domingo, 24 de novembro de 2013

MENSALÃO UMA FARSA JUDICIAL.

1 - Supremo Tapetão Federal - Ricardo Melo (Folha de S. Paulo)

2 - Prisões, por Luis Fernando Veríssimo (O GLOBO)

3 - Quando março chegar - Janio de Freitas (Folha de S. Paulo)



1 - Supremo Tapetão Federal - Ricardo Melo (Folha de S. Paulo)

Derrotada nas eleições, a classe dominante brasileira usou o estratagema habitual: foi remexer nos compêndios do "Direito" até encontrar casuísmos capazes de preencher as ideias que lhe faltam nos palanques. Como se diz no esporte, recorreu ao tapetão.

O casuísmo da moda, o domínio do fato, caiu como uma luva. A critério de juízes, por intermédio dele é possível provar tudo, ou provar nada. O recurso é também o abrigo dos covardes. No caso do mensalão, serviu para condenar José Dirceu, embora não houvesse uma única evidência material quanto à sua participação cabal em delitos. A base da acusação: como um chefe da Casa Civil desconhecia o que estava acontecendo?

A pergunta seguinte atesta a covardia do processo: por que então não incluir Lula no rol dos acusados? Qualquer pessoa letrada percebe ser impossível um presidente da República ignorar um esquema como teria sido o mensalão.

Mas mexer com Lula, pera aí! Vai que o presidente decide mobilizar o povo. Pior ainda quando todos sabem que um outro presidente, o tucano Fernando Henrique Cardoso, assistiu à compra de votos a céu aberto para garantir a reeleição e nada lhe aconteceu. Por mais não fosse, que se mantivessem as aparências. Estabeleceu-se então que o domínio do fato vale para todos, à exceção, por exemplo, de chefes de governo e tucanos encrencados com licitações trapaceadas.

A saída foi tentar abater os petistas pelas bordas. E aí foi o espetáculo que se viu. Políticos são acusados de comprar votos que já estavam garantidos. Ora o processo tinha que ser fatiado, ora tinha que ser examinado em conjunto; situações iguais resultaram em punições diferentes, e vice-versa.

Os debates? Quantos momentos edificantes. Joaquim Barbosa, estrela da companhia, exibiu desenvoltura midiática inversamente proporcional à capacidade de lembrar datas, fixar penas coerentes e respeitar o contraditório. Paladino da Justiça, não pensou duas vezes para mandar um jornalista chafurdar no lixo e tentar desempregar a mulher do mesmo desafeto. Belo exemplo.

O que virá pela frente é uma incógnita. Para o PT, ficam algumas lições. Faça o que quiser, apareça em foto com quem quer que seja, elogie algozes do passado, do presente ou do futuro --o fato é que o partido nunca será assimilado pelo status quo enquanto tiver suas raízes identificadas com o povo. Perto dos valores dos escândalos que pululam por aí, o mensalão não passa de gorjeta e mal daria para comprar um vagão superfaturado de metrô. Mas como foi obra do PT, cadeia neles.

É a velha história: se uma empregada pega escondida uma peça de lingerie da patroa para ir a uma festa pobre, certamente será demitida, quando não encarcerada --mesmo que a tenha devolvido. Agora, se a amiga da mesma madame levar "por engano" um colar milionário após um regabofe nos Jardins, certamente será perdoada pelo esquecimento e presenteada com o mimo.

Nunca morri de admiração por militantes como José Dirceu, José Genoino e outros tantos. Ao contrário: invariavelmente tivemos posições diferentes em debates sobre os rumos da luta por transformações sociais. Penso até que muitas das dificuldades do PT resultam de decisões equivocadas por eles defendidas. Mas num país onde Paulo Maluf e Brilhante Ustra estão soltos, enquanto Dirceu e Genoino dormem na cadeia, até um cego percebe que as coisas estão fora de lugar.



- Quando março chegar - Janio de Freitas (Folha de S. Paulo)

Na conturbada sessão do Supremo Tribunal Federal de quarta passada, quando decididas as prisões do mensalão sem esperar pelo fim dos recursos de defesa, um dos vários incidentes surgiu e repicou insistentemente sem sequer indício de algo que o explicasse. A ocorrência das prisões no 15 de novembro não só o explicou, como explicou muito mais. E com mais importância.

Já a antecipação das prisões entrava em discussão. Ricardo Lewandowski ponderou que, tendo o procurador-geral da República entrado com novo documento no processo, do qual o ministro recebera cópia e notara o despacho "Junte-se" assinado por Joaquim Barbosacabia à defesa pronunciar-se a respeito. Marco Aurélio Mello endossou de pronto a ponderação, pronunciamento de uma parte chama o da outra. O documento propunha as prisões imediatas.

Joaquim Barbosa desfechou, com raiva, um ataque súbito ao procurador-geral Rodrigo Janot, sentado à sua direita, por lhe mandar o documento na véspera, o qual nem ao menos lera antes de despachar. Do seu teor só tomava conhecimento ali, naquela hora.

Não precisaria dizer, aqui, que Marco Aurélio Mello se esbaldou em gozações ao presidente do tribunal que confessava assinar e despachar documentos sem os ler. Barbosa repetiu, e repetiu mais, o ataque à atitude de Janot, no entanto adotada com perfeita formalidade e no seu direito funcional.

Também não precisaria dizer que Joaquim Barbosa atropelou a ponderação sobre um direito de defesa e um dever de juízo, e aparentemente foi acompanhado pela maioria (com a intensidade da balbúrdia, o presidente não conseguiu formular o sentido e a forma da decisão do tribunal; adiou-a, e não a expôs na sessão seguinte).

Mas toda a crítica raivosa, que o procurador-geral Rodrigo Janot ouviu como um soldado ao tenentinho que experimenta o seu recente poder de humilhar, ficou explicada no feriado. Já em meio à exaltação com Marco Aurélio e Janot, aliás, Joaquim Barbosa dissera que já tinha preparada a medida quando o procurador-geral a pedira. Mas, na sessão, isso não pareceu importante porque nada levava a prever-se a intenção de Joaquim Barbosa de determinar as prisões para 15 de novembro.

Claro, com seu pedido, o procurador-geral pôs-se na iminência de se apropriar das prisões e dos efeitos promocionais decorrentes de providenciá-las. Mesmo não sendo esse o propósito de Rodrigo Janot, foi até manchete de primeira página com o que pedia. A intenção marqueteira pulou-lhe na garganta.

A ida dos presos de São Paulo, Belo Horizonte e Goiânia, cidades de suas residências, para cadeias injustificáveis em Brasília foi, mais do que sem sentido, por isso mesmo sem amparo legal. Mas proporcionou um espetáculo de marketing político extraordinário pelo alcance, social e geográfico, e pela concentração precisa sobre o beneficiário. Se apenas para colher palmas em lugares públicos ou para mais que isto, saberemos quando março encerrar o prazo especial de inscrições partidárias-eleitorais. Mas a convicção de que não será preciso esperar até lá, com as indicações dadas pelo espetáculo fabricado para o 15 de novembro, já supera as prisões como assunto na política.

Prisões, por Luis Fernando Veríssimo O GLOBO
“Prevejo duas coisas: uma que quando exumarem esse processo do mensalão daqui a alguns anos, como agora fazem com os restos mortais do Jango Goulart, descobrirão traços de veneno, injustiças e descalabros que hoje não dão na vista ou são ignorados. O que só desgravará alguns dos condenados quando não adiantar mais nada”.

(Assessoria de Comunicação André Vargas)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

REFORMA AGRÁRIA:VERGONHA NACIONAL.

