terça-feira, 22 de maio de 2012
Chovendo no molhado - Rio São Francisco
Morar ao lado do rio São Francisco deveria representar garantia de água para as comunidades ribeirinhas mesmo em época de seca no Nordeste. Mas não é essa a realidade das cidades banhadas pelo principal rio que corta o semiárido nordestino
O problema, segundo os sertanejos, está na fata de estrutura de abastecimento e quase completa ausência de projetos de irrigação.
Em Pão de Açúcar (AL), o calor de 40ºC em pleno mês de maio parece ferver o chão. Considerada pelos meteorologistas como uma das três cidades mais quentes do Nordeste, o município é um dos que decretou emergência pela estiagem e sofre com a morte do gado e perda de produção.
A menos de 500 metros do rio, comunidades rurais sofrem com a seca como se não houvesse uma imensidão de água ao lado. Tudo porque a água do rio nunca chegou até eles, que são obrigados a irem a pé ou em carros-de-boi buscar a água no Velho Chico.
Na fazenda Abaiti, a situação é crítica e há registro de morte de animais. “Não tem nem comida para os bichos, nem água para irrigar nada. Já perdi um animal por conta dessa seca, que nunca vi igual”, conta Luís Carlos dos Santos, 80, alegando que não recebe água de carros-pipa.
Segundo o produtor, por conta da falta de água às margens do São Francisco, a produção de leite de seu rebanho caiu pela metade. “Desde setembro não chove aqui. Tirava 200 litros de leite, agora só tiro cem. Para piorar, o preço de tudo subiu e estamos gastando mais. Não sei por quanto tempo vamos suportar essa situação.”
O pecuarista José Vicente Gomes, 68, também reclama da falta de estrutura. "Não tem comida para dar ao gado. Não adianta de nada o rio aqui do lado, sem água na torneira. Ninguém plantou nada esse ano pela seca.”
Revolta na Bahia
Em Glória (BA), os moradores se mostram revoltados com a situação. Na casa de Maria São Pedro não há abastecimento de água nem energia elétrica. “Aqui a gente acorda e vê esse rio cheio de água e vê o esquecimento em que vivemos. Nunca chegaram para trazer um copo de água desse rio pra a gente”, afirma a moradora, que vive a menos de 5 km do rio.
Para fazer a comida, Maria é obrigada a retirar madeira da caatinga para fazer o fogo. “Luz aqui, só a do lampião. Já cansei de ir pedir na prefeitura, na Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia) para que trouxessem a energia para cá, mas nada.”
Uma moradora que não quis se identificar dispara: “Eu quero que algum político venha aqui nessa eleição para ele ver. Só sabem vir aqui pedir voto, mas esse ano vou expulsar eles daqui na espingarda. Não vou votar em safado nenhum”. “Não digo meu nome, nem deixo tirar foto. Não muda nada, pra que vou deixar vocês virem aqui ganhar também nas costas da gente?”, reclama.
Para o engenheiro agrônomo Vilibaldo Pina de Albuquerque, o Nordeste é carente de projetos de sustentabilidade, o que faz com que os sertanejos sofram com a seca mesmo ao lado do rio. "Nossa região passou muito tempo sendo enganada pela classe política. Hoje ainda é enganada, embora menos. A solução para o Nordeste passa por irrigação e assistência técnica. Se o rio São Francisco, aqui do lado, pode abastecer as comunidades com a transposição por que não pode irrigar áreas do lado dele? O problema é que é muito discurso e pouca ação", afirma Albuquerque, que também é produtor e mora no sertão de Alagoas.
Ministério cita ações na região
Em nota, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), do Ministério da Integração Nacional, informou ao UOL que mantém 25 perímetros de irrigação instalados ao longo do vale do São Francisco, que ocupam 139 mil hectares (cada hectare equivale a dez mil m²) de área irrigada. Seguindo a companhia, devido aos projetos, o sertão do Nordeste tem se destacado em produção de fruticultura. A nota não cita futuros investimentos na área.
Sobre o abastecimento da população ribeirinha, a Codevasf disse que existe um programa --o Programa de Revitalização das Bacias Hidrográficas do São Francisco e do Parnaíba-- que foi incorporado no "Água para Todos” e que já faz investimentos na região. Segundo a Codevasf, o objetivo é "levar água de boa qualidade à população residente em comunidades rurais localizadas até 15 km da calha do rio São Francisco".
Entre as ações realizadas nos últimos anos, e citadas pela Codevasf, estão a instalação de 302 poços, construção de 7.945 cisternas de placa e implantação de sistemas simplificados de tratamento e abastecimento de água em 410 comunidades rurais. Nessas ações, a companhia informou que investiu mais de R$ 310 milhões entre 2007 e 2011.
Obras de transposição abandonadas
O governo federal tem em andamento um ambicioso e bilionário projeto de transposição do São Francisco. A obra, iniciada em 2007 durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, contempla a construção de 720 quilômetros de canais para irrigar uma extensa região pobre e árida do Nordeste. Nos últimos anos, porém, o andamento do projeto estava quase paralisado.
