos assim), todos juntos construímos um só coro:#CONTRAoAUMENTO. Forte o bastante para ser ouvido e abalar o ímpeto do capital.
Construímos juntos nas ruas, escolas, comunidades, universidades, etc, mas também nos blogs, no face, nas fotos e vídeos livres que divulgam e compartilham as informações tão necessária para acabarmos com a infame catraca. A todos, muito obrigado.
Aos companheiros que nos tiram das sangrentas e terríveis garras da repressão, instruindo, acompanhando e "resgatando" a população das grades que aprisionam nossas vozes, fica aqui também o agradecimento.
O MPL deseja saudar todos que lutam, entendendo que a ação direta é o meio que provou trazer vitórias para os movimentos sociais, e que a luta é onde pode se forjar a unidade.
A população garantiu que a passagem não aumentasse em junho. Hoje devemos continuar pressionando os governantes e o poder econômico para a manutenção de nossa vitória e avançar no sentido da tarifa zero e do direito à cidade.
Esperamos que todos tenham um fim de ano iluminado pelas chamas de catracas queimadas em 2013.
A luta continua e 2014 vai ser maior!
MPL Rio e Niterói


Fonte: Agência Petroleira de Notícias
Fotos: Samuel Tosta / Agência Petroleira de Notícias