Reforma Agrária

Fazendeiros invadem Funai e bloqueiam saída de funcionários indígenas

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Terça, 19 Novembro 2013
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Um grupo de 150 pessoas invadiu a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) e bloqueou a saída de funcionários e indígenas na manhã desta terça-feira, 19, em Campo Grande (MS).
 
 
Em nome de proprietários de fazendas que incidem sobre territórios indígenas, os manifestantes se posicionaram “contra" o órgão indigenista e contra a “invasão” de terras no estado do Mato Grosso do Sul. Algumas pessoas vestiam camisetas da Federação da Agricultura e Pecuária do MS (Famasul). Um Terena foi agredido durante a manifestação.

Entre os participantes, os indígenas identificaram a presença dos fazendeiros Ricardo Bacha, ex-deputado e proprietário da fazenda onde Oziel Terena foi assassinado pela Polícia Federal, e Chico Maia, presidente da Associação dos Criadores do Mato Grosso do Sul (Acrissul). Pio Silva, dono de fazendas que incidem sobre a terra indígena Nhanderu Marangatu, também foi reconhecido pelos indígenas.

“Os outros eram funcionários de fazenda, capatazes, arrendatários”, explica Dionedison Terena, que estava no local e filmou a invasão. "Agrediram a gente, queriam tomar nossos equipamentos de filmagem”, ele relata. “Foi muito tenso e estranho. A maioria nem sabia direito o que significavam as faixas que estavam segurando”.

Agressão

O protesto começou com o fechamento da Rua Maracaju, no centro de Campo Grande, local da sede da Funai. Em seguida, os manifestantes invadiram a sede do órgão. “Uma mulher gritou: ‘vocês [Funai e indígenas] invadem as nossas terras, por que não podemos invadir a Funai também?’, e começou o empurra-empurra. Eles forçaram a entrada, me empurraram com força. Fiquei com um machucado na barriga”, expõe.

“Eles gritavam e ameaçam os servidores da Funai e a gente, principalmente quem estava com câmera”, conta o indígena, que quase teve seu equipamento tomado pelos manifestantes. “Depois me ameaçaram de novo, quando eu estava dando uma entrevista para o SBT. Eu falava com o repórter, um homem ficou nervoso, me chamou de mentiroso e veio pra me acertar com uma garrafa. Os funcionários da Funai seguraram ele e o repórter teve que interromper a entrevista”, explica.

Durante a invasão, trabalhadores da Funai e indígenas presentes não podiam sair da sede do órgão indigenista. “Eu não me atreveria a sair de lá”, conta um funcionário da Funai. Cerca de seis homens da Polícia Militar e um delegado da Polícia Federal estiveram no local, mas, segundo o relato, não se envolveram no conflito. Por volta de meio-dia, os manifestantes deixaram o local.

“Nova Suiá Missu”

Diversas faixas do protesto comparavam o contexto fundiário do estado com o da fazenda Suiá Missu, que incidiam sobre o território dos Xavante de Maraiwatséde. Questionados por jornalistas, os manifestantes que empunhavam faixas como “Não queremos em MS uma nova Suiá Missu” não sabiam explicar o significado da frase.

No início do mês, o vice-presidente da Acrissul, Jonatan Pereira Barbosa, anunciou publicamente durante uma audiência com senadores: "se no dia 30 de novembro nada for feito para dar segurança e paz à região, haverá derramamento de sangue”. Na sequência, fazendeiros declararam que realizarão o “Leilão da Resistência”, evento onde serão vendidos animais e cujos recursos serão destinados a ações de combate às ocupações de terras por indígenas no estado.
 
 
Fonte: CIMI.

Foto: Blog Questão Indígena.

POLUIÇÃO AMBIENTAL TOTAL.

Indústria do Gás de Xisto é nova frente de riscos exploratórios e conflitos
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Segunda, 18 Novembro 2013
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Mais que nunca, é uma indústria sem pátria, corruptora de autoridades e de pesquisadores, modeladora das pautas da mídia, incansavelmente antidemocrática (Oswaldo Sevá *)
 
Os gases das camadas de xisto, em profundidades entre dois mil e mais de três mil metros, vêm sendo extraídos em várias bacias sedimentares pelo mundo afora por um método que os norte-americanos popularizaram como fracking, uma corruptela de hydraulic fracturing, ou seja, fraturamento hidráulico.
 
Mesmo sem ser especialista nessas técnicas de perfuração e produção de gás, considero esta uma tecnologia do tipo “raspar o fundo do tacho”, “torcer a toalha até a ultima gota” .
 
Objetivamente, pode-se indicar com alguma precisão, por meio de levantamentos  sísmicos e modelos computacionais,  onde está e quais as dimensões de cada camada rochosa de xisto, que é uma espécie de carvão mineral e, como este, contém hidrocarbonetos gasosos em seus poros, interstícios e óleos entranhados.
 
Mas... não se pode saber o quanto existe nem quanto pode ser coletado do tipo similar ao gás natural, com boa proporção de metano (CH4), de interesse comercial já estabelecido.
 
 
Bota pra quebrar: atrás do xisto
 
O fracking pode ser assim resumido:
 
- no ponto escolhido para perfuração – que pode estar numa fazenda, numa comunidade rural, numa área protegida, no subúrbio de uma cidade –, montam-se torres com brocas, constroem-se galpões e tanques para os insumos, estacionam-se caminhões especiais e outras máquinas pesadas, como geradores e compressores, funcionando 24 horas por dia.
 
- gasta-se uma enorme quantidade de borra composta de água, areia refinada e produtos químicos variados,  e também uma boa proporção de combustível e eletricidade para poder retirar restos de hidrocarbonetos gasosos entranhados nas camadas de xisto por meio de um procedimento invasivo destrutivo: aumentar e ampliar as fissuras, fraturar as rochas, quebrá-las de modo praticamente incontrolável, introduzindo essa borra química sob pressão em uma tubulação vertical, até alcançar a “rocha-mãe” do xisto, e depois, perfurando-a na horizontal, entrando no miolo da rocha, botando pra quebrar!
 
- a borra  retornada para a superfície é uma espécie de salmoura contendo os gases que interessam, que são separados, tratados e despachados por gasodutos até os centros de consumo.
 
- a borra contém compostos químicos contaminantes e deveria ser tratada em estações específicas, caras, e cujo subproduto também é de difícil destinação; muitas vezes a opção das empresas é estocar a borra de retorno em bacias de rejeito na superfície (como as da mineração)  e  depois fazer a reinjeção no subsolo;  aí reside um dos grandes riscos aos lençóis freáticos e aos poços artesianos - os compostos químicos podem migrar no subsolo e atingir grandes profundidades, com o que também os aquíferos profundos correm risco de contaminação.
 
Mundo afora: resistências à velocidade do fracking e os impactos sociais e ambientais
 
Pelo mundo afora, o fracking se amplia vorazmente e, junto com ele, reclamações, desconfianças, protestos e tentativas de enquadrar, controlar as consequências, restringir a atividade nos EUA, Argentina, Tunísia, Argélia, Espanha, França, Ucrânia, dentre outros.
 
Nos EUA, estima-se que 90% dos poços de gás natural sejam do tipo faturamento hidráulico, respondendo por cerca de 25% da produção total de GN. As principais operadoras são as nossas conhecidas Exxon Mobil, BP, Conoco Phillips, Chevron e as menos conhecidas Cheseapeke Energy, considerada a maior operadora internacional de gás de xisto, mais a Anadarko, Devon, Southwestern e outras cujos nomes que certamente estarão no Brasil nas rodadas de licitações da ANP.
 
Um dos sites que melhor acompanham a luta política e os movimentos sociais naquele país, o “Truthout”,  mantém aberto um dossiê para acompanhar os protestos e manifestações públicas nos 31  Estados onde as perfurações avançaram nos últimos anos -
http://truth-out.org/news/item/8740-gas-rush-fracking-in-depth
 
Ali se pode saber das propostas do governo do Estado de  Nova York  para interditar a atividade em áreas próximas das captações de água para as cidades e nas terras públicas.
 