Em fevereiro deste ano, a presidente Dilma Rousseff disse que o projeto de transposição passou por uma avaliação durante o primeiro ano do seu governo e que a "situação hoje é de retomada das obras".
Dilma visitou trechos do projeto em Pernambuco e Ceará no início de fevereiro, mas a visita ao município de Missão Velha (CE) foi retirada do roteiro porque as obras estavam abandonadas.
"A situação hoje é de retomada das obras, algumas já em ritmo normal e outras sendo reiniciadas em nove dos 14 lotes que compõem os eixos leste e norte. Entregaremos o trecho da captação no São Francisco até a Barragem de Areias, em Pernambuco, no final deste ano e outros quatro trechos até 2014. O último, no eixo norte, será entregue em 2015", afirmou.
De acordo com a presidente, ao longo de 2011, o Ministério da Integração Nacional teve o papel de renegociar os contratos do projeto e definir um modelo de monitoramento.
"Agora, queremos resultados e cumprimento dos prazos. Vou cobrar do ministro, que vai cobrar de todos os funcionários de seu ministério e todos nós, juntos, vamos cobrar das empresas privadas e do Exército, que estão executando as obras", afirmou a presidente, em referência ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.
Fonte: Carlos Madeiro, Do UOL, Com informações do Valor Online
Comissão da Verdade - Sindipetro-RJ
A TV Petroleira apresentará, na próxima quinta-feira, 24, às 19h, entrevista com o ex - Senador Geraldo Cândido, que fala sobre a luta pela anistia, reparação aos presos políticos e Comissão da Verdade
Cândido, que também foi perseguido durante a ditadura civil-militar de 64, é um dos articulares da Comissão da Verdade no Estado do Rio de Janeiro. Senador entre 1999 e 2003, foi fundador do PT e o primeiro presidente da CUT-RJ. Este ano comemorou 50 anos de militância, reunindo uma legião de amigos. Em respeito à memória e aos familiares, sobretudo dos mortos e desaparecidos, a luta pelo direito à verdade é hoje uma de suas principais preocupações.
O dirigente sindical Francisco Soriano também participa da entrevista que será exibida na TV Petroleira na próxima quinta-feira e, posteriormente, na TV Comunitária do Rio de Janeiro, em mais de uma apresentação, nos horários reservados ao sindicato. Soriano anunciou a criação da Comissão da Verdade no Sindipetro-RJ. Serão investigados os casos de perseguição, tortura e morte envolvendo petroleiros, nos difíceis anos de chumbo. Saiba mais, assistindo ao programa: aguarde!
Fonte: Agência Petroleira de Notícias
terça-feira, 15 de maio de 2012
Demissões em massa no COMPERJ
Petrobras rescinde contrato com a Delta e nova gestora demite 800
Estatal diz que rescisão 'foi motivada por baixo desempenho'.
Delta foi retirada de obras do Comperj com contratos de R$ 843,5 milhões.
A J&F, grupo que controla o JBS e que assumiu a gestão da gestão da Delta Construções, confirmou nesta terça-feira (15) que demitiu 800 funcionários após a decisão da Petrobras de rescindir contratos de R$ 843,5 milhões que mantinha com dois consórcios nos quais a construtora participava e que eram responsáveis por obras no Complexo Petroquímico do rio de Janeiro (Comperj).
De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira, no O Globo, os funcionários demitidos são 500 operários e 300 técnicos. Segundo o jornal, os consórcios terão que retirar as máquinas do Comperj a partir desta terça.
A Petrobras informou que os contratos foram rescindidos na última sexta-feira (11). "A rescisão foi motivada por baixo desempenho", afirmou a estatal, em nota. "A Petrobras está estudando a melhor solução para evitar impactos no cronograma do Comperj", acrescentou.
A empresa informou que os contratos cancelados era com os Consórcios Itaboraí-URE e Itaboraí-HDT, compostos pelas empresas Delta, TKK Engenharia Ltda e a Projectus Consultoria Ltda. "O contrato com o Consórcio Itaboraí-URE, no valor de R$ 532 milhões, foi celebrado para realização de serviços de construção e montagem da Unidade Industrial de Tratamento, Recuperação e Armazenamento de Enxofre. Já o contrato com o Consorcio Itaboraí–HDT, no valor de R$ 311,5 milhões, objetivava os serviços de construção e montagem da Unidade de Hidrotratamento de Nafta", informou a Petrobras.
Segundo a estatal, o contrato com a Delta na obra da Etapa 2 da reforma e modernização da Unidade de Tratamento de Águas Ácidas da Reduc, que se encerra em junho próximo, está mantido. De acordo com a reportagem do O Globo, o contrato foi assinado em 2009, no valor de R$ 129 milhões.
A Petrobras não informou se existem outros contratos assinados com a Delta.
Segundo a assessoria de imprensa da J&F, o grupo recebeu com surpresa a informação sobre a rescisão do contrato e vai apurar o que ocorreu para tomar providências. A holding informou também que manterá o esforço para tentar preservar os cerca de 30 mil empregos da Delta em obras em todo o país.