Em muitos outros locais, há suspeitas de que a ampliação do  fracking possa comprometer o suprimento público de água, e há ainda alguns casos famosos em áreas rurais com poços artesianos, onde a água da torneira pega fogo...
 
Outras matérias tratam das manobras legislativas e tributárias das operadoras que não estariam pagando os royalties devidos aos proprietários dos locais de perfuração e aos governos.
 
Além disso, as empresas não revelam, resistem a informar ao próprio governo exatamente quais compostos químicos entram na lama de perfuração, e fazem lobby constante para afrouxar requisitos ambientais, licenciamentos pela agência EPA e para rebaixar os padrões de contaminação da água e do subsolo.
 
As poucas pesquisas tornadas públicas mostram níveis elevados de contaminação da água subterrânea  por metais pesados; por exemplo, na Pensilvânia, entidades médicas reivindicam do governo estadual que faça estudos dos efeitos sobre a saúde pública antes de autorizar as perfurações.
 
Problemas também se somam nas áreas de extração de areia, onde dunas e morros são desmontados rapidamente para suprir o insumo mais ponderável da borra  de fraturamento. E o cerco do shale gas vai apertando: áreas suburbanas também vão sendo perfuradas, com problemas ainda maiores afetando moradores, suas atividades produtivas e o funcionamento dos serviços coletivos.
 
No Estado de Ohio, há evidências de que tremores de terra e pequenos terremotos estariam sendo provocados pelo fracking. Pode-se ver a respeito, no mesmo site “Truthout”, a investigação do jornalista Mike Ludwig:  http://truth-out.org/news/item/10606-special-investigation-the-earthquakes-and-toxic-waste-of-ohios-fracking-boom
 
Outros informes bem detalhados podem ser obtidos no site “ProPublica Journalism in the public interest”, cuja linha principal é acompanhar os casos de saúde pública, os problemas das coberturas de saúde pública e privada, as relações entre médicos e laboratórios e outros casos de ética médica. E que também colocou em destaque uma série especial sobre a rápida expansão do fracking em tantas localidades norte-americanas -  http://www.propublica.org/series/fracking
 
No Canadá, províncias como  British Columbia e Alberta oferecem vantagens para empresas perfurarem, enquanto na província de New Brunswick, em 17 de outubro desse ano, uma tropa de duzentos homens da Polícia Montada canadense reprimiu com violência grupos indígenas que protestavam contra o fracking, bloqueando a rodovia de acesso à empresa petrolífera Southwestern em suas terras -  http://www.truth-out.org/news/item/19496-canadian-police-use-military-tactics-to-disperse-indigenous-anti-fracking-blockade
 
O enfrentamento na Argentina versus passividade brasileira
 
Na vizinha Argentina, o desembarque de las petroleras na busca do gás de xisto foi recebido com bastante resistência em várias localidades, como no caso das províncias de Chubut, Entrerios, Neuquén, Mendoza. Por conta dos problemas da indústria petrolífera no país, que persistem há décadas, uma frente de entidades de populações atingidas  e de militantes  mantém o excelente site “Observatório Petrolero Sur” -http://www.opsur.org.ar/blog/
 
Monitorando de perto os desmandos e manobras da indústria e mobilizando campanhas nacionalmente, já editou o segundo número de uma revista chamada  Fractura expuesta - cujo editorial qualifica a expansão do gás de xisto naquele país como uma Blitzkrieg , uma guerra relâmpago. Interessante que o fato de a YPF ter sido retomada pelo governo de Cristina Kirchner, expropriando a espanhola Repsol, parece não alterar a disposição da frente anti-petroleiras – o que no Brasil seria considerado uma heresia, imaginem! questionar a Petrobrás...
 
“Transcurrido un año de la expropiación a Repsol, la formación Vaca Muerta sigue siendo un horizonte: lo que la empresa no pudo avanzar en la explotación, por falta de recursos financieros y tecnológicos, lo hizo en el plano publicitario, no sólo presentándose como una alternativa confiable para el desarrollo nacional, sino como posibilidad de ahorro ante la inflación y el cepo al dólar. También ganó en publicidad lanzando al ruedo otras formaciones que se suman a la batalla por una “Argentina Potencia no convencional”: las formaciones Pozo D-129 y Aguada Bandera, estrellas de la Cuenca del Golfo San Jorge; Los Molles, Agrio y Las Lajas, en la Cuenca Neuquina, con menos prensa que su par bovina; Cacheuta, en Mendoza, la guarnición novedosa del banquete de Chevron; y Los Monos, en Salta, precalentando para entrar a la cancha” - http://www.opsur.org.ar/blog/2013/07/04/descargate-invasion-fracking-el-segundo-numero-de-fractura-expuesta/
 
No mesmo editorial, o pessoal do Opsur ressalta a entrada da Chevron em território argentino com essa tecnologia de faturamento como parte de uma estratégia das oil sisters na ótica da chamada segurança energética... dos EUA. Uma das matérias da revista trata da atuação intensa do Departamento de Estado dos EUA, que propagandeia a “revolução dos não-convencionais” e instrumenta intercâmbios e programas de capacitação com diversos países. Outra matéria destaca as idas e vindas desde a primeira proibição parcial do fracking em 2011 pela Assembleia Nacional francesa, até a tramitação, em 2013, de um novo projeto de lei apresentado por um deputado da maioria socialista-ecologista de François Hollande, para ampliar o conceito de faturamento hidráulico e proibi-lo de forma geral.
 
Aqui também os contrastes com o Brasil são inevitáveis, e de novo ficamos em inferioridade: o governo nada socialista de Rousseff e Temer jamais proibiria qualquer expansão projetada pela indústria petrolífera. A Chevron fez o que fez no campo de Frade, Rio de Janeiro, de certo modo foi acobertada pela Petrobras e, desde o início, francamente blindada pela grande mídia.  Passado um ano e pouco, na prática, a Chevron ficou impune e está de novo posando como parceira em importantes projetos considerados de interesse nacional - a ver nos próximos dias, em quantos dos blocos da 12a. rodada ela vai se apresentar e levar a prenda.
 
Enfim, a conjuntura brasileira de novembro de 2013 será marcada pela 12a. rodada de licitações  da ANP, prevista para os dias 28 e 29. O fracking é denominado marotamente de “não convencional”, e seriam “leiloados” duzentos e quarenta blocos territoriais com áreas variando de dezenas de km2 até mais de dois mil km quadrados, nos Estados do Acre, Amazonas, Piauí, Maranhão, Goiás, Tocantins, Sergipe, Alagoas, Bahia, Mato Grosso. No caso do Oeste de São Paulo e  do norte do Paraná,  é sabido que no subsolo dessa região, que a ANP chama de Bacia sedimentar Paraná,  encontra-se o valioso Aquífero Guarani, com vários trechos de afloramento e de recarga em áreas onde a invasão fracking se prepara.
 
Último ponto, e motivação principal desse artigo: os questionamentos vindos da oposição e da esquerda sobre as decisões de governo e da agência reguladora são sempre de ordem econômica, da renda petrolífera, e relativos à soberania. São em geral críticas justas, pertinentes, mas parece que seus autores não sabem – ou, se sabem, não dão valor -  dos graves e disseminados problemas de poluição e de riscos de acidentes.
 
Também é como se não existissem as numerosas situações de desrespeito aos direitos humanos e políticos, que caracterizam a espoliação das populações residentes nas áreas eleitas para sediar os projetos de prospecção, exploração e as infraestruturas dessa toda poderosa indústria petrolífera.
 
Mais que nunca, é uma indústria sem pátria, corruptora de autoridades e de pesquisadores, modeladora das pautas da mídia, incansavelmente antidemocrática. Agora, ela vai botar pra quebrar com o gás de xisto.
Que sejam ouvidos pelos de mente aberta, que sejam benvindos às nossas lutas aqueles que criticarem, resistirem e enfrentarem o fracking.
 
Oswaldo Sevá é professor aposentado do Departamento de Energia da FEM e participante do Doutorado em Ciências Sociais, da Unicamp.
 
Fonte: Correio da Cidadania - 14/11/13.
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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

OBRIGADO EDUARDO PAES..

Rio tem 3º pior trânsito do mundo, diz estudo; SP fica em 7º lugar

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YURI GONZAGA
DE SÃO PAULO
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Atualizado às 16h27.
Motoristas perderam 48 minutos para cada hora dirigida no horário de pico de São Paulo durante o segundo trimestre deste ano. Mas no Rio de Janeiro a situação é pior: para um trajeto que levaria uma hora, os cariocas gastaram mais 1h06min no trânsito, segundo um relatório da TomTom, empresa holandesa de tecnologia de transporte, liberado na semana passada e divulgado no Brasil ontem.
O estudo, que inclui 169 cidades do mundo, Rio e São Paulo são as únicas representantes brasileiras, classifica a capital fluminense como a terceira mais congestionada do mundo, atrás de Moscou e Istambul. São Paulo é a sétima pior.
Os dados são oriundos dos usuários de dispositivos GPS da TomTom que aceitam ceder informações de localização --de maneira anônima, garante a companhia. É a primeira vez que o Brasil faz parte do estudo (veja os relatórios em bit.ly/relatom ).
A empresa não divulga o número de aparelhos que foram usados para o estudo, mas libera que 1,1 bilhão de "corridas" compuseram os dados relacionados à capital paulista e 200 milhões os do Rio de Janeiro.
A base são as "principais vias" de cada metrópole. Compara-se a diferença entre a média de velocidade dos horários de pico (entre as 7h e as 11h e entre as 18h e as 22h) e a dos horários de trânsito livre.
O dia de pior trânsito no período nas cidades foram duas sextas-feiras: 14 de junho em São Paulo, auge da onda de manifestações, e 17 de maio no Rio, dia de fortes chuvas na cidade.
Levando em consideração apenas o continente americano, o Rio é considerado o município mais congestionado, e é seguido pela capital paulista. Nesse escopo entram 54 cidades dos EUA e cinco do Canadá.
A geografia da capital fluminense condena seus motoristas, segundo a TomTom. "A questão é física: no Rio não há como escapar de algumas poucas vias, já que de um lado há montanha, e do outro o mar", diz Marcelo Fernandes, gerente de conteúdo para a América Latina.
Ele diz que outras metrópoles brasileiras serão incluídas no estudo do terceiro trimestre, que deve ser divulgado em dois meses, mas que nenhuma outra cidade deve ter congestionamento pior que o Rio ou que São Paulo.
Segundo dados de 2012 do IBGE, o paulistano gasta em média 46 minutos para ir ao trabalho, enquanto o carioca gasta 47 minutos. Em seguida estão Salvador (40 min), Belo Horizonte (36,7 min), Brasília (35,3 min), Curitiba (32,5 min), Fortaleza (31,6 min) e Porto Alegre (30 min).
Confira a relação das cidades com pior trânsito
1. Moscou
2. Istambul
3. Rio
4. Varsóvia
5. Palermo
6. Marselha
7. São Paulo
8. Roma
9. Paris
10. Estocolmo

sábado, 9 de novembro de 2013

XISTO:TRAGÉDIA AMBIENTAL.

Reservas Estratégicas

Xisto: implicações econômicas e ambientais

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Quarta, 06 Novembro 2013
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“Há um grupo grande de cientistas que trabalham diretamente com a questão da água e que estão legitimamente muito preocupados com a possibilidade de autorização da exploração do xisto no Brasil..." (geólogo Luiz Fernando Scheide ao IHU On Line)


A dependência energética externa dos Estados Unidos e o uso de tecnologias que possibilitam a extração do gás não convencional – conhecido popularmente como xisto – no território estadunidense têm gerado interesse de vários países em explorar essa fonte de energia. Entretanto, segundo o geólogo Luiz Fernando Scheibe, as vantagens econômicas dessa extração são apenas “aparentes”, porque a exploração do gás envolve um processo complexo e “a grande produção” dos poços só ocorre no primeiro ano. “Depois do primeiro ano de extração se produz muito pouco gás. Esses dados, inclusive, estão disponíveis no material da Agência Nacional do Petróleo - ANP. A questão é saber se o período de pagamento do investimento é tão rápido assim”, pontua o geólogo, em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone.

De acordo com Scheibe, a comunidade científica brasileira solicitou que o xisto seja excluído do leilão energético programado para os dias 28 e 29 de novembro. Os especialistas argumentam que é preciso estudar com calma as variáveis que estão contidas na exploração. Na avaliação do pesquisador, a extração do gás não convencional “gera problemas ambientais sérios tanto do ponto de vista da contaminação do metano, como da contaminação da água que se utiliza para fazer o fraturamento hidráulico”. E acrescenta: “Querer começar a explorar o xisto no Brasil, sem uma infraestrutura adequada, sabendo que se trata de uma exploração controlada e que toda a grande produção é feita no primeiro ano, é querer se arriscar a produzir o gás e não ter o que fazer com ele. Ou seja, a Petrobras pagaria por um gás que não será consumido”.

Luiz Fernando Scheibe é doutor em Ciências (Mineralogia e Petrologia) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é professor aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Confira a entrevista.


IHU On-Line - Hoje se fala em uma revolução do “xisto” nos EUA. O que isso significa? Trata-se de uma nova revolução energética? Por que o interesse em investir no xisto?

Luiz Fernando Scheibe - Todos sabem que os EUA sempre foram extremamente dependentes de fontes externas de energia, por causa do consumo alto de energia no país.

Os EUA se consideram meio “donos” do mundo e da possibilidade de intervir em qualquer lugar em que os interesses deles, principalmente os energéticos, se encontrarem ameaçados. Essa dependência dos fatores externos fez com que eles, ao se depararem com essa nova tecnologia do fraturamento hidráulico através de perfurações direcionadas, se jogassem nesse novo sistema.

Realmente conseguiram, em grande parte, superar uma parcela dessa dependência de recursos externos de petróleo. Então, a extração do xisto, no caso deles, passa primeiro por uma questão econômica no sentido de que, aparentemente, é um pouco mais barato explorar o xisto. Mas passa também, e principalmente, pela dependência que eles têm das fontes externas de petróleo e pelo fato de eles não precisarem mais ter essa preocupação tão exacerbada com essas fontes. Isso faz com que eles possam, de certa forma, rever a sua forma de agir em relação ao resto do mundo. Por isso, penso que, além das transformações econômicas que estão acontecendo no país, essa exploração do xisto pode trazer também modificações importantes do ponto de vista da geopolítica mundial.

IHU On-Line - O xisto disponível nos EUA é suficiente para abastecer o país?

Luiz Fernando Scheibe - Não! Jamais será suficiente para abastecer todo o país, mas aparentemente pode ser suficiente para suprir o seu déficit energético. Os EUA continuam produzindo muito petróleo e muito gás das fontes chamadas convencionais. A fonte de xisto está sendo responsável por 20 ou 30% de todo o gás que eles utilizam. O xisto pode representar um aumento de 30 a 40% das suas reservas totais de gás. Com essa mudança, eles passam de importadores para autossuficientes, e estão falando até em ser exportadores de gás. No entanto, isso não é muito provável, porque embora eles estejam trabalhando com valores muito baixos para a produção desse gás, a impressão que se tem é de que esses valores estão sendo subsidiados, estão sendo de alguma forma rebaixados por causa da necessidade que eles têm de efetivamente fazer esse tipo de aproveitamento.