Transferência de gestão
O executivo Humberto Junqueira Farias, 44, assumiu nesta segunda-feira (14) o cargo de presidente da Delta, após a J&F assumir a gestão da construtora. Pelo acordo de gestão fechado, a J&F terá direito de substituir toda a estrutura administrativa da Delta. De acordo com a companhia, uma auditoria será feita na construtora nos próximos meses pela KPMG e, a após os resultados, será tomada a decisão pela compra ou não da Delta.
Na sexta-feira, tanto o Planalto quanto a J&F negaram qualquer interferência do governo federal no processo de venda da Delta.
J&F
A J&F engloba os negócios da família Batista, a mesma que controla o JBS, além da Eldorado Brasil, do setor de celulose; a Flora, empresa de produtos de limpeza; e o Banco Original, com foco em financiamento do agronegócio.
Em março deste ano, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles passou a ser o presidente do conselho da J&F. A família Batista mostrou nos últimos anos ser uma especialista em formar grandes companhias por meio de aquisições a baixo custo de empresas em dificuldades financeiras.
Denúncias
Relatório da Polícia Federal apontou que Carlinhos Cachoeira passava informações sigilosas de licitações públicas para Claudio Dias Abreu, diretor afastado da Delta em Goiás. Áudios também apontam o envolvimento do ex-diretor da Delta Carlos Pacheco com o grupo. Fernando Cavendish, dono da construtora, foi citado em escutas, mas não conversa diretamente com Cachoeira. A PF diz que a Delta repassava dinheiro a empresas fantasmas controladas por Cachoeira.
Desde então, a empresa deixou obras nas quais participava em consórcio com outras empreiteiras e vem sofrendo pressão para abandonar empreendimentos estatais que toca sozinha. No último dia 25, a Delta divulgou um comunicado no qual a empresa assegurava que "continuará a cumprir seus contratos, obrigações e compromissos assumidos com seus fornecedores e clientes, com a habitual regularidade".
Poucos dias antes, no entanto, segundo notícias publicadas na mídia, a empresa deixou de fazer aportes no consórcio responsável pela reconstrução do Maracanã. No dia seguinte ao comunicado, a empresa deixava outro consórcio no Rio de Janeiro.
No final de abril, Cavendish anunciou sua saída do conselho de administração da empresa. Um antigo diretor da empresa deve ser chamado para prestar depoimento na CPI criada para investigar as denúncias contra Cachoeira e políticos, enquanto parlamentares ainda pressionam para que o novo presidente compareça à comissão.
fonte: g1.com
Estatal diz que rescisão 'foi motivada por baixo desempenho'.
Delta foi retirada de obras do Comperj com contratos de R$ 843,5 milhões.
A J&F, grupo que controla o JBS e que assumiu a gestão da gestão da Delta Construções, confirmou nesta terça-feira (15) que demitiu 800 funcionários após a decisão da Petrobras de rescindir contratos de R$ 843,5 milhões que mantinha com dois consórcios nos quais a construtora participava e que eram responsáveis por obras no Complexo Petroquímico do rio de Janeiro (Comperj).
De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira, no O Globo, os funcionários demitidos são 500 operários e 300 técnicos. Segundo o jornal, os consórcios terão que retirar as máquinas do Comperj a partir desta terça.
A Petrobras informou que os contratos foram rescindidos na última sexta-feira (11). "A rescisão foi motivada por baixo desempenho", afirmou a estatal, em nota. "A Petrobras está estudando a melhor solução para evitar impactos no cronograma do Comperj", acrescentou.
A empresa informou que os contratos cancelados era com os Consórcios Itaboraí-URE e Itaboraí-HDT, compostos pelas empresas Delta, TKK Engenharia Ltda e a Projectus Consultoria Ltda. "O contrato com o Consórcio Itaboraí-URE, no valor de R$ 532 milhões, foi celebrado para realização de serviços de construção e montagem da Unidade Industrial de Tratamento, Recuperação e Armazenamento de Enxofre. Já o contrato com o Consorcio Itaboraí–HDT, no valor de R$ 311,5 milhões, objetivava os serviços de construção e montagem da Unidade de Hidrotratamento de Nafta", informou a Petrobras.
Segundo a estatal, o contrato com a Delta na obra da Etapa 2 da reforma e modernização da Unidade de Tratamento de Águas Ácidas da Reduc, que se encerra em junho próximo, está mantido. De acordo com a reportagem do O Globo, o contrato foi assinado em 2009, no valor de R$ 129 milhões.
A Petrobras não informou se existem outros contratos assinados com a Delta.
Segundo a assessoria de imprensa da J&F, o grupo recebeu com surpresa a informação sobre a rescisão do contrato e vai apurar o que ocorreu para tomar providências. A holding informou também que manterá o esforço para tentar preservar os cerca de 30 mil empregos da Delta em obras em todo o país.
Transferência de gestão
O executivo Humberto Junqueira Farias, 44, assumiu nesta segunda-feira (14) o cargo de presidente da Delta, após a J&F assumir a gestão da construtora. Pelo acordo de gestão fechado, a J&F terá direito de substituir toda a estrutura administrativa da Delta. De acordo com a companhia, uma auditoria será feita na construtora nos próximos meses pela KPMG e, a após os resultados, será tomada a decisão pela compra ou não da Delta.
Na sexta-feira, tanto o Planalto quanto a J&F negaram qualquer interferência do governo federal no processo de venda da Delta.
J&F
A J&F engloba os negócios da família Batista, a mesma que controla o JBS, além da Eldorado Brasil, do setor de celulose; a Flora, empresa de produtos de limpeza; e o Banco Original, com foco em financiamento do agronegócio.
Em março deste ano, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles passou a ser o presidente do conselho da J&F. A família Batista mostrou nos últimos anos ser uma especialista em formar grandes companhias por meio de aquisições a baixo custo de empresas em dificuldades financeiras.
Denúncias
Relatório da Polícia Federal apontou que Carlinhos Cachoeira passava informações sigilosas de licitações públicas para Claudio Dias Abreu, diretor afastado da Delta em Goiás. Áudios também apontam o envolvimento do ex-diretor da Delta Carlos Pacheco com o grupo. Fernando Cavendish, dono da construtora, foi citado em escutas, mas não conversa diretamente com Cachoeira. A PF diz que a Delta repassava dinheiro a empresas fantasmas controladas por Cachoeira.
Desde então, a empresa deixou obras nas quais participava em consórcio com outras empreiteiras e vem sofrendo pressão para abandonar empreendimentos estatais que toca sozinha. No último dia 25, a Delta divulgou um comunicado no qual a empresa assegurava que "continuará a cumprir seus contratos, obrigações e compromissos assumidos com seus fornecedores e clientes, com a habitual regularidade".
Poucos dias antes, no entanto, segundo notícias publicadas na mídia, a empresa deixou de fazer aportes no consórcio responsável pela reconstrução do Maracanã. No dia seguinte ao comunicado, a empresa deixava outro consórcio no Rio de Janeiro.
No final de abril, Cavendish anunciou sua saída do conselho de administração da empresa. Um antigo diretor da empresa deve ser chamado para prestar depoimento na CPI criada para investigar as denúncias contra Cachoeira e políticos, enquanto parlamentares ainda pressionam para que o novo presidente compareça à comissão.
fonte: g1.com
terça-feira, 8 de maio de 2012
TRABALHO ESCRAVO...
Câmara deve votar PEC do trabalho escravo
Proposta prevê expropriação de fazendas onde condições forem degradantes
O esquema de recrutamento de mão de obra barata no interior do Maranhão e outros lugares do país, que prospera em regiões economicamente estagnadas do estado, poderá sofrer amanhã um revés na Câmara dos Deputados. Embora reconheça que o quórum exigido (308 votos favoráveis) é elevado, o deputado maranhense Domingos Dutra (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, esperar aprovar a Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) 438, que determina a expropriação ou encaminhamento à reforma agrária ou a uso social das propriedades onde for flagrado o trabalho escravo.
Nas cidades mais pobres do Maranhão, como Coroatá, Timbiras e Codó, na chamada região dos Cocais, funciona um movimentado sistema de agenciamento de trabalhadores baratos para as usinas de açúcar de São Paulo e para a construção civil em cidades desenvolvidas do Sudeste e Centro Oeste. Neste caso, apesar das condições severas de trabalho, os migrantes têm minimamente os direitos respeitados. A face mais cruel é a arregimentação de mão de obra para fazendas do próprio estado ou de estados vizinhos, onde os trabalhadores são submetidos a um sistema de semiescravidão, incluindo o constrangimento com o uso da violência.
De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), são escravizados a cada ano no Brasil cerca de 25 mil trabalhadores, muitos deles crianças e adolescentes. No mês passado, por exemplo, ação conjunta da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal flagrou condições degradantes na Fazenda Bonfim, zona rural de Codó. A propriedade pertence à Líder Agropecuária Ltda., empresa da família Figueiredo, e tem como sócio o deputado estadual Camilo de Lellis Carneiro Figueiredo (PSD-MA). Na fazenda, crianças e adultos bebiam a mesma água que o gado. Sete pessoas foram libertadas pelos fiscais.
Domingos Dutra explicou que a data de votação da PEC foi escolhida pela proximidade com 13 de maio, dia em que é celebrada a abolição da escravatura no Brasil. O projeto de emenda existe desde 1985 e foi votado em primeiro turno em 2004, quando obteve 326 votos a favor e dez contra. Domingos Dutra não teme resistência na bancada ruralista, apontada como principal foco de oposição.
- Não é possível que empresários sérios, que pagam seus impostos, estejam misturados com criminosos - disse o deputado.
Fonte: Agência Petroleira de Notícias, com informações de MST e O Globo
Proposta prevê expropriação de fazendas onde condições forem degradantes
O esquema de recrutamento de mão de obra barata no interior do Maranhão e outros lugares do país, que prospera em regiões economicamente estagnadas do estado, poderá sofrer amanhã um revés na Câmara dos Deputados. Embora reconheça que o quórum exigido (308 votos favoráveis) é elevado, o deputado maranhense Domingos Dutra (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, esperar aprovar a Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) 438, que determina a expropriação ou encaminhamento à reforma agrária ou a uso social das propriedades onde for flagrado o trabalho escravo.