IHU On-Line - Como vê o anúncio de que a Agência Nacional de Petróleo – ANP irá abrir no próximo mês de novembro o leilão de áreas para exploração de gás de xisto em todas as regiões do Brasil? Por que o país tem interesse em participar desse processo de extração?

Luiz Fernando Scheibe - Analisei o pré-edital para os leilões e os modelos de contratos que pretendem fazer, os quais deverão ser efetuados nos dias 28 e 29 de novembro. Em um primeiro momento, esses leilões seriam dedicados exclusivamente à exploração de gás convencional dentro do continente. Mas, cada vez mais, aparentemente, esse leilão também será voltado para a extração do xisto, uma vez que nas colocações do pré-edital e do contrato há inúmeras menções ao xisto. Embora se diga que essa exploração será mais controlada, somente por volta da página 50 do edital aparece a expressão “meio ambiente”.

Há um movimento da comunidade científica brasileira solicitando que o xisto seja excluído desse leilão, para que se possa, com mais calma, estudar todas as variáveis que estariam contidas nessa exploração.

IHU On-Line - Qual o modelo de contrato apontado no pré-edital?

Luiz Fernando Scheibe - O modelo de contrato é mais ou menos o mesmo aplicado em outras vendas de áreas para petróleo. O Estado está leiloando grandes áreas e as empresas se habilitam para fazer essa exploração. Elas precisam apresentar um cadastro e mostrar que têm capacidade científica para realizar a extração, mas basicamente devem mostrar que têm capacidade econômica para fazer. O pré-edital divide as empresas em três categorias: aquelas que têm capacidade científica; aquelas que têm capacidade científica limitada; e as que não têm capacidade científica. Neste último caso, supõe-se que essas empresas, caso sejam detentoras das áreas para poder explorar, irão procurar essa capacidade científica com parceiros.

IHU On-Line - Qual o potencial de o Brasil explorar o gás não convencional? Por que o país não precisa entrar nessa disputa?

Luiz Fernando Scheibe - No mundo inteiro, há um questionamento muito forte sobre a questão do xisto. Uma parte desse questionamento é devido ao sensacionalismo com que o assunto foi tratado no primeiro momento, outra parte é por conta da contaminação da água a partir da extração do gás não convencional.

As empresas alegam que tal contaminação ocorreu porque houve algum problema na perfuração ou no revestimento. O caso é que não interessa de onde vem o problema, porque a exploração do xisto gera problemas ambientais sérios tanto do ponto de vista da contaminação do metano, como da contaminação da água que se utiliza para fazer o fraturamento hidráulico.

Fiquei muito impressionado porque nos EUA várias empresas contrataram o serviço de esgoto municipal para supostamente purificar a água utilizada durante a extração do xisto. Acontece que uma agência municipal de esgoto tem uma determinada capacidade e está voltada a um determinado tipo de elemento químico.

Como se vê, os EUA não estão preocupados com a questão ambiental, tanto é que, ainda no governo Bush, isentou-se a exploração do xisto do atendimento das questões ambientais relacionadas com essa exploração. Eles têm um ato específico sobre a água potável, mas quando se trata de xisto essas determinantes não precisam ser atendidas. Isso realmente chama a atenção para esta ânsia de explorar o gás não convencional.

IHU On-Line - Cada poço a ser explorado exige o uso de 15 a 30 milhões de litros de água. O que esse dado significa?

Luiz Fernando Scheibe – Não é que seja tanta água assim. Isso significa, em média, três piscinas olímpicas. O problema é que essa água volta extremamente contaminada e tem de ser tratada. Agora, em outras áreas do país em que temos pouca água, como na Bacia do Paranaíba, por exemplo, que é uma das bacias que está sendo leiloada, essa água pode fazer a diferença no período da seca.

IHU On-Line - O que é o "fracking"? Pode nos explicar como é feita a extração do xisto?

Luiz Fernando Scheibe - O processo é tecnologicamente muito complexo. Nos EUA existem poços com 1.500, até 2.000 metros de profundidade. Quando se chega próximo da camada que contém esse gás, eles derivam esses poços do vertical para o horizontal e furam horizontalmente dentro da rocha. Por ser uma rocha impermeável, só tem gás dentro dela. Em cada perfuração, são feitos de 8 a 10 poços horizontais, como se fosse abrindo um leque dentro da rocha. Depois disso, é introduzido um sistema de água comprimida e feita uma espécie de explosão de pressão, e essa explosão abre fraturas na rocha. A rocha, que era impermeável, torna-se permeável e deixa o gás sair.

Agora, temos de considerar que essa captura é produzida em um raio muito pequeno em relação ao furo original. Então, as primeiras extrações talvez estejam conseguindo explorar todo o gás que tem naquela área. Mas, quando esses poços vão ficando mais distantes uns dos outros, existem partes da rocha que não estão sendo fraturadas. Então, de certa forma, eles estão fazendo uma “lavra ambiciosa”, porque só extraem o gás que pode ser retirado facilmente, deixando uma quantidade enorme de gás na rocha.

Logo, a extração do gás convencional deixará de ser econômica, porque vai ser muito caro fazer uma nova fratura para simplesmente utilizar aquele gás remanescente. Então, trata-se de um processo bastante complexo, que envolve essas perfurações e o fraturamento hidráulico.

IHU On-Line - Qual o valor econômico do gás não convencional?

Luiz Fernando Scheibe - Dizem que estão produzindo o gás a um terço do seu valor internacional. Mas a grande produção de gás de um poço desses se dá apenas no primeiro ano. Depois disso, se produz muito pouco gás. Esses dados, inclusive, estão disponíveis no material da ANP. A questão é saber se o período de pagamento do investimento é tão rápido assim.

Outra questão importante é saber o que fazer com esse gás quando ele atinge a superfície. Os Estados Unidos têm uma rede de gasodutos muito grande, diferente do caso brasileiro, em que a rede só compreende o Leste do país. Além disso, o gasoduto brasileiro vem da Bolívia, depois vai para São Paulo e, depois, para o Sul. Quer dizer, não tem condições de colocar mais gás nesse gasoduto. Então é necessário que haja uma estrutura de aproveitamento desse gás.

Um artigo que li recentemente diz que no estado de Kentucky, nos Estados Unidos, durante um ano inteiro, mais de 40% do gás produzido foi queimado porque não havia condição técnica de aproveitamento. Então, querer começar a explorar o xisto no Brasil, sem uma infraestrutura adequada, sabendo que se trata de uma exploração controlada e que toda a grande produção é feita no primeiro ano, é querer se arriscar a produzir o gás e não ter o que fazer com ele. Ou seja, a Petrobras pagaria por um gás que não será consumido.

IHU On-Line - A França e a Bulgária proibiram a extração do xisto. Como a extração foi tratada nesses países?

Luiz Fernando Scheibe - Pelo que entendi aconteceu uma grande mobilização popular que repercutiu nos parlamentos, os quais assumiram a posição de que não seria o momento de aderir ao xisto. Mas isso não acontece só na França e na Bulgária. Existem muitos estados norte-americanos que proibiram a extração do xisto. Nova York, por exemplo, proibiu, e ela fica ao lado da Pensilvânia, onde é o paraíso do xisto.

No Canadá, alguns estados abriram a porta para o xisto, mas outros, como Ontário, também proibiram o gás. Na África ainda estão discutindo o tema, e na Alemanha não estão explorando. Na Inglaterra, estão tentando fazer as primeiras perfurações e a população está tentando impedir. Então, no mundo todo há um movimento contra isso.

IHU On-Line - Deseja acrescentar algo?

Luiz Fernando Scheibe - Gostaria de acrescentar que há um grupo grande de cientistas que trabalham diretamente com a questão da água e que estão legitimamente muito preocupados com a possibilidade de autorização da exploração do xisto no Brasil, sem que tenhamos uma definição clara dos prejuízos que isso irá causar para os aquíferos. Praticamente todas as figuras que vemos da exploração nos Estados Unidos mostram que eles estão preocupados com os aquíferos mais superficiais, com os aquíferos freáticos.

Fonte: IHU On Line - 11/9/2013.

SUPER FATURAMENTO,VERGONHA NA PETROBRÁS...

Contrato da Petrobrás com a Odebrecht é investigado por superfaturamento

Ainda em vigor, termo de US$ 825,6 milhões fechado na gestão Gabrielli inclui aluguel de três copiadoras por R$ 7,2 milhões e salário mensal de pedreiro de R$ 22 mil

08 de novembro de 2013 | 16h 08
Sabrina Valle - Agência Estado
RIO - A Petrobrás fechou com a construtora Odebrecht, em 2010, um contrato no valor de US$ 825,6 milhões, o qual é investigado por suspeita de superfaturamento. O contrato para serviços na área de segurança e meio ambiente em dez países incluiu pagamento, na Argentina, de R$ 7,2 milhões pelo aluguel de três máquinas de fotocópias; R$ 3,2 milhões pelo aluguel de um terreno próprio e salário mensal de pedreiro de R$ 22 mil nos Estados Unidos, segundo documentos sigilosos da companhia obtidos pelo Broadcast.
Construtora Odebrecht presta serviços na área de segurança e meio ambiente para a Petrobrás em dez países - Agência Petrobrás/Divulgação
Agência Petrobrás/Divulgação
Construtora Odebrecht presta serviços na área de segurança e meio ambiente para a Petrobrás em dez países
Ainda em vigor, o contrato 6000.0062274.10.2, chamado de PAC SMS, foi fechado pela área Internacional, na gestão José Sergio Gabrielli, e reduzido quase à metade neste ano, na gestão Graça Foster. Grande parte dos 8.800 itens apresentavam indícios de irregularidades.
O corte interno já realizado, de pelo menos US$ 344 milhões, aconteceu depois de crivo de auditoria interna da Petrobrás, que considerou a contratação equivocada e recomendou sua revisão. A título de comparação, o montante considerado indevido pela própria companhia é quatro vezes maior do que o volume de recursos desviados apurados no escândalo do Mensalão (R$ 170 milhões).
Mesmo com a redução, fontes disseram que foram mal versados centenas de milhões de dólares gastos nos 2,5 anos de vigência do acordo inicial para ativos na Argentina, Estados Unidos, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, Bolívia, Equador e Japão, além de Brasil. "Muito dinheiro já tinha sido gasto quando houve o corte, esse foi o problema", disse uma fonte da Petrobrás que pede para não ter a identidade revelada.
A redução do valor havia sido divulgada pelo Broadcast em junho, embora os motivos não tivessem sido detalhados. Na época, a Petrobrás disse que houve venda de ativos, como refinarias e que, portanto, não precisariam mais dos serviços, mas não se alongou sobre o caso. A Odebrecht não comentou. Em agosto, sob novo questionamento, a construtora negou irregularidades, via assessoria de imprensa, e disse "desconhecer o questionamento da auditoria".
Ao longo deste ano, a reportagem conversou com sete fontes graduadas que acompanharam direta ou indiretamente o caso, além de fontes do setor. Os documentos coletados mostram indícios de direcionamento na licitação, sobrepreço e falhas contratuais que desprotegeram a petroleira.
A Petrobrás preferiu não comentar. Gabrielli também não. Em nota, a "Odebrecht nega veementemente qualquer irregularidade nos contratos firmados com a Petrobrás", dizendo tê-los conquistado legitimamente por meio de concorrências públicas. Disse ainda que "não foi envolvida e desconhece o questionamento da auditoria da Petrobrás". A construtora diz que o valor contratado foi diretamente afetado pela redução de escopo do contrato decorrente do plano de desinvestimentos da estatal.
O caso é investigado por autoridades, sob sigilo a pedido da Petrobrás. O Ministério Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (MPF) instaurou procedimento investigatório criminal em junho para apurar infrações em contratos da Petrobrás no exterior, incluindo o acordo com a Odebrecht.
O Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que já investigava a compra da refinaria de Pasadena (EUA), pediu em agosto à Petrobrás documentação referente a quatro contratos, incluindo o da Odebrecht. Entregou o caso neste mês ao MPF. O TCU, sob relatoria do ministro José Jorge, também acompanha o caso paralelamente.
Todas as investigações sobre Pasadena e sobre o contrato com a Odebrecht foram iniciadas após reportagens do Broadcast revelarem irregularidades. A série de matérias sobre Pasadena se iniciou em julho de 2012 e da Odebrecht, em junho de 2013.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

LUTA PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO.

Sociedade civil se mobiliza pelo Marco Civil da Internet

Escrito por: Raquel de Lima
Fonte: FNDC

Durante todo o dia foram realizadas manifestações e tuitaço pela internet livre. O PMDB se posiciona contra a neutralidade de rede.

Após mais de um ano de espera para ser votada, a “Constituição da Internet”, que garante os direitos e deveres dos usuários da rede, foi debatida nesta quarta (6) em comissão geral na Câmara dos Deputados. Durante toda a manhã, militantes, ativistas e representantes da sociedade civil não empresarial realizaram manifestações de apoio à internet livre, sem censura e pela manutenção da garantia da neutralidade da rede no Marco Civil da Internet.

Os movimentos sociais, que participaram da construção colaborativa da primeira versão encaminhada pelo Executivo à Casa Legislativa, apoiam amplamente a nova versão apresentada pelo relator do projeto Alessandro Molon (PT/RJ). Durante a tarde, a luta pela internet livre das corporações foi aos trending topics mundiais da rede social Twitter com a hashtag #freeinternetbr. Durante o debate, deputados abriram faixa de apoio à internet livre no plenário.

Representante da sociedade civil na audiência pública, Pedro Ekman (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação/Intervozes) defendeu a neutralidade e rede e a liberdade de expressão na internet. Ele destacou que a censura prévia é uma prática corriqueira nas redes no Brasil e no mundo e que o Marco Civil da Internet acerta ao suprimir a possibilidade da retirada de conteúdos sem autorização judicial.

“A indústria do direito autoral mira no direito patrimonial, mas acerta na liberdade de expressão. Conteúdos são Deputados levam faixa da sociedade de apoio ao novo Marco Civil da Internetretirados sem qualquer debate judicial”. Ele afirmou que o projeto está correto ao tirar a responsabilidade dos provedores por conteúdos postados por terceiros e ao colocar para a Lei do Direito Autoral a definição de mecanismos de retirada.

Ele reivindicou, ainda, a autoria do projeto para a sociedade, construído com ampla participação popular, e lembrou que o voto será aberto e que a sociedade saberá cobrar os deputados que votarem contra um projeto de extrema importância para a comunicação e para a democracia brasileira. “Essa casa vai decidir se nós vamos construir uma sociedade calcada em princípios democráticos ou uma sociedade autoritária calcada no vigilantismo e interesses privados”.