Nas cidades mais pobres do Maranhão, como Coroatá, Timbiras e Codó, na chamada região dos Cocais, funciona um movimentado sistema de agenciamento de trabalhadores baratos para as usinas de açúcar de São Paulo e para a construção civil em cidades desenvolvidas do Sudeste e Centro Oeste. Neste caso, apesar das condições severas de trabalho, os migrantes têm minimamente os direitos respeitados. A face mais cruel é a arregimentação de mão de obra para fazendas do próprio estado ou de estados vizinhos, onde os trabalhadores são submetidos a um sistema de semiescravidão, incluindo o constrangimento com o uso da violência.
De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), são escravizados a cada ano no Brasil cerca de 25 mil trabalhadores, muitos deles crianças e adolescentes. No mês passado, por exemplo, ação conjunta da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal flagrou condições degradantes na Fazenda Bonfim, zona rural de Codó. A propriedade pertence à Líder Agropecuária Ltda., empresa da família Figueiredo, e tem como sócio o deputado estadual Camilo de Lellis Carneiro Figueiredo (PSD-MA). Na fazenda, crianças e adultos bebiam a mesma água que o gado. Sete pessoas foram libertadas pelos fiscais.
Domingos Dutra explicou que a data de votação da PEC foi escolhida pela proximidade com 13 de maio, dia em que é celebrada a abolição da escravatura no Brasil. O projeto de emenda existe desde 1985 e foi votado em primeiro turno em 2004, quando obteve 326 votos a favor e dez contra. Domingos Dutra não teme resistência na bancada ruralista, apontada como principal foco de oposição.
- Não é possível que empresários sérios, que pagam seus impostos, estejam misturados com criminosos - disse o deputado.
Fonte: Agência Petroleira de Notícias, com informações de MST e O Globo
REVISITANDO A HISTÓRIA.
| Um dia de desagravo a Vargas, Jango e Brizola |
|
VETA DILMA.
| Novo Código Florestal deve ser vetado por Dilma |
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quarta-feira, 2 de maio de 2012
CONVOCAÇÃO CCM
CONVOCAÇÃO
CONSELHO COMUNITÁRIO DE MARICÁ
ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA DIA 05/05/2012 (sábado)
Estamos convocando todas(os) as(os) representantes das entidades filiadas ao CCM, para participar da AGO do mês de maio para deliberar seguinte pauta:
1 - Agenda 21 Comunitária de Maricá;
2 - CCS-Maricá;
3 – COMCID;
4 – FAMMAR;
5 – CONCRECOMPERJ;
6 – APEDEMA;
7 - CAM; e
8 - Assuntos Gerais.
Horário: 15:00h
Local: Sede do CCM
Av. Roberto Silveira 166, sala 101 – em frente à Rodoviária de
Maricá - Centro – Município de Maricá – RJ
Maria da Conceição Michiyo Koide
Coordenação Geral
Conselho Comunitário de Maricá
domingo, 22 de abril de 2012
CORRUPÇÃO UMA TRAGÉDIA MUNDIAL...
Corrupção: crime contra a sociedade
Por Leonardo Boff*
Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69% lugar. Aqui ela é histórica, foi naturalizada, vale dizer, considerada com um dado natural, é atacada só posteriormente quando já ocorreu e tiver atingido muitos milhões de reais e goza de ampla impunidade. Os dados são estarrecedores: segundo a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) anualmente ela representa 84.5 bilhões de reais. Se esse montante fosse aplicado na saúde subiriam em 89% o número de leitos nos hospitais; se na educação, poder-se-iam abrir 16 milhões de novas vagas nas escolas; se na construção civil, poder-se-iam construir 1,5 milhões de casas.
Só estes dados denunciam a gravidade do crime contra a sociedade que a corrupção representa. Se vivessem na China muitos corruptos acabariam na forca por crime contra a economia popular. Todos os dias, mais e mais fatos são denunciados como agora com o contraventor Carlinhos Cachoeira que para garantir seus negócios infiltrou-se corrompendo gente do mundo político, policial e até governamental. Mas não adianta rir nem chorar. Importa compreender este perverso processo criminoso.
Comecemos com a palavra corrupção. Ela tem origem na teologia. Antes de se falar em pecado original, expressão que não consta na Bíblia mas foi criada por Santo Agostinho no ano 416 numa troca de cartas com São Jerônimo, a tradição cristã dizia que o ser humano vive numa situação de corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor) rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra idade”(8,21). O filósofo Kant fazia a mesma constatação ao dizer:“somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há uma força em nós que nos incita ao desvio que é a corrupção. Ela não é fatal. Pode ser controlada e superada, senão segue sua tendência.
Como se explica a corrupção no Brasil? Identifico três razões básicas entre outras: a histórica, a política e a cultural.
A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então as pessoas para sobreviverem e guardarem a mínima liberdade eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimento ilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essa prática deu origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual e injusta e à lei de Gerson que é tirar vantagem pessoal de tudo.
A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo, na indigente democracia e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. As elites trataram a coisa pública como se fosse sua e organizaram o Estado com estruturas e leis que servissem a seus interesses sem pensar no bem comum. Há um neopatrimonialismo na atual política que dá vantagens (concessões, médios de comunicação) a apaniguados políticos.
Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza antidemocrático, pois a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui violados pela cultura capitalista. Se tomarmos tais valores como critérios, devemos dizer que nossa democracia é anêmica, beirando a farsa. Querendo ser representativa, na verdade, representa os interesses das elites dominantes e não os gerais da nação. Isso significa que não temos um Estado de direito consolidado e muito menos um Estado de bem-estar social. Esta situação configura uma corrupção já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.
A cultural: A cultura dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são. Via de regra podemos dizer: quanto mais desigual e injusto é um Estado e ainda por cima centralizado e burocratizado como o nosso, mais se cria um caldo cultural que permite e tolera a corrupção.
Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico Lord Acton (1843-1902): ”o poder tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”. E acrescentava:”meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.
Por que isso? Hobbes no seu Leviatã (1651) nos acena para uma resposta plausível: “assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”. Lamentavelmente foi o que ocorreu com o PT. Levantou a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante. Garantiu a governabilidade a preço de mercantilizar as relações políticas e abandonar a bandeira da ética. Um sonho de gerações foi frustrado. Oxalá possa ainda ser resgatado.
Como combater a corrupção? Pela transparência total, por uma democracia ativa que controla a aplicação dos dinheiros públicos, por uma justiça isenta e incorruptível, pelo aumento dos auditores confiáveis que atacam antecipadamente a corrupção. Como nos informa o World Economic Forum, a Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes; o Brasil apenas, 12.800 quando precisaríamos pelo menos de 160.000. Mais que tudo, lutar por um outro tipo de democracia menos desigual e injusta que a persistir como está, será sempre corrupta, corruptível e corruptora.
Por Leonardo Boff*
Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69% lugar. Aqui ela é histórica, foi naturalizada, vale dizer, considerada com um dado natural, é atacada só posteriormente quando já ocorreu e tiver atingido muitos milhões de reais e goza de ampla impunidade. Os dados são estarrecedores: segundo a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) anualmente ela representa 84.5 bilhões de reais. Se esse montante fosse aplicado na saúde subiriam em 89% o número de leitos nos hospitais; se na educação, poder-se-iam abrir 16 milhões de novas vagas nas escolas; se na construção civil, poder-se-iam construir 1,5 milhões de casas.
Só estes dados denunciam a gravidade do crime contra a sociedade que a corrupção representa. Se vivessem na China muitos corruptos acabariam na forca por crime contra a economia popular. Todos os dias, mais e mais fatos são denunciados como agora com o contraventor Carlinhos Cachoeira que para garantir seus negócios infiltrou-se corrompendo gente do mundo político, policial e até governamental. Mas não adianta rir nem chorar. Importa compreender este perverso processo criminoso.
Comecemos com a palavra corrupção. Ela tem origem na teologia. Antes de se falar em pecado original, expressão que não consta na Bíblia mas foi criada por Santo Agostinho no ano 416 numa troca de cartas com São Jerônimo, a tradição cristã dizia que o ser humano vive numa situação de corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor) rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra idade”(8,21). O filósofo Kant fazia a mesma constatação ao dizer:“somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há uma força em nós que nos incita ao desvio que é a corrupção. Ela não é fatal. Pode ser controlada e superada, senão segue sua tendência.
Como se explica a corrupção no Brasil? Identifico três razões básicas entre outras: a histórica, a política e a cultural.
A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então as pessoas para sobreviverem e guardarem a mínima liberdade eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimento ilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essa prática deu origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual e injusta e à lei de Gerson que é tirar vantagem pessoal de tudo.
A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo, na indigente democracia e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. As elites trataram a coisa pública como se fosse sua e organizaram o Estado com estruturas e leis que servissem a seus interesses sem pensar no bem comum. Há um neopatrimonialismo na atual política que dá vantagens (concessões, médios de comunicação) a apaniguados políticos.
Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza antidemocrático, pois a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui violados pela cultura capitalista. Se tomarmos tais valores como critérios, devemos dizer que nossa democracia é anêmica, beirando a farsa. Querendo ser representativa, na verdade, representa os interesses das elites dominantes e não os gerais da nação. Isso significa que não temos um Estado de direito consolidado e muito menos um Estado de bem-estar social. Esta situação configura uma corrupção já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.
A cultural: A cultura dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são. Via de regra podemos dizer: quanto mais desigual e injusto é um Estado e ainda por cima centralizado e burocratizado como o nosso, mais se cria um caldo cultural que permite e tolera a corrupção.
Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico Lord Acton (1843-1902): ”o poder tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”. E acrescentava:”meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.
Por que isso? Hobbes no seu Leviatã (1651) nos acena para uma resposta plausível: “assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”. Lamentavelmente foi o que ocorreu com o PT. Levantou a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante. Garantiu a governabilidade a preço de mercantilizar as relações políticas e abandonar a bandeira da ética. Um sonho de gerações foi frustrado. Oxalá possa ainda ser resgatado.