A bancada do PMDB, junto com representantes das empresas de telecomunicações, como a SindiTelebrasil, se posicionou contra o novo projeto, principalmente os artigos relativos ao armazenamento de dados obrigatório no Brasil e à neutralidade de rede. O líder da bancada, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), chegou a dizer que tentará recuperar o texto original do projeto e que proporá emendas.
O posicionamento do peemedebista tem explicação. O novo projeto apresentado por Molon, de acordo com especialistas, reforça a garantia da neutralidade de rede e retira o parágrafo, inserido a pedido da Rede Globo, que possibilitava a censura prévia de conteúdos, descrita no discurso de Ekman. 
Militantes fazem ato pela internet livre no plenárioMolon rebateu as críticas. Disse, em entrevista coletiva, que a nova versão tem apoio integral da presidenta Dilma Rousseff e que a neutralidade de rede deve ser garantida por todos os deputados que têm compromisso com o povo.  "Se a neutralidade for derrotada, a derrota será de 100 milhões de internautas brasileiros. A defesa da neutralidade é a defesa do espírito livre da Internet".

Rosane Bertotti, coordenadora nacional do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e secretária nacional de comunicação da CUT, explica o apoio ao projeto de lei: “É importante para a sociedade brasileira e para a democracia. As corporações não têm direito de interferir no que é um Direito Humano, o direito à Comunicação. Já fazem isso na radiodifusão e estamos lutando para redemocratizar. Os movimentos não deixarão acontecer o mesmo na internet”, assevera.
Segundo o presidente da Câmara, Henrique Alves, a votação do Marco Civil da Internet deve acontecer na próxima semana. A matéria tranca, desde a última segunda-feira, a pauta de votações da casa.
Edição: Maria Mello
 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

LIBRA;UM RETROCESSO IMENSO DO GOVERNO DILMA.

 Libra: um retrocesso brutal
Fernando Siqueira (*)
...

Dilma traiu totalmente o seu discurso de campanha, onde disse que privatizar o pré-sal é crime, é tirar dinheiro da saúde, educação, segurança e infraestrutura. E isto se dá por uma questão eleitoreira. Ela precisa mostrar que o seu falido modelo econômico funciona. Assim, amealha 15 bilhões para cumprir o pagamento dos juros extorsivos aos bancos e vende o futuro de três gerações de brasileiros. Estes 15 bilhões pagos à vista causaram a redução da oferta em óleo/lucro, que seria o mais importante, e que caracteriza a partilha. A cada 0,5% ofertado a menos no óleo/lucro, a União perde um bônus, ou seja, perde mais de 15 bilhões. Libra tem reservas superiores a 15 bilhões de barris; a US$ 100 por barril, são US$ 1,5 trilhão ou R$ 3,3 trilhões. Assim, 0,5 % de 3,3 trilhões é mais do que o bônus.

Trata-se de uma estratégia medíocre. Quarenta por cento do petróleo irão para o consórcio pagar os custos de produção; 15% dos royalties irão para o consórcio (ele paga os royalties em reais e recebe de volta em petróleo) - e 60% destes 55% irão para as estrangeiras; a União vai receber 41,65% dos 45% que sobraram, ou seja, 18,72% em média, pois o edital criou uma variação nesse percentual que favorece o consórcio.

Aqui, há uma excrescência inédita em contratos de partilha: quando as condições forem muito favoráveis (produção acima de 25.000 barris por poço), o consórcio dá para a União mais 3,91% (41,65+3,91 = 45,56%). Mas quando as condições forem as piores, ou seja, produção diária abaixo de 4.000 barris/dia e o petróleo abaixo de US$ 60 por barril, a União cede 31,72 do seu percentual (41,65 – 31,72= 9,93) para o consórcio.

Assim, o que vai para a União variará de 9,93% a 45,56% do óleo/lucro, que é 45%. Logo, a União receberá de 4,45% (9,93x45) a 20,5% (45,56x45) do total do óleo produzido. Então, o consórcio vencedor ficará com 95,55% a 79,5% do petróleo de Libra. 40% disto irá para a Petrobrás e 60% para empresas estrangeiras.

Portanto, mesmo a União recebendo 15% de royalties em dinheiro e 15% de Imposto de Renda, o resultado foi péssimo para o País. Lembro que, no mundo, os países exportadores ficam com a média de 80% do óleo produzido.

Além disso, denunciei pelo menos três ilegalidades, a saber:

a) o artigo 2º da nova lei define áreas estratégicas: são aquelas com baixo risco e alta produtividade. Libra tem risco zero e é o maior campo do mundo; o artigo 12º diz que áreas estratégicas devem ser entregues à Petrobrás em contrato de partilha e sem leilão;

b) o edital cria uma variação do percentual mencionado acima, que fará com que na maior parte do tempo, o percentual do óleo/lucro da União fique abaixo daquele estipulado pelo CNPE, ferindo a Lei;

c) a artigo 2º (2.8.1) e o 6.3 do contrato dizem que o consórcio terá o direito de ser ressarcido, em óleo, do valor do royalty que pagar. Isto fere as Lei 12351/10 (e 12734/12), do petróleo no artigo 42 § 1º que diz que o royalty não pode ser ressarcido em nenhuma hipótese.

Portanto, ilegalidades não faltam.

Além disso, há ainda a denúncia de espionagem feita por Edward Snowden: a Halliburton fornece o software Open Wells, que processa todos os dados estratégicos da Petrobrás. Seus analistas de sistemas têm acesso a todas as informações da companhia. Edward Snowden revelou que a cada 72 horas uma massa de dados da Petrobrás é remetida para os Five Eyes: EUA, Inglaterra, Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Para atenuar o motivo, mais que suficiente para o cancelamento dos leilões, as empresas dos EUA e Inglaterra saíram... Mas o braço europeu do cartel ficou: Total e Shell.

O papel da Petrosal era evitar as duas maiores causas de fraudes na produção mundial: o superfaturamento dos custos de produção (ressarcidos em petróleo) e a medição a menor do petróleo produzido. Todavia, a Dilma nomeou raposas para esse galinheiro: o presidente será o Osvaldo Pedrosa, primeiro brasileiro a defender o fim do monopólio estatal do petróleo e braço direito do David Zilbersztajn na ANP; outro diretor, Antonio Claudio Pereira da Silva, foi chefe de gabinete de Henri Philippe Reichstul no governo Fernando Henrique e é sócio do presidente do IBP, que comanda o lobby em favor das empresas estrangeiras. Este é o preocupante futuro desta empresa: fiscalizar a quem eles defendem.

O Haroldo Lima, depois de velho, assumiu o triste papel de lobista de multinacionais e tem mentido de forma vergonhosa. Como visto no item 2, o máximo que ficará com a União será a média de 30 a 50%, sendo a grande parte em dinheiro. O petróleo, que é o bem ultra estratégico irá para o consórcio (60% para o exterior). O edital do leilão é tão ruim que conseguiu nivelar a Partilha com o contrato de concessão, que é péssimo. Sendo Libra um campo gigante, na concessão apareceria a Participação Especial, que seria da ordem de 20% e como os royalties subiram para 15%, com a concessão a União ficaria com 35%, que somado o Imposto de Renda chegaria a 50%.

Isto atesta o absurdo desse leilão: num campo já descoberto, testado e comprovado como o maior do mundo, os avanços conseguidos pelo Governo Lula foram anulados pelo governo Dilma. Um retrocesso brutal.

(*) Vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás e do Clube de Engenharia

PCB:Nota contra a criminalização dos movimentos sociais

Contra a criminalização dos movimentos sociais. Todo apoio às lutas da juventude e do proletariado. Pelo Poder Popular!

(Nota Política do PCB)


As lutas sociais vêm se intensificando de maneira expressiva no Brasil após as extraordinárias jornadas que se iniciaram em junho. Como o governo não atendeu as reivindicações populares e como a população, especialmente a juventude, perdeu o medo de se manifestar, o conflito social tem se tornado cada vez mais explosivo em várias cidades do País, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Todo dia em alguma cidade brasileira a população proletarizada e a juventude saem às ruas para protestar contra alguma arbitrariedade do governo e do capital, fecham rodovias, paralisam a circulação de mercadorias, enfrentam as forças policiais, sendo reprimidos violentamente.