Como combater a corrupção? Pela transparência total, por uma democracia ativa que controla a aplicação dos dinheiros públicos, por uma justiça isenta e incorruptível, pelo aumento dos auditores confiáveis que atacam antecipadamente a corrupção. Como nos informa o World Economic Forum, a Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes; o Brasil apenas, 12.800 quando precisaríamos pelo menos de 160.000. Mais que tudo, lutar por um outro tipo de democracia menos desigual e injusta que a persistir como está, será sempre corrupta, corruptível e corruptora.
*Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.
LEILÕES; CRIME DE LESA PÁTRIA
| Leilões de áreas petrolíferas não devem acontecer em 2012 |
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GREVES DO COMPERJ.
| Comperj: greve continua |
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terça-feira, 10 de abril de 2012
AINDA SOBRE VAZAMENTOS
| Produção de petróleo é interrompida por causa de vazamento |
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MAIS VAZAMENTOS....
| Petróleo vaza no campo de Roncador |
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quarta-feira, 4 de abril de 2012
Fotos do ato em frente ao Clube Militar
Comemorando o que?
Tortura; Golpe; Assassinatos; Desaparecimentos; Impunidade...
Fotos: Samuel Tosta
Fonte: Agência Petroleira de Notícias
Sem Terra assassinado
O trabalhador rural Sem Terra Pedro Bruno foi assassinado na manhã desta segunda-feira, (02) com vários tiros, próximo ao engenho Pereira Grande, no município de Gameleira, Zona da Mata Sul de Pernambuco
Pedro Bruno era assentado no Assentamento Dona (Margarida Alves), e se dirigia a outro assentamento, Frescudim, ambos também no município de Gameleira, quando foi alvejado por vários tiros de arma de fogo. A polícia foi avisada pela família, mas até o momento ainda não tinha chegado no local.
O MST acredita que o assassinato de Pedro Bruno tenha sido uma retaliação à reocupação do engenho Pereira Grande, que ocorreu na madrugada de ontem (01/04).
O engenho Pereira grande pertence à Usina Estreliana, e é uma das áreas mais emblemáticas de conflitos de terra no estado de Pernambuco. A área foi declarada de interesse social para fins de reforma agrária em novembro de 2003, mas depois de uma série de recursos impetrados, a Usina consegue barrar o processo de desapropriação quando a Ministra Ellen Gracie, então Presidente do Supremo Tribunal Federal, que havia dado imissão de posse da área ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) uma semana antes, revê sua decisão e determina que a imissão de posse e o seguimento da ação de desapropriação só poderão se dar após o julgamento final do processo. O caso está, desde então, pendente na justiça.
Ainda recai sobre a Usina Estreliana vários crimes trabalhistas. Em janeiro de 2010, o proprietário da Usina, Gustavo Costa de Albuquerque Maranhão, que havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), foi condenado, a quatro anos e meio de reclusão, por deixar de repassar ao INSS, durante 18 meses, as contribuições previdenciárias recolhidas no valor de mais de R$ 600 mil de seus empregados.
No último dia 08 de março, cerca de 200 mulheres do MST realizaram um ato na engenho Pereira Grande, exigindo a desapropriação da área e condenando as consequências econômicas e sociais do monocultivo de cana na região. Na ocasião elas foram cercadas por pistoleiros do engenho que disparara vários tiros contra as camponesas.
A impunidade incentiva a violência do latifúndio
No dia 23 de março de 2012, o trabalhador Rural Sem Terra Antônio Tiningo foi assassinado em uma emboscada quando se dirigia para o acampamento da fazenda Açucena, no município de Jataúba, agreste de Pernambuco. Tiningo era um dos coordenadores do MST na região.
No mesmo dia, pistoleiros atiraram contra famílias Sem Terra acampadas próximo à fazenda Serro Azul, no município de Altinho, também no agreste de Pernambuco. Duas mulheres e uma criança foram atingidas.
Em outubro do ano passado, o trabalhador rural Sem Terra José Amaro da Silva, desapareceu na zona da mata de Pernambuco quando saía do acampamento do MST no Engenho Brasileiro, município de Joaquim Nabuco, mais umas das áreas de conflito agrária do estado.
O MST e organizações de direitos humanos como a Terra de Direitos vem denunciando amplamente a violência no campo em Pernambuco: pistoleiros recebem R$ 50,00 por dia para atirarem contra trabalhadores rurais Sem Terra; fazendeiros andam armados e ameaçam agricultores até mesmo em suas próprias casas; a polícia atua como segurança privada de fazendas, intimidando e ameaçando famílias Sem Terra; delegados, juízes e promotores legitimam o uso de violência e de milícias armadas por parte de proprietários de terra; trabalhadores rurais desaparecem e são mortos em emboscadas.
Mas tanto o Governo Estadual, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e demais órgãos responsáveis parecem continuar de braços cruzados.
Fonte: MST
Inea investiga causa de vazamento de óleo no litoral do Rio
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) divulgou hoje (2), por meio de sua assessoria de imprensa, que continua investigando as causas do derramamento de aproximadamente 1,6 mil litros de óleo a 20 quilômetros de Maricá, município da região metropolitana do Rio. O trabalho de investigação é feito pelo Serviço de Operações de Emergência (Sopea) do instituto, a Petrobras e a Capitania dos Portos.