Enquanto isso, o governo federal e os governos estaduais, numa santa aliança do grande capital, afiam seus instrumentos políticos, militares e de inteligência para reprimir os movimentos sociais. A esta estratégia se juntam os meios de comunicação de massas desenvolvendo uma grande campanha de manipulação no sentido de caracterizar as manifestações de massas como atos de vandalismo, depredações e caos. Para tanto, procuram criar bodes expiatórios, para esconder o descontentamento da população, justificar a violência policial contra os manifestantes e afastar a população das ruas.

No entanto, cada vez fica mais claro para o povo que a origem da violência são as dramáticas condições de vida da população brasileira,que enfrenta cotidianamente um transporte coletivo caótico e caro, a saúde e a educação indignas, a habitação precária e a violência policial nos bairros populares. Em vez de resolver esses problemas concretos do povo, o estado burguês, como sempre, trata a questão social como caso de polícia. Dessa forma, amplia a repressão contra a justa luta da população e da juventude por seus direitos sociais básicos e contra os desmandos policiais nos bairros das grandes cidades e até chamam o Exército e a Força Nacional para reprimir as greves e manifestações, como ocorreu recentemente nos protestos contra a entrega do petróleo ao capital.

Essa é a tradição das classes dominantes brasileiras, que foram viciadas historicamente na impunidade e na violência contra o proletariado e atualmente vêm realizando uma verdadeira guerra aberta conta o povo. Isso pode ser sintetizado em recente entrevista do governador de São Paulo, após o massacre de jovens pela polícia. Arrogante, ele disse:“quem não reagiu está  vivo”,  numa autorização à barbárie. Nessa guerra, a polícia utiliza armas letais, carros blindados, balas de borracha, gás lacrimogêneo e de pimenta, bombas de efeito moral e todo um aparato bélico para enfrentar a população e os manifestantes, além do fato de que ainda infiltra agentes provocadores nas manifestações para justificar a repressão. Todos são testemunhas das prisões em massas nos recentes protestos, dos assassinatos e da violência, sobretudo contra jovens pobres e negros,vítimas principais da polícia, sem direito de defesa e mais ainda a “embargos infringentes”.

Alguns exemplos concretos podem ilustrar a barbárie contra a população e a juventude. Recentemente, o ajudante de pedreiro Amarildo foi torturado até a morte numa Unidade de Polícia “pacificadora” do Rio de Janeiro. Em São Paulo, um policial matou com um tiro no peito jovem Douglas Rodrigues numa batida policial, sem nenhum motivo. “Por que o senhor atirou em mim?” foram as últimas palavras do jovem antes de morrer. Durante as manifestações de junho a polícia atirou com balas de borracha e cegou dois manifestantes, um estudante e um fotógrafo.

Portanto, essa é a verdadeira violência, a violência institucionalizada, a violência do Estado e do capital. O que é mais desumano? Quebrar algumas agências de banco, lojas comerciais e bater num policial que estava provocando os manifestantes ou a tortura até a morte do ajudante de pedreiro Amarildo, o assassinato do jovem Douglas Rodrigues ou furar os olhos de dois jovens?  Portanto, a violência da população não é nada mais nada menos que a resposta às atrocidades de que cotidianamente são vítimas o proletariado  e a juventude nos bairros populares.

Essa conjuntura é que provocou o surgimento de diversos grupos e táticas que identificamos como anticapitalistas, incluindo os chamados Black Blocs, que vêm dando resposta violenta à violência da polícia, expressando a indignação da juventude contra a repressão permanente ao povo, contra as humilhações cotidianas das batidas policiais nos bairros e as precárias condições de vida da população. Os jovens e os proletários não querem mais ver seus irmãos, amigos e conhecidos serem assassinados nesta escalada da criminalização da pobreza. Esses grupos combativos de jovens são um fenômeno social e não podem ser tratados como marginais, nem criminosos. São jovens indignados com a violência do capital, que imaginam estar contribuindo para o enfraquecimento do capitalismo com ações espetaculares, de pequenos grupos ousados. Os jovens comunistas, nas manifestações populares, perfilam lado a lado com esses grupos na autodefesa contra a violência policial.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) tem longa experiência de luta contra o capital. Sabemos que só as lutas que envolvam grandes massas, com protagonismo da classe operária e dos trabalhadores em geral, são capazes de derrubar o capitalismo. Por isso, procuramos organizar os trabalhadores, a juventude e o povo pobres dos bairros para derrotar o sistema capitalista. Entendemos que os Black Blocs, anarquistas e outros grupos que se formam em função da resistência à violência policial não são nossos inimigos, como alguns setores da esquerda institucionalizada procuram fazer crer. São companheiros que utilizam uma tática diferente da nossa, mas merecem respeito e solidariedade e temos a obrigação de dialogar com esses segmentos e procurar trazê-los para a luta organizada de massas.

Entendemos que a luta de classes mudou de patamar no País e tende a se acirrar à medida em que a crise econômica mundial avança e que a crise social se intensifica no Brasil. É bom que a esquerda institucionalizada vá se acostumando com a resposta das massas à violência do Estado. As jornadas de junho foram apenas o começo de um processo que será longo, violento e tenso, como toda a luta de classes. Como organização revolucionária, nós estaremos sem vacilações na linha de frente das lutas sociais e políticas no Brasil, procurando contribuir para a organização e autodefesa do povo e construção do poder popular, no rumo da sociedade socialista.


Contra a criminalização dos movimentos sociais!
Toda solidariedade aos que estão na luta anticapitalista!
Pela libertação dos presos políticos e o fim dos processos judiciais!
Pelo Poder Popular!


PCB (Partido Comunista Brasileiro)
Comissão Política Nacional

COMPERJ;UM DESRESPEITO CONSTANTE AS NORMAS SOCIAIS E AMBIENTAIS.

04/11/2013 - 14h36

Denúncia contra polo petroquímico será debatida na Comissão de Meio Ambiente

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável promove audiência pública nesta quinta-feira (7), às 10 horas, para debater as denúncias contidas no relatório "Indústria do Petróleo e conflitos ambientais na Baía de Guanabara: o caso do Comperj".

Os deputados Sarney Filho (PV-MA) e deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), que pediram a audiência, lembram que o relatório foi lançado, no dia 2 de setembro pela Plataforma Dhesca Brasil, “articulação nacional de 36 movimentos e organizações da sociedade civil que desenvolve ações de promoção e defesa dos direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais [palavras que formam a sigla Dhesca]”.

O documento contém o resultado da investigação de denúncias sobre o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), empreendimento da Petrobrás e, segundo os deputados, “constatou graves violações aos direitos humanos e socioambientais e dirigiu uma série de recomendações ao poder público, à Petrobrás e ao BNDES”.

Entre as violações apontadas no documento, os deputados citam: “flexibilização do licenciamento ambiental; riscos e danos ambientais aos ecossistemas e à biodiversidade; violações dos direitos individuais e coletivos (inclusive assassinatos e ameaças de morte) de pescadores e pescadoras artesanais que vivem no entorno da Baía de Guanabara; limites do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos; e violações dos direitos difusos de um significativo contingente populacional do estado do Rio de Janeiro”.

Participantes
Foram convidados para a audiência:
- o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gabriel dos Santos Rocha;
- o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Klink;
- a relatora nacional do Direito Humano ao Meio Ambiente da Plataforma Dhesca Brasil, Cristiane Faustino; e
- o presidente da Associação Homens e Mulheres do Mar (Ahomar), Alexandre Anderson de Souza.

A reunião está marcada para o Plenário 8.
Da Redação – DL

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