Os técnicos do Inea, juntamente com os da Petrobras, sobrevoaram a área e acreditam que o óleo derramado no mar tenha saído de um navio. A hipótese foi levantada pelo fato de a mancha ter sido localizada em uma rota de navegação. Como a mancha dissipou-se rápidamente devido à forte insolação, não foi possível coletar amostras do material para análise.
O rastro de óleo, de aproximadamente 2 quilômetros, foi localizado no último sábado (31) por pescadores, nas proximidades da Praia de Ponta Negra, em Maricá.
O litoral do Rio vem sofrendo, nos últimos meses, derramamentos de óleo. Em novembro do ano passado, a empresa americana Chevron foi responsável pelo vazamento de cerca de 2,4 mil barris de petróleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no norte fluminense.
Em março deste ano, na tentativa de restabelecer as atividades no local, a Chevron registrou outro vazamento, preocupando os órgãos ambientais. Como punição, a empresa teve a licença de exploração suspensa pela Justiça e seus executivos foram proibidos de deixar o país até o fim das investigações para apurar as responsabilidades. A empresa pode pagar indenizações que, somadas, podem chegar a R$ 20 bilhões.
APA de Guapimirim - Denúncia à população (e aos parlamentares)...
Última área natural da Baía da
Guanabara está seriamente ameaçada!
A Área de Proteção Ambiental
(APA) de Guapimirim é uma unidade de conservação ambiental federal, criada em
1984, responsável pela proteção da maior floresta de manguezal do Estado do Rio
de Janeiro, no fundo da Baía de Guanabara.
É a última área natural da baía,
testemunho do que era este ambiente desde antes da colonização do país. Seu
valor histórico e ecológico é inestimável. Graças a este manguezal ainda há
vida na Baía de Guanabara, esperança e inspiração para sua regeneração.
Dele dependem milhares de
pescadores artesanais, gente batalhadora forjada na dura
lida no mar, rios e mangues.
Mas a ambição e a busca
desenfreada pelo lucro apresentam neste momento ameaça concreta à manutenção
desta área. Para atender ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro-COMPERJ
várias obras estão em curso, com graves impactos diretos sobre a APA.
A mais recente ameaça é a
possibilidade de utilização dos rios da APA Guapimirim como hidrovia para
passagem de gigantescas embarcações, levando equipamentos pesados ao COMPERJ.
Obras do Comperj vão destruir APA
Esta atividade, se ocorrer,
selará o início do fim da APA Guapimirim. No entanto, existe uma alternativa a
esse projeto que já foi, inclusive, licenciada
ambientalmente. Trata-se da construção de um porto em São Gonçalo , que
atenderia tanto aos interesse do Comperj, quanto da população local. Os moradores da região poderiam contar com
esta estrutura como alternativa sustentável para o transporte, após sua
utilização industrial.
Já o projeto da hidrovia, em
razão de seus evidentes impactos ambientais, foi rejeitado em todas instâncias
pertinentes: Instituto Estadual do Ambiente - INEA, Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente - IBAMA, Instituto Chico Mendes - ICMBio e o Conselho Gestor da
APA Guapimirim (composto por órgãos públicos e da sociedade civil, como
universidades, colônias e associações de pesca e ONGs ambientalistas).
Apesar disso, embora os órgãos
ambientais e a sociedade organizada já tenham se pronunciado contra este
projeto, a direção da Petrobrás insiste na hidrovia. Numa atitude traiçoeira e
absolutamente desalinhada com os mais básicos princípios democráticos que
deveriam reger nossas instituições, a Petrobrás optou por fazer lobby político
junto ao Ministério do Meio Ambiente e forçar uma revisão da decisão que havia
sido tomada.
Direção da Petrobrás insiste no erro
Sem resistir às pressões, o
Ministério do Meio Ambiente sinalizou com uma medida autoritária e injusta: a
exoneração do chefe da APA Guapimirim, que sempre se manifestou aberta e
corajosamente contra as atividades do Comperj, que configuram risco de MORTE à
APA Guapimirim.
Até quando o capital valerá mais
do que a vida? Até quando interesses privados das grandes corporações
prevalecerão sobre os legítimos interesses coletivos, representados pelo meio
ambiente ecologicamente equilibrado? Até quando aqueles que se manifestam
contra o status quo serão
simplesmente jogados para escanteio? Será esta a mensagem que o Brasil quer
passar ao mundo, às vésperas da RIO+ 20?
Em defesa da VIDA, em defesa da
BAÍA de GUANABARA, em defesa da APA GUAPIMIRIM, em defesa dos PESCADORES que
dependem da APA, em defesa dos TRABALHADORES da Petrobras, que não aprovam a
truculência na direção da empresa exigimos:
Que o Ministério do Meio Ambiente
reveja esta posição escandalosa e que a direção da Petrobrás abandone imediata
e publicamente a absurda ideia de transformar a última área natural da Baía de
Guanabara, patrimônio natural inestimável do Rio de Janeiro, do Brasil e do
mundo, em pátio de manobra para atividades predatórias ao meio ambiente e
às pessoas que dele dependem.